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Uma verdadeira história de amor

(01/Junho/2009, 08, Jamad’al-Akhir, 1430)
Por Hesham Hassaballa, traduzido e adaptado por M. Yiossuf Adamgy

Ela era uma das mulheres mais nobres das redondezas, oriunda de uma família muito poderosa. Era igualmente muito bela e possuía uma riqueza considerável, sendo uma notável mulher de negócios. Casar com ela seria um enorme feito para qualquer homem e, com efeito, foram vários os homens distintos e abastados pertencentes à sociedade que pediram a sua mão. No entanto, ela rejeitou-os a todos, pois, sendo já viúva, não desejava casar novamente.

Até ao dia em que ele entrou na sua vida. Era um jovem de apenas 25 anos e, apesar de pertencer a famílias nobres, era órfão e não possuía muita riqueza. Tinha arranjado um parco meio de subsistência, guardando ovelhas nas montanhas que cercavam a cidade.

Contudo, ele era possuidor de um notável carácter moral, sendo largamente reconhecido como um dos homens mais honestos das redondezas. Foi isso que a atraiu nele – ela dava à procura de uma pessoa honesta que pudesse gerir os seus negócios, visto que ela, por se encontrar no seio de uma sociedade fervorosamente patriarcal, não o podia fazer. Foi por isso que ele começou a trabalhar para ela.

Depois de ele ter regressado da sua primeira viagem de negócios, ela perguntou ao responsável da sua confiança, que o tinha acompanhado, sobre a sua conduta. E a verdade é que ficou maravilhada com o relato do responsável: este jovem era o homem mais bondoso e gentil que ele alguma vez conhecera. Jamais tratava os seus inferiores com rispidez, como o faziam outros. Mas ainda havia mais: o responsável reparou que havia uma nuvem que os seguia o tempo todo enquanto viajavam pelo calor do deserto, trazendo-lhes a sombra que os resguardava do sol abrasador. A mulher de negócios ficou deveras impressionada com o seu novo empregado.

Para além do mais, o novo empregado demonstrou ser um astuto homem de negócios por mérito próprio. Levou a mercadoria da patroa, vendeu-a e com os lucros comprou outras mercadorias que voltou a vender; desta forma, conseguiu lucrar duas vezes. Foi quanto bastou para as brasas do amor, outrora extintas do seu coração, voltassem a reacender-se; ela resolveu casar-se com este jovem, que era 15 anos mais novo que ela.

Nesse sentido, ela resolveu mandar a irmã falar com o homem; no âmbito dessa conversa, a mulher perguntou-lhe: “Porque é que ainda não se casou?”

“Por falta de recursos” – respondeu o homem.

A mulher perguntou, então: “E se eu lhe conseguisse arranjar uma esposa nobre, bela e rica? Estaria interessado nela?”

O homem respondeu afirmativamente, mas sorriu, surpreso, quando a mulher disse que a esposa prometida seria a sua irmã.

“Como posso eu casar com ela? Ela recusou os homens mais nobres da cidade, muito mais ricos e importantes do que eu, que não passo de um pobre pastor.”

A mulher disse-lhe, então, o seguinte: “Não se preocupe. Eu trato do assunto.”

Pouco tempo depois, a rica mulher de negócios casou com o jovem empregado, dando assim início a um dos matrimónios com mais amor, felicidade e sacralidade de toda a história da humanidade. Com efeito, este foi o casamento que uniu o Profeta Muhammad a Khadijah, filha de Khuwaylid. Quando se casaram, Muhammad tinha apenas 25 anos e ela 40 anos, mas essa situação em nada incomodou Muhammad. Ele amava profundamente a sua esposa e ela nutria por ele o mesmo sentimento. O casamento durou 25 anos e Khadijah deu ao Profeta (paz esteja com ele) 7 filhos: 3 rapazes e 4 raparigas. No entanto, todos os filhos vieram a falecer em tenra idade. Khadijah representava para o Profeta uma fonte de imenso amor, força e conforto. E foi deste amor e apoio que o Profeta se socorreu, na mais importante noite da sua vida.

Quando ele se encontrava a meditar na cave de Hira, o Anjo Gabriel apareceu a Muhammad e revelou-lhe os primeiros versículos do Alcorão, declarando-lhe que ele viria a ser Profeta. Esta experiência deixou Muhammad (s.a.w.) aterrorizado, tendo ele por isso ido a correr para casa, para os braços de Khadijah (r.a.), gritando: “Cobre-me, Cobre-me!”. Khadijah (r.a.) ficou assustada pelo terror do marido e, depois de o confortar e acalmar durante algum tempo, o Profeta (s.a.w.) lá foi capaz de se controlar e contar-lhe o que lhe tinha acontecido.

