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Carta de uma sobrevivente do massacre da Noruega ao assassino Anders Behring Breivik

Opinião – 2011/08/08 – Fonte: pijamasurf.com – Versão Portuguesa: Al Furqán, nº. 182

Ivar Østebø Benjamin, 16 anos, sobreviveu ao trágico massacre perpetrado por Anders Breivik Behring, que matou mais de 70 jovens, e estas são as suas palavras para o assassino.

Sr. Anders Breivik Behring:

Muitos dos meus amigos que conheci na Utoya estão mortos e você é o carrasco. Você é o homem que, por coincidência, não me matou. Eu tive sorte.

Você pode pensar que você ganhou. Pode pensar que arruinou algo no Partido Trabalhista e para o povo do mundo que defende uma sociedade multicultural, matando os meus amigos e colegas de partido.

Perceba que você falhou.

Não só fez com que o mundo se unisse, como encheu a nossa alma de fogo e perceba que nós nunca estivemos tão unidos como agora. Você fala de si mesmo como um herói, um cavaleiro. Você não é nenhum he-rói. Mas você criou heróis. Neste dia quente de Julho em Utoya você criou alguns dos maiores heróis que o mundo tem visto, unindo as pessoas de todo o mundo. Negros e brancos, homens e mulheres, vermelhos e azuis, cristãos e muçulmanos.

Transformou em mártires as suas vítimas, imortais; e demonstrou-se ao mundo que se uma pessoa pode mostrar tanto ódio como você fez, imagine-se o quanto de amor se pode mostrar se estivermos juntos. Pessoas que pensavam que me odiavam deram-me abraços na rua, pessoas que não tiveram contacto comigo nos últimos anos escreverem-me 300 ou 400 palavras sobre o que significa eu ter sobrevivido. Que tal isso? Acha que quebrou alguma coisa? Em vez disso, juntou, uniu.

Você matou os meus amigos, mas não matou a nossa causa, as nossas opiniões, o nosso direito de nos expressarmos. Mulheres muçulmanas receberam abraços de simpatia, ao acaso, nas ruas. E se o seu objectivo era proteger a Europa do Islão, as suas acções foram contra o seu propósito.

Não merece agradecimentos, os seus planos falharam. Muitas pessoas estão com raiva, você é a pessoa mais odiada na Noruega. Não tenho raiva, não tenho medo de si. Não nos pode tocar, somos maiores do que você. Nós não respondemos ao mal com o mal, como querias.

Combatemos o mal com o bem. E ganhámos.

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