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Quando Abu Bakr e Umar (R.A.) quase iam perdendo tudo

Por: M. Yiossuf Adamgy (06/05/09 – in Revista Al Furqán, nº. 168, de Março/Abril.2009)

O Profeta Muhammad (que a paz esteja com ele) estava certa vez sentado com os seus companheiros, quando foram abordados por alguns homens a cavalo, que eram delegados da tribo de Banu Tamim. Como com qualquer tribo que vinha para abraçar o Islão, o Profeta quis seleccionar-lhes um líder. Naturalmente, aconselhou-se junto dos seus companheiros mais chegados, Abu Bakr e Umar (que Allah esteja com eles agradado) sobre quem seria o ho- mem mais indicado para o cargo.

Abu Bakr (r.a.) recomendou que o Profeta (s.a.w.) nomeasse Al-Qa`qa` Bin Ma`bad (r.a.), membro da Banu Mujashi`, para o cargo. Umar (r.a.) discordou, sugerindo que o Mensageiro de Allah (s.a.w.) escolhesse Al-Aqra` Bin Habis (r.a.). (Tafssir Ibn Kathir)

O desacordo entre eles transformou-se num debate, depois numa discussão e rapidamente os dois começaram a falar tão alto que as suas vozes se sobrepuseram à do Profeta (s.a.w.).

Foi nessa altura que Deus (ár. Allah) revelou o seguinte versículo ao Profeta (que a paz esteja com ele).

“Ó crentes! Não eleveisas vossas vozes acima da do Profeta, nem lhe faleis em voz alta, como fazeis entre vós, senão as vossas acções serão inúteis sem que disso se apercebam.” (Alcorão, 49:2)

Respeito pelo Profeta (s.a.w.)

Deus estava a dizer tanto a Abu Bakr (r.a.) como a Umar (r.a.) que aquilo que estavam a fazer era inoportuno. Quando se fala perto do Profeta (s.a.w.), não se pode falar mais alto do que ele, devido ao respeito e reverência pelo homem que é o Mensageiro do próprio Deus.

Esta ordem vai bem para além do que respeita ao volume. Quando surgem problemas nas questões da “Sunnah”, não nos podemos pronunciar sobre elas ou contra as mesmas. Tal como disse Ibn `Abbas (r.a.), tal significa não contradizer a “Sunnah” nas nossas acções, declarações ou até intenções.

A nossa atitude perante a “Sunnah” deve ser idêntica à do Imame Malik. Quando iam estudantes a sua casa, com o objectivo de aprender “Fiqh” ou “`Aqidah”, ele vinha para a rua para os ensinar. No entanto, se quisessem aprender “Hadith”, ele fazia a “Ghusl” antes de sair e recitava o versículo: “Ó crentes! Não eleveis as vossas vozes acima da do Profeta , nem lhe faleis em voz alta…” antes de iniciar as suas aulas, para recordar aos seus alunos e a si próprio que aquilo que estavam prestes a estudar devia ser tra- tado com todo o respeito.

A reacção de Umar (r.a.)

Depois da revelação deste versículo, conta-se que sempre que Umar (r.a.) se dirigia ao Profeta (s.a.w.), falava tão baixo que mal se conseguia ouvir o que dizia. Com efeito, Abdullah Bin Al-Zubair (r.a.) afirma que o Profeta (s.a.w.), por vezes, pedia a Umar (r.a.) que repetisse o que tinha dito, devido ao facto de ter falado tão baixo.

Com a vinda de uma ordem de Deus, Umar (r.a.) cumpriu-a de imediato e pô-la em prática na sua vida. Não a pôs em causa, não a tentou seguir apenas parcialmente, não adiou o seu cumprimento nem a seguiu apenas de forma temporária. Cumpriu-a de imediato de forma plena e permanente.

A abordagem de Thabit (r.a.)

Quando, Thabit Ibn Qays Al-Shammas (r.a.), um sahabi (companheiro) que costumava falar em voz alta devido ao facto de ouvir mal, ouviu este versículo, ficou inconsolável, uma vez que o versículo dizia que aqueles que falavam mais alto que o Profeta (s.a.w.) iriam perder todas as suas acções sem sequer disso se aperceberem. De imediato, Thabit foi para casa desesperado e não saiu até que o Profeta e os “sahabah” (companheiros) deram pela sua falta.

Quando o foram visitar e lhe perguntaram onde tinha estado, ele disse-lhes que tinha ficado aterrorizado com a ideia de perder as suas acções, na me- dida em que também ele falava mais alto que o Profeta, embora apenas falasse alto devido ao seu problema de audição. Mais tarde, o Profeta (s.a.w.) reconfortou-o, dizendo-lhe que ele pertencia ao povo que iria para o Paraíso.

A forma como Satanás se aproveita das discussões

Quando Abu Bakr e Umar (r.a.) discutiram, fizeram-no na pior das alturas e na pior das situações. À sua frente tinham o Profeta (s.a.w.) e estavam rodeados pelos delegados de uma nova tribo que queria abraçar o Islão. “Shaitan” (Satanás) iria fazer tudo o que fosse preciso para deitar por terra qualquer oportunidade de o Islão prosperar.

