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Al-Mawlid Annabawi – O Nascimento do Selo dos Profetas

Por: M.Yiossuf Adamgy

Prezados Irmãos, Assalamu Alaikum:

é com imensa alegria que recebemos a celebração do nascimento do Profeta (s.a.w.), facto comummente designado por Al-Mawlid Annabawi.

Desde há séculos que os Muçulmanos celebram o nascimento do Profeta Muhammad (s.a.w.), o último Mensageiro do Islão, em quase todos os países do Mundo. Este é para eles um acontecimento de extrema importância; trata-se do momento precioso para invocar a vida e o comportamento maravilhosos deste feliz eleito de Deus. (1) Para além disso, muitos são os Muçulmanos que aproveitam a altura para renovar o seu pacto, o seu amor e a sua visão relativamente ao Profeta (s.a.w.) e à sua Suna.(2) O amor do Profeta (s.a.w.) não faz senão que aumentar o regresso à religião, que é detectável a olho nu por todos os observadores.

Para nós, ricos em experiências são os acontecimentos relativos ao seu nascimento, ao seu contexto familiar e à sua primeira infância, e dos quais apresentamos a seguir um breve resumo.

O ANO DO ELEFANTE

O elefante ajoelhou-se, recusando-se a avançar. Abrahah, chefe de um exército temível e furioso, construíra uma enorme Igreja em Sanaa no Iémen, e vinha agora para destruir a Santa Ka’aba de Meca, na ideia de edificar uma nova Ka’aba. Subitamente, um bando de pássaros enviados por Deus aparece e atira-lhes pedras,(3) que os trespassam como setas, fazendo-os tombar. O acontecimento desta viagem do elefante chama a nossa atenção para a nobreza da Ka’aba, a Casa de Deus, ocorrência, essa, que teve lugar cerca de cinquenta dias antes do nascimento do Profeta (s.a.w.).

A GENEALOGIA DO PROFETA (S.A.W.)

Muhammad (s.a.w.) nasceu em Meca, na manhã de uma segunda-feira, décimo segundo dia do mês de Rabi’-Al-Awwal,(4) por volta de 571 D.C., filho de Abdallah e de Aminah bint Wahb.(5) Era membro da tribo dos Banou Hachim, cujas raízes provinham da linhagem dos Árabes Adnan. Assim sendo, tratava-se de uma família nobre de Meca em primeiro grau.

A sua genealogia, conforme rezam as crónicas, (6) é a seguinte: Muhammad é o enviado de Deus, sendo filho de Abdallah, filho de Abdelmottalib, filho de Hachim, filho de Koussaie, filho de Kilab, filho de Mourrah, filho de Kaab, filho de Louae, da linhagem de Ismael, filho de Abraão, servo devoto de Deus.

Por conseguinte, a sua árvore genealógica é pura, não conspurcada por qualquer acto de incesto ou adultério (7).

Abdallah, pai de Muhammad (s.a.w.), era famoso pela sua pureza e bons hábitos. Faleceu, estava a sua esposa grávida, aquando de uma viagem de negócios a Medina (8).

O NASCIMENTO DA LUZ BRILHANTE

Quando Aminah bint Wahb deu à luz, Abdelmot- talib, avô do Profeta (s.a.w.), encheu-se de alegria, tendo celebrado o seu nascimento. O nome por ele escolhido foi “Muhammad”.

“Espero, disse Abdelmottalib, pela graça de Deus, que ele seja louvado e glorificado no Céu por este nome, e que o seja também na Terra” (9)

A mãe do Profeta (s.a.w.) não sentiu quaisquer dores de parto e ele nasceu já circuncidado. Os Anjos lavaram-no de toda a mácula e marcaram-no nas costas, entre os ombros, com o selo da profecia.

Nesse mesmo instante, uma luz brilhante iluminou todas as regiões circundantes, o fogo sagrado dos Persas, acesso desde há mil anos, apagou-se, como que por encanto.