O Profeta (s.a.w.) tinha medo de estar possuído ou de ter enlouquecido.

Khadijah (r.a.) acalmou-o face aos seus medos, dizendo-lhe:

“Não te preocupes, pois por Aquele que tem domínio sobre a alma de Khadijah, espero que te venhas a tornar no Profeta da nação. Deus (ár. Allah) jamais te humilharia, pois és bondoso para os teus familiares, manténs-te fiel à tua palavra, ajudas os necessitados, apoias os fracos, recebes os teus convidados com boa comida e respondes aos apelos daqueles que te chamam quando estão em dificuldades.”

Khadijah (r.a.) levou então Muhammad (s.a.w.) ao seu primo, Waraqah ibn Nawfal, um escolástico com um conhecimento profundo da escritura judaico-cristã, tendo o sábio dito a Muhammad que a sua experiência havia sido Divina e que ele seria, de facto, o Último dos Profetas.

Depois de o seu ministério se ter iniciado e de a oposição feita pelo seu povo se ter mostrado impiedosa e brutal, Khadijah (r.a.) esteve sempre ao lado do seu marido para o apoiar, sacrificando toda a sua riqueza para favorecer a causa do Islão. Quando o Profeta (s.a.w.) e a sua família foram banidos para as montanhas no exterior da cidade de Meca, ela foi com ele, sendo que foram esses três anos de sofrimento e privação que eventualmente lhe terão causado a morte. Foi profundo o luto de Muhammad (s.a.w.) pela morte da sua mulher e, mesmo depois de ela ter morrido, o Profeta (s.a.w.) continuou a enviar comida e sustento aos amigos e familiares de Khadijah (r.a.), movido pelo amor que sentiu pela sua primeira esposa.

Certa vez, passados muitos anos da morte de Khadijah (r.a.), Muhammad (s.a.w.) encontrou um colar que ela usara. Ao contemplar o objecto, ele lembrou-se dela, começou a chorar, emocionando-se. O amor que sentia por Khadijah (r.a.) nunca morreu, de tal forma que a sua última esposa, A`isha (r.a.), até teve ciúmes dela.

Com efeito, A`isha (r.a.) chegou a perguntar ao Profeta (s.a.w.), em determinada ocasião, se Khadijah (r.a.) tinha sido a única mulher digna do seu amor. O Profeta (s.a.w.) respondeu-lhe o seguinte:

“Ela acreditou em mim quando mais ninguém acreditava. Ela aceitou o Islão quando todos me rejeitaram e ajudou-me e reconfortou-me quando mais ninguém me deu a mão”.

Muito se tem falado e relatado acerca dos muitos casamentos de Muhammad (s.a.w.). E muitos são aqueles que difamam o Profeta (s.a.w.), considerando-o um galanteador mulherengo, devido aos seus vários casamentos. No entanto, tal não passa de demagogia. Em resposta àqueles que caluniam o Profeta, dizemos o seguinte: SE o Profeta (s.a.w.) fosse esse tipo de homem, ele teria tirado partido da sua juventude para ter esse tipo de comportamento. Mas não o fez! Numa altura em que era prática comum ter-se várias mulheres, o Profeta (s.a.w.) não casou com mais nenhuma enquanto esteve casado com Khadijah (r.a.). Só após a morte da sua primeira esposa, é que ele casou com outras mulheres. A maioria das suas esposas eram viúvas, com quem o Profeta casou para as proteger, ou então eram as filhas de poderosos chefes árabes, com quem o Profeta casava a fim de converter uma aguerrida, tribal e bárbara sociedade numa sociedade árabe harmoniosa. As infâmias que dizem acerca do Profeta (s.a.w.) caem redondas sobre os difamadores assim que a luz da verdade brilha sobre eles.

Numa canção que fala sobre o Profeta e Khadijah, os rappers muçulmanos Native Deen afirmam o seguinte:

“Procuramos em lugares negros e frios por histórias de amor, quando todo o mundo tem uma luz para se orientar com fervor”.

Com efeito, muitas daquelas histórias que actualmente consideramos serem de amor, nada mais são do que histórias de luxúria e desejo, de atracção física disfarçada de amor.

