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A História Profética: Ismael (paz esteja com ele)

O Profeta Muhammad (s.a.w.) foi descendente directo do Profeta Ismael (a.s.)

 

Coord. Por: M. Yiossuf Adamgy

08.Setembro.2016 /06.Zu-al-Hijjah.1437

 

 

Eram três pessoas benditas: Abraão (a.s.), a sua esposa Hagar (a.s.) e o seu filho Ismael (a.s.) nos seus braços, que viajavam para partes desconhecidas dos desertos da Arábia. Na realidade a viagem entranhava um mistério.

Uma manhã, Abraão e Hagar chegaram à presença de Sara… O pequeno Ismael gatinhava e sorria a todos. Abraão tinha um porte muito sério. Parecia que ia dizer algo importante. Mais tarde, deu a ordem de viajar. Não puderam dizer nem perguntar nada.

— Porquê? Para onde? — Perguntavam-se.

É óbvio que Abraão não fazia nada por si mesmo. Era uma Ordem Divina. Sara despediu-se …. O pequeno Ismael não compreendia nada ao despedir-se da primeira esposa do seu pai.

Passaram os dias e os meses. Os três benditos viajantes passaram por montanhas, dunas, desertos e rios. Por fim, chegaram aos desertos arábicos.

Abraão deixou Ismael sobre as areias do deserto. Olhou profundamente os olhos do seu filho. Ismael sorria apesar do calor abrasador, do Sol e das dunas abrasadoras. Abraão dificilmente podia suportar a dor de abandoná-los no deserto. Estava a ponto de romper a chorar. Olhou o seu filho pela última vez e depois, voltou-se e começou a andar.

Hagar estava confusa ao ver Abraão ir. «Onde podia ir? Junto a quem os deixava neste deserto? O que comeriam e beberiam? Quem os protegeria dos ataques dos animais selvagens?»

Hagar correu atrás de Abraão e perguntou:

— Onde vais, deixando-nos aqui?

A pergunta de Hagar desapareceu no vasto espaço do deserto. O Profeta Abraão (a.s.) andava sem olhar para trás. No seu interior desatava-se toda a classe de tempestades emocionais. Hagar continuou a correr atrás dele, deixando o seu filho atrás. Chamou-o outra vez:

— Senhor meu!

De repente calou-se. Compreendeu tudo. Era uma ordem de Deus. Quando Abraão ficou entre a ordem e os seus sentimentos, escolheu a ordem de Deus sem pensar nem um momento. Hagar perguntou outra vez:

— É uma ordem de Deus?

Sim, era uma ordem de Deus. Então, não restava mais alternativa que admiti-lo. Hagar compreendeu os senti-mentos de Abraão e disse para o consolar:

— No caso de ser uma ordem de Deus, sei que Ele está connosco. Podes ir tranquilo. Deus proteger-nos-á aqui!

Ismael olhou para trás, para o seu pai, até que desa-pareceu. Quando compreendeu que o seu pai se tinha ido, começou a chorar. A sua mãe chorava também assim como o seu pai atrás da duna. Os anjos não puderam suportá-lo mais e começaram a chorar. Todas as criaturas choravam pela triste cena… Os céus, a terra, as montanhas…

Abraão abriu as mãos e suplicou a Deus:

— Senhor Meu! Louvado sejas! Vês e ouves tudo no Universo! Deixei a minha família naquele vale árido em que não há nem uma folha verde, próximo da Tua Casa Sagrada. Estou seguro que és Aquele que os protegerá!

Ismael sorriu quando regressou a sua mãe. Hagar apertou o seu filho contra o seu peito. Caíram umas lágrimas sobre a cara luminosa de Ismael.

No deserto, a água é igual à vida e a falta de água é a morte segura. Passados uns dias, a água tinha termi-nado. Ismael começou a chorar de sede. Hagar levan-tou-se e começou a procurar água. Esperava encontrar um oásis no deserto. Viu uma duna mais à frente, a duna de Safa. Subiu a duna e olhou para o horizonte. Procurou uma pessoa, uma árvore ou um poço. Mas não havia nada no horizonte senão a nebulosa do calor. Desceu da duna de Safa e subiu à outra duna, a duna de Marwa. Olhou em seu redor mas os seus esforços para encontrar água foram vãos. Não havia nada senão vastos de areia.

Ismael chorava quando via que a sua mãe corria entre as dunas. Era muito difícil para um menino ficar sem água horas e horas. Mas era uma prova para Ismael. Deus queria que o Seu Mensageiro crescesse nas situa-ções mais difíceis. Sete vezes vagueou entre as duas dunas e por isso, os muçulmanos vão e vêm sete vezes quando realizam a Peregrinação para recordar os sentimentos de Hagar e compreender os sucessos desse dia.

Hagar estava muito cansada mas continuava a correr. Fazia um calor intenso. Ela chorava muito pelo seu filho, não por si mesma. Quem podia aguentar esta situação?

Os anjos começaram a chorar e suplicaram a Deus, o Misericordioso. Deus contemplava a cena também. Não há nada que permaneça em segredo para Ele.