A PRIMEIRA INFÂNCIA E A FENDA NO SEU PEITO

Os primeiros anos de vida do Profeta (s.a.w.) foram passados ao lado da mãe, Aminah. Era hábito entre os habitantes de Meca confiarem as crianças de tenra idade a amas beduínas. No entanto, visto tratar–se de uma criança órfã e de poucas posses, ama alguma pretendia cuidar dele. Por não pretenderem regressar de mãos vazias, Halima e o seu marido aceitaram ficar com o bebé.

“Aceitamo-lo! Talvez Deus nos abençoe e a Sua bênção regresse à nossa tenda.” (10)

De facto, a prosperidade não mais abandonou a tenda deste casal.

Consciente desta bênção e dois anos após ter aceite cuidar de Muhammad (s.a.w.), Halima suplicou à mãe dele, Aminah, a qual pretendia o filho de volta, para que o deixasse ficar por mais alguns anos. Foi nesta altura, e antes de Muhammad (s.a.w.) ter completado o seu terceiro ano de vida, que ocorreu um incidente deveras importante. Um dia, um irmão de leite do Profeta (s.a.w.), muito assustado, correu para junto dos pais e informou-os que pessoas vestidas de branco tinham agarrado Muhammad (s.a.w.), o tinham deitado no chão e aberto o seu peito. Os pais correram para junto do Profeta (s.a.w.) e encon- traram-no pálido e com os olhos fixos no Céu. Questionado sobre o que sucedera, ele disse-lhes que dois homens vindos do Céu abriram-lhe o peito, retira- ram-lhe o coração, removeram um coágulo negro (a parte pertencente a Satanás) e tornaram a meter-lhe o coração no peito, depois de o ter lavado com a água de Zamzam (11), da qual sentia ainda a frescura (12).

Halima ficou de tal forma assustada, que entregou a criança à mãe.

Aos seis anos, Muhammad (s.a.w.) ficou órfão de mãe, falecida no caminho de regresso após ter visitado o túmulo do marido, Abdallah, nas proximidades de Medina. A tutela da criança passou, então, para o benevolente avô. Mais tarde, aos oito anos, Muhammad (s.a.w.) perderia o avô e passaria a estar sob a tutela do tio, Abou Taleb, com o qual trabalhava como pastor de modo a contribuir para o magro orçamento familiar.

Maravilhoso é este relato, ainda que breve, e feliz é aquele que souber beneficiar por sentir com o coração, a palavra e o gesto o seu amor para com o Profeta (s.a.w.).

AMAR E SEGUIR SIMPATICAMENTE O PROFETA (S.A.W.)

Toda a comunidade Muçulmana (a Ummah) honra o Profeta (s.a.w.) e sente por ele um respeito imenso.

Todo o Muçulmano carrega no seu coração e no seu espírito uma parcela não negligenciável deste amor para com a pessoa do Profeta (s.a.w.), deste afecto, e guarda na memória várias recitações das suas sábias palavras ou de episódios da sua vida.

Os eruditos, pela sua ciência e pelo seu envolvimento na Escritura, contribuíram para a redacção da história da sua vida (13), para a compilação dos seus Hadices e, inclusive, para a consagração de poemas em seu louvor. Não lhes escapou pormenor algum da vida do Profeta (s.a.w.) e nem personalidade alguma da história humana retém tanta atenção ou “historicidade”, tanto amor e tanto acompanhamento. Ao longo dos séculos, os Muçulmanos têm recitado o Alcorão e ensinado aos seus filhos a vida do Profeta Muhammad (s.a.w.), tal como também eles a aprenderam.

é dever de todo o Muçulmano expressar este amor; de facto, é esta a melhor forma de aceder à transcendência. Se a companhia efectiva lhe falta, a companhia espiritual (a Sohba) (14) está sempre disponível, de dia e de noite, e isto até ao fim da vida na Terra. Muçulmano algum sentirá cansaço por relatar a sua vida ou as suas “máximas” sábias e inigualáveis que, para além do mais, revelam tratar-se de um Enviado de Deus.

Meditemos neste Hadice, da mais alta importância, esquecido nas compilações de Ahadices, e que resume o respeito e a afeição que devemos ter para com esta pessoa, que eu classificaria de “pureza universal”.