Nesta situação, fez com que dois irmãos muçulmanos se desentendessem ao ponto de um aspecto mais importante do que a escolha de um líder (isto é, o respeito pelo Profeta) ter sido ignorado.

Quando os humores se exaltam nas discussões com a família, amigos, ou no trabalho de “da`wah”, nunca deixem que “Shaitan” aproveite das vossas diferenças em seu benefício.

Corrigir-nos a nós próprios

Os “sahabah” não eram super-homens, livres de cometer qualquer erro. O que os tornou extraordinários e em modelos para nós, foi antes a forma como corrigiam os seus erros.

Imagine que descobria que você e a sua família tinham perdido tudo que tinham e que estavam na bancarrota. Deixaram de ter bens, casa ou carros e não tinham dinheiro.

Agora imagine que perdia todas as suas boas acções. Qual das perdas o deixaria mais devastado?

Os “sahabah” consideravam que perder as boas acções era das piores coisas que lhes podia acontecer.

Da próxima vez que discutirmos com os nossos irmãos ou irmãs muçulmanos, devemos lembrar-nos da forma como agiram e reagiram Abu Bakr e Umar (r.a.) e assegurar o respeito pelo Profeta (que a paz esteja com ele) e pela sua Sunnah, sem nos deixarmos afectar pelas circunstâncias em que nos encontramos.

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Said ibn Aamir al-Jumahi (R.A.)

Said ibn Aamir al-Jumahi foi um dos milhares que partiu para a região de Tanim, nos arredores de Meca (ár. Makkah), convidado pelos dirigentes Coraixitas para assistir ao assassínio de Khubayb ibn Adiy, um dos companheiros de Muhammad (que Allah derrame bênçãos e paz sobre ele) que eles tinham capturado traiçoeiramente.

Com a sua exuberante juventude e vigor, Said empurrava procurando caminho através da multidão até alcançar os dirigentes Coraixitas, homens como Abu Sufyan ibn Harb e Safwan ibn Umayyah, que comandavam a procissão.

Agora ele podia ver o prisioneiro dos Coraixitas acorrentado, as mulheres e as crianças empurrando-o para o lugar preparado para a sua morte. A morte de Khubayb seria a vingança pelas perdas dos Coraixitas na batalha de Badr.

Quando a multidão chegou com o prisioneiro ao lugar marcado, Said ibn Aamir escolheu a sua posição num ponto elevado para observar Khubayb enquanto ele se aproximava da cruz de madeira. De lá, ele podia ouvir a voz firme, mas calma, de Khubayb, no meio dos gritos das mulheres e das crianças:

“Se puderem, deixem-me rezar dois rakaats antes de morrer”. Isto os Coraixitas permitiram.

Said olhou para Khubayb enquanto este voltava a face para a Caaba (ár. Kaabah) e rezava. Quão maravilhosos e tranquilizantes pareciam aqueles dois rakaats! Depois ele viu Khubayb voltando-se para os dirigentes Coraixitas: “Por Deus, se pensaram que eu pedi para rezar com medo da morte, vou pensar que a oração não valeu o trabalho”, disse ele.

Said viu depois o seu povo começar a desmembrar o corpo de Khubayb enquanto ele ainda estava vivo e a escarnecer dele.

“Gostarias que Muhammad estivesse no teu lugar enquanto tu ficavas em liberdade”?

Com o sangue escorrendo, ele respondeu: “Por Deus, eu não ia querer salvar-me e ficar em segurança com a minha família enquanto um espinho ferisse Muhammad”. O povo agitou os seus punhos no ar e gritando acrescentou: “Matem-no. Matem-no”!

Said viu Khubayb erguer os seus olhos para os céus por cima da cruz de madeira. “Conta-os todos, ó Senhor”, disse ele. “Destrói-os a todos e não deixes que escape algum”.

Depois disso, Said não conseguiu contar quantas lanças e espadas trespassaram o corpo de Khubayb.

Os Coraixitas voltaram para Meca e, nos dias cheios de acontecimentos que se seguiram, eles esqueceram Khubayb e a sua morte. Mas Khubayb nunca saiu do pensamento de Said, aproximando-se agora do espírito da natureza humana. Said via-o em sonhos enquanto dormia e visualizava Khubayb à sua frente rezando os seus dois “rakaats”, calmo e resignado, diante da cruz de madeira. E ele ouvia o eco da voz de Khubayb enquanto ele rezava para que os Coraixitas fossem punidos. Ele ficava com medo que um trovão que caísse do céu ou alguma calamidade o atingisse mortalmente.

Khubayb, com a sua morte, ensinara a Said aquilo que ele não tinha percebido anteriormente – a vida real era a fé e a convicção, e lutar no caminho da fé, mesmo até à morte. Também lhe ensinou que a fé que é profundamente tingida numa pessoa opera maravilhas e faz milagres. Ensinou-lhe ainda algo mais, que o homem que é amado por seus companheiros com um tal amor como o de Khubayb só podia ser um Profeta com apoio Divino.

Assim estava aberto o coração de Said para o Islão (ár. “Içlam”). Ele levantou-se na Assembleia dos Coraixitas e anunciou que era responsável pelos seus pecados e aflições. Ele renunciou aos seus ídolos e às suas superstições e proclamou a sua entrada na religião de Deus.

