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“E, da nossa parte, paz!”

Muito se falou da publicação de um livro pela Comunidade Muçulmana, em resposta às declarações do Cardeal Patriarca D. José Policarpo no programa “125 minutos com”, conduzido pela joralista Fátima Campos Ferreira, a 14 de Janeiro deste ano. Mas quem o leu?

Para ler o artigo completo, gentilmente cedido pelo jornal O Figueirense, clique aqui

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A Europa também é o Islão

Tariq Ramadan

“A Alhambra demonstra que a Europa também é o Islão”.

Foi intenção de Tariq Ramadan, intelectual Muçulmano de nacionalidade Suiça e origem Egípcia, manifestar-se a respeito de recentes declarações de Bento XVI, o qual considera que o Cristianismo é a religião sobre a qual se fundou o conceito de Europa. “Nada está mais longe” – diz o pensador – “porque a presença d’Alhambra demonstra que a Europa também é o Islão”.

Ramadan faz menção ao que Al-Andalus significou para a criação da ideia Europeia e lembrou ao Papa que “não se pode usar o passado para o sectarismo”. “O Papa receia que se reconstrua um passado de pluralidade, que se recorde que o Islão pertence à História da Europa, que se fale do pluralismo do passado”, esclareceu Tariq. O intelectual, nesse território entre fé e cultura, considera que “existe uma religião do silêncio, que é aquela que se encontra a meio caminho entre Oriente e Ocidente. A religião é um meio – acrescenta ele – que pode ser utilizado para a paz e também de uma forma dogmática por alguns Estados, como é o caso dos Estados Unidos da América, que usam a religião para o mal”. O Islão não é culpado pelo integrismo, senão pelas suas “más interpretações. A democracia é boa, mas também é empregue quando é mal utilizada para invadir um país”, realçou.

IMIGRAÇÃO

Relativamente ao problema da imigração, o intelectual considera que a chegada massiva de Muçulmanos aos países Europeus deu origem a “uma grande crise de identidade”. Usando a Grã-Bretanha como exemplo, verifica-se o seguinte: “Um país onde existem cidadãos provenientes de diferentes partes do Mundo, de diferentes religiões, e que agora se questionam sobre o que é ser Britânico e onde está o Britânico”. Caminha-se para a mestiçagem e, o problema, é que se tem medo, “mas não há que culpar o Islão, porque os Muçulmanos são cumpridores da Lei; há que culpar, sim, a actual situação sócio-económica”.

“Numa cidade como Bruxelas – comentou – 30% da população é Muçulmana e, dentro de alguns anos, a cifra atingirá os 50%, e esse é um fenómeno imparável, a globalização”.

Tariq Ramadan defende que o problema não é que esta imigração seja de origem Muçulmana, a religião das pessoas que emigram, mas sim a integração na sociedade que a acolhe. Contudo, estima compreender a “percepção psicológica para com os Muçulmanos com todos os ataques terroristas do fundamentalismo”.

Ramadan recebe críticas tanto de Muçulmanos, como de Ocidentais, “os Islamistas Europeus atacam-me por criticar as suas interpretações do Alcorão e, enquanto Ocidental, sou criticado pelos políticos e poderes que defendem a invasão do Iraque”.

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Exactidão científica conduz os cientistas ao Islão

U. K. Islamic Mission Da’wah Center

A pesquisa parapsicológica e o tratamento espiritual do homem à luz do Alcorão convenceram o Dr. Arther J. Alison, da verdade científica do Islão. O Dr. Alison, que se converteu ao Islão quando participava numa conferência científica no Cairo, disse que os Muçulmanos falharam ao demonstrar a realidade científica do Islão às pessoas de outras religiões.

Agora com o nome de Abdullah Alison, o chefe do Departamento de Engenharia Eléctrica e Electrónica numa Universidade Britânica, incentivou os cientistas Ocidentais a familiarizarem-se com o Islão que “se dirige ao intelecto e aos sentimentos ao mesmo tempo”.