O Profeta (s.a.w.) disse: “Quando verei eu os meus irmãos?”. Não somos nós teus irmãos? “Vós sois os meus Companheiros e os meus irmãos são aqueles que acreditam em mim sem nunca me terem visto.” (15).

O Profeta (s.a.w.) encarna a Mensagem que transmitiu à Humanidade para a retirar das trevas, em direcção à luz (16). Deus quis que o Seu Enviado encarregue desta missão fosse um homem detentor das mais elevadas qualidades. O Mensageiro permanece, no entanto, um ser humano, pelo que é, e em todas as circunstâncias da sua vida, um modelo. Em todo o caso, não devemos privarmo-nos desta fonte inesgotável, pois isso seria uma perda.

Para além do mais, o espaço de que aqui dispomos é demasiado pequeno para uma personagem tão grandiosa que, na verdade, merecia sessões regulares em torno do nosso Bem-Amado.

Mas, seguidamente, escutemos com atenção as palavras, tanto de Deus, como do Seu Enviado, as quais superam qualquer outro discurso…

Deus disse:

“Na verdade, Deus e os Seus anjos abençoam o Profeta. Ó fiéis, abençoai-o e saudai-o reverentemente” (17).

Segundo Al-Hussayn, o Profeta (s.a.w.) disse o seguinte:

“O egoísta é aquele que não reza por mim, quando o meu nome é pronunciado na sua presença.” (18)

Ó Deus! Concede as Tuas graças unitivas, a Tua paz e a Tua bênção à mais nobre das Tuas criaturas, o nosso Senhor e Mestre Muhammad (s.a.w.), o oceano da Tua luz!

Ó Deus! Concede-lhe, pois, uma graça e uma saudação pela qual desfazes os nossos nós (existenciais), dissipas a nossa aflição, cumpres o nosso desígnio e terminas o nosso caminho!

NOTAS:

  1. Neste nosso artigo, utilizamos a palavra “Deus” e não a palavra Árabe “Allah”, de modo a explicarmos aos Muçulmanos e aos não-Muçulmanos que o nosso Senhor chama-se Deus em Português, Allah em Árabe e God em Inglês. é uma maneira sábia de evitar confusões, visto tratar-se sempre do mesmo e único Deus. Durante muito tempo, os Orientalistas brincaram com esta diapasão. Após o 11 de Setembro, um jornalista intitulou o seu artigo da seguinte forma: “O Deus de Jesus contra Allah dos Árabes”. Para além disso, vejamos o que escreveram os seguintes autores, Sue Grabham e Tara Benson, no livro “A enciclopédia das crianças”, edição France Loisirs, ano de 1999, página 127: “O Islão é a religião dos Muçulmanos, os quais acreditam num Deus denominado Allah, cujas palavras foram escritas por Muhammad no Alcorão. Os Muçulmanos rezam na cidade santa de Meca.”.
  2. A Suna é o conjunto dos ensinamentos do Profeta (s.a.w.).
  3. Cf.. o Alcorão, Sura do Elefante.
  4. Segundo Ibn Hicham, há que ter em conta que o calendário de Meca era lunar.
  5. Conservamos vários poemas de Aminah, bem como de outros membros da família de Abdelmouttalib (cf. Ibn Hicham).
  6. Ibn Hicham, Ibn Saad, Abou Nou’aym, Qadi Ayyad, Attirmidi e outros.
  7. Há um Hadice que se refere a isto, narrado por Muslim e Tirmidhi. Ver também Ibn Hicham.
  8. O túmulo do seu pai encontra-se em Medina, entre a tribo dos banou An-najjar, família de Abdelmottalib. Mais tarde, o Profeta (s.a.w.) recordar-se-ia que fora num local pertencente a esta tribo que ele aprendera a nadar, local esse a poucos passos da Mesquita de Qoba, a primeira Mesquita do Islão.
  9. Ibn Hicham, “A Biografia do Profeta (s.a.w.)”.
  10. Ibn Hicham, “A Biografia do Profeta (s.a.w.)”.
  11. A água de Zamzam é uma água que brota ao lado da Ka’aba, em Meca.
  12. A história da “fenda no peito” é referida por várias compilações de Hadices autênticos. Citam-se, entre outros, Boukhari e Muslim, segundo Anas Ibn Mal.
  13. Os primeiros que escreveram sobre a biografia – Sirah – do Profeta (s.a.w.) foram: Ibn-Is’haq, Ibn Hicham, Ibn Sa’d, Al-Waqidi, Ibn-Al-Kalbi, Al-Baladhuri, Ibn Bakkar e outros.
  14. A Sohba é a boa companhia e o amor daqueles que possuem o saber e a alta espiritualidade.
  15. Hadice narrado por Ahmed.
  16. Em dez anos, o Profeta (s.a.w.) edificou um Es- tado com mais de 3 milhões km², o qual legou aos seus sucessores, que em apenas quinze anos o estenderam por três continentes: Europa, África e Ásia. Este feito miraculoso não pode ser interpretado apenas pela lei da “causa e efeito”.
  17. Alcorão, Sura “Os partidos”, versículo 56.
  18. Hadice referido por Ahmed, Attirmizi e An-Nas- sa-i.
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A arte e a literatura ao serviço do Profeta (s.a.w.)