A compaixão de todas as criaturas é uma gota no mar da Compaixão Divina. É óbvio que havia um segredo neste sucedido. Deus queria que os acontecimentos fos-sem bordados como uma epopeia nas páginas da história da humanidade. Queria que o ocorrido neste deserto, que estava muito longe da civilização, corresse de boca em boca, séculos e séculos. Queria que todo o mundo compreendesse o Milagre Divino. Era uma manifestação do poder de Deus. Quem é mais poderoso que Ele no Céu e na Terra? O mesmo Poder enviaria o Último Profeta, o Profeta dos Profetas (paz e bênçãos de Deus estejam com ele) no futuro.

O Todo-Poderoso enviou o anjo Gabriel à Terra. Quan-do o pequeno Ismael viu Gabriel, esqueceu-se da sede e começou a sorrir. Que belo era o anjo! Ismael chamava Gabriel com a mão; queria brincar com ele. Depois, co-meçou a golpear a terra com os seus pequenos pés.

De repente começou a brotar água de dentro das areias, da terra erma. Era um milagre! Não é Deus o Todo-Poderoso? Hagar tinha voltado junto a seu filho desesperançada, mas quando viu Ismael a brincar com a água, não soube o que fazer. A tristeza converteu-se em alegria, Abraão tinha confiado em Deus e mãe e filho beberam até se fartar. Cercaram a zona, sendo denominada, a partir desse momento, como o Poço de Zamzam.

Zamzam levou a vida à zona. Graças à água a erva começou a crescer na areia. Todo o vale se encheu de verdura. Dentro do deserto infernal nasceu um paraíso. Veio muita gente ver a água e a erva; construiu-se ali uma nova sociedade.

Passaram os anos, Ismael cresceu. Tinha treze ou catorze anos. Quando Abraão veio para visitá-los, viu a fecundidade que tinha trazido a água, e deu graças a Deus pelos seus benefícios abundantes. Abraão queria muito o seu filho Ismael, era um menino formoso. Toda a gente sabia que era um jovem decente e muito inteli-gente. Tinha boas qualidades porque era filho de um Profeta.

O nosso querido Profeta, o Profeta dos Profetas, o último Profeta Muhammad (s.a.w.) disse: «Se Deus quer alguém, põe-no à prova. As provas dos Profetas são as mais difíceis».

Agora, Deus preparava uma nova prova para Abraão e seu filho Ismael.

Um dia, pela manhã, Abraão e Ismael davam um passeio. Abraão ia dizer algo muito importante. Contar-lhe-ia o que tinha sonhado na noite anterior. Tinha uma expressão muito séria. Olhou nos olhos de Ismael e disse:

— Filho meu! Sonhei que tentava sacrificar-te, o que opinas acerca disto?

Que decência tinha o Profeta Abraão! Consultava o seu filho! Ismael sabia que o sonho dos Profetas era um tipo de Revelação. Olhou a cara do seu pai e disse:

— Meu Pai! Faz o que te for ordenado por Deus! Verás, por Deus, que sou paciente entre os pacientes.

Que prova tão difícil! Que obediência tão forte! Era a manifestação da confiança em Deus. Era o preço de ser o Pai dos Profetas.

Pai e filho despediram-se para se verem depois. Não puderam fazer nada senão aceitar a ordem. Quando Is-mael ia para o lugar da referência, Satanás apareceu-lhe:

— Estás louco? O teu pai vai sacrificar-te!

Quando Ismael viu Satanás, começou a apedrejá-lo e Satanás fugiu dali. Mais tarde, apareceu-lhe outra vez e disse o mesmo. Ismael apedrejou-o de novo. Desde este dia, quando os muçulmanos realizam a Peregrinação a Meca, apedrejam Satanás de maneira figurada. Ele não pode vencer Ismael, foi derrotado e foi embora. Não era possível vencer um Mensageiro de Deus!

Mais tarde, Ismael tinha-se posto contra o solo para o sacrifício. Toda a natureza os olhava; todas as criaturas tinham vontade de saber o que se passaria pouco depois. Viam a manifestação de uma obediência total. Era uma prova muito difícil para ambos. Quando Abraão aproximou a faca ao pescoço de Ismael, ouviu uma voz celestial: «Abraão! Isto prova que tens confiança e fé em Deus! Submeteste-te à Ordem Divina! Sacrifica este carneiro em lugar de Ismael!»

Abraão, Ismael, os anjos no céu e as criaturas na Ter-ra suspiraram de alívio, profundamente. Tinha terminado a Prova Divina e tinha sido superada. Era um dia festivo para todo o Universo. Este dia foi nomeado como a Festa do Sacrifício para os Muçulmanos. Neste dia, os muçulmanos sacrificam cordeiros e carneiros recordando a história do Profeta Abraão e seu filho Ismael.

Passaram os anos, Ismael cresceu e fez-se adulto, casou e teve filhos. A população dos arredores de Zamzam foi aumentando. O povo de Ismael venerava Deus ajudado pelas palavras que tinham aprendido dele.