Vários cientistas Ocidentais que estudaram o Alcorão quando a sua investigação académica o justificava, converteram-se recentemente ao Islão, considerando-o uma religião científica pura que não nega a investigação científica moderna e, ao contrário de outras religiões e filosofias, confirma muitas teorias científicas e tecnológicas.

O Dr. Alison disse que trabalhou durante seis anos como Presidente da Sociedade Britânica de Estudos Espirituais e Parapsicólogos. Esta posição, disse ele, levou-o a estudar profundamente diferentes religiões e filosofias, incluindo o Islão.

Ele disse que enquanto escrevia o texto da sua intervenção para a conferência do Cairo, o seu principal objectivo era estudar a medicina espiritual e parapsicóloga à luz do Alcorão.
Os resultados foram surpreendentemente marcantes e muito convincentes quanto à natureza e condição do sono e da morte, bem como outros fenómenos relacionados com isso, disse o Dr. Alison, acrescentando:

“A minha alegria não tinha limites pois os resultados do meu estudo eram tão convincentes e, por isso, eu descobri o Islão”. Ele lamentou que o Ocidente seja totalmente ignorante da aproximação científica do Islão: “Durante a nossa discussão nesta conferência, chegámos à prova conclusiva de que o Islão não contradiz a ciência, e planeamos fazer mais pesquisas sobre a parapsicologia à luz do Alcorão”, disse o cientista Britânico.

Enquanto preparava o seu discurso para a conferência do Cairo, o Dr. Alison deteve-se num versículo do Sagrado Alcorão que significava: “Deus recolhe as almas, no momento da morte e, dos que não morreram, ainda, (recolhe) durante o sono. Ele retém as almas para as quais ordenou a morte e deixa em liberdade as outras, até ao termo fixado. Na verdade, nisto há sinais para os sensatos”. (39:42) Ele disse que as suas experiências demonstraram que algo sai do corpo humano quando um homem ou uma mulher estão a dormir e volta mais tarde o que os faz acordar. Mas com a morte “algo” não regressa. E é o que o Alcorão diz em palavras muito claras.

DESCOBERTA SUBAQUÁTICA CONDUZ OCEANÓGRAFO FRANCêS AO ISLÃO

O famoso oceanógrafo Francês Sr. Jacques Yves Cousteau, que passou a sua vida em descobertas subaquáticas e é considerado uma autoridade na exploração subaquática, converteu-se ao Islão depois da sua surpreendente descoberta ter sido confirmada pelo Sagrado Alcorão, o último guia revelado por Deus para toda a Humanidade. Um dia, algures no mar alto, o Sr. Comandante Jacques Costeau estava a fazer explorações subaquáticas quando descobriu que na água salgada do mar havia várias nascentes de água doce saborosa.

que o surpreendeu foi o facto da água doce das nascentes não se mistur com a água salgada do mar. Durante muito tempo ele tentou encontrar uma razão plausível para este fenómeno, mas sem resultado. Um dia quando o mencionou a um professor Muçulmano, este disse-lhe que este fenómeno seguia simplesmente a ordem de Deus como estava explicado claramente no Sagrado Alcorão. Leu então ao Sr. Cousteau os seguintes versículos do Sagrado Alcorão:

“E foi Ele (Deus) Quem estabeleceu as duas massas de água: uma saborosa e doce, e a outra salgada e amarga; e estabeleceu entre ambas uma linha divisória e uma barreira intransponível.”(25:53)

Ao ouvir isto, o Sr. Cousteau disse que o Alcorão é certamente um Livro divino e converteu-se ao Islão.

“Este é Muhammad (s.a.w.), o filósofo, o orador, o profeta, o legislador, o guerreiro, o encantador dos pensamentos humanos, o que realizou os novos princípios da crença, o grande homem que estabeleceu vinte gigantescos impérios mundiais e um grande império e civilização do Islão.”