Said ibn Aamir migrou para Medina (ár. “Madinah”) e juntou-se ao Profeta Muhammad (que Allah derrame bênçãos e paz sobre ele). Ele tomou parte com o Profeta na batalha de Khaybar e noutras batalhas seguintes. Depois do Profeta ter falecido com a protecção do seu Senhor, Said continuou a fazer um serviço activo sob as ordens dos seus dois sucessores, Abu Bakr e Umar. Viveu uma vida única e exemplar do crente que consegue obter a Vida Futura com este mundo. Procurou a satisfação e bênçãos de Deus, acima dos desejos egoístas e prazeres corporais.

Abu Bakr e Umar conheciam bem Said pela sua honestidade e piedade. Eles ouviriam o que quer que ele tivesse para dizer e seguiriam o seu conselho. Uma vez, Said foi ter com Umar no início do seu Califado e disse:

“Aconselho-te a temer a Deus quando lidares com o povo e não temeres o povo na tua relação com Deus. Não deixes que as tuas acções se desviem das tuas palavras, pois o melhor dos discursos é aquele que é confirmado pelos actos. Considera aqueles que foram escolhidos para os assuntos dos Muçulmanos, em alto grau e como íntimos. Deseja para eles aquilo que gostas para ti próprio e para a tua família e não desejes para eles aquilo que desgostarias para ti próprio e para a tua família. Supera qualquer obstáculo para alcançar a verdade e não despedaces as críticas daqueles que criticam as matérias prescritas por Deus”.

“Quem pode avaliar isso (cabalmente), Said”? perguntou Umar. “Um homem como tu, de entre aqueles que Deus escolheu para os assuntos da Ummah (Povo, Comunidade) de Muhammad (s.a.w.) e que se sente responsável para com Deus só”, respondeu Said.

“Said”, disse ele, “eu nomeio-te para seres governador de Homs (na Síria)”. “Umar”, alegou Said, “eu suplico-te por Deus, não me obrigues a desviar-me do caminho preocupando-me com assuntos mundanos”.

Umar ficou aborrecido e disse:

“Colocaste em mim a responsabilidade do califado e agora abandonas-me.” “Por Deus, eu não te abandonarei”, respondeu Said rapidamente.

Umar nomeou-o governador de Homs e ofereceu-lhe uma gratificação. “O que devo fazer com isto, ó Amir al Muminin”? Perguntou Said. “O salário proveniente dos haveres do “al-mal” (tesouro) será mais que suficiente para as minhas necessidades”. Dizendo isto, ele prosseguiu para Homs.

Não muito tempo depois, uma delegação de Homs, composta por pessoas da confiança do Califa Umar (r.a.), veio visitá-lo a Madinah. Ele pediu-lhes que escrevessem os nomes dos pobres para que pudesse aliviar as suas necessidades. Prepararam-lhe uma lista onde o nome de Said ibn Aamir aparecia.

“Quem é este Said ibn Aamir”? Perguntou Umar.

“É o nosso amir (chefe – governador)”, responderam eles.

“O vosso amir é pobre”? indagou Umar, confuso.

“Sim”, afirmaram eles, “Por Deus, inúmeros dias se passam sem se acender o fogo na sua casa”.

Umar ficou muito comovido e choroso. Ele pegou em mil dinares, colocou-os numa carteira e disse:

“Levai-lhe os meus cumprimentos e dizei-lhe que o Amir al Muminin lhe mandou este dinheiro para o ajudar a cuidar das suas necessidades”.

A delegação foi ter com Said com a carteira. Quando ele descobriu que continha dinheiro, começou a repeli-lo, dizendo: “De Deus proviemos e a Ele certamente voltaremos”.

Disse-o de tal maneira que parecia que alguma desgraça tinha caído sobre ele. A sua esposa alarmada correu para ele e perguntou: “O que se passa, Said? Morreu o Califa (ár. Khalifah)”?

“É algo muito pior que isso”.

“Os Muçulmanos foram derrotados na batalha”?

“Algo muito pior que isso. O mundo veio a mim para corromper o meu dia de amanhã e criar a desordem na minha casa”.

“Então vê-te livre disso”, disse ela, não sabendo nada sobre os dinares.

“Queres ajudar-me nisso”? Perguntou ele.

Ela concordou. Ele pegou nos “dinares”, colocou-os em sacos e distribuiu-os pelos Muçulmanos pobres.

Não muito tempo depois, o Califa Umar ibn al-Khattab (que Allah esteja satisfeito com ele) foi à Síria para examinar as condições de lá. Quando chegou a Homs que era chamado “o pequeno Kufah”, porque, como Kufah, os seus habitantes se queixavam muito dos seus dirigentes, ele perguntou o que pensavam eles do seu Amir. Eles queixaram-se dele mencionando quatro das suas acções, cada uma mais séria que a outra.

“Vou reunir-vos com ele”, prometeu Umar.

“E vou rezar a Deus para que a minha opinião sobre ele não fique danificada. Eu costumava confiar muito nele”.

Quando o encontro foi convocado, o Califa Umar (r.a.) perguntou quais eram as queixas que eles tinham.

