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Muhammad (p.e.c.e.)

Muhammad ( paz esteja com ele), cujo nome completo é Muhammad bin Abdul-Muttalib, foi escolhido por Deus para proferir a Sua Mensagem de Paz, isto é, o Islão. Nasceu no ano 570 da era cristã, em Meca, Arábia. Foi-lhe confiada por Deus a Mensagem do Islão quando tinha quarenta anos de idade.

A Revelação que ele recebeu chamou-se Alcorão, a Leitura e Recitação por excelência. Muhammad é o último Profeta de Deus enviado à Humanidade.

Ele é o Mensageiro Final de Deus. A sua mensagem foi, e ainda é, dirigida aos Cristãos, Judeus e ao resto da Humanidade. Ele foi enviado a esses povos religiosos para informá-los a respeito da verdadeira missão de Jesus, Moisés, David, Jacob, Isaac, Ismael e Abraão. Muhammad (paz esteja com ele) é considerado a culminação de todos os Profetas e Mensageiros que o antecederam.

Ele purificou as mensagens anteriores da adulteração que sofreram e completou a Mensagem de DEUS para toda a Humanidade. Foi dotado do poder de esclarecer e de interpretar os ensinamentos do Alcorão.

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Profeta Muhammad (S.A.W.) – Profeta do Islão

Coordenado por: M. Yiossuf Adamgy (16/06/2008)

Poderei não estar a exagerar se afirmar que, nos anais da humanidade, não houve outro homem que fosse tão amado ou vilipendiado quanto Muhammad (s.a.w. = a paz e as bênçãos de Deus estejam com ele), o Profeta do Islão. Para os muçulmanos que se mantêm fiéis, ele foi o melhor homem que Deus criou no seio de toda a humanidade.

O poema que apresento abaixo, da autoria de Hassan ibn Thabit (r.a. = que Deus esteja satisfeito com ele) mostra o que sentiam os Companheiros do Profeta Muhammad (s.a.w.) por ele:

Por Deus, jamais alguma mulher concebeu ou deu à luz
A alguém comparável ao Apóstolo, o Profeta e guia do seu povo;
Nem jamais criou Deus, entre todas as suas criaturas,
Um ser que se mantivesse mais fiel aos seus visitantes e às suas promessas,
Do que aquele que foi a fonte de luz,
Abençoado nas suas acções, justo e honesto.
– (Sirat Rassulallah, por Muhammad Ibn Ishaq).

Muçulmanos não pronunciam o nome de Muhammad (s.a.w.) sem que antes lhe façam a seguinte saudação: sal-lal lahu alayhi wa sal-lam (que significa: que a paz e a bênção de Deus estejam com ele, que aqui se abrevia através da utilização do [s.a.w.]). O testemunho de fé dos muçulmanos inclui a seguinte frase: “Não existe outra divindade além de Deus e Muhammad é o Mensageiro de Deus”. Durante o chamamento para a oração (ad’han), que é realizada cinco vezes por dia, desde as horas que antecedem o amanhecer até ao anoitecer, estas mesmas palavras são repetidas nos minaretes das Mesquitas, exortando os muçulmanos a irem rezar a Deus. O muçulmano ou muçulmana deve terminar a sua oração com uma súplica a Deus, pedindo as bênçãos e dádivas para o Profeta e para a sua família que Deus concedeu a Abraão e à sua família (Ibrahim alayhis salam). Para os cristãos fiéis, Muhammad (s.a.w.) é, por outro lado, o blasfemo de Cristo. Não é assim surpreendente que não tenha existido na história da Europa e dos Estados Unidos um único período desde a Idade Média em que se tenha discutido ou reflectido globalmente o Islão fora do contexto movido pelo ódio, preconceito ou interesses políticos (vide “O Islão visto pelos olhos do Ocidente”, da autoria do falecido Professor Edward Said). A verdade é que a difamação anti-islâmica é mais antiga que as próprias Cruzadas.

Com efeito, desde o tempo de John of Damascus (c.675-c.749), o Islão tem sido descrito como uma heresia cristã, sendo o seu fundador considerado um falso Profeta. John defendeu que o Alcorão não foi revelado como escritura, sendo sim uma criação do Profeta Muhammad (s.a.w.), concebida com o auxílio de um monge cristão. (Ver a dissertação deste autor “A Análise da Difamação Anti-islâmica” para ficar a par de um debate minucioso sobre esta questão).

Nos últimos anos, em consequência do 11 de Setembro, o ataque contra o Islão e o Profeta Muhammad (s.a.w.), nos países não-muçulmanos, teve tendência a aumentar exponencialmente. No seio deste novo ódio, a maioria dos cristãos tem tendência a esquecer a Carta de privilégios que foi concedida pelo Profeta (s.a.w.):

“Esta é uma mensagem de Muhammad ibn Abdullah, representando um pacto estabelecido com todos aqueles que adoptarem a cristandade, perto ou longe, garantindo que estaremos a seu lado. Na verdade, tanto eu como os meus servos, os meus ajudantes e seguidores os auxiliarão, pois os cristãos são meus cidadãos e, por Allah, eu defendê-los-ei de tudo quanto for do seu desagrado.