Um dia, Abraão e Ismael saíram para dar um passeio. Abraão sorria. Deus tinha-lhes mandado construir a Caaba, a Casa Sagrada. Os dois Profetas começaram a trabalhar sem perder tempo. Construíram a Caaba sobre a base que tinha escavado Adão.

A Caaba, coração do mundo. A Caaba, a pupila do Universo. A Caaba, o lugar sagrado onde os anjos no céu e os muçulmanos no mundo realizam a circunvalação (tawaf) ao seu redor.

Os dois Profetas suplicaram a Deus quando construíram a Caaba: «Senhor Meu! Aceita-o de nós! Tu és Quem tudo ouve, Quem tudo sabe! Senhor Meu! Faz-nos dos que se submetem a Ti e faz de nossos descendentes uma comunidade muçulmana que se submeta à Tua Divindade, sendo os representantes mais notáveis da obediência ao teu Poder! Envia-lhes um Profeta que lhes leia os Teus versículos! Para que lhes ensine o oculto, os chame ao recto caminho, à pureza! Tu és a única fonte de sabedoria!»

Deus aceitou as suas súplicas e o Profeta Muhammad (s.a.w.) foi descendente directo do Profeta Ismael (a.s.). Ele foi o Grande Profeta e os seus crentes, o povo da Umma, são os crentes mais fiéis.

Um dia o Nosso Querido Profeta Muhammad (s.a.w.) dirigia umas palavras aos seus discípulos. Quando lhe calhou a vez de falar do Profeta Abraão (a.s.) disse: «Eu sou a súplica do meu pai Abraão; sou o filho de dois sacrifícios».

O primeiro sacrifício era o do Profeta Ismael e o segundo era o do seu pai Abdullah.

Tinham terminado a construção da Caaba. Abraão pensou pôr um sinal no princípio do tawaf. Podia ser um sinal em forma de rocha mas seria diferente das demais rochas da construção. Ismael procurou uma rocha dife-rente nas montanhas mas não pode encontrá-la. Quando regressou, viu uma rocha negra levada pelo seu cansado pai:

— O que é isso?

Hajar al-Aswad, a rocha negra, a rocha sagrada.

— Onde a encontraste?

— Os anjos trouxeram-na do Éden.

Colocaram a Hajar al-Aswad no seu lugar especial, num muro da Caaba.

Desde este dia, os muçulmanos vêm visitar a Meca, realizar o tawaf em redor da Caaba, beijar Hajar al-Aswad. Para além disso, caminham entre as dunas de Safa e Marwa recordando a história de Hagar. Depois, apedrejam Satanás como o Profeta Ismael fez. Ofere-cem sacrifícios, cordeiros e carneiros, para manifes-tar a obediência a Deus. Durante as rezas, voltam os seus rostos para a Caaba e, deste modo, rezam.

Dois anjos falavam, entre eles, no Céu. Falavam do senhor do Universo. O senhor dos senhores estava a ponto de nascer, em Meca, próximo da Caaba, nos arredores do poço de Zamzam. Outro Zamzam que daria vida às almas desertas estava a ponto de nascer. Um dos anjos disse ao outro: «Entendeste o mistério da vinda de Ismael a Meca? O mistério do sacrifício? O mistério da construção da Caaba? Tudo era para ele! Para Muhammad (p.e.c.e.) — o último Profeta de Deus!».

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Como o passado prova que o Islão pode ser parte da identidade Europeia?

24 de Agosto 2016, por Konstantin Manyakin

In: http://www.thenewfederalist.eu/how-the-past-proves-that-islam-can-be-part-of-european-identity

Tradução de: M. Yiossuf Adamgy

 

Apesar das alegações de crescimento das manchetes e de muitos políticos de direita em toda a UE argu-mentando que o Islão não pertence à Europa, não é tão estrangeiro quanto parece, uma vez que as comunidades muçulmanas já existiam na Europa durante vários séculos. Bósnios, Albaneses, e alguns Gregos e Eslavos Búlgaros, são nativos Europeus Muçulmanos cujos antepassados, através da inter-acção com as civilizações Árabes e Turco-Otomanas, se converteram ao Islão. O Islão também foi reconhecido no Império Austro-Húngaro. Mesmo Adolf Hitler tentou encontrar simpatizantes da ideologia racista Nazi entre os muçulmanos bósnios. Hoje em dia, as Mesquitas de comunidades de imigrantes na Europa Ocidental já converteram dezenas de milhares de pessoas de ascendência nativa.

Como o Islão, o Cristianismo também é de origem do Médio Oriente. Mesmo quando o Imperador Constantino, o primeiro a assinar o “tratado de Milão”, que reconheceu o estatuto social dos cristãos no Império Romano, este édito marcou o Cristianismo como uma seita de fé judaica, praticada pelos hebreus israelitas.

Como o Cristianismo e o Budismo, o Islão é uma religião universal e não é uma nação ou cultura, como os nacionalistas afirmam. Qualquer um pode converter-se a ele, não importa o seu passado ou origem, independentemente da afiliação religiosa dos muçulmanos na Europa e da sua cor da pele. A única questão que deve ser levantada e respondida é – por que é que grupos de extrema-direita e outros movimentos de islamofobia tratam os muçulmanos como estrangeiros?