“Ele só sai para vir ter connosco quando o sol já vai alto”, disseram eles.

“O que tens a dizer a respeito disto, Said”? Perguntou Umar.

Said ficou silencioso por um momento, depois disse: “Por Deus, eu realmente não queria dizer isto mas parece que não há outra saída. A minha família não tem quem ajude em casa, por isso eu tenho que me levantar todas as manhãs e preparar a massa de farinha para o pão. Espero um pouco até que suba e fique o pão cozido no forno, para eles. Depois faço wudu e vou ter com o povo”.

“Qual é a vossa outra queixa “? Perguntou Umar.

“Ele não responde a ninguém à noite”, disseram eles.

Sobre isto Said disse relutantemente: “Por Deus, eu gostaria de não ter que revelar isto também, mas eu tenho deixado o dia para eles e a noite para Deus – Grande e Sublime Ele é”.

“Então qual é a vossa outra queixa dele”? Perguntou Umar.

“Ele não passa connosco um dia em cada mês”, disseram eles.

Sobre isto Said replicou: “Eu não tenho quem ajude em casa, ó Amir al-Muminin, e não tenho mais roupa alguma a não ser esta que trago comigo. Esta, eu lavo-a uma vez por mês e espero que ela seque. Depois saio quando o dia está a acabar”.

“Mais alguma queixa dele”? Perguntou Umar.

“De tempos a tempos ele desmaia nas reuniões”, disseram eles.

A isto Said respondeu: “Eu testemunhei a morte de Khubay Adiy quando eu era um mushrik (politeísta). Eu vi os Coraixitas trespassando-o e dizendo: `Gostarias que Muhammad estivesse no teu lugar?` ao que Khubayb respondeu: `Eu não ia querer salvar-me e ficar em segurança com a minha família enquanto um espinho ferisse Muhammad`. Por Deus, sempre que me lembro disso e da maneira como falhei quando lhe ia prestar auxílio, eu apenas penso que Deus não me perdoará e eu desmaio”.

Em consequência disto, Umar disse: “Louvado seja Deus. A minha impressão sobre ele não foi manchada”.

Mais tarde ele enviou mil dinares a Said para o ajudar. Quando a sua esposa viu a quantia disse: “Louvado seja Deus que nos enriqueceu por seu serviço. Compra-nos alguns mantimentos e procura quem nos ajude em casa”.

“Não há uma forma de o gastar melhor”? Perguntou Said. “Vamos gastá-lo em quem vier recorrer a nós e faremos melhor assim dedicando isto a Deus”. “Isso será melhor”, concordou ela.

Ele colocou os “dinares” em pequenos sacos e disse a um membro de sua família: “Leva isto à viúva deste e daquele, e aos órfãos de tal pessoa, para os pobres daquela família e para os indigentes da família daquela pessoa”.

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Aamir ibn Abdullh ibn al-Jarrah (r.a.) – conhecido como Abu Ubaydah

Traduzido e adaptado por: M. Yiossuf Adamgy

A sua aparência era impressionante. Era magro e alto. Tinha a face luminosa e uma barba dispersa. Era agradável olhar para ele e vivificante conhecê-lo. Extremamente cortês e humilde, e um pouco tímido. Todavia, numa situação dura, tornava-se tremendamente sério e alerta, parecendo a lâmina cintilante duma espada com a sua severidade e agudeza.

Ele era descrito como o Amin ou Guarda da Comunidade de Muhammad (s.a.w. = paz e bênçãos de Deus estejam com ele). De seu nome completo Aamir ibn Abdullh ibn al-Jarrah (r.a.), era conhecido como Abu Ubaydah. A seu respeito disse Abdullah ibn Umar (r.a.), um dos companheiros do Profeta (s.a.w.):

“Não encontrarás povo algum que creia em Deus e no Dia do Juízo Final, que tenha relações com aqueles que contrariam Deus e o seu Mensageiro, ainda que sejam seus pais ou seus filhos, seus irmãos ou parentes. Para aqueles, Deus lhes firmou a fé nos corações e os confortou com o Seu Espírito, e os introduzirá em jardins, sob os quais correm os rios, onde habitarão eternamente. Deus está bem contente com eles, e eles estão bem contentes com Ele. Eles são o partido de Deus. Não é o partido de Deus que prospera?” (58:22).

A resposta de Abu Ubaydah em Badr quando confrontado por seu pai não foi inesperada. Ele tinha obtido uma força de fé em Deus, devoção à sua religião e um nível de interesse pela ummah de Muhammad (s.a.w.) que eram aspirados por muitos.
É relatado por Muhammad ibn Jafar (r.a.), um companheiro do Profeta (s.a.w.), que uma delegação Cristã veio ter com o Profeta e disse:

“Ó Abu-l Qassim, manda um dos teus companheiros connosco, um em quem tu estejas bem satisfeito, para julgar entre nós sobre questões peculiares com as quais discordamos. Temos uma elevada consideração pelo povo Muçulmano”.
“Vinde ter comigo esta noite”, respondeu o Profeta, “e eu vos mandarei um que é forte e merecedor de confiança”.