A EXACTIDÃO CIENTÍFICA SURPREENDE O CIENTISTA TAILANDêS

Numa visita à Arábia Saudita, o professor Tajaten Tahasen, o ex-chefe do Departamento de Anatomia e Embriologia e actual Reitor da Faculdade de Medicina na Universidade de Chang-mi, Tailândia, viu alguns versículos do Alcorão e as tradições Proféticas que se relacionavam com o seu campo de estudo.

Perguntaram então ao professor se conhecia o trabalho do professor Keith Moore, um cientista Canadiano. Ele disse que conhecia o Professor Keith Moore que era um homem proeminente no campo da embriologia.

O Professor Tajasen leu então um artigo do Professor Moore em que ele escreve que, na sua opinião, muito do que foi revelado no Alcorão era compatível com a ciência moderna. O Professor Tajasen ficou surpreendido com o que leu no artigo e quis saber mais. Foi-lhe lido então o seguinte versículo do Alcorão:

“Os que rejeitam os Nossos (de Deus) Sinais, em breve Nós os lançaremos ao Fogo; cada vez que as suas peles forem queimadas, dar-lhe-emos outras (novas) em troca, para que sintam mais o suplício; na verdade, Deus é Poderoso e Sabio”. (4:56)

O Professor Tajasen concordou que isto era uma referência ao fenómeno dermatológico que só recentemente a ciência moderna descobriu, nomeadamente que a pele contem todas as terminações nervosas e que se uma queimadura é muito grave e a pele fica completamente queimada, perde então o seu sentido de dor e a pessoa aflita não a sente verdadeiramente. Deus está consciente deste facto e Ele, de acordo com isso, certifica-se que os descrentes enviados para o Inferno sintam constantemente a dor, substituindo constantemente a pele para que as terminações nervosas sejam renovadas.

O Professor Tajasen diz que é impossível que isto tenha vindo de uma fonte humana, considerando o facto do Alcorão ser um texto com 1400 anos: este tipo de conhecimento simplesmente não existia nessa altura. De quem é que esta informação veio? A resposta é DEUS. Quem é Deus? Perguntou o Professor. Ele foi informado que Deus é o Criador, de Quem vem o verdadeiro Conhecimento, Sabedoria, Perfeição e Misericórdia.

O Professor Tajasen voltou para a Tailândia e realizou uma série de palestras sobre o que tinha aprendido. Como resultado directo destas palestras, cinco dos seus estudantes converteram-se ao Islão.

Pouco depois o Professor Tajasen voltou à Arábia Saudita para participar numa conferência em Riyadh. Na conferência, o professor fez um discurso aos delegados. Neste discurso, ele disse que os seus estudos o levaram a acreditar que tudo no Alcorão era verdadeiro. Alguns dos Sinais que foram revelados há 1400 anos atrás só recentemente foram explicados pela ciência moderna. Muhammad (p.e.c.e.) não sabia ler nem escrever, acrescentou o Professor, por isso, a verdade deve ter sido revelada pelo Criador, Allah.

O Professor continuou, dizendo que chegou a altura de declarar: La ilaha Illallahu Muhammadur-rassulullah (Não há nenhuma divindade senão Deus e Muhammad é o mensageiro de Deus). O Professor Tajesen aceitou os Sinais e converteu-se ao Islão. A quem quer que tenham sido transmitidos os Sinais, mas que conscientemente os rejeite por teimosia, unindo-se à ignorância, enfrenta o destino que Deus salienta nos versículos do Alcorão atrás citados.

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Existe uma identidade própria dos Muçulmanos Europeus?

Por Mustafa Ceric, Grão-Mufti da Bósnia
Versão Portuguesa de Al Furqán, in revista nº. 156 – Janº./Fevº.2007

Há um milagre e um enigma na História Muçulmana que não podem ser logicamente explicados.