Em primeiro lugar, antes da imigração massiva da África e da Ásia para a Europa Ocidental durante o século XX, a população religiosa no continente era predominantemente Cristã e, ao mesmo tempo, um número crescente de pessoas aderiram aos pontos de vista ateus ou agnósticos.

Em segundo lugar, até ao final do século, imigrantes e cidadãos de ascendência Turca, Árabe e do Paquistão / Bangladesh, eram socialmente, culturalmente e economicamente segregados em ‘guetos Europeus devido à exploração e ao racismo das massas’.

Em paralelo, os governos europeus não poderiam lidar com o elevado desemprego e os baixos resultados educacionais entre os jovens de origem estrangeira. Além disso, com as políticas de reconhecimento que permitiram que centros islâmicos fossem financiados a partir do estrangeiro, as comunidades muçulmanas tornaram-se ainda mais culturalmente alienadas sob a influência estrangeira. Portanto, as crianças muçulmanas que vivem na França ou na Alemanha são obrigadas a seguir os costumes e tradições de origem dos pais, em vez de se tornarem cidadãos alemães ou franceses integrados, praticando a fé islâmica. Tais condições só violam a universalidade do Islão e impedem-nos de se adaptar em sociedades da Europa Ocidental. Além disso, por causa dos valores patriarcais praticados nestas comunidades imigrantes isoladas, muitos acreditam erroneamente que o Islão suprime os direitos das mulheres.

Em comparação, em algumas sociedades islâmicas como o Irão e a Turquia, um grande esforço é feito para manter a taxa de alfabetização alta entre a população feminina e proibir a poligamia. Depois da Primavera Árabe, países como Egipto e Tunísia tentam alcançar a igualdade de género, como costumava ser no Ocidente cristão durante os séculos XIX e XX.

Por outro lado, a exclusão social em curso com más condições económicas nas cidades europeias, austeridade e desemprego de longa duração são os principais catalisadores da radicalização religiosa, não só entre os jovens de origem imigrante, mas também entre os muçulmanos convertidos de ascendência nativa.

Se o objectivo dos governos da Europa Ocidental é transformar ‘o Islão na Europa “em” Islão da Europa “e trazer a Bósnia, o Kosovo e a Albânia para a UE, as políticas de integração devem, cultural e linguisticamente, absorver centros islâmicos, escolas e mesquitas.

Por exemplo, quando uma pessoa alemã escolhe converter-se ao Islão, ele/ela têm que aprender os ensinamentos religiosos no idioma alemão em vez de turco ou curdo, e não devem abandonar seus/suas tradições e valores culturais. Financiar mesquitas europeias por parte da UE e governos locais pode diminuir a influência do Estado Islâmico, localizado no Médio Oriente, diminuir a oportunidade de radicalização entre os jovens e, por fim, convidar bósnios, albaneses e kosovares como pessoas culturalmente Europeias, para a união. A língua árabe pode ser usada com a finalidade de compreender o significado do Alcorão, que foi originalmente escrito no dialeto local da península Arábica, mas não para demonstrar as comunidades muçulmanas europeias como culturalmente estrangeiras.

Uma abordagem alternativa para fazer com que o Islão seja parte integrante da identidade europeia é possível, a longo prazo, como a história da fé Cristã provou isso. Nos primeiros séculos, quando o Cristianismo foi quase indistinguível do Judaísmo original, os seguidores gentios de messias Yeshua ha-Notzri (ou Jesus de Nazaré) tiveram que estrictamente praticar e aprender os costumes culturais, tradições e língua dos hebreus do Médio Oriente, conhecido hoje como povo judeu.

Apesar do número de seguidores de Cristo ter crescido rapidamente no Império Romano, ao longo de décadas, os cristãos gentios, eventualmente em menor número, tornaram-se mais dominante do que judeus cristãos originais. As igrejas foram perdendo os laços com o Médio Oriente e com as diásporas judaicas e, eventualmente, as reformas sociais e religiosas do imperador Constantino o Grande, no século IV finalizaram o processo. A assimilação cultural e linguística do cristianismo ou “seita judaica” na civilização romana/europeia foi concluída, apesar da fé Cristã ainda hoje abraçar valores religiosos judaico-abraâmicos.

Se o Islão Europeu segue um processo muito similar, então os ensinamentos religiosos do Profeta Muhammad (p.e.c.e.) tornar-se-ão uma parte espiritual da UE. Mesquitas europeizadas podem tornar- -se uma arquitectura notável de arte europeia e da história, da mesma forma como as Catedrais cristãs.

Talvez as mulheres muçulmanas europeias que também seguem valores sociais europeus, possam demonstrar-se como um excelente exemplo do Islão reformista, de igualdade de género e sucesso na educação, carreira e conquistas no desporto, política e ciência para congéneres que vivem em países muçulmanos fora da UE.