Socorrendo-se da arte, da literatura e de simpósios, os Muçulmanos defendem o Profeta (s.a.w.)
Internacional – Fonte: EFE

A “defesa do Profeta (s.a.w.)” e do Islão é o tema de vários simpósios e concursos literários lançados no mundo Islâmico após a recente difusão do filme do político Holandês, Geert Wilders, “Fitna” (sedição em Árabe).

Perante a impressão negativa no Ocidente da violenta reacção popular Muçulmana às caricaturas publicadas por jornais Dinamarqueses há dois anos, os Governos e as instituições religiosas e culturais islâmicas pretendem que desta vez a resposta seja “sensata” e “razoável”.

Embora na Indonésia centenas de manifestantes tenham atirado ovos contra a Embaixada Holandesa, e em vários outros países, como é o caso do Iémen e do Sudão, se apelar ao boicote dos produtos Dinamarqueses e Holandeses, o certo é que o apelo para a “razão” e para a “moderação” é mais forte.

Religiosos, intelectuais, jornalistas e artistas, apoiados por empresários e políticos, deram início à organização de simpósios, exposições e concursos em diferentes Estados Árabes e Islâmicos com este objectivo, evitando sempre acções ou manifestações violentas.

Reuniões deste tipo anunciam-se em países como os Emirados Árabes Unidos, o Bahrein, a Arábia Saudita e o Qatar, entre outros, onde a imprensa dá conta de doações para financiar as campanhas “em defesa do Profeta (s.a.w.)”, todas elas pacíficas.

“A arte e a literatura ao serviço do Profeta (s.a.w.)”, é este o tema de um imenso festival artístico que teve lugar em Abu Dhabi em finais de Abril, cujo objectivo é o de realçar as “realidades” acerca de Muhammad (s.a.w.) por meio de pinturas, de canções, curtas-metragens, fotografias e outras obras literárias.

Segundo os organizadores, a comissão organizadora do denominado “Festival do Amor” recebeu cerca de 200 obras artísticas provenientes de 28 Estados, entre eles, o Líbano, a Nigéria, o Irão, o Afeganistão, a Turquia e a Arábia Saudita.

Neste último, foram realizados vários simpósios com a participação de sábios e intelectuais, e um outro terá lugar em Riad, sob a protecção do Ministério do Interior e com o título de “a moderação e as suas consequências na vida dos Muçulmanos”.

As vozes que classificam Wilders de “extremista”, “racista” e “vinculado a círculos Judeus” são as mesmas que instam ao “diálogo” e à “sensatez” para explicar ao Ocidente o “verdadeiro Islão”.