O milagre reside na rapidez e abrangência da expansão do Islão no início do século sétimo, de uma nobre perspectiva árabe-beduína, para as duas grandes civilizações da época – a Persa e a Bizantina. O enigma encontra-se no rápido declínio da civilização Islâmica no século XVIII, após ter demonstrado uma vitalidade e capacidade sem precedentes. Por esta altura, os muçulmanos haviam perdido o protagonismo geográfico, cultural, económico e político no panorama mundial, a ponto de serem marginalizados na denominada História Moderna. Esta conjuntura impeliu os muçulmanos a uma luta, ao longo dos últimos dois séculos, pelo seu regresso ao centro da História Moderna ou da História Universal. Assim sendo, os muçulmanos têm vindo a empenhar-se em dois movimentos centrais, cujo objectivo é recuperar o seu lugar na História: a secularização e a reislamização.

Podemos reconhecer o problema da identidade muçulmana moderna, através do debate em torno da natureza de secularização da História Muçulmana e do método de re-islamização do espírito muçulmano. A ideia de secularização não surgiu aos muçulmanos em resultado da sua experiência própria. A maioria dos ulama (eruditos) muçulmanos, bem como alguns intelectuais muçulmanos, sempre se aperceberam de que a ideia de secularização das sociedades muçulmanas proveio do Ocidente, através da pressão política e até, por vezes, da pressão militar.

Esta é uma das razões pelas quais a secularização da História Muçulmana falhou, talvez com as excepções da Turquia e da Tunísia, e a orientação para uma re-islamização do espírito muçulmano está a ocorrer. Os muçulmanos têm recusado desistir da ideia de uma comunidade universal do Islão (a Ummah), mesmo que esta corresponda a uma utopia, pelo menos actualmente. Para os muçulmanos que acreditam no conceito de Islamização, o secularismo não passa de uma concepção étnica, racial e nacional de identidade cultural.

Não obstante, os muçulmanos aceitaram a ideia da identificação com um estado-nação, independentemente das razões. Apesar disso, estão conscientes do conceito de identidades múltiplas, o que significa que cada um pode reconhecer uma identidade universal, tal como uma identidade islâmica, num estado presumivelmente não-islâmico. E por isso perguntei: Existe uma identidade própria dos muçulmanos europeus?

Quem precisa da identidade muçulmana europeia?

Mas deveríamos perguntar primeiro: quem precisa de uma identidade muçulmana europeia? Aparentemente, os muçulmanos não necessitam dela, porque a sua identidade islâmica é tão universal e inclusiva que não precisam de qualquer identidade adicional. A Europa não é dar al-Islam (a morada do Islão) e não podem, pois, identificar-se com ela. Por seu turno, os europeus não precisam da identidade muçulmana europeia, na medida em que a identidade religiosa de alguém não é considerada tão relevante.

Contudo, acredito que tanto os muçulmanos que vivem na Europa, como os Europeus que agora podem vislumbrar um muçulmano na vizinhança sem terem de ir ao Afeganistão, devem reconhecer a existência de uma categoria de muçulmanos europeus ou de europeus muçulmanos. Pelo facto de o Islão ser, precisamente, uma fé e religião universais e inclusivas, os muçulmanos deveriam adoptar uma atitude receptiva a novas identidades culturais e nacionais. Ao contrário do Judaísmo, cuja preocupação reside principalmente nos trabalhos missionários ao serviço do apoio político a Israel, tanto o Islão como o Cristianismo consistem numa fé missionária, enquanto conjunto de actividades religiosas transculturais e transnacionais. Os europeus deveriam zelar pela construção de uma identidade para os muçulmanos europeus, porque a ideia de que a Europa é um continente exclusivamente cristão não é correcta. Um facto histórico incontornável, testemunhado ao longo de séculos, é a presença não somente de muçulmanos como também de judeus, residentes na Europa. Ambos trouxeram contributos significativos à vida e cultura europeias.