Apesar de tudo, não conheço história de amor mais poderosa e que seja capaz de elevar mais o nosso espírito ou de nos inspirar mais respeito que a de Muhammad (s.a.w.) e Khadijah (r.a.). Com efeito, esta história apresenta-se como o exemplo brilhante de como deverá ser o casamento ideal e, se eu afirmar que amo a minha esposa, devo aferir as minhas acções pelas do Profeta (s.a.w.).

No momento em que o país comemora o Dia de São Valentim e no mês em que, para onde quer que nos viremos, “o amor anda no ar”, não posso deixar de reflectir sobre aquela que considero ser a maior história de amor de todos os tempos – a de Muhammad (s.a.w.) e Khadijah (r.a.).

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O Profeta Muhammad (PECE) de A a Z

Por: Yiossuf Estes (18/05/2009)

A

Ele nunca mentiu, jamais quebrou a confiança de alguém, jamais prestou um falso testemunho. Era famoso entre todas as tribos de Meca, sendo conhecido como “O Espírito da Verdade”.

B

Jamais teve relações sexuais fora do casamento nem aprovava tal comportamento, embora ele constituísse alago de comum, na época em que viveu.

C

As suas relações com mulheres existiram apenas dentro de casamentos contratuais legítimos, que comutaram com testemunhas adequadas, de acordo com a lei.

D

A sua relação com a mulher Aycha (que Deus esteja satisfeito com ela) teve por base apenas o casamento.
Ele não casou com ela na primeira vez que o pai dela lha ofereceu em casamento. Não queria casar com ela até que ela atingisse a puberdade e pudesse decidir por si. A relação entre eles é descrita em pormenor por Aycha (que Deus esteja satisfeito com ela) de forma muito carinhosa e respeitosa, como um verdadeiro casamento, criado no céu. Aycha (que Deus esteja satisfeito com ela) é considerada uma das mais nobres escolásticas do Islão, tendo sido apenas casada com Muhammad, que a paz esteja com ele. Nunca ela desejou outro homem ou jamais proferiu uma única observação negativa acerca de Muhammad, que a paz esteja com ele.

E

Ele proibiu que se matasse até que a ordem de retaliação viesse de Deus. Mesmo nesse caso, os limites estavam bem definidos e só mesmo aqueles que se envolviam no combate activo contra os muçulmanos e o Islão deveriam ser combatidos. E, mesmo nessa circunstância, apenas de acordo com os princípios restritos de Deus.

F

Matar vidas inocentes era proibido por ele.

G

Não foi empreendido nenhum genocídio contra os judeus. Ele ofereceu perdão e protecção mútua aos judeus, mesmo quando eles, muitas vezes, quebraram os pactos que haviam estabelecido com ele.
Eles não eram atacados até que ficasse manifestamente provado que eram traidores durante o tempo de guerra e que tentaram prejudicar, a qualquer custo, os muçulmanos e o Profeta, que a paz esteja com ele. A retaliação só era permitida em relação aos judeus que se haviam revelado traidores, e não contra todos os outros.

H

Ter escravos era algo de comum nessa altura, em todas as nações e tribos. Foi o Islão que encorajou a libertação dos escravos, salientando a grande recompensa de Deus para aqueles que a concediam. O Profeta Muhammad, que a paz esteja com ele, deu o exemplo, libertando os seus escravos e encorajando os seus seguidores a fazer o mesmo. Os exemplos incluem o seu próprio criado (que era tido como um verdadeiro filho por Muhammad) Zayd ibn Al Haritha e Bilal, o escravo que foi criado por Abu Bakr (que Deus esteja satisfeito com ele) apenas com o objectivo de os libertar.

I

Enquanto eram feitas várias tentativas de assassinato contra Muhammad, paz esteja com ele, o seu primo Ali (que Deus esteja satisfeito com ele) fez-se passar por ele, deitando-se na sua cama, enquanto ele e Abu Bakr fulgiam para Medina. No entanto, ele não permitia que os seus companheiros matassem nenhum daqueles que estavam envolvidos nessas tentativas. A prova disto é que quando entraram em Meca em triunfo, as suas primeiras palavras para os seus seguidores foram no sentido de aqueles não punirem esta ou aquela tribo ou esta ou aquela família. Este foi um dos seus mais famosos actos de perdão e humildade.