O mais recente apelo neste sentido partiu do proeminente Xeique Egípcio residente no Qatar, Yusuf Al Qaradawi, o qual elogiou hoje, através da televisão Al Jasira, a “reacção razoável dos Muçulmanos na Holanda”, perante a difusão de “Fitna”.

“Decidiram perseguir judicialmente esse deputado (Wilders), reagiram de forma razoável e é esta a postura que o Islão aprova”, disse Qaradawi, chefe da Federação Mundial de Sábios Islâmicos.

Qaradawi desvaloriza a curta-metragem de Wilders, que vincula o Islão à violência, e elogia a postura do Governo Holandês, que “protege a colónia Muçulmana e condena o filme”.

“O filme diz que o Alcorão e o Profeta Muhammad (s.a.w.) incitam à violência e à crueldade, o que não é verdade (…); os que o viram asseguram que é ridículo e que não merece todo este aparato”, opinou.

Entretanto, a Liga do Mundo Islâmico, com sede em Jiddá, anunciou que, nos próximos três meses, procederá à criação de um Centro Cultural na capital Saudita, cuja principal tarefa será a de defender o Profeta Muhammad (s.a.w.) contra publicações que os Muçulmanos considerem ofensivas ou difamatórias.O Centro terá um orçamento calculado em seis milhões de dólares, e será semelhante a um outro criado faz dois anos no reino saudita após a publicação das caricaturas de Muhammad (s.a.w.) por parte de alguns jornais Dinamarqueses.

Fontes da Liga do Mundo Islâmico afirmam que, nos últimos dois anos, foram distribuídos 800.000 exemplares de 11 livros publicados em sete idiomas sobre “a vida e a verdadeira mensagem do Profeta (s.a.w.)” do Islão.

“A nossa religião é pelo diálogo, e as acções difamatórias significam que, no Ocidente, muitos não entendem a mensagem do Islão e a realidade do seu Profeta (s.a.w.)”, disse à Efe o Xeique Ahmad, orador de uma Mesquita de Abu Dhabi.

Esse mesmo tom conciliador foi empregue pelo rei Saudita, Abdala bin Abdelaziz, quando há uma semana atrás defendeu o diálogo entre religiosos Muçulmanos, Cristãos e Judeus.

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A dieta natural do Profeta (paz esteja com ele)

Pequeno-almoço

O Profeta (paz esteja com ele) aconselhou-nos a tomar mel.

Preparação

Dissolva uma colher de sopa de mel num copo de água (200ml) e está pronto a tomar.

Benefícios

– Desperta todo o sistema digestivo, desde a boca aos intestinos.

– Providencia o organismo com energia suficiente para as actividades diárias, fornecendo-o com sal, vitaminas e minerais.

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Mensagem de Mi’raj – Ascenção do Profeta Muhammad (s.a.w.) ao Céu

Por M. Yiossuf Adamgy
In Revista Al Furqán

“Glorificado seja Aquele que transportou o seu servo, de noite, do lugar Inviolável da Oração (Mesquita Sagrada em Meca) ao mui distante Lugar da Oração (Mesquita de Al-Aqsa em Jerusalém), cujas cercanias Nós abençoámos, para que púdessemos mostrar-lhe alguns dos Nossos Sinais! Na verdade, Ele ouve e vê tudo”. (Alcorão, 17:1)

Prezados Irmãos, Assalamu Alaikum (Que a Paz esteja convosco).

Os muçulmanos celebram relembrando hoje, a 27ª noite do Mês de Rajab, a noite de Mi’raj, a ascenção do Profeta Muhammad (s.a.w) da Mesquita de Meca à Mesquita de Jerusalém (Masjid-ul-Aqsa, “a Mesquita mais distante”), e daí, depois a sua ascensão aos Céus, para encontro com Allah ST, a convite especial! O evento tem um significado triplo para os muçulmanos: histórico, sagrado e místico.

O facto histórico está situado no ano 620 do calendário cristão. Haviam 10 anos que o Profeta Muhammad (s.a.w) recebera a revelação dos primeiros versículos do Alcorão e há cerca de 8 pregava em público a devoção a Allah único.