Os europeus deveriam estar conscientes não só da presença de muçulmanos na sua vizinhança, como também do facto de que essa mesma presença fortalece e confere mais sentido à sua própria identidade. Permitam-me recordar-lhes o princípio da incerteza de Heisenberg. O físico alemão Heisenberg revelou a complexidade em verdadeiramente conhecer e avaliar tudo sobre um objecto, seja ele um electrão ou um coelho, uma vez que o próprio acto de observação altera o comportamento do objecto observado. Como tal, tudo o que existe para além da esfera humana só pode ser conhecido de forma isolada.

Nós, humanos, somos completamente diferentes. Nós só podemos ser conhecidos, e só nos podemos auto-conhecer, através da interacção com o mundo que nos rodeia. Ao contrário dos electrões e dos coelhos, nós alcançamos o auto-conhecimento mediante a investigação, experimentação e modificação da relação com o mundo em que vivemos. O isolamento é uma tortura e destrói toda a auto-consciência. Só os relacionamentos é que proporcionam a identidade que emana da convivência entre pessoas. Além disso, a lealdade para com a sociedade em que vivemos é determinante para a nossa identidade individual e colectiva. Uma comunidade, ou sociedade, não é só uma escolha meramente necessária; são os relacionamentos que nos definem e é através deles que chegamos a conhecer-nos a nós mesmos e que o mundo chega ao conhecimento de nós. As pessoas vivem a sua identidade através das relações com o mundo que as envolve. Aqueles que passam o tempo em isolamento e segregação, convencidos que deste modo alcançam o conhecimento de si próprios, estão enganados. Muito pelo contrário: o Homem alcança (a via do) o auto conhecimento mediante o contacto e a interacção com tudo o que, vivo ou morto, o circunda.

Valores Comuns

Para se compreender o significado da identidade dos muçulmanos europeus, devemos conhecer os valores comuns básicos, com os quais nos poderemos identificar.

Assim como são universais, os valores são comuns. Os mais importantes de todos os valores universais, e no entanto comuns a todos nós, são o valor da vida, o valor da liberdade, o valor da religião, o valor da propriedade e o valor da dignidade humana. Consequentemente, os valores europeus têm tanto de comum, como de universal e sendo universais, os valores são comuns a todos nós.

Comecemos pelo valor da vida e pelos conceitos dos Dez Mandamentos: Tu não matarás, o que significa que tu não cometerás o holocausto, não cometerás genocídio e que não cometerás a limpeza étnica. O que será mais comum a todos nós que o valor da vida?

A liberdade é um importante valor; sem liberdade a vida não chega a fazer sentido. O caminho da escravidão à liberdade tem sido uma das mais importantes jornadas da história da humanidade. Inclusivamente, a liberdade é um valor europeu de tal forma precioso, que foi conquistado ao longo de gerações à custa da perda incalculável de vidas humanas.

O respeito pela religião é também um valor europeu comum, na medida em que os europeus tiveram liberdade para escolher uma dentre as muitas religiões que vinham chegando ao continente europeu ao longo da História: o Judaísmo, o Cristianismo, o Islão, e ainda muitas outras religiões orientais. Nenhuma das principais religiões europeias – o Judaísmo, o Cristianismo e o Islão – teve origem na Europa. Todas elas provieram do Oriente.

O direito à propriedade, enquanto factor decisivo para uma vida humana digna, é um valor da Europa que deveria ser defendido como valor comum à humanidade.

Por fim, o valor da dignidade humana é um valor comum que tem de ser aperfeiçoado na Europa, especialmente no que respeita ao combate contra a xenofobia, racismo, fascismo, anti-semitismo, islamofobia, etc.

Algumas definições de Europa

Em 1751, Voltaire definiu o conceito de Europa como ‘uma grande república dividida em vários estados, alguns monárquicos, outros mistos …. mas todos relacionados entre si.