Em paralelo, há uma forte razão para evitar conflitos religiosos entre Muçulmanos e Cristãos, já que ambos acreditam no mesmo Deus (em árabe conhecido como Allah) e aderem aos mesmos Profetas, especialmente Jesus (conhecido como Issa no Islão), que é muito notável em ambas as confissões.

Finalmente, é importante ter em mente que a radicalização islâmica é tão hostil quanto o extremismo cristão, grupos de extrema-direita e movimentos ultra-esquerdistas, que diariamente abusam da democracia, direitos civis, liberdade de discurso e de expres-são na União Europeia e noutros países ocidentais. E os muçulmanos moderados, juntamente com outras confis-sões e grupos de direitos   cívicos, podem expressar a solidariedade em conjunto para proteger a democracia e a segurança europeia.

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Sete em cada dez pessoas no mundo professam uma religião

Internacional – 09/07/2011

Uma pesquisa realizada pela Ipsos MORI, realizada com 18.473 pessoas de 24 países, revela as nuances de crenças religiosas actuais

Um estudo realizado pela Ipsos MORI, empresa número um de pesquisa do Reino Unido, revelou que sobre sete em cada dez pessoas no mundo pertencem a uma religião e a maioria dos habitantes do nosso planeta vê a religião como algo importante na sua vida.

A pesquisa da Ipsos MORI também revela que há acentuadas diferenças quanto a isso. Assim, 94% das pessoas religiosas dos países predominantemente muçulmanos apontou que a religião é importante nas suas vidas. Os países muçulmanos pesquisados foram a Arábia Sal-dita, Turquia e Indonésia.

Em comparação com, apenas 66 por cento das pessoas em países predominantemente cristãos – 19 Nações no total – Note-se que o mesmo publica Ipsos MORI num comunicado.
A crença numa única fé verdadeira: Nos Estados Unidos, por sua vez, dentro dos 65 por cento dos inquiridos que se autodefiniram como “Cristãos”, 86% disseram que a sua fé foi importante nas suas vidas, enquanto que entre os cristãos da França e da Suécia, esta percentagem foi entre 36 e 42%. Em Espanha, a percentagem a este respeito foi de 44%.

Além dos países acima mencionados, outras nações estudadas foram as seguintes: Brasil, África do Sul, Índia, México, Itália, Polónia, Coreia do Sul, Argentina, Austrália, Canadá, China, Rússia, Grã-Bretanha, Hungria, Japão, Bélgica e Alemanha.

Os resultados desta pesquisa, que abrangeu, portanto, um total de 24 países e 18.473 adultos com idades compreendidos entre 16 e 64 anos, também indicam que entre os jovens, a religião também desempenha um papel importante nas suas vidas: quase três quartos dos inquiridos (73 por cento) abaixo dos 35 anoas, declarou que a sua religião ou a sua fé é a chave para a vida deles.

Por outro lado, as pessoas que vivem em países principalmente muçulmanos (61%) são mais propensas, do que as que vivem em principalmente países cristãos (19 por cento), a acreditar que a sua fé é o único verdadeiro caminho para a salvação, libertação ou paraíso.
O anexo a esta crença é diferente entre os países, com uma pequena minoria que detém na Europa Ocidental e uma grande maioria que mantém em países muçulmanos pesquisados.

Atenção para aqueles que precisam

Por outro lado, pessoas religiosas dos países predominantemente muçulmanos acreditam mais do que indivíduos de países cristãos que a sua religião é uma fonte de motivação para a dedicação de tempo e dinheiro para as pessoas necessitadas (61% no caso das nações muçulmanas, em comparação com 24 por cento nas sociedades predominantemente cristãs).

Em termos gerais, três de cada dez pessoas (30%) com uma religião ou fé afirmou que a religião os motiva para servir os necessitados. Mas cerca de metade dos entrevistados (52%), declarou que não havia nenhuma diferença no que a isto diz respeito, uma vez que eles sentem que ajudar os outros é necessário em qualquer caso.

Em outra direcção e, falando em geral, um terço dos participantes (33%) de todos os países pesquisados declararam não ter amigos ou ter poucos amigos que professassem outra religião que não a deles. Este ponto varia muito, dependendo do país e parece não estar relacionado com a crença do povo em que sua própria religião é a única verdadeira, diz o estudo.

Alguns criacionistas: No mês de Abril, a Ipsos MORI tornou públicos os resultados de outra pesquisa, neste caso a fé em Deus ou num Ser Supremo, bem como a crença em al-gum tipo de vida após a morte.

De acordo com a agência Reuters, em seguida publicado, os resultados do presente inquérito revelam que ambas as crenças permanecem fortes na maioria dos países do mundo.

Assim, 51% das 18.829 pessoas de 23 países pesquisados disse estar convencido da existência de uma vida após a morte e da existência de uma entidade divina, enquanto 18% disseram que não acreditam em nada disso e 17% disseram que não sabiam.

No entanto, a pesquisa também revelou que apenas 28 por cento desses questionados acreditavam no criacionismo (a terra e cada ser vivo que existe actualmente vem de um acto de criação de um ou mais seres divinos), contra 41% que acreditam na evolução humana e 31%, simplesmente não sabiam no que acreditam.