Não devem ser obrigados a nada e os seus juízes deverão permanecer nos seus postos, tal como os monges nos seus mosteiros. Nenhuma das suas casas deverá ser destruída ou danificada, nem nada deverá ser retirado do seu interior para ser levado para a casa de muçulmanos.

Se algum bem for retirado, tal procedimento irá pôr em causa o pacto de Deus e constituir desobediência face ao Seu Profeta. Eles são, na verdade, meus aliados, e têm a minha carta de segurança. Ninguém os poderá obrigar a viajar ou forçá-los a lutar, pois os muçulmanos deverão lutar por eles. O casamento de uma mulher cristã com um muçulmano só se deverá efectuar mediante a aprovação dela. E, caso tal aconteça, ela não deve ser impedida de frequentar a sua igreja todos os dias para rezar. As suas igrejas devem ser respeitadas. Não devem ser impedidos de procederem a reparações nestes templos, nem devem ser despojados da inviolabilidade dos seus pactos. Nenhum indivíduo da nação muçulmana deverá desobedecer ao pacto até ao Último Dia (o fim do mundo).”

Foram estas as preciosas palavras que o Profeta Muhammad (s.a.w.) proferiu no ano de 628 D.C., quando outorgou aos monges do Mosteiro de Sta. Catarina, no Monte Sinai, este documento histórico, também conhecido por Carta de Princípios. Tal como podemos constatar, esta Carta de Princípios, concebida 13 séculos antes da promulgação da (moderna) Carta Universal dos Direitos Humanos, era constituída por várias cláusulas que abordavam todas as vertentes dos direitos humanos, inclusivamente tópicos como a protecção dos cristãos (a minoria) que viviam sob as regras muçulmanas: o seu direito à liberdade religiosa, de deslocação, de nomeação de juízes próprios, o seu direito de aquisição e manutenção de bens, bem como a sua isenção relativamente ao serviço militar e o direito à protecção em caso de guerra.

Parece estranho? Deixará de o ser se nos lembrarmos que em 622 D.C., o ano da migração do Profeta (Hijrah) desde Makkah (Meca) a Madinah (Medina), Muhammad (s.a.w.) assinou um Tratado entre os muçulmanos, os árabes não-muçulmanos e os judeus de Medina, que foi passado à escrita e ratificado por todas as partes envolvidas. Este tratado estipulava o seguinte:

“Em nome de Allah, o Beneficente, o Misericordioso. Este é um documento de Muhammad, o Profeta de Deus, que tem como objectivo administrar a relação entre os crentes que vivem entre os Coraixitas (os emigrantes de Meca, por exemplo) e os Yathribitas (por exemplo, os habitantes de Yathrib, Medina) e aqueles que os seguem, tendo-se unido a eles e, em consequência de tal, encetado esforços para os ajudar. Todos eles formam uma única comunidade que se opõe ao resto de toda a humanidade. Todos aqueles que, entre o povo judeu, optarem por nos seguirem, terão a nossa ajuda e serão tratados como iguais. Não lhes deverá ser feita nenhuma ofensa, não devendo ser auxiliado qualquer dos seus inimigos. Deve ser-lhes dado o direito de manterem a sua religião, e o mesmo direito deve ser dado aos muçulmanos. A lealdade é uma forma de protecção contra a traição… O Vale de Yathrib (Medina) deverá ser considerado sagrado e inviolável para todos aqueles que assinarem este Tratado. Allah é o Garante da piedade e da bondade que estão implícitas neste Tratado. Deus aprova a verdade e boa vontade presentes neste Tratado. Este tratado não protegerá os criminosos e injustos. Todos aqueles que partirem para lutar, bem como aqueles que ficarem em casa, estarão a salvo e em segurança nesta cidade, a menos que tenham cometido uma injustiça ou praticado um crime. Deus protege as pessoas virtuosas e tementes a Deus”.

Assim era Muhammad (s.a.w.), que nunca faltou ao prometido. Ele era o indivíduo mais digno de confiança, sendo igualmente o mais generoso dos homens. Fosse um dinar (moeda de ouro), fosse um dirham (moeda de prata), nenhum deles ficaria em sua posse sem que fosse gasto com os mais necessitados. Nunca deixou de dar algo que lhe tenham pedido. Dava prioridade aos necessitados em detrimento da sua própria pessoa e família.

Ali (r.a.), um dos Companheiros mais chegados do Profeta, afirmou o seguinte:

“Ele (o Profeta Muhammad) foi o homem mais generoso de todos os homens, o mais sincero e verdadeiro. Foi também o mais cumpridor e aquele que possuiu a personalidade mais nobre, sendo o homem que mais bondoso foi para com a família. Todos aqueles que com ele tinham contacto, sem disso estarem à espera, foram inundados por um enorme respeito; todos aqueles que com ele privavam, respeitavam-no. O Profeta confortava aqueles que ficavam demasiado inibidos na sua presença: “Está à vontade. Não sou um rei, nada mais sou do que o filho duma mulher do povo de Coraixe, que come carne seca”. Era tão humilde que, quando alguém o chamava pelo nome, respondia: “Ao seu serviço!” Quando lhe faziam perguntas sobre a sua humildade, ele respondia: “Fui enviado para desenvolver as mais nobres carac-terísticas de personalidade”.” [Ihya Ulum al-Din, de Imam al-Ghazzali (R)].