Todos eles têm a mesma fundação religiosa, mesmo que se dividam em confissões diversas. Todos eles têm o mesmo princípio de direito e política públicos, desconhecidos noutras partes do mundo. (Davies 7)
Numa tentativa de demonstrar a unidade da cultura europeia (Die Einheit of Europaeischen Kultur), T. S. Eliot refere-se à mesma, num escrito de 1946, nos seguintes termos: ‘O aspecto dominante inerente à criação de uma cultura comum entre povos, cada um dos quais com a sua própria e distinta cultura, é a religião …. refiro-me à tradição comum do Cristianismo, que fez da Europa o que é, e aos elementos culturais comuns que este Cristianismo comum trouxe consigo … Foi no seio do Cristianismo que as nossas artes floresceram; foi no Cristianismo que as leis da Europa – até recentemente – se enraizaram; foi sobre o pano de fundo do Cristianismo que todo o nosso pensamento adquiriu significado’.
Um indivíduo europeu poderá não acreditar que a Fé Cristã é verdadeira; e no entanto, o que ele diz ou faz dependerá da herança cristã para adquirir sentido. Só uma cultura cristã é que poderia ter originado um Voltaire ou um Nietzsche. Não acredito que a cultura da Europa pudesse sobreviver perante o completo desaparecimento da Fé Cristã. (Davies 9).

No que se refere à relação entre a Europa e as outras culturas e religiões, Hugh Seton-Watson adoptou uma abordagem mais inclusiva, ao escrever o seguinte, em 1985: ‘O entrecruzamento das noções de Europa e de Cristandade é um facto da História que não pode ser invalidado nem pelo mais brilhante dos sofismas … . Mas não é menos verdade que há presenças na cultura europeia, para além do Cristianismo: a presença grega e latina, persa e (na época moderna) a judaica. Se há também uma presença muçulmana, isso já é mais difícil de determinar. (Davies 15)

A Europa deveria reger-se pelo direito individual à vida, liberdade, religião, propriedade e dignidade que conduzirão a uma consciência colectiva de um destino humano comum.
O amplo pluralismo de valores da União Europeia deveria acompanhar estes nobres princípios de conduta humana:

  1. O argumento do poder das grandes nações deveria ser substituído pelo argumento do direito das pequenas nações.
  2. O argumento do mito histórico deveria ser substituído pelo argumento da responsabilidade histórica.
  3. O argumento do débil compromisso político deveria ser substituído pelo argumento do forte empenho moral.
  4. O argumento do comportamento pecaminoso deveria ser substituído pelo argumento do humilde arrependimento de Adão.
  5. O argumento da falsidade deveria ser substituído pelo argumento da verdade de Abraão.
  6. O argumento da vingança deveria ser subs- tituído pelo argumento do amor de Jesus.
  7. O argumento da guerra deveria ser substituído pelo argumento de Muhammad da paz para toda a humanidade.

A identidade enquanto continuidade da memória

A Europa tem de enfrentar muitas questões essenciais:

  1. O que é a memória europeia, se é que existe?
  2. O que é a continuidade da memória europeia enquanto identidade?
  3. Ela é somente política? É cultural por natureza? É focalizada na religião?
  4. Será a memória europeia apenas uma memória do passado?
  5. Terá a Europa uma memória presente?
  6. Ousará a Europa ter uma memória futura com múltiplos credos?
  7. Estará a Europa preparada para aceitar a memória do Islão enquanto continuidade da sua memória e das suas múltiplas identidades?

Temo que a Europa ainda apresente alguma relutância em aceitar a memória do seu futuro, na qual o Judaísmo e o Islão evoluem a par com o Cristianismo. Eu encaro a Europa como uma sociedade aberta, com múltiplas identidades de um determinado espírito político, de um pulsar cultural único, de uma alma religiosa pluralista que encontra a felicidade no seu objectivo de unidade com uma diversidade de oportunidades espirituais.

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Carta aberta aos intelectuais ocidentais

Por: M. Yiossuf Adamgy

Aos ilustres intelectuais, Judeus, Cristãos, laicos e outros, é minha intenção dizer-lhes algo, mas algo que contenha algum significado. O objectivo, ainda que relativo, será possível de se atingir? Conseguirão ouvir, compreender?

