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A Preservação do Alcorão

Por: M. Yiossuf Adamgy (09.Fevereiro.2015 / 20.Rabial Akhir.1436)

In livro “Sobre o Alcorão” — Edição de Al Furqán (ver aqui: http://www.alfurqan.pt/index.php/montra-de-livros/islao-em-geral/sobre-o-alcorao-detail)

 

Existem, actualmente, centenas de religiões que prosperam um pouco por todo o Mundo: o Judaísmo, o Cristianismo, o Islão, o Budismo, o Siquismo, o Hinduísmo, o Bahaismo, o Babismo, o Zoroastrianismo, o Mormonismo, o Jainismo, o Confucianismo, as Teste-munhas de Jeovás, etc. E cada uma destas religiões reivindica que, as escrituras que defendem, são as mesmas desde o dia em que foram reveladas (escritas), até aos dias de hoje.

Uma crença religiosa é tão verdadeira como o é a autenticidade das escrituras que segue. E para que uma qualquer escritura possa ser tida como uma escritura que foi verdadeiramente preservada, esta tem que obedecer a determinados critérios concretos e racionais.

Imagine a seguinte cena: Um professor lecciona durante três horas seguidas. Suponha ainda que nenhum dos seus alunos memo-riza o que por ele foi dito ou escrito. Presentemente, quarenta anos depois dessa mesma aula ter sido dada, caso estes mesmos alunos decidam reproduzir na íntegra o discurso proferido pelo professor, palavra por palavra, conseguirão fazê-lo? Evidentemente que não! Isto porque, as duas únicas maneiras de preservar algo para a História, consistem na escrita e no poder da memória. Por conseguinte, a alguns daqueles que defendem que as escrituras que seguem se encontram no seu estado puro, torna-se-lhes necessário apresentar provas de que essa Escritura foi escrita no seu todo e completamente memorizada desde que foi revelada, até aos dias de hoje, numa sequência linear e ininterrupta. Caso o momento da memorização não coincida com o da escrita, agindo como se de uma verificação e de um equilíbrio se tratasse, então, existe a verdadeira possibilidade de que a escritura escrita possa ter perdido a sua pureza devido a interpolações intencionais e não intencionais resultantes de erros por parte dos escribas, a adulterações causadas por inimigos, as páginas que se decompuseram, etc., sendo que estes erros seriam concorrentemente incorporados nos textos subsequentes, levando a que, por fim, e ao longo do tempo, se perdesse a pureza inicial.

Presentemente, de todas as religiões atrás mencionadas, existe alguma que possua as suas escrituras completamente intactas desde o dia em que foram reveladas, até aos dias de hoje, TANTO na forma escrita, COMO em memória?

Nenhuma delas obedece a este critério, com excepção de uma: esta única escritura é o Alcorão – a revelação concedida ao último Profeta de Deus, Muhammad ﷺ há 14 séculos, e que se pretende ser uma orientação para toda a humanidade.

Analisemos, pois, a reivindicação da preservação do Alcorão.

 

O Profeta Muhammad ﷺ: O Primeiro Memorizador

Foi nesta sociedade “oral”, no ano de 570 D.C., que o Profeta Muhammad ﷺ nasceu em Meca. Aos 40 anos, o Profeta começou a receber as divinas Revelações do Deus Único, (ár. Allah), as quais lhe eram transmitidas por intermédio do Arcanjo Gabriel. Este processo de transmissão de divinas Revelações prosseguiu ao longo de aproximadamente 22 anos e meio, altura em que o Profeta faleceu.

Milagrosamente, o Profeta Muhammad ﷺ memorizou cada uma das revelações e tinha por hábito proclamá-la aos seus Companheiros. A cada ano, o Arcanjo Gabriel costumava avivar as memórias Alcorânicas do Profeta.

O Profeta ﷺ era a mais generosa das pessoas e tinha por hábito sê-lo ainda mais no mês do Ramadão, o que se devia ao facto de o Arcanjo Gabriel costumar visitá-lo a cada noite do mês de Ramadão, isto desde que este começava até ao momento em que terminava. O Anjo costumava recitar-lhe o Alcorão. Quando Gabriel o visitava, o Profeta ﷺ tornava-se ainda mais generoso, sendo mais rápido do que o próprio vento a praticar o bem”.[1]

Uma vez por ano, Gabriel costumava repetir a recitação do Alcorão juntamente com o Profeta (s.a.w.) mas, no ano em que este faleceu, repetiu-a duas vezes”. [2]

O próprio Profeta tinha por hábito permanecer acordado grande parte da noite, orando e recitando o Alcorão de memória.

 

Os Companheiros do Profeta: A Primeira Geração de Memorizadores

O Profeta Muhammad ﷺ encorajou os seus Companheiros (r.a.) a aprenderem e a ensinarem o Alcorão:

Os melhores de entre vós (Muçulmanos) são aqueles que aprendem o Alcorão e o ensinam”.[3]

Alguns dos Companheiros do Profeta que memorizaram o Alcorão foram: ‘Abu Bakr, Umar, Uthman, Ali, Ibn Masud, Abu Huraira, Abdullah bin Abbas, Abdullah bin Amir bin al-As, Aisha, Hafsa e Umm Salama”.[4]

Abu Bakr (r.a.), o primeiro Muçulmano do sexo masculino a converter-se ao Islão, tinha por hábito recitar o Alcorão publi-camente, em frente à sua casa, em Meca”.[5]

O Profeta Muhammad ﷺ ouvia também a recitação do Alcorão por parte dos seus Companheiros: “O Apóstolo de Allah (s.a.w.) disse-me o seguinte (Abdullah bin Mas’ud): “Recita-me o Alcorão”. Respondi-lhe: “Poderei eu recitar-to, quando este foi a ti revelado?, ao que ele respondeu: “Gosto de ouvir os outros a recitarem-no”. Assim sendo, recitei-lhe a Sura-an-Nissa, até que cheguei à parte que diz: «Que será deles quando Nós trouxermos uma testemunha de cada Povo e te trouxermos a ti (ó Muhammad), como testemunha contra todos eles?» (4:41). Nessa altura, ele disse: “Pára!”. Observei, então, que dos seus olhos escorriam lágrimas”. [6]

Muitos dos memorizadores do Alcorão (Qurra) foram contemporâneos do Profeta Muhammad ﷺ e, mais tarde, disseminaram-se por todo o mundo Islâmico de então.

Aquando da Batalha de Yamama, muitos dos memorizadores do Alcorão foram martirizados”. Zaid bin Thabit al Ansan, um dos que costumavam escrever as Revelações Divinas, refere o seguinte: Após as duras baixas sofridas pelos guerreiros que haviam participado na Batalha de Yamama, onde pereceram inúmeros memorizadores, Abu Bakr (r.a.) chamou-me à sua presença. A

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