Muhammad não frequentou qualquer grau de escolaridade; ainda assim, foi o sábio com mais conhecimentos da sua era. Que a paz e a bênção de Deus estejam com ele.

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Uma verdadeira história de amor

(01/Junho/2009, 08, Jamad’al-Akhir, 1430)
Por Hesham Hassaballa, traduzido e adaptado por M. Yiossuf Adamgy

Ela era uma das mulheres mais nobres das redondezas, oriunda de uma família muito poderosa. Era igualmente muito bela e possuía uma riqueza considerável, sendo uma notável mulher de negócios. Casar com ela seria um enorme feito para qualquer homem e, com efeito, foram vários os homens distintos e abastados pertencentes à sociedade que pediram a sua mão. No entanto, ela rejeitou-os a todos, pois, sendo já viúva, não desejava casar novamente.

Até ao dia em que ele entrou na sua vida. Era um jovem de apenas 25 anos e, apesar de pertencer a famílias nobres, era órfão e não possuía muita riqueza. Tinha arranjado um parco meio de subsistência, guardando ovelhas nas montanhas que cercavam a cidade.

Contudo, ele era possuidor de um notável carácter moral, sendo largamente reconhecido como um dos homens mais honestos das redondezas. Foi isso que a atraiu nele – ela dava à procura de uma pessoa honesta que pudesse gerir os seus negócios, visto que ela, por se encontrar no seio de uma sociedade fervorosamente patriarcal, não o podia fazer. Foi por isso que ele começou a trabalhar para ela.

Depois de ele ter regressado da sua primeira viagem de negócios, ela perguntou ao responsável da sua confiança, que o tinha acompanhado, sobre a sua conduta. E a verdade é que ficou maravilhada com o relato do responsável: este jovem era o homem mais bondoso e gentil que ele alguma vez conhecera. Jamais tratava os seus inferiores com rispidez, como o faziam outros. Mas ainda havia mais: o responsável reparou que havia uma nuvem que os seguia o tempo todo enquanto viajavam pelo calor do deserto, trazendo-lhes a sombra que os resguardava do sol abrasador. A mulher de negócios ficou deveras impressionada com o seu novo empregado.

Para além do mais, o novo empregado demonstrou ser um astuto homem de negócios por mérito próprio. Levou a mercadoria da patroa, vendeu-a e com os lucros comprou outras mercadorias que voltou a vender; desta forma, conseguiu lucrar duas vezes. Foi quanto bastou para as brasas do amor, outrora extintas do seu coração, voltassem a reacender-se; ela resolveu casar-se com este jovem, que era 15 anos mais novo que ela.

Nesse sentido, ela resolveu mandar a irmã falar com o homem; no âmbito dessa conversa, a mulher perguntou-lhe: “Porque é que ainda não se casou?”

“Por falta de recursos” – respondeu o homem.

A mulher perguntou, então: “E se eu lhe conseguisse arranjar uma esposa nobre, bela e rica? Estaria interessado nela?”

O homem respondeu afirmativamente, mas sorriu, surpreso, quando a mulher disse que a esposa prometida seria a sua irmã.

“Como posso eu casar com ela? Ela recusou os homens mais nobres da cidade, muito mais ricos e importantes do que eu, que não passo de um pobre pastor.”

A mulher disse-lhe, então, o seguinte: “Não se preocupe. Eu trato do assunto.”

Pouco tempo depois, a rica mulher de negócios casou com o jovem empregado, dando assim início a um dos matrimónios com mais amor, felicidade e sacralidade de toda a história da humanidade. Com efeito, este foi o casamento que uniu o Profeta Muhammad a Khadijah, filha de Khuwaylid. Quando se casaram, Muhammad tinha apenas 25 anos e ela 40 anos, mas essa situação em nada incomodou Muhammad. Ele amava profundamente a sua esposa e ela nutria por ele o mesmo sentimento. O casamento durou 25 anos e Khadijah deu ao Profeta (paz esteja com ele) 7 filhos: 3 rapazes e 4 raparigas. No entanto, todos os filhos vieram a falecer em tenra idade. Khadijah representava para o Profeta uma fonte de imenso amor, força e conforto. E foi deste amor e apoio que o Profeta se socorreu, na mais importante noite da sua vida.

Quando ele se encontrava a meditar na cave de Hira, o Anjo Gabriel apareceu a Muhammad e revelou-lhe os primeiros versículos do Alcorão, declarando-lhe que ele viria a ser Profeta. Esta experiência deixou Muhammad (s.a.w.) aterrorizado, tendo ele por isso ido a correr para casa, para os braços de Khadijah (r.a.), gritando: “Cobre-me, Cobre-me!”. Khadijah (r.a.) ficou assustada pelo terror do marido e, depois de o confortar e acalmar durante algum tempo, o Profeta (s.a.w.) lá foi capaz de se controlar e contar-lhe o que lhe tinha acontecido.

O Profeta (s.a.w.) tinha medo de estar possuído ou de ter enlouquecido.