H. Kadhija (r.a.), sua esposa e a primeira pessoa lhe apoiar, tinha falecido no ano anterior. O Profeta (s.a.w) contava apenas com alguns poucos seguidores, estava isolado dentro da própria tribo (os coraixitas), sem nenhum protector humano desde a morte do seu tio Abu Talib, e encontrava-se no limite das suas forças. A permanência em Makkah se tornará insustentável. A confiança na protecção divina não significa descuidar de si mesmo (está escrito, Allah não muda o destino de um povo, até que o povo mude o que tem na sua alma – Alcorão 13:02) e a única saída possível para evitar a agressão física, naquela altura, era uma aliança com uma outra tribo e a transferência para outra cidade (que era Yatrib, depois conhecida por Madinah).

Enquanto não recebia ordem de Allah para emigrar para Medina, uma noite o Profeta (s.a.w) rezou na Caaba e teve uma desagradável conversa com Abû Jahl, ‘Utba o Ubayy ibn Khalaf, que o deixou muito triste e perturbado…, e, depois foi para casa, conversou sobre essa situação com a sua prima, Umm Hâni (r.a.), a filha de Abû Tâlib e irmã de Hazrat Ali (r.a.) e adormeceu.

Apenas ele tinha acabado de dormir, quando o Senhor da Majestade disse: “Oh Gabriel, sabes que noite é esta? Esta noite, transmite minha ordem e boas novas a todos os meus Mundos! Esta noite trarei o Meu bem-amado à Minha Presença. Os Meus Céus, A Minha Árvore de Lotus, O Meu Trono, o Meu Paraíso se adornarão com os pés de Meu bem-amado. Diz a Isrâfil que deixe a sua trompeta por esta noite para servir ao Meu bem-amado. Que Micael adie a distribuição de provisões. Que Ezrâ’il deixe a recolha de almas por esta noite. A todos eles e a ti, ó Gibrail, concedo a honra de servir ao Meu bem-amado. Por esta noite, que Mâlik apague o fogo do Inferno. Que os guardas do Inferno não se movam de seu lugar. Que o Meu Paraíso se adorne novamente, esta noite. Diz a Ridwân que todos se devem preparar-se. Que usem vestimentas celestiais novas e coloquem os seus adornos. Devem preparar-se para receber o Meu bem-amado. Esta noite convidei o Meu bem-amado Muhammad (s.a.w.). … Que o céu se arregale mais esplendidamente que numa noite comum. Que as estrelas resplandeçam com mais brilho que o usual. Que as almas dos Profetas se preparem para saudar a Muhammad! Ó Gabriel, vai ao Paraíso e busca para o Meu bem-amado uma túnica esplêndida, uma coroa, e o corcel celestial chamado Burâq. Que se ponha a túnica, a coroa …; Que monte o Burâq; que cavalgue para ver o Meu Trono, o Meu Paraíso! Dai as Minhas saudações a esse Mensageiro! Neste momento está a dormir na casa de Umm Hâni, triste e desanimado pela crueldade desses incrédulos’.
“Que venha! Que contemple o Meu Trono, o Meu Pedestal e o Meu Paraíso! Esses incrédulos têm estado a dizer-lhe: ‘Tu és pobre, enquanto nós somos ricos. O poder e a força pertencem a nós. Não tens amigos excepto mendigos e escravos’. Oh Gabriel, quem é realmente pobre, quem é rico, quem é poderoso, quem é humilde, quem é temporal, quem é eterno? Esta noite, vou conceder a Minha graça e favor como nunca o fiz, e nunca o farei, com nenhum outro Mensageiro e Profeta. Mostrar-lhe-ei os favores que Eu preparei para a sua Comunidade… “.

E nesse momento, o Profeta Muhammad (s.a.w.) sentiu, então, ser acordado pelo arcanjo [i]Gibrail (a.s.)[/i], cumprimentado e colocado na garupa de um cavalo celeste, cujo nome era “Burâq.

“A Viagem Nocturna” (al-isrá) teve uma paragem em Jerusalém, onde hoje se encontra a Mesquita de Al Aqsa. Depois de orar, subiu por uma escada e eis que foi elevado aos céus.