Por países, aqueles em que as pessoas mostraram mais propícias a acreditar no criacionismo foram África do Sul, Estados Unidos, Indonésia, Coreia do Sul e Brasil.

Outras crenças: Enquanto Indonésia, Turquia e Brasil foram revelados como os países com a maior proporção de pessoas com uma definitiva crença num Deus ou num Ser Supremo, na Índia, China e Rússia, por outro lado, 24, 14 e 10% dos entrevistados respectivamente, eram mais favoráveis à crença em vários deuses.

No outro extremo do espectro, a maior percentagem de indivíduos que afirmou não acreditar em Deus ou num ser supremo, quase 40% dos inquiridos ocorreu na França, Suécia, Bélgica e Grã-Bretanha.

A pesquisa também analisou as percentagens de pessoas que acreditavam na reencarnação (crença em uma única essência de pessoas – ser/mente, alma, consciência ou energia – adopta um corpo material não só uma vez, mas várias). A tendência para acreditar neste conceito foi especialmente forte na Hungria, com 13% dos entrevistados. A este respeito, Coreia do Sul e Espanha foram os países em que os participantes afirmaram que eles acreditavam que na morte “simplesmente deixa de se existir”.

De acordo com os autores deste estudo, a natureza destas questões é em grande parte desconhecida, mas o facto é que elas permanecem em muitos dos habitantes do nosso planeta.

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O Mundo no Final de 2011

Sheikh Aminuddin Mohamad (de Moçambique)

26.12.2011 – O nosso belo Mundo vive actualmente envolto na grande onda macaréu de crime. A corrupção está no seu auge, estando difusa por todos os lados, até mesmo na rua. O assassinato, o sequestro, o assalto, a pilhagem e outras formas de crime violento, já não são praticados apenas por gente esfomeada, não educada, não civilizada enfim, por bárbaros ou gente grosseira e boçal, como acontecia em tempos idos.

As guerras tornaram-se algo semelhante a um capricho, um hobby, uma ocupação favorita e um grande negócio por todo o lado por esse Mundo fora.

A opressão e exploração estão na ordem do dia. A justiça adquiriu um novo significado completamente distorcido, isto é, o direito ao aborto, à fornicação, à prática de homossexualismo, ao adultério enfim, a verdade vai sendo degolada de forma cruel.

Qualquer pessoa pode ser perdoada por pensar que o Homem e o animal por vezes se assemelham, são um, e o mesmo. Porém, actualmente o Homem tornou-se pior que os animais.

Muitos daqueles que se consideravam guias, e em quem se depositavam grandes esperanças de resgatar este grande barco das águas tempestuosas – médicos, advogados, professores, estudantes universitários, até mesmo alguns religiosos – também se encontram profundamente atolados no lodaçal da paixão, da ambição desmedida da ganância pelo poder, das mulheres e outros divertimentos imorais.

A prostituição, os jogos de azar, o homossexualismo, o aborto, o alcoolismo, o adultério, a fornicação e outros grandes pecados, estão em operação neste chamado mundo livre.

A maior parte das pessoas no Mundo, caíram nesta situação, e os que ainda não perderam o seu equilíbrio, estão sob o risco iminente de perdê-lo.

O fruto proibido deixou de o ser. Que mau negócio fizemos nós! Trocamos o bem pelo mal. Trocamos diamantes por pedras, a fé pela infidelidade, o Paraíso pelo Inferno! Mas estamos enganados, pois nem tudo o que brilha é ouro, e o nosso negócio não foi lucrativo. Tudo isso é apenas uma miragem, uma ilusão e nada mais do que isso.

Mais um ano da vida de cada um de nós passou, e agora estamos mais próximos do nosso fim, pois estamos mais velhos. Não nos devemos esquecer da existência de Deus, pois foi Ele Quem nos criou, fez-nos respirar, olhar, andar, ouvir, sentir, viver e morrer. Nada é nosso. O Sol, a Lua, os dias, as noites, o ar, a chuva, a comida, a água, todos os seres animados ou inanimados, é tudo criação de Deus. A todo o momento estamos sob seu controlo e a Ele teremos que prestar contas depois da morte, que nos pode chegar a qualquer momento.

Todas as coisas, exceptuando o Homem, estão cumprindo inteiramente com o que lhes foi ordenado por Deus, segundo os Seus preceitos.

Todo o fenómeno, desde o mais pequeno ao maior, foi planeado pelo Criador, pelo que não nos devemos esquecer de O recordar em cada lufada de ar que inspiramos.

Temos alguma dificuldade em perceber por que razão, na chamada Nova Ordem Mundial não se pode mencionar publicamente o nome de Deus.

O objectivo de todos os ensinamentos divinos é criar a percepção e a intimidade com o nosso Senhor, pois todas as outras são subsidiárias. Elas foram narradas para facilitar o alcance desse objectivo, pois o propósito dos rituais é facilitar a relação dos crentes para com o seu Criador, lembrando-O constantemente.