Khadijah (r.a.) acalmou-o face aos seus medos, dizendo-lhe:

“Não te preocupes, pois por Aquele que tem domínio sobre a alma de Khadijah, espero que te venhas a tornar no Profeta da nação. Deus (ár. Allah) jamais te humilharia, pois és bondoso para os teus familiares, manténs-te fiel à tua palavra, ajudas os necessitados, apoias os fracos, recebes os teus convidados com boa comida e respondes aos apelos daqueles que te chamam quando estão em dificuldades.”

Khadijah (r.a.) levou então Muhammad (s.a.w.) ao seu primo, Waraqah ibn Nawfal, um escolástico com um conhecimento profundo da escritura judaico-cristã, tendo o sábio dito a Muhammad que a sua experiência havia sido Divina e que ele seria, de facto, o Último dos Profetas.

Depois de o seu ministério se ter iniciado e de a oposição feita pelo seu povo se ter mostrado impiedosa e brutal, Khadijah (r.a.) esteve sempre ao lado do seu marido para o apoiar, sacrificando toda a sua riqueza para favorecer a causa do Islão. Quando o Profeta (s.a.w.) e a sua família foram banidos para as montanhas no exterior da cidade de Meca, ela foi com ele, sendo que foram esses três anos de sofrimento e privação que eventualmente lhe terão causado a morte. Foi profundo o luto de Muhammad (s.a.w.) pela morte da sua mulher e, mesmo depois de ela ter morrido, o Profeta (s.a.w.) continuou a enviar comida e sustento aos amigos e familiares de Khadijah (r.a.), movido pelo amor que sentiu pela sua primeira esposa.

Certa vez, passados muitos anos da morte de Khadijah (r.a.), Muhammad (s.a.w.) encontrou um colar que ela usara. Ao contemplar o objecto, ele lembrou-se dela, começou a chorar, emocionando-se. O amor que sentia por Khadijah (r.a.) nunca morreu, de tal forma que a sua última esposa, A`isha (r.a.), até teve ciúmes dela.

Com efeito, A`isha (r.a.) chegou a perguntar ao Profeta (s.a.w.), em determinada ocasião, se Khadijah (r.a.) tinha sido a única mulher digna do seu amor. O Profeta (s.a.w.) respondeu-lhe o seguinte:

“Ela acreditou em mim quando mais ninguém acreditava. Ela aceitou o Islão quando todos me rejeitaram e ajudou-me e reconfortou-me quando mais ninguém me deu a mão”.

Muito se tem falado e relatado acerca dos muitos casamentos de Muhammad (s.a.w.). E muitos são aqueles que difamam o Profeta (s.a.w.), considerando-o um galanteador mulherengo, devido aos seus vários casamentos. No entanto, tal não passa de demagogia. Em resposta àqueles que caluniam o Profeta, dizemos o seguinte: SE o Profeta (s.a.w.) fosse esse tipo de homem, ele teria tirado partido da sua juventude para ter esse tipo de comportamento. Mas não o fez! Numa altura em que era prática comum ter-se várias mulheres, o Profeta (s.a.w.) não casou com mais nenhuma enquanto esteve casado com Khadijah (r.a.). Só após a morte da sua primeira esposa, é que ele casou com outras mulheres. A maioria das suas esposas eram viúvas, com quem o Profeta casou para as proteger, ou então eram as filhas de poderosos chefes árabes, com quem o Profeta casava a fim de converter uma aguerrida, tribal e bárbara sociedade numa sociedade árabe harmoniosa. As infâmias que dizem acerca do Profeta (s.a.w.) caem redondas sobre os difamadores assim que a luz da verdade brilha sobre eles.

Numa canção que fala sobre o Profeta e Khadijah, os rappers muçulmanos Native Deen afirmam o seguinte:

“Procuramos em lugares negros e frios por histórias de amor, quando todo o mundo tem uma luz para se orientar com fervor”.

Com efeito, muitas daquelas histórias que actualmente consideramos serem de amor, nada mais são do que histórias de luxúria e desejo, de atracção física disfarçada de amor.

Apesar de tudo, não conheço história de amor mais poderosa e que seja capaz de elevar mais o nosso espírito ou de nos inspirar mais respeito que a de Muhammad (s.a.w.) e Khadijah (r.a.). Com efeito, esta história apresenta-se como o exemplo brilhante de como deverá ser o casamento ideal e, se eu afirmar que amo a minha esposa, devo aferir as minhas acções pelas do Profeta (s.a.w.).

No momento em que o país comemora o Dia de São Valentim e no mês em que, para onde quer que nos viremos, “o amor anda no ar”, não posso deixar de reflectir sobre aquela que considero ser a maior história de amor de todos os tempos – a de Muhammad (s.a.w.) e Khadijah (r.a.).

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O Profeta Muhammad (PECE) de A a Z

Por: Yiossuf Estes (18/05/2009)

A

Ele nunca mentiu, jamais quebrou a confiança de alguém, jamais prestou um falso testemunho. Era famoso entre todas as tribos de Meca, sendo conhecido como “O Espírito da Verdade”.

B

Jamais teve relações sexuais fora do casamento nem aprovava tal comportamento, embora ele constituísse alago de comum, na época em que viveu.

C

As suas relações com mulheres existiram apenas dentro de casamentos contratuais legítimos, que comutaram com testemunhas adequadas, de acordo com a lei.