Aquilo que se passa no Médio Oriente, de uma gravidade extrema e mais do que premeditado, está para além do entendimento.

Se as reacções dos extremistas político-religiosos, usurpadores do nome do Islão, especialmente após o 11 de Setembro, arruinaram os esforços daqueles que trabalham pelo diálogo e pela coexistência entre o Oriente e o Ocidente, a política belicista e as agressões do Governo de Israel, conduzido pelo extremismo Sionista,

cava a sepultura, não apenas da possibilidade de paz na região, mas do futuro da humanidade.

Terrorismo de um Estado poderoso, dotado de armas de destruição em massa; estado diferente dos outros, de fronteiras desconhecidas, que não cumpre dezenas das Resoluções da ONU, que age na impunidade, contra uma resistência legítima, que defende o direito à vida e visa as forças armadas ocupantes, contra um terrorismo dos fracos, enquanto este último tem como objectivo os civis.

O povo Judeu tem o direito à segurança e à paz. Mas Israel não tem o direito de transgredir as leis universais, ao manter uma ordem colonial desumana. Trata-se de clara “extinção duma nação”, conforme quatro dos mais conhecidos intelectuais ocidentais divulgaram numa recente carta denunciando o que chamam de “moral dupla do Ocidente” em relação ao que vem acontecendo no Médio Oriente, no conflito entre Israel e Palestina. Noam Chomsky e os escritores Harold Pinter, José Saramago e John Berger assinam o texto que denuncia “uma prática militar, económica e geográfica de longo prazo, cujo objectivo político é nada menos do que a extinção da nação palestiniana”.

A actual desordem internacional encontra-se fundamentada sobre a lei do mais forte. Israel recusa toda e qualquer negociação com os países Árabes, multiplicando os actos unilaterais e a espoliação de terras. [b]Age em contradição às leis, à natureza e à moral, ergue um muro de separação, e mantém as populações Palestinianas presas num perfeito apartheid, assassinando personalidades políticas em pleno dia. Aprisiona, extremista e excessivamente, militantes nacionalistas e responsáveis Palestinianos, sendo que são já mais de dez mil. Destrói casas e infra-estruturas sem cessar, bombardeia bairros civis, tortura, priva de alimento todo um povo e bloqueia todas as suas receitas, por mais pequenas e magras que sejam.”

Neste contexto de morte, a principal potência mundial, os Estados Unidos, apoiam Israel incondicionalmente. Os países Europeus fecham os olhos, ou pedem às vítimas que reconheçam sem condições o seu carrasco. Cúmulo do absurdo, os países Ocidentais punem o povo Palestiniano por este ter escolhido democraticamente os seus representantes. A política dos dois pesos e das duas medidas ultrapassou todos os limites.

Porquê esta obstinação e esta quezília? Qual é a repressão e quais são as suas causas, sobre as quais o Ocidente não pretende pensar? Onde está a Democracia, onde estão os valores da modernidade? Onde está a Justiça e o Direito? Quem fez do Mundo refém?

Antes que a humanidade naufrague num sistema faustiano, que não oculta mais as suas intenções, dizemos nós, especialmente àqueles de entre nós, a grande maioria, que acreditam por força da razão, nas virtudes do diálogo e na necessidade do viver em conjunto: a repressão brutal e as odiosas agressões a que submetem quase diariamente os povos Palestiniano e Iraquiano e, agora, Libanês, representam uma trágica realidade. Realidade de um cancro que, aparentemente, ninguém pretende curar.

Como o realça o historiador pacifista, Ilan Pappe, docente da Universidade de Haifa, levar a cabo represálias contra uma operação de uma tão fraca amplitude, recorrendo a actos de guerra total e de destruição em massa, prova que o que se tem em conta não é o pretexto, mas sim um projecto de dominação. Os dirigentes Israelitas continuam com as operações de repressão programada, as quais depois de cinquenta anos provocaram a expulsão da maioria da população autóctone da Palestina, destruíram a maioria das suas cidades e mergulharam o mundo Árabe num conflito extenuante com o Ocidente. O que em uns, agravou o ódio pelo Islão, esse desconhecido, e, em outros, criou um sentimento sem igual.