O Homem, na base da sua fraqueza humana e na distração da omnipresença de Deus, pode até cometer algum pecado, mas se se recordar d’Ele, Deus pode perdoar-lhe imediatamente, não precisando do sangue de quem quer que seja, para que o perdão dos pecados cometidos lhe possa ser concedido.

Deus não reage despoticamente, pelo contrário, proporciona inúmeras oportunidades para o perdão do Ser Humano. Numa expressão de um santo, isto é traduzido da seguinte forma: ‘Volte! volte, independentemente daquilo que és. Volte! Mesmo se sejas um infiel ou um adorador de ídolos, volte para Mim. A Nossa Corte Real não é a corte do desespero. Mesmo que tenhas transgredido cem vezes, voltando para trás do teu arrependimento, volte para Mim (isto é, a Deus)’.

Existem pessoas que não cometem pecados no sentido convencional, e que continuam a fazer orações e a cumprir com todos os outros rituais, mas fisicamente circulam naturalmente à volta dos seus interesses e desejos materialistas. Nunca dão nada aos pobres, aos necessitados, aos órfãos, às viúvas, etc., o que é muito mau, pois perante Deus isto constitui crime, incorrendo na Sua ira. O grande perigo com esse tipo de gente, é que eles nunca sentem a necessidade de arrependimento.

Ouvimos episódios de assassinos, de corruptos, de bêbados, de adúlteros e de assaltantes que se arrependeram e se regeneraram, sendo-lhes perdoados os pecados cometidos, tornando-se assim amigos de Deus, mas nunca se houve falar de nenhum sovina, ganancioso ou egoísta, ter renunciado aos seus desejos de preferência material, pois tais pessoas nunca pensam que estão a cometer algum crime.

O Profeta Muhammad S.A.W. diz: ‘O avarento está longe das pessoas, longe de Deus, e longe do Paraíso, e o generoso está perto das pessoas, perto de Deus e perto do Paraíso’.

Como é possível que haja tantos pobres e esfomeados no Mundo, quando existem tantos milionários e multimilionários? Isto decorre do facto de estes não partilharem as suas riquezas com os necessitados. Tornaram-se insensíveis perante a dor e o sofrimento das pessoas, e pensam que, o que eles possuem é por mérito próprio e não uma dádiva de Deus.

De facto, o Homem é um ser sentimental, mais do que racional, pois se não fosse assim, ele não poderia ajoelhar-se perante ídolos e nem teria rejeitado os sinais manifestos de Deus, revelados aos Profetas, conforme consta no Al-Qur’án, Cap. 2, Vers. 28:
‘Como é que vós negais Deus, enquanto éreis outrora inanimados (inexistentes) e foi Ele Quem vos deu a vida, depois vos dará a morte, depois de novo, a vida, e depois a Ele sereis retornados’?

Com o passar dos anos, e vendo as nossas vidas a chegarem ao fim, a pergunta fica no ar: ‘Quando chegarão os bons dias com que cada um de nós sonha na vida? Talvez só na outra vida!

Para terminar, gostaríamos de manifestar a nossa mais veemente condenação aos ataques bombistas contra igrejas na Nigéria. Reafirmamos sem equívocos, que o Isslam é alheio a tais práticas.

Gostaria igualmente de desejar a todos um Feliz e Próspero Ano Novo.

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Uma moralidade que se mede num acto de urinar

(23/01/2012 – Autor: Julio Valdez – Fonte: Webislam)

O processo de embrutecimento das tropas estrangeiras no Afeganistão

A Força Internacional de Assistência para a Segurança do Afeganistão ISAF assegurava que se tinha produzido ‘um inexplicável acto de falta de respeito que não está de acordo com os altos níveis de moralidade que esperamos das forças da aliança’, logo depois de ver as imagens de quatro marines a urinar sobre os cadáveres de combatentes afegãos. E isto leva-nos a colocar a questão: a que moralidade se referem ? Depois de terem liderado o bombardeamento massivo e selectivo sobre população civil e de proteger os narcotraficantes que produzem ópio no Afeganistão, de enriquecerem com empresas de reconstrução e com a exploração dos recursos naturais, evidentemente que sob estas circunstancias, este acto de urinar sobre cadáveres parece irrelevante.

Embrutecimento dos soldados invasores

Trata-se de impor maçãs podres como bem afirma Robert Fisk em La Jornada, argumentando em relação ao feito que os responsáveis por aqueles actos são a excepção à regra, tratando novamente de trair a colocação dos objectivos louváveis das guerras que eles têm promovido pelo planeta (a luta contra o comunismo, a luta contra o terrorismo, a libertação dos povos dos seus ditadores, a luta pela democracia, a luta pela liberdade, ajuda humanitária e outras justificações tiradas de guiões de Hollywood).

Uma das diferenças entre a guerra do Vietnam e a do Iraque é a baixa taxa de mortes de soldados norte-americanos em combate, não se passando o mesmo com os civis que, por regra, sofrem o peso dos bombardeamentos como vitimas colaterais, o que quase não varia é a quantidade de veteranos que sofrem de transtorno pós-traumático que provoca, entre muitas outras coisas, suicídios e casos de violência social e doméstica, somado ao problema social que provoca o consumo desmedido e massivo de licores e estupefacientes, que por si só é o mais alto do planeta e da história da humanidade.