D

A sua relação com a mulher Aycha (que Deus esteja satisfeito com ela) teve por base apenas o casamento.
Ele não casou com ela na primeira vez que o pai dela lha ofereceu em casamento. Não queria casar com ela até que ela atingisse a puberdade e pudesse decidir por si. A relação entre eles é descrita em pormenor por Aycha (que Deus esteja satisfeito com ela) de forma muito carinhosa e respeitosa, como um verdadeiro casamento, criado no céu. Aycha (que Deus esteja satisfeito com ela) é considerada uma das mais nobres escolásticas do Islão, tendo sido apenas casada com Muhammad, que a paz esteja com ele. Nunca ela desejou outro homem ou jamais proferiu uma única observação negativa acerca de Muhammad, que a paz esteja com ele.

E

Ele proibiu que se matasse até que a ordem de retaliação viesse de Deus. Mesmo nesse caso, os limites estavam bem definidos e só mesmo aqueles que se envolviam no combate activo contra os muçulmanos e o Islão deveriam ser combatidos. E, mesmo nessa circunstância, apenas de acordo com os princípios restritos de Deus.

F

Matar vidas inocentes era proibido por ele.

G

Não foi empreendido nenhum genocídio contra os judeus. Ele ofereceu perdão e protecção mútua aos judeus, mesmo quando eles, muitas vezes, quebraram os pactos que haviam estabelecido com ele.
Eles não eram atacados até que ficasse manifestamente provado que eram traidores durante o tempo de guerra e que tentaram prejudicar, a qualquer custo, os muçulmanos e o Profeta, que a paz esteja com ele. A retaliação só era permitida em relação aos judeus que se haviam revelado traidores, e não contra todos os outros.

H

Ter escravos era algo de comum nessa altura, em todas as nações e tribos. Foi o Islão que encorajou a libertação dos escravos, salientando a grande recompensa de Deus para aqueles que a concediam. O Profeta Muhammad, que a paz esteja com ele, deu o exemplo, libertando os seus escravos e encorajando os seus seguidores a fazer o mesmo. Os exemplos incluem o seu próprio criado (que era tido como um verdadeiro filho por Muhammad) Zayd ibn Al Haritha e Bilal, o escravo que foi criado por Abu Bakr (que Deus esteja satisfeito com ele) apenas com o objectivo de os libertar.

I

Enquanto eram feitas várias tentativas de assassinato contra Muhammad, paz esteja com ele, o seu primo Ali (que Deus esteja satisfeito com ele) fez-se passar por ele, deitando-se na sua cama, enquanto ele e Abu Bakr fulgiam para Medina. No entanto, ele não permitia que os seus companheiros matassem nenhum daqueles que estavam envolvidos nessas tentativas. A prova disto é que quando entraram em Meca em triunfo, as suas primeiras palavras para os seus seguidores foram no sentido de aqueles não punirem esta ou aquela tribo ou esta ou aquela família. Este foi um dos seus mais famosos actos de perdão e humildade.

J

O combate militar esteve proibido durante os primeiros treze anos em que o Profeta empreendeu a sua missão. Os árabes do deserto não precisavam que ninguém lhes ensinasse a lutar ou a combater. Eles eram especialistas nessa área e tinham feudos entre as tribos que se mantiveram durante décadas. A retaliação e combates foram apenas sancionados quando o método adequado de guerra foi instituído por Deus no Alcorão, definindo os direitos e as limitações de acordo com os Seus Mandamentos. As ordens de Deus deixavam bem claro quem devia ser atacado, como, quando e até que ponto essa luta poderia ser levada.

K

A destruição de infra-estruturas foi absolutamente proibida por ele, excepto quando era ordenada por Deus em determinadas circunstâncias e apenas de acordo com as Suas ordens.

L

Praguejar e invocar o mal foi algo que, de facto, afligiu o Profeta, que a paz esteja com ele, por via dos seus inimigos, enquanto ele rezava para que eles conseguissem orientação. Um exemplo clássico foi a viagem que ele empreendeu a At-Taif, cujos líderes não queriam sequer ouvi-lo ou prestar-lhe a cortesia mínima habitual, tendo, em vez disso, incitado as crianças da rua contra ele, atirando-lhe pedras e pedregulhos até que o seu corpo começou a sangrar tanto que as suas sandálias se encheram de sangue. O Anjo Gabriel propôs-lhe vingança. Com efeito, se fosse essa a sua ordem, Deus Todo Poderoso faria com que as montanhas circundantes se abatessem sobre eles e os destruíssem a todos. No entanto, em vez de os amaldiçoar ou pedir a sua destruição, ele pediu para que esse povo pudesse encontrar orientação e adorassem apenas o seu Senhor, exclusivamente.

M

O Profeta Muhammad (que a paz esteja com ele) defendia que, ao nascer, todos os seres humanos se encontram no estado de ISLÃO (a submissão pacífica a Deus e de acordo com os Seus parâmetros) sendo Muçulmanos (significado: aquele que pratica o Islão, isto é: que se submete à vontade de Deus e obedece aos Seus Mandamentos). Ele salientou ainda que Deus criou cada indivíduo à Sua imagem, ou seja, de acordo com o Seu plano, sendo que o espírito de cada indivíduo é o d’Ele. Depois, à medida que vão crescendo, a sua fé começa a ser alterada consoante a influência da sociedade dominante e os seus próprios preconceitos.