Umar ibn al-Khattab (r.a.) ouviu o Profeta dizer isto e mais tarde disse: “Eu fui cedo ao Zuhr (Oração do Meio-Dia) esperando desde logo ser aquele que corresponderia à descrição do Profeta. Quando o Profeta terminou a Oração, ele começou a olhar para a direita e para a esquerda, e eu levantei-me para que ele me pudesse ver. Mas ele continuou olhando entre nós até parar em Abu Ubaydah ibn al-Jarrah (r.a.). Ele chamou-o e disse: `Vai com eles e julga entre eles com verdade sobre aquilo em que estão em desacordo’. E assim Abu Ubaydah conseguiu a nomeação”.

Abu Ubaydah não era apenas merecedor de confiança. Ele manifestava muito empenho no cumprimento do seu cargo. Este empenho foi demonstrado em várias ocasiões.

Um dia o Profeta enviou um grupo de seus Sahabah (Companheiros) para encontrar a caravana dos Coraixitas. Ele nomeou Abu Ubaydah como amir (líder) do grupo e deu-lhes um saco de tâmaras e nada mais como provisão. Abu Ubaydah deu a cada homem sob seu comando apenas uma tâmara por dia: chuparia essa tâmara como uma criança chupa no peito de sua mãe. Beberia depois alguma água e isso seria suficiente durante todo o dia.

No dia de Uhud, quando os Muçulmanos estavam a ser derrotados, um dos muchrikin começou a gritar: “Mostrem-me Muhammad, mostrem-me Muhammad”. Abu Ubaydah foi um dos dez Muçulmanos que cercara o Profeta para o proteger das lanças dos muchrikin. Quando a batalha terminou, descobriu-se que um dos dentes molares do Profeta estava partido, a sua testa tinha levado pancadas e dois dos discos do seu escudo tinham penetrado nas suas faces. Abu Bakr correu apressadamente com a intenção de extrair os discos mas Abu Ubaydah disse:

“Por favor, deixa isso comigo”.

Abu Ubaydah tinha medo que ele pudesse causar dor ao Profeta se retirasse os discos com a sua mão. Ele puxou fortemente com os dentes um dos discos, que conseguiu extrair, mas um dos seus dentes incisivos caiu ao chão durante o processo. Com o outro incisivo, extraiu o outro disco mas perdeu também esse dente. Abu Bakr fez a seguinte observação: “Abu Ubaydah é o melhor dos homens a partir dentes incisivos”.

Abu Ubaydah continuou a envolver-se completamente em todos os importantes acontecimentos durante a vida do Profeta. Depois do amado Profeta ter falecido, os companheiros reuniram-se para escolher um sucessor no Saqifah, ou ponto de encontro de Banu Saadah. O dia é conhecido na história como o Dia de Saqifah. Neste dia, Abu Bakr as-Siddiq (r.a.) disse a Abu Ubaydah (r.a.):

“Estende-me a tua mão e eu juro fidelidade a ti, pois eu ouvi o Profeta, que a paz esteja com ele, dizer: “Toda a ummah tem um guarda e tu és o guarda desta ummah”.

“Eu não vou”, declarou Abu Ubaydah, “pôr-me em evidência na presença de um homem, a quem o Profeta, que a paz esteja com ele, ordenou que nos dirigisse na Oração e que nos dirigiu mesmo até à morte do Profeta”.

Ele fez então o juramento de fidelidade a Abu Bakr as-Siddiq. Continuou a ser um conselheiro íntimo de Abu Bakr e seu forte apoiante na causa da verdade e da virtude. Depois surgiu o Califado de Umar, e Abu Ubaydah deu-lhe igualmente o seu apoio e obediência. Não lhe desobedeceu em nenhum assunto, excepto num.

O incidente aconteceu quando Abu Ubaydah se encontrava na Síria liderando as forças Muçulmanas duma vitória a outra até a totalidade da Síria se encontrar sob o controlo Muçulmano. O rio Eufrates dispunha-se à sua direita e a Ásia Menor à sua esquerda. Foi então que uma praga atacou a terra de Síria, como nunca ninguém tinha visto antes. Devastou a população. O Califa Umar enviou um mensageiro para Abu Ubaydah com uma carta que dizia: “Preciso de ti urgentemente. Se a minha carta chegar a ti de noite, solicito-te veementemente para que partas antes da madrugada. Se esta carta chegar a ti durante o dia, solicito-te veementemente para que partas antes do anoitecer e venhas ter comigo depressa”.

Quando Abu Ubaydah recebeu a carta do Califa Umar (r.a.), ele disse: “Sei porque o Amir al-Muminin precisa de mim. Ele quer preservar a sobrevivência daquele que, contudo, não é eterno”.Então ele escreveu a Umar:

“Eu sei que precisas de mim. Mas eu estou num exército de Muçulmanos e não desejo salvar-me daquilo que os aflige. Não me quero separar deles até à vontade de Deus. Por isso, quando esta carta chegar a ti, liberta-me da tua ordem e dá-me permissão para aqui ficar”.

Quando Umar leu esta carta os seus olhos encheram-se de lágrimas e aqueles que estavam com ele perguntaram: “Abu Ubaydah morreu, ó Amir al-Muminin?”