Além disso, o poder militar Israelita desenvolve-se e a comunidade internacional mantém-se passiva ou cúmplice; mais, é fácil terminar o que começou em 1948: a colocação sob tutela progressiva de todo o mundo Árabe, rico em energia e o alargamento da fractura entre as duas margens do Mediterrâneo. Tudo isto em detrimento dos interesses de todos os povos do Mundo, incluindo o povo Judeu. Não é demasiado tarde para parar este plano. “

Certo, as reacções desesperadas de determinados grupos extremistas, assim como as contradições, as incoerências e os arcaísmos dos regimes Árabes e Islâmicos, em nada contribuem para a credibilidade e popularidade internacional da resistência. Opor a ocupação de Gaza e da Cisjordânia, à do Iraque por parte do EUA e à agressão sofrida pelo Líbano, na conjectura mundial actual, necessita, tendo em conta o plano metodológico, de usar antes de mais todos os recursos da razão e da diplomacia e, no quadro das acções de legítima defesa, de fazer prova de estratégia e do respeito pelos Direitos Humanos.

Sobre o plano de fundo, a democratização das nossas sociedades e a aposta na secularização, sem perdermos as nossas marcas de referência, são estes a via para revelarmos os desafios. Tanto mais que, o objectivo das forças ocupantes, é o de destruir a vontade de resistir dos povos, de modo a aniquilarem os ferrolhos que se opõem à hegemonia imperial mundial. Esta encontra-se condenada ao fracasso. Não apenas pelos homens da guerrilha, os quais lutam por uma causa justa e no seu território, que são mais fortes, mas também por ser impossível mudar a consciência dos povos. Eles sabem o que é viver uma situação terrivelmente injusta. A história dos povos reza que nada e ninguém no Mundo conseguirá vencer a resistência: nem os Exércitos sofisticados, e nem centenas de anos de repressão.

Contudo, caso todos aqueles que amam a paz e a justiça não se aliarem, de modo a recusarem os comportamentos desviantes, venham estes de onde vierem, desde a desumanização e o “tudo sob controlo”, às reminiscências fascistas, estes comportamentos proliferarão, um pouco por todo o Mundo, sob as formas mais insidiosas. Dois ou três soldados Israelitas capturados em território Libanês ocupado…foi este o pretexto para que um verdadeiro dilúvio se abatesse sobre todo um país …, para além de ter causado o maior desastre ambiental no Mar Mediterrâneo, em todos os tempos.

Os meios de comunicação em massa que dominam o Mundo negam que o Exército Israelita está a ocupar por meio da violência os territórios Palestinianos e que tenha violado o território Libanês. Os discursos invertem a ordem das coisas e afirmam ter sido os resistentes Árabes a ter violado a soberania Israelita.

Quantos mais mortos Palestinianos, Libaneses e Israelitas serão necessários para que o Mundo reconheça os factos? Todos nós somos seres humanos, Judeus e Palestinianos, Orientais e Ocidentais. É chegado o momento de contarmos os mortos e os prisioneiros da mesma maneira. O futuro do Mundo joga-se no Médio Oriente e depende igualmente de nós.

Há imensas fotografias que jamais serão vistas nas páginas de jornais ocidentais: bebés decapitados e mulheres sem pernas ou braços, ou anciãos despedaçados. As incursões aéreas israelitas são promíscuas – quando se enxergam os resultados como temos visto- e obscenas. Sem dúvida, as poucas vítimas igualmente inocentes do Hezbollah em Israel terão, provavelmente, o mesmo aspecto, mas a matança em Gaza e no Líbano é de uma magnitude muito mais terrível.