J

O combate militar esteve proibido durante os primeiros treze anos em que o Profeta empreendeu a sua missão. Os árabes do deserto não precisavam que ninguém lhes ensinasse a lutar ou a combater. Eles eram especialistas nessa área e tinham feudos entre as tribos que se mantiveram durante décadas. A retaliação e combates foram apenas sancionados quando o método adequado de guerra foi instituído por Deus no Alcorão, definindo os direitos e as limitações de acordo com os Seus Mandamentos. As ordens de Deus deixavam bem claro quem devia ser atacado, como, quando e até que ponto essa luta poderia ser levada.

K

A destruição de infra-estruturas foi absolutamente proibida por ele, excepto quando era ordenada por Deus em determinadas circunstâncias e apenas de acordo com as Suas ordens.

L

Praguejar e invocar o mal foi algo que, de facto, afligiu o Profeta, que a paz esteja com ele, por via dos seus inimigos, enquanto ele rezava para que eles conseguissem orientação. Um exemplo clássico foi a viagem que ele empreendeu a At-Taif, cujos líderes não queriam sequer ouvi-lo ou prestar-lhe a cortesia mínima habitual, tendo, em vez disso, incitado as crianças da rua contra ele, atirando-lhe pedras e pedregulhos até que o seu corpo começou a sangrar tanto que as suas sandálias se encheram de sangue. O Anjo Gabriel propôs-lhe vingança. Com efeito, se fosse essa a sua ordem, Deus Todo Poderoso faria com que as montanhas circundantes se abatessem sobre eles e os destruíssem a todos. No entanto, em vez de os amaldiçoar ou pedir a sua destruição, ele pediu para que esse povo pudesse encontrar orientação e adorassem apenas o seu Senhor, exclusivamente.

M

O Profeta Muhammad (que a paz esteja com ele) defendia que, ao nascer, todos os seres humanos se encontram no estado de ISLÃO (a submissão pacífica a Deus e de acordo com os Seus parâmetros) sendo Muçulmanos (significado: aquele que pratica o Islão, isto é: que se submete à vontade de Deus e obedece aos Seus Mandamentos). Ele salientou ainda que Deus criou cada indivíduo à Sua imagem, ou seja, de acordo com o Seu plano, sendo que o espírito de cada indivíduo é o d’Ele. Depois, à medida que vão crescendo, a sua fé começa a ser alterada consoante a influência da sociedade dominante e os seus próprios preconceitos.

N

O Profeta Muhammad (que a paz esteja com ele) ensinou os seus seguidores a acreditar no Deus de Adão, Noé, Abraão, Jacob, Moisés, David, Salomão e Jesus (que a paz esteja com todos eles) e a acreditar neles coo-mo verdadeiros profetas, mensageiros e servos de Deus Todo-Poderoso. Insistiu em colocar todos os profetas ao mais alto nível, sem fazer qualquer distinção entre eles, ordenando que os seus seguidores proferissem a frase “que a paz esteja com ele” depois de mencionarem os seus nomes.

O

Ele também instruiu os Seus Companheiros não apenas a acreditar no Islão, mas a acreditar, igualmente, nas origens divinas tanto do Judaísmo como do Cristianismo, na Tora (Antigo Testamento), no Zabur (Salmos) e no Enjil (Evangelho ou Novo Testamento) e que todas essas escrituras foram originalmente provenientes da mesma fonte que o Alcorão, ou seja, de Deus (ár. Allah) e dos seus Profetas (que a paz esteja com eles) e através do Anjo Gabriel (que a paz esteja com ele). Ele pediu aos judeus que julgassem de acordo com o seu Livro e eles tentaram ocultar parte do Livro, a fim de evitar um juízo correcto, pois sabiam que ele era iletrado.

P

.

Ele profetizou, vaticinou e antecipou acontecimen-tos que viriam a decorrer e que, de facto, vieram a realizar-se da forma que ele previra.
Ele conseguiu até prever um acontecimento do passado que se viria a tornar realidade no futuro, e foi o que aconteceu.
No Alcorão afirma-se que o Faraó se afogou no Mar Vermelho quando persseguia Moisés (que a paz esteja com ele) e Deus disse que iria preservar o Faraó, como um sinal para o futuro. O Dr. Maurice Bucaille, no seu livro “A Bíblia, o Alcorão e a Ciência”, torna claro que tal de facto aconteceu e que, com efeito, o corpo do Faraó foi descoberto no Egipto