A dimensão sagrada da al-isrá wal mi’raj está contida na mensagem recebida pelo Profeta Muhammad (s.a.w) durante a sua estadia na esfera divina e em contacto com o Senhor do Universo: Allah oferece a salat ou a obrigação da oração, cinco vezes ao dia. A importância da oração canônica, como um dos cinco pilares do Islão, pode ser medida pelo facto de que ela é a única recomendação transmitida directamente por Allah ao Profeta Muhammad (s.a.w.), sem a intermediação do arcanjo Gabriel, como ocorreu para o texto do Alcorão Sagrado. No Livro do Islão, a oração é citada 117 vezes como um dom concedido aos seres humanos para a sua ascensão espiritual. “Sou Allah. Não há divindade além de Mim! Adorai-Me, pois, e observai a oração, para louvar o Meu nome (20:14). É certo que prosperarão os crentes, que são humildes nas suas orações (231-2).”

Toda a Criação, por sua própria natureza, está submetida e louva ao Senhor, mas só ao ser humano foi concedida uma parcela de livre-arbítrio. Essa possibilidade de escolha é o que nos aproxima “de Allah”, nos torna os únicos, entre todas as coisas criadas, “capacitados e livres para rezar”. A escolha que fazemos determina a grandeza ou a tragédia da nossa condição. Escolher rezar não é a opção mais fácil. Ao contrário! A oração – como expressão da nossa livre escolha não tem relações com a passividade diante da realidade ou da fé. Exige e estabelece compromissos. Salat pressupõe, sobretudo, agir nos caminhos de Allah. Fazer a Salat e agir é a única via que nos permite ascender espiritualmente. (Alcorão 2:177).

Na dimensão mística: a maioria dos eruditos islâmicos vêem al-isrá wal mi’raj como a ascensão física do Profeta Muhammad (s.a.w) aos céus – uma experiência mística e pessoal; uma experiência fundamental para o desenvolvimento da espiritualidade islâmica.

Naquele mesmo ano em que se deu a Mi’raj (a ascenção), o Profeta Muhammad (s.a.w.) converteu seis peregrinos que tinham vindo a Meca de um oásis fértil, habitado por árabes e judeus no meio do deserto. Dois anos depois, seria feita a Hégira, a célebre migração de Meca para Medina, e iniciada a contagem da era Islâmica.

Os Muçulmanos de todo o mundo celebram e relembram esta ascensão física do Profeta (s.a.w.) aos Céus, agradecendo a Allah S.T. as cinco orações que Ele prescreveu para o povo muçulmano que, desde então, não cessa de as praticar, diariamente, em todo o mundo.

Que Allah nos oriente no saudável cumprimento dos seus mandamentos.

Que a Paz esteja convosco. Wassalam Alaikum W. W.

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Muhammad (p.e.c.e.)

Muhammad ( paz esteja com ele), cujo nome completo é Muhammad bin Abdul-Muttalib, foi escolhido por Deus para proferir a Sua Mensagem de Paz, isto é, o Islão. Nasceu no ano 570 da era cristã, em Meca, Arábia. Foi-lhe confiada por Deus a Mensagem do Islão quando tinha quarenta anos de idade.

A Revelação que ele recebeu chamou-se Alcorão, a Leitura e Recitação por excelência. Muhammad é o último Profeta de Deus enviado à Humanidade.

Ele é o Mensageiro Final de Deus. A sua mensagem foi, e ainda é, dirigida aos Cristãos, Judeus e ao resto da Humanidade. Ele foi enviado a esses povos religiosos para informá-los a respeito da verdadeira missão de Jesus, Moisés, David, Jacob, Isaac, Ismael e Abraão. Muhammad (paz esteja com ele) é considerado a culminação de todos os Profetas e Mensageiros que o antecederam.

Ele purificou as mensagens anteriores da adulteração que sofreram e completou a Mensagem de DEUS para toda a Humanidade. Foi dotado do poder de esclarecer e de interpretar os ensinamentos do Alcorão.