N

O Profeta Muhammad (que a paz esteja com ele) ensinou os seus seguidores a acreditar no Deus de Adão, Noé, Abraão, Jacob, Moisés, David, Salomão e Jesus (que a paz esteja com todos eles) e a acreditar neles coo-mo verdadeiros profetas, mensageiros e servos de Deus Todo-Poderoso. Insistiu em colocar todos os profetas ao mais alto nível, sem fazer qualquer distinção entre eles, ordenando que os seus seguidores proferissem a frase “que a paz esteja com ele” depois de mencionarem os seus nomes.

O

Ele também instruiu os Seus Companheiros não apenas a acreditar no Islão, mas a acreditar, igualmente, nas origens divinas tanto do Judaísmo como do Cristianismo, na Tora (Antigo Testamento), no Zabur (Salmos) e no Enjil (Evangelho ou Novo Testamento) e que todas essas escrituras foram originalmente provenientes da mesma fonte que o Alcorão, ou seja, de Deus (ár. Allah) e dos seus Profetas (que a paz esteja com eles) e através do Anjo Gabriel (que a paz esteja com ele). Ele pediu aos judeus que julgassem de acordo com o seu Livro e eles tentaram ocultar parte do Livro, a fim de evitar um juízo correcto, pois sabiam que ele era iletrado.

P

.

Ele profetizou, vaticinou e antecipou acontecimen-tos que viriam a decorrer e que, de facto, vieram a realizar-se da forma que ele previra.
Ele conseguiu até prever um acontecimento do passado que se viria a tornar realidade no futuro, e foi o que aconteceu.
No Alcorão afirma-se que o Faraó se afogou no Mar Vermelho quando persseguia Moisés (que a paz esteja com ele) e Deus disse que iria preservar o Faraó, como um sinal para o futuro. O Dr. Maurice Bucaille, no seu livro “A Bíblia, o Alcorão e a Ciência”, torna claro que tal de facto aconteceu e que, com efeito, o corpo do Faraó foi descoberto no Egipto, estando agora disponível para ser visto por todos. Este acontecimento teve lugar milhares de anos antes do nascimento de Muhammad (que a paz esteja com ele), só tendo vindo a tornar-se verdadeiro nas últimas décadas, muitos séculos depois da sua morte.

Q

Escreveu-se mais sobre o Profeta Muhammad (que a paz esteja com ele), do que sobre qualquer outra pessoa. Ele foi louvado a um nível muito elevado ao longo dos séculos, até pelos não-muçul-manos. Um dos primeiros exemplos que citamos é referido na Encyclopedia Britannica, na medida em que confirma: (referindo-se a Muhammad) “… uma vasta quantidade de pormenores de fontes ancestrais demonstram que era um homem hones-to e recto e que conseguiu o respeito e a lealdade dos outros que, como ele, eram homens honestos e rectos.” (Vol. 12)

R

Outra homenagem impressionante feita a Muhammad, que a paz esteja com ele, é a muitíssimo bem escrita obra de Michael H. Hart: “Os 100: O Top das Individualidades mais Influentes da História”. Ele afirma que a personalidade mais influente da história foi Muhammad, sendo Jesus, que a paz esteja com ele, a segunda.
Examine as palavras exactas do autor:
“A minha escolha de Muhammad para liderar a lista das personalidades mais influentes pode surpreender alguns leitores e ser questionada por outros, mas ele foi o único homem, que ao longo de toda a história, foi capaz de alcançar sucesso supremo tanto no campo religioso como no secular”. New York: Hart Publishing Company, Inc., 1978, page. 33.

S

Enquanto passamos revista às declarações de não-muçulmanos famosos acerca do Profeta Muhammad, que a paz esteja com ele, tenha em atenção o seguinte: “Filósofo, orador, apóstolo, legislador, guerreiro, conquistador de ideias, reconciliador de dogmas racionais, de um culto sem recurso a imagens, fundador de vinte impérios terrestres e de um império espiritual, assim foi Muhammad. De acordo com todos os padrões pelos quais a grandeza de um homem pode ser aferida, poderemos bem perguntar-nos: `Existe algum homem melhor que ele?`” Lamartine, HISTÓRIA DA TURQUIA, Paris, 1854, Vol. II, pp. 276-277.

T

De seguida, lemos a seguinte afirmação, feita por George Bernard Shaw, um famoso escritor não-muçulmano:
“Ele deve ser apelidado de Salvador da Humanidade. Considero que se um homem como ele assumisse a ditadura do mundo moderno, seria capaz de resolver os problemas que assolam a humanidade, de forma a trazer-lhe a tão necessária felicidade e paz.” (O Islão Genuíno, Singapura, Vol. 1, No. 8, 1936)

U

Depois descobrimos que K.S. Ramakrishna Rao, um professor de filosofia indiano (Hindu), na sua bro-chura “Muhammad, o Profeta do Islão” o chama de “modelo perfeito para a vida humana”.
O professor Ramakrishna Rao explica a sua teoria, afirmando:
“A personalidade de Muhammad é a mais difícil de abarcar na plenitude da sua verdade. Sou apenas capaz de apreender um vislumbre do seu todo. Que su-cessão dramática de imagens pitorescas! Existe o Muhammad Profeta; o Muhammad Guerreiro; o Muhammad homem de negócios; o Muhammad estadista; o Muhammad orador; o Muhammad Reformista; o Muhammad que ampara os órfãos; Muhammad o Protector dos escravos; Muhammad o emancipador da mulher; Muhammad o juiz; Muhammad o Santo. Ele foi um herói no desempenho de todas estas extraordinárias funções e em todas estas áreas da actividade humana.”