As imagens de quatro soldados a urinar sobre os cadáveres reflectem o embrutecimento de um exército no qual se criou a mensagem dos filmes apologéticos do soldado indestrutível, profissional e moral (The Hurt Locker, Black Hawk Down, Green Zone). Evidentemente esses meios filmes contribuíram para a construção de uma imagem que pretende ser omnipresente no mundo, moralmente necessária a tal ponto que não esperam superar a sua auto-imagem de embaixadores da democracia e da liberdade; a arrogância é tal que se erguem por cima do bem e do mal.

A falta de solvência moral do exército norte-americano mede-se a partir do pouco ou muito que os seus próprios membros colocam filmes no Youtube; depois, a Hollywood faz o trabalho restante. Um dilema apresentado no filme de Oliver Stone ‘Platoon’, um sargento bom e outro mau, onde evidentemente, no final, a justiça impõe-se sobre a maldade e o bom sustém os ideais primários sobre os quais descansa a justificação da guerra.

‘Matei 255 pessoas e não me arrependo’

Esta é a frase do atirador Chris Kyle, oficial do pelotão Charly, terceiro grupo da força de elite dos Estados Unidos conhecida como Navy SEALs, que ganhou a reputação de ser o atirador mais mortífero em toda a história, que ao ser entrevistado pela BBC afirmava que ‘Custou-me o que fiz. No entanto gostei. Se a s circunstancias fossem diferentes – se a minha família não precisasse de mim – voltaria num abrir e fechar de olhos’ e logo voltou a afirmar: ‘as minhas balas salvaram muitos americanos cujas vidas valiam clara-mente muito mais que aquela mulher de alma retorcida’. (http://www.bbc.co.uk/mundo/noticias/-2012/01/120110_irak_francotirador_lp.shtml).

De facto, o elemento embrutecedor do soldado norte-americano tem a ver com a convicção desumana que cresce neles em forma de ódio ao inimigo a tal ponto que o degradam na sua qualidade humana; este processo é semelhante em todos os conflitos, mas o interessante no caso norte-americano é a carga emotiva e mediática que carrega.

Chris Kyle, da mesma forma que os quatro marines, possuem a particularidade de que provavelmente não têm uma mente perturbada nos seus contextos culturais, está fielmente convencido do seu papel na guerra ‘justa’; não há mais certeza do que a que pode proporcionar ao Exército e ao Estado e, se o esforço de guerra é justo, o divertir-se é quase um dever, como sucedeu com as centenas de fotografias que mostravam os prisio-neiros sodomizados e humilhados de Abu Ghraib.

Quando surgiram as avalanches de críticas aos soldados que profanaram os cadáveres de combatentes, ao mesmo tempo surgiram milhares de mensagens de apoio aos agora imputados por actos fora da moral militar, muitas delas eram de parentes e dos mesmos soldados norte-americanos que, inclusivamente, justificavam tais actos atrozes.

O stress pós-traumático que se produz durante a quebra da consciência, na raiz de presenciar ou participar em eventos sangrentos tem que ver com sentimentos posteriores de culpa ou de impotência que, evidentemente, os perpetradores de tortura em Abu Ghraib, Chris Kyle e os quatro marines que urinaram sobre os cadáveres de combatentes, superaram com doses de jocosidade e hilaridade, elevando o nível de cinismo que a empresa colonizadora requer, que, para o público que crê que é ameaçado pelo mundo, o feito dos soldados não é mais do que uma falta (não teria sido se não fossem apanhados). Esse mesmo cinismo imperial não pediu desculpas às famílias dos falecidos – pois na sua lógica, a sua morte estava plenamente justificada – , nem sequer para os povos afegãos nem para os muçulmanos do mundo; a preocupação era pelas possíveis armas propagandistas que se havia proporcionado ao inimigo que põe em perigo a vida das suas tropas, (somando ao facto de estarem a ocupar ilegalmente uma nação). Isto confirmou- se duas semanas depois quando um soldado afegão matou quatro soldados franceses.

O riso parece ser um elemento que mantém a coesão entre a acção militar e as vítimas civis. Tanto no Vietnam como no Iraque e no Afeganistão tornou-se evidente a remoção do agressor em forma de marine para a vítima, tanto que a castiga por não se deixar ‘proteger’, assim, a vítima é culpada da sua própria sorte, de tal forma que optou pelo caminho errado de ir com o inimigo. Desta forma, toda a acção contra civis é claramente justificada de tal forma que se põe na balança a vida de alguém que pode acabar com a própria vida, ou a de um amigo ou camarada de Unidade. O conflito atingiu todos os paradoxos existentes quando se produzem atentados entre os aliados em campo, quando um militar treinado e alimentado pelos cruzados se volta e mata os seus colegas de armas, não há infiltração, não há recompensas em dinheiro pela cabeça de um marine, há o simples desprezo pelo que sombreou de desprezo a própria terra, pleno de fúria do colonizador.