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Introdução

O Charme dos Caracteres Árabes

A caligrafia árabe foi considerada, desde a aurora do Islão, como uma arte estética de grande importância porque ela reflecte o espírito da civilização árabe-islâmica. Ao formar os caracteres da escrita à sua maneira, com muito gosto e finura, a caligrafia provou que as letras se podiam transformar nas suas mãos num instrumento dócil capaz de fazer resplandecer a beleza e extrema delicadeza dos caracteres árabes.

Isso permitia-lhes criar uma multitude de obras de arte que, até agora, enfeitiçam os espíritos e cativam a imaginação.

Eis o que diz a este propósito o Dr. Zaki Mohamed Hassan: “As cinzeladuras caligráficas estão entre as mais belas obras artísticas. Em pouco tempo, a caligrafia árabe progrediu muito e tornou-se um esplêndido meio de ornamentação. É muito raro encontrar um monumento histórico sem o ver coberto de inúmeros versos escritos de maneira maravilhosa, o que lhe dá muito esplendor e faz sobressair o seu valor”.

A caligrafia árabe penetrou todos os domínios. Pode-se vê-la incrustada sobre a madeira, o vidro, o marfim, o ouro, a prata, o cobre, o dinheiro, assim como sobre a pedra, o mármore, as tapeçarias, os tecidos, os trabalhos de artesanato e, bem entendido, os manuscritos. Está presente em toda a parte pois sem ela, não importa que obra perde muito da sua graça e da sua beleza. “Os caracteres árabes, como notou um especialista, fazem parte integrante de duas artes importantes de que se orgulha a civilização árabo-islâmica: o arabesco e a arte de formar as letras”. É portanto uma simbiose de múltiplos elementos. Isto, naturalmente, contribui para fazer sobressair o seu esplendor estético.

Para atingir o ideal, o calígrafo inspirou-se na arquitectura árabe, nos valores espirituais do Islão e nas formas abstractas que são muito apreciadas no mundo islâmico. Estas formas, no entanto, são o símbolo de uma espiritualidade avançada e de um sentido da estética refinado.

Os caracteres árabes são de uma maleabilidade incomparável. Podem ser talhados de diferentes maneiras para tomar, finalmente, a forma de um monumento, de uma flor, de um vaso, de um pássaro, de um qualquer animal. Isto confere-lhe, praticamente, uma riqueza ornamental ilimitada. Assim, o “Thoulth” reflecte o brotar da alma e arrojar-se em direcção ao infinito. O “Nouskh” distingue-se pela sua elegância e a sua provocação do sentimento estético, enquanto que o “Koufi” significa estabilidade e constância. Os especialistas concordam em dizer que os caracteres são tão delicados e tão maleáveis que podem, de facto, tomar toda a espécie de formas geométricas e artísticas. Para se convencer disso, basta ver uma exposição de caligrafia árabe. Maravilhamo-nos com a riqueza e a variedade dos símbolos que ela exprime. Tão depressa se trata de uma flor de pétalas abertas como de uma árvore que se ergue majestosamente no firmamento; tão depressa se trata de uma pomba branca que estende as suas asas como de um leão cujos olhos refulgem de furor.

É por isso que toda a obra artística recorre à caligrafia árabe. Esta enche o vazio, embeleza os detalhes e dá ao conjunto um aspecto majestoso e imponente.

Este génio plástico que encerra a caligrafia árabe inspirou muitos homens que se entregam às artes plásticas. Servem-se deles para dar mais lustro às suas pinturas e às suas esculturas.

Assim foi criada uma “associação dos calígrafos árabes” para que este génio que é uma dádiva do nosso património conserve os seus traços essenciais e claridade da sua beleza.

Actualmente a caligrafia árabe tem o direito de cidade. Ela impõe-se na imprensa, nos meios de informação, nos diversos organismos do Estado, nas escolas, universidades, mesquitas, igrejas. A sua presença é sinal de bom gosto e de refinamento artístico.

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Estilos Caligráficos

O desenvolvimento da Caligrafia Árabe (escolha uma categoria), originou a criação de vários estilos decorativos, que foram utilizados para “acomodar” necessidades especiais ou gostos e para impressionar outrem. As técnicas mais espectaculares da caligrafia ou estilos de escrita Árabe são:

Gulzar: Safadi (1979) em Caligrafia Islâmica define Gulzar como sendo a técnica de preencher a área entre os contornos de grande letras, com vários ornamentos, como por exemplo: Desenhos florais, cenas de caça, retratos, pequenos escritos, formas geométricas e outros motivos. Gulzar é geralmente usado em caligrafia composta que é também rodeada por outras decorações.

Maraya ou Muthanna: Maraya ou Muthanna é chamada a técnica do espelho, em que a composição da esquerda reflecte a composição da direita.

Zoomorphic: Na caligrafia Zoomorphic as palavras são manipuladas e estruturadas para que se assemelhem à figura humana, de aves, de animais ou de objectos. Safadi salienta que os estilos de Thulut, Naskh e Nasta’liq são extensivamente usados para criar tais composições.

Tughara: O estilo de Tughara é um tipo de caligrafia única, que é usada como um selo real. A Nishanghi ou Tughrakesh é o único estilo especializado neste tipo de caligrafia. O uso excessivo de adornos predomina neste estilo, que foi muito usado pelos oficiais do império Otomano.

Siyaqat: Siyaqat é outro estilo desenvolvido pelo Império Otomano e muito utilizado pelos mesmos; Foi usado em Instituições Oficiais e Tribunais. Siyaqat tem uma parecença com o estilo de Kufic, onde o traço é direito e “pesado” e relativamente angular.

Al-Khat al-Hurr: Al-Khat al-Hurr, é talvez, o estilo de caligrafia mais recente, foi desenvolvido em diferentes partes do Mundo Árabe por volta dos anos 80. É um estilo livre que não segue nenhuma regra, mas é extremamente elegante. O traço contrasta entre si, um traço pode mudar bruscamente do mais “pesado” que a caneta pode produzir para o mais “leve” da mesma caneta.