V

O que deveremos pensar acerca do nosso Profeta Muhammad quando alguém com o estatuto mundial de Mahatma Gandhi afirma o seguinte em `Jovem Índia`, ao descrever a personalidade de Muhammad, que a paz esteja com ele:
“Eu gostaria de conhecer o melhor dos homens, aquele que domina actualmente de forma inquestionável o coração de milhões de homens… Estou plenamente convicto de que não foi a violência que conquistou um lugar para o Islão na ordem da vida, nesse tempo. Foi a feroz simplicidade do Profeta, a sua absoluta abnegação, o escrupuloso respeito para com os seus compromissos, a sua profunda devoção aos seus amigos e companheiros, a sua coragem, a sua intrepidez, a sua confiança absoluta em Deus e na sua própria missão. Foram estes factores e não a violência que levaram tudo à sua frente, ultrapassando todos os obstáculos. Quando fechei o 2º volume (da biografia do Profeta) tive pena de não haver mais para ler sobre esta vida extraordinária.”

W

O autor inglês Thomas Carlyle, na sua obra “Os Heróis e o seu Culto”, relevou-se simplesmente espan-tado com o facto de: “Um único homem, sozinho, ter sido capaz de unir tribos inimigas e levar os Beduínos a tornarem-se nu-ma nação extremamente poderosa e civilizada em m-enos de duas décadas.”

X

E Diwan Chand Sharma escreveu na obra “Profetas do Oriente”:
“Muhammad era a alma da bondade e a sua influência foi sentida e jamais esquecida por aqueles que estiveram à sua volta.” (D.C. Sharma, Os Profetas do Oriente, Calcutá, 1935, pp. 12)

Y

Ao abordar a questão da igualdade perante Deus no Islão, a famosa poetisa indiana Sarojini Naidu afirma o seguinte:
“Foi a primeira religião a pregar e a praticar a de-mocracia, pois, na Mesquita, quando é feita a chamada para a oração e os devotos são reunidos, a democracia é incorporada cinco vezes por dia, dado que tanto o camponês como o rei se ajoelham lado a lado, anunciando: “Apenas Deus é Grande”. Tenho sido constantemente surpreendida pela unidade indivisível do Islão, que, instintivamente, torna cada homem num irmão.” (S. Naidu, Ideais do Islão, vide Discursos & Escritos, Madras, 1918, p. 169)

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Nas palavras do Professor Hurgronje:
“A liga de nações criada pelo Profeta do Islão funda-mentou o princípio da unidade internacional e da irmandade humana em alicerces de grande universalidade, a fim de dar o exemplo às outras nações.” Acrescenta ainda: “A verdade é que não existe no mundo uma nação que tenha igualado aquilo que o Islão fez, com vista à realização do ideal da Liga das Nações.”

(Passámos em revista o alfabeto de A a Z) Edward Gibbon e Simon Ockley escreveram o seguin-te na “História dos Impérios Sarracenos” sobre a pro-fissão do ISLÃO:
“EU ACREDITO NUM ÚNICO DEUS E EM MUMHAMMAD, UM PROFETA DE DEUS”.
Esta é a mais simples e invariável profissão do Islão. A imagem intelectual da Divindade jamais foi aviltada por qualquer ídolo visível, a honra do Profeta nunca transgrediu a medida das virtudes humanas; e os seus preceitos de vida confinaram a gratidão dos seus discípulos aos li-mites da razão e da religião.” (História dos Impérios Sarracenos, Londres, 1870, p. 54)

Wolfgang Goethe, que foi talvez o maior poeta da Europa, escreveu o seguinte acerca do Profeta MuMhammad, que a paz esteja com ele:
“Ele foi um Profeta e não um poeta; por isso, o seu Alcorão deve ser entendido enquanto uma Lei Divina e não como um livro escrito por um ser humano, com o propósito de educar ou entreter.” (Noten und Abhandlungen zum Weststlichen Dvan, WA I, 7, 32)

O leitor é um ser humano racional e com interesses. Então, já deve ter posto a si próprio a seguinte pergunta:
“Poderão todas estas afirmações extraordinárias, revolucionárias e surpreendentes acerca deste homem ser verdadeiras?”
E se isto for tudo verdade?
Agora faça a si próprio esta pergunta à luz daquilo que acabámos de descobrir acerca deste homem:

“O que é que tem a dizer acerca do Profeta Muhammad (p.e.c.e.)?”

Publicado em

Descrição do Profeta Muhammad (s.a.w.)

Fonte: Orden Sufi Yerrahi al Halveti (Buenos Aires – Argentina); Versão portuguesa: M. Yiossuf Mohamed Adamgy / Al Furqán (Portugal)

Alocução feita, por M. Yiossuf M. Adamgy, director de Al Furqán, no Darul Ulum Cadrya Ashrafia de Odivelas, na passagem da noite comemorativa do nascimento do Profeta Muhammad (Maomé), paz esteja com ele – (14/02/2001.

O Leão de Allah, o venerável Ali ibn Abî Tâlib, e mais quinze dos Companheiros (r.a.), transmitiram esta descrição do Mensageiro Eleito, Muhammad Mustafá (s.a.w. = que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele):

Quanto ao carácter e ao comportamento, foi o mais perfeito dos seres humanos. Todos os grandes Profetas foram fisicamente perfeitos e de lindo rosto, mas o bem-amado de Allah foi o mais lindo de todos.

– O seu casto corpo era bonito, os membros bem proporcionados e a figura sumamente atractiva.

– A testa larga e o peito amplo, bem como as palmas e o espaço entre os ombros.

– O pescoço, longo e gracioso, era como a prata pura.

– Os ombros e braços eram robustos e maciços, enquanto os pulsos eram estilizados.

– Os dedos eram bastante longos, e um pouco grossos, como também as mãos.

– O ventre, abençoado, não era gordo e não sobressaía debaixo do peito.

– Os peitos do pé eram arqueados, não aplanados.

– Sendo de meia altura, estava bem formado, poderoso e forte. Não era demasiado magro, nem tinha sobrepeso, mas um bom peso médio.

– Quanto à pele, abençoada, era mais macia do que a seda.

– A cabeça, grande, a testa, arqueada, e o nariz, direito, estavam em perfeito equilíbrio. O rosto era mais oval do que circular, nem demasiado gordo nem demasiado redondo nas bochechas.

– As sobrancelhas estavam juntas, mas não se tocavam no meio. Entre elas havia uma veia que costumava encher-se e sobressair quando se entristecia. As pestanas eram longas e os olhos negros, bonitos e grandes. No branco dos olhos havia uma tintura coloração vermelha. A coloração era clara, nem tão branca como o giz nem suficientemente escura para ser moreno. O resplendor que brilhava no rosto, abençoado, era de um branco cor-de-rosa macio, brilhante e reluzente.

– Os dentes eram brilhantes como pérolas; os frontais cintilavam enquanto falava e, quando sorria, a boca, abençoada, irradiava clarões como de um requintado relampejo.

– Quando deixou crescer o cabelo, cresceu até ultrapassar os lóbulos das orelhas. A barba era espessa e abundante. Não era longa, mas o suficiente para a segurar com o punho da mão. Quando partiu para o mundo da Eternidade, o cabelo e a barba havia pouco que começaram a tornar-se cinzentos.

– O corpo estava sempre limpo e tinha um doce perfume. Quer perfumando-se, quer não, a pele cheirava melhor do que o mais fino dos perfumes. Qualquer um que lhe desse a mão podia perceber a sua agradável fragrância durante o dia inteiro. Uma criança cuja cabeça fosse acariciada com a sua mão, abençoada, podia-se distinguir das outras pela deliciosa fragrância.

– No momento do seu nascimento, ele veio ao mundo limpo e impecável e naturalmente circuncidado. Nasceu com o cordão umbilical já cortado, e os seus sentidos eram excepcionalmente agudos. Podia ouvir a grande distância e podia ver mais longe do que qualquer outro.

– Todos os seus movimentos eram suaves. Quando ia a alguma parte, fazia-o serena e pausadamente, sem se desviar nem para a direita nem para a esquerda, com passo enérgico e raso. Podia parecer que estava a passear, mas aqueles que dele se aproximavam ficavam para trás, ainda que caminhassem rápido. Havia luz e doçura no seu rosto, abençoado, e fluidez e encanto na sua fala.

– A linguagem era clara e eloquente e se exprimia com extraordinária lucidez. Nunca falava desnecessariamente, e em tudo o que dizia havia sabedoria e bom critério. Sempre se dirigia às pessoas no nível da sua compreensão. O seu rosto sorria e as suas palavras eram doces. Nunca disse uma má palavra a ninguém, nem tratou mal ninguém. Jamais interrompia ninguém. Era afável e humilde. Nem tinha mau carácter, nem era grosseiro. Mas era sério e imponente. O seu riso era um sorriso. Uma pessoa que o visse imprevistamente ficava cheia de admiração e de respeito reverente.

– Qualquer um que desfrutasse da sua companhia e amizade chegava a amá-lo com toda a alma e coração. Respeitava os virtuosos. Tratava os familiares com grande respeito; não obstante, nunca os preferia àqueles mais honráveis do que eles. Assim como tratava com bondade os membros do seu grupo familiar e os seus companheiros, assim tratava, com a mesma graça e gentileza, também as outras pessoas.

– Era muito bom com os empregados. Oferecia-lhes o mesmo que ele comia, e partilhava as suas próprias roupas. Era generoso, amável, terno e compassivo, valente e tolerante. Inamovível no compromisso e na promessa, era fiel à sua palavra, superior a todos na bondade de carácter e na excelência mental, digno de toda a classe de elogios e comendas. Todo o louvor dava-o a Deus.

Resumindo: tinha uma forma linda, um carácter perfeito, era um ser feliz e abençoado, como nunca nenhum outro foi nem será criado igual; que Allah o abençoe e lhe dê paz.