“Não”, disse ele. “Mas a morte anda perto dele”.

A intuição de Umar não estava errada. Em pouco tempo, Abu Ubaydah foi afectado pela praga. Enquanto a morte o rodeava ele falou ao seu exército:

“Deixem-me dar-vos alguns conselhos que vos conduzirão sempre pelo caminho da bondade. Estabelecei a Oração. Jejuai no mês de Ramadan. Dai Sadaqah. Fazei Hajj e Umrah. Permanecei unidos e apoiei-vos uns aos outros. Sejais sinceros com vossos chefes e não escondei nada deles. Não deixeis o mundo destruir-vos pois mesmo que o homem vivesse mil anos ele acabaria sempre neste estado que vedes em mim. Que a paz e a misericórdia de Deus estejam convosco”.

Abu Ubaydah virou-se então para Muadh ibn Jabal e disse: “Ó Muadh, faz a Oração com o povo (sê o seu líder)”. Aí, a sua pura alma partiu. Muadh levantou-se e disse:

“Ó Povo! Vós estais impressionados com a morte de um homem. Por Deus, eu não sei se alguma vez terei visto um homem com um coração mais justo, que estivesse além de todo o mal e que fosse mais sincero para o povo que ele. Pedí a Deus que derrame a Sua misericórdia sobre ele e Deus será misericordioso convosco”.

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Biografia dos companheiros Hakim ibn Hazm (r.a.)

Por: M. Yiossuf Adamgy

Os registos históricos afirmam ter sido ele o único indivíduo nascido dentro da própria Caaba A sua mãe tinha entrado na antiga Casa de Deus (ár. Allah), acompanhada por um grupo de amigas, a fim de a visitar. A antiga Casa de Deus estava aberta nesse dia em particular devido a uma ocasião festiva. A mulher estava grávida e, subitamente, viu-se surpreendida pelas dores do parto, não sendo sequer capaz de sair da Caaba (ár. Ka’bah). Foi-lhe trazido um ta- pete de cabedal e foi aí que deu à luz. A criança foi baptizada com o nome de Hakim. O seu pai era Hazam, filho de Khuwaylid. Assim sendo, Hakim era sobrinho da Senhora Khadijah, filha de Khuwaylid.

Hakim cresceu no seio de uma família nobre e abastada, que pertencia a um estrato social elevado da sociedade de Meca. Hakim era um indivíduo inteligente e dotado de boas maneiras, sendo extremamente respeitado pelo seu povo. As pessoas tinham por ele tal estima que o incumbiram da rifadah, da qual constava o auxílio aos mais desfavorecidos e àqueles que haviam perdido os seus pertences durante a época da Peregrinação. Hakim assumiu esta responsabilidade com grande honradez e chegou a servir-se dos seus próprios recursos a fim de ajudar os peregrinos. Ele foi igualmente um amigo muito íntimo do Profeta, que a paz esteja com ele, antes de Muhammad ter sido chamado a tornar-se Profeta. Apesar de ser cinco anos mais velho que o Profeta, Hakim passava muito tempo a falar com ele, parti- lhando horas de agradável companheirismo. Muhammad, por seu lado, sentia por Hakim uma grande afeição.

A relação que existia entre os dois homens tornou-se ainda mais forte quando o Profeta casou com a tia de Hakim, Khadijah bint Khuwaylid.

O que é verdadeiramente surpreendente é que Hakim só se viria a converter ao Islão vinte anos após o início da missão de Muhammad (s.a.w.), depois da conquista de Meca, apesar da forte amizade que o unia ao Profeta. Seria de esperar que alguém como Hakim, tendo sido agraciado por Deus com uma inteligência elevada e dando-se tão bem com o Profeta (s.a.w.), fosse um dos primeiros a acreditar em Muhammad e a seguir a sua orientação, mas não foi assim que aconteceu.

A verdade é que tal como nos espanta a nós a sua adesão tardia ao Islão, também ele foi surpreendido por Allah, mas só tardiamente. Com efeito, assim que Hakim se converteu ao Islão e pôde apreciar o encanto do iman (fé), sentiu-se arrependido por todos os momentos da sua vida em que viveu como mushrik (politeísta), negando a religião de Deus e do Seu Profeta.

Após a conversão, o seu filho encontrou-o uma vez a chorar e perguntou-lhe: “Porque chora, meu pai?”, ao que Hakim respondeu: “Tenho muitas razões para chorar, querido filho. A mais grave foi ter levado tanto tempo a tornar-me muçulmano (submisso à Vontade de Deus). Ter-me convertido ao Islão mais cedo ter-me-ia dado tantas oportunidades de fazer o bem, oportunidades que perdi, por não ser ainda muçulmano, e que irremediavelmente estariam perdidas por essa razão, mesmo que tivesse gasto todo o ouro do mundo a ajudar os outros. A minha vida foi poupada nas Batalhas de Badr e de Uhud e depois dessa última batalha prometi a mim próprio que não voltaria a ajudar os Coraixitas a lutar contra Muhammad, que a paz e a bênção de Deus estejam com ele, e também que jamais abandonaria Meca (ár. Makkah). Assim, sempre que sentisse vontade de me converter ao Islão, olharia para outros homens que pertencessem aos Coraixitas, homens poderosos e de alguma idade, que se mantinham fiéis às ideias e práticas da Jahiliyyah, e apoiá-los-ia, bem como aos seus vizi- nhos. Quem me dera nunca o ter feito… A nada mais se deve a nossa destruição do que ao facto de termos seguido cegamente os nossos antepassados e antecessores. Porque não hei-de então chorar, meu filho?”

O próprio Profeta (s.a.w.) ficara perplexo. Como poderia um homem sagaz e inteligente como Hakim ibn Hazm ficar apartado do Islão? Durante muito tempo, o Profeta (s.a.w.) acalentou a esperança de que ele e também um grupo de pessoas como ele tomassem a iniciativa de se tornarem muçulmanos. Na noite que antecedeu a libertação de Meca, Muhammad (s.a.w.) disse o seguinte aos seus compa- nheiros: “Existem em Meca quatro pessoas que julgo nada terem a ver com a shirk e que muito gosto faria em ver convertidas ao Islão.” Os Companheiros perguntaram então: “Quem são essas pessoas, Mensageiro de Deus?”. O Profeta (s.a.w.) proferiu a seguinte resposta: “Attab ibn Usayd, Jubayr ibn Mutim, Hakim ibn Hazm e Suhayl ibn Amr”, e com a graça de Deus, todos estes homens se converteram ao Islão.

Quando o Profeta, que a paz esteja com ele, entrou em Meca para libertar a cidade do politeísmo e dos seus rituais ignorantes e imorais, ordenou ao seu arauto que proclamasse o seguinte:

“Todo aquele que declarar que não existe outra divindade senão Deus (ár. Allah), (que ninguém a Ele se pode igualar) e que Muhammad é o Seu servo e (último) Mensageiro, estará a salvo…

Todo aquele que depuser as suas armas na Caaba, está salvo.

Todo aquele que frequenta a casa de Abu Sufyan, está a salvo…

Todo aquele que frequenta a casa de

Hakim ibn Hazm, está a salvo…”

A casa de Abu Sufyan ficava na parte alta de Meca e a de Hakim na parte baixa da cidade. Ao proclamar que estas casas eram locais de santidade, o Profeta estava com sabedoria a reconhecer o valor tanto de Abu Sufyan como de Hakim, fazendo dissipar nos dois homens qualquer ideia de resistência e tornando-lhes igualmente mais fácil a assumpção de uma postura favorável relativamente a ele e à sua missão.

Hakim converteu-se ao Islão de uma forma plena e sincera. Prometeu a si próprio que iria redimir-se de todos os pecados que cometera durante o período da sua vida em que apoiara a Jahiliyyah e que iria gastar em defesa da causa do Islão um montante equivalente ao que outrora despendera na luta contra o Profeta (s.a.w.). Era proprietário de um edifício histórico de grande importância em Meca, onde os Coraixitas realizavam os seus encontros durante a época da Jahiliyyah. Era nesse edifício que os chefes e líderes Coraixitas se reuniam para conspirar contra o Profeta. Hakim (r.a.) decidiu livrar-se do edifício e desvinculou-se das suas antigas relações, que lhe eram agora tão dolorosas. Vendeu a propriedade por cem mil dirhams. Houve até um jovem que lhe terá dito: “Vendeu algo que tinha grande valor histórico e era um símbolo de orgulho para os Coraixitas, tio.” Hakim respondeu-lhe: “Deixa, meu filho. Todo o orgulho e glória vãos foram agora postos de lado e tudo o que nos resta de valor é a taqwa – a consciência de Deus. Vendi aquela propriedade a fim de conseguir apenas um lugar no Paraíso. Juro que doei todo o lucro obtido para que seja gasto no auxílio daqueles que seguem o caminho do Todo-Poderoso.”

Depois de se tornar muçulmano, Hakim ibn Hazm (r.a.) realizou a Hajj. Levou consigo cem dos me-lhores camelos e sacrificou-os a todos, a fim de chegar mais perto de Deus. Para realizar a Hajj seguinte, Hakim deslocou-se à planície de Arafat, levando consigo cem escravos. A cada um desses escravos, Hakim ofereceu um pendente de prata, onde fora gravado o seguinte: “Libertado da posse de Hakim ibn Hazm, pela graça de Deus Todo-Poderoso”. Para concretizar a terceira Hajj e estar mais perto de Deus, levou consigo mil (sim, mil) ovelhas e sacrificou-as a todas em Mina, para alimentar as pessoas pobres.

Embora fosse generoso naquilo que gastava para agradar a Deus, Hakim (r.a.) gostava igualmente de ter muito. Depois da Batalha de Hunayn, pediu ao Profeta (s.a.w.) parte do saque, pedido que o Profeta (s.a.w.) concretizou. Ao ver o seu pedido concretizado, Hakim pediu mais e, uma vez mais, o seu pe- dido foi satisfeito. Hakim (r.a.) era ainda um principiante do Islão e o Profeta (s.a.w.) era sempre mais generoso com os recém-chegados à religião, a fim de mais facilmente conseguir a sintonia dos seus corações com Allah. Assim sendo, Hakim (r.a.) acabou por ficar com um largo quinhão do saque. No entanto, o Profeta (s.a.w.) disse-lhe:

“Esta riqueza é, sem dúvida, doce e atraente, Hakim! Aquele que ficar com ela e se der por satisfeito será abençoado por ela, mas aquele que a quiser possuir por ganância não conseguirá a mesma bênção. Esse indivíduo será como aquele que come e nunca fica cheio. A mão que dá é sempre melhor do que a mão que recebe (é melhor dar do que receber).”

Este bondoso conselho teve um efeito imediato e profundo em Hakim (r.a.). Este sentiu-se mortificado e disse ao Profeta (s.a.w.): “Por aquele que te enviou com a verdade, jamais voltarei a pedir a alguém seja o que for, ó Mensageiro de Deus!”

Durante o Califado de Abu Bakr (r.a.), Hakim (r.a.) foi chamado várias vezes a fim de receber o seu rendimento decorrente do Bayt al-Mal, mas recusou sempre o dinheiro. Fez o mesmo durante o Califado de Umar ibn al Khattab (r.a.), durante o qual o próprio Califa terá dito aos cidadãos: “Muçulmanos, comunico-vos que chamei Hakim a receber o seu rendimento e que este o recusou.”

Hakim (r.a.) manteve-se fiel à sua palavra: não mais voltou a receber nada de ninguém até falecer. Com efeito, aprendeu com o Profeta (s.a.w.) a grande verdade que diz que a verdadeira riqueza reside naquilo que não pode ser comprado.

Que Allah S. T. esteja satisfeito com Hakim ibn Hazm.

Publicado em

Companheiros do Profeta – Sahaba (R.A.)

Por: Yiossuf Adamgy

Prezados Irmãos,Assalamu Alaikum:

“Companheiros do Profeta (S)” trata da história da vida dos Companheiros do Profeta Muhammad [Maomé] (sallallahu ‘alaihi wa sallam = que Allah derrame bençãos e paz sobre ele).

Esclarece-se que um Companheiro (ár. sahabi) é aquele que viu o Profeta Muhammad (s.a.w.) em estado perfeitamente desperto, ou tendo estado na sua sagrada companhia, como Muçulmano e tendo morrido como Muçulmano (aquele que se submete à Vontade de Deus). Os Companheiros (ár. sahabah) foram os pioneiros do trabalho do Islão e sacrificaram-se à sua causa. Toda a Comunidade Muçulmana permanecerá em dívida para com eles até ao Último Dia.

O Sagrado Alcorão fala-nos, em diversos versículos, sobre eles. Aqui, apenas transcrevemos o seguinte:

“Os mais antigos (na fé), os primeiros dos “Muhajirines” e dos “Ançares”, e aqueles que os seguiram com simpatia, deram satisfação a Allah; e eles ficaram satisfeitos com Allah. O Senhor preparou, para eles, Jardins sob cujas ramadas correm rios onde habitarão para sempre. Este é o triunfo supremo” (9 [Al Tau- bah]:100).

Na verdade, os Companheiros foram um povo cuja alma é testemunho para a Unidade de Allah e profecia de Muhammad (s.a.w.). Fé e crença entraram no mais profundo dos seus corações, e eles deixaram todos os seus confortos, prazeres, gostos e até as suas terras natais pela causa de Allah, somente com o objectivo de enaltecer a Palavra de Deus e difundir as Tradições do sagrado Profeta que era, para eles, mais querido que os seus parentes e as suas vidas. Nenhum período da História da Humanidade, e nenhuma época da Civilização Humana foi testemunha de um povo que tivesse sido mais obediente a Deus, mais devotado na adoração ao seu Criador, mais crente, mais civilizado e culto, mais versado nas revelações de Deus e Tradições dos Seus Mensageiros, mais dedicados à causa de Deus, e mais empenhados no Seu Caminho, que os Companheiros do Profeta Muhammad (s.a.w.), que Deus esteja satisfeito com eles. Costumavam esforçar-se no caminho de Deus durante o dia e adorá-Lo durante a noite. Devotaram toda a sua vida à causa de Allah sem pedirem nenhuma recompensa para eles neste mundo. Foram, em suma, os verdadeiros seguidores do Profeta Muhammad (s.a.w.).

Os Muçulmanos e Não-Muçulmanos são convidados a lerem e a familiarizarem-se com a biografia destes eminentes Muçulmanos, Companheiros do Profeta Muhammad (s.a.w.), cujas vidas a morte não apagou e jamais apagará até à eternidade.

Espero que este esforço possa transmitir à nossa geração, e à vindoura, o exemplo dos “sahabah”, à memória dos quais dedico a singela edição desta significativa obra da História do Islão.

“Inch’Allah”, periodicamente, será colocado, aqui, biografia de um dos Companheiros do Profeta Muhammad (s.a.w.), a respeito dos quais ele disse:

– “A presença dos meus Companheiros (Sahabah) é como a das estrelas (guias). Qualquer que sigas, serás por ele guiado (no caminho certo)”.

– “A forma dos meus Companheiros no seio da Humanidade é como a do sal na comida. Não existe paladar na comida sem sal”.

Para Breve