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Especial Hajj - Perguntas postas a M. Yiossuf Adamgy
Pergunta: Hajj-Mabrur (A Peregrinação aceita por Allah). Alguns acidentes são possivelmente inevitáveis, dada a enorme aglomeração de seres humanos na Peregrinação a Meca. Mas em termos Alcorânicos há algum significado especial numa morte que ocorra durante o ritual da Hajj? As almas de tais vítimas são recebidas de modo diferente no Paraíso?
Resposta: Um Muçulmano que morra durante a Hajj leva no seu coração a noção que morreu em Solo Sagrado. Na tradição Muçulmana, isto significa que tem acesso imediato ao Paraíso. Morrer em Solo Sagrado é uma bênção. Isto atenua o sofrimento e a dor dos familiares destas pessoas.
Pergunta: O Governo Saudita tem sido largamente avisado nos anos recentes para efectuar melhoramentos nas logísticas e no controlo da multidão durante a Hajj. Que mais pode ele fazer para evitar que acidentes, tais como os que têm acontecido, ocorram no futuro?
Resposta: Eu não sou perito em controlo de multidões mas penso que dividir a multidão em unidades mais pequenas e fazer com que elas sigam grupo a grupo, pudesse ajudar. A maior parte da dificuldade parece centrar-se à volta da Jammarat – a área onde acontece o arremesso de seixos. Esperemos que os peritos sejam capazes de centrar as suas atenções nesta área agora que não restam dúvidas de onde o foco do problema está. O segredo relativamente à multidão de Jammarat é nunca apanhar qualquer coisa que tenha deixado cair ao chão. Se deixar cair algo, que deixe ficar. Deve continuar a andar em frente. Infelizmente as pessoas param para apanharem o que deixam cair. E é então que ficam num aperto. Portanto a educação tem também lugar aqui. Felizmente, este ano parece-me que não houve muitos acidentes, devido a recente remodelação havida em Jammarat.
Pergunta: Mais ou menos quantas pessoas participam na Hajj?
Resposta: Este ano, de acordo com as informações que tive, participaram aproximadamente três milhões de pessoas, provenientes de cerca de 170 países diferentes. Se se caminhar no meio da multidão, ouvem-se tantas línguas diferentes e vêem-se tantas caras diferentes, cores de pele diferentes, alturas, pesos e maneiras diferentes. Aqui se compreende que o Islão é, sem dúvida, uma religião universal.
Pergunta: A conversão ao Islão é popular?
Resposta: Parece ser. Veja-se que nos Estados Unidos o Islão acrescentou mais de 2 milhões de pessoas aos seus números nos últimos 10 anos. Em França, houve um acréscimo de mais de um milhão nos últimos cinco anos. Na Inglaterra, também. E diz-se que é a religião em mais rápido crescimento no mundo. A conversão é particularmente interessante no mundo Ocidental. É um processo muito fácil, e há tantos conceitos partilhados entre o Islão, Cristianismo e Judaísmo que a conversão é uma questão relativamente simples.
Pergunta: Já viu alguma outra peregrinação religiosa tão numerosa e organizada em qualquer outra parte do mundo?
Resposta: Não, não vi. Esta é uma imagem que mais fortemente fica retida na minha memória em relação à Hajj (Peregrinação anual a Meca). A ideia de orar cinco vezes por dia em todo o mundo, é uma ideia muito ordenada. Ver esta ideia posta em acção por quase 3 milhões de pessoas num só espaço, ao mesmo tempo, é quase incrível. Quando se efectua qualquer oração na Grande Mesquita em Meca, com tanta gente, fica um tal silêncio que se pode ouvir o sussurrar das roupas à medida que as pessoas mudam as suas posições. É um acontecimento assombroso, espectacular. Assim como é imponente e majestosa a Grande Mesquita de Meca com a Caaba no Centro. Não haverá em todo o mundo templo religioso igual.
Pergunta: Existe algum plano para construir um transporte público adequado? (por exemplo, transporte sistema de carril, metropolitano, etc.) em Meca e Medina?
Resposta: Essa é uma boa questão. Cerca de metade dos peregrinos actualmente vão a pé de Arafat de regresso a Meca, que é a parte mais longa da jornada. Os peregrinos ficam cansados de camiões e autocarros e automóveis, que andam a passo de caracol Diz-se que houve uma experiência com um comboio há 25 anos atrás. Era um pequeno mono carril. Até agora essa ideia não foi desenvolvida. E enquanto isso não acontece, a melhor coisa a fazer é ir a pé — na minha opinião. Mas espero que haja mais investigação nessa questão, promovida pelo guardião dos dois lugares sagrados do Islão.
Pergunta: De acordo com o Islão, todos os Muçulmanos constituem uma Comunidade, ou Ummah. Mas há no Islão algumas escolas de pensamento, com diferentes interpretações de religião – que vão desde o Sufismo até à interpretação Islâmica dos Taliban no Afeganistão. Existe algum esforço por parte dos eruditos e clérigos a fim de, enfim, andar para a frente e reconciliar as várias ramificações, com a finalidade de fortalecer ainda mais a fé e a sua propagação? Ou há lugar numa "grande tenda" para todas as interpretações?
Resposta: Ambas as coisas. Há muita literatura na tradição Islâmica, muito viva, incluindo diversos pontos de vista. Ao mesmo tempo há uma forte tendência para dar às outras pessoas o seu direito e os seus pontos de vista, mesmo que não sejam o seu próprio. As pessoas são pessoas. Às vezes elas discutem. A maioria das pessoas gostaria de se dar bem e isto é verdade também para os Muçulmanos.
Pergunta: Tem alguns pensamentos finais que queira partilhar hoje connosco?
Resposta: A Hajj é um acontecimento que os Muçulmanos fazem uma vez na vida se para tal tiverem possibilidades financeiras e físicas. E é uma experiência única. Visto do lado de fora pode parecer caótico. Por dentro, esta é uma multidão calma, cumprindo um acontecimento espiritual, numa geografia sagrada. Isso significa muito para cada um deles. Há vinte e cinco anos atrás, em Abril de 1982, a convite do Reino da Arábia Saudita para participar, como concorrente, no IV Ano das Celebrações de Concursos Internacionais da Recitação do Sagrado Alcorão em Meca, avistei, pela primeira vez, a Baitullah — a primeira Casa Sagrada sobre a Terra, para adoração de um só Deus. Fiz a minha primeira Umra (Pequena Peregrinação). Na altura, tivemos, graças a Deus, a oportunidade quase única de receber das mãos do Rei um pedaço de "Guilaf", o pano tecido à mão unicamente para a cobertura da Ka’bah, e a transposição da porta desta, especialmente aberta para os concorrentes entrarem nela (onde cada um de nós fez dois Raccat de Salaat), coisas que constituíram uma espécie de privilégio, dado que raras são as pessoas assim contempladas. Al-ham-dulillah! (Louvado seja Deus!) Vinte e cinco anos depois, novamente fui abençoado por Deus, pois voltei, mas desta feita para fazer a minha Hajj (Peregrinação a Meca), para cumprir o último mandamento do Islão, rogando e esperando que Deus tenha aceite a Hajj de todos aqueles que, este ano, de diversos pontos do mundo, vieram dizer: «Aqui estou eu ao Teu Serviço, Senhor». A Hajj (Peregrinação a Meca) pode estar na comunicação social (Televisão, Rádio, Internet, Livros...) mas tem lugar, só e exclusivamente, no coração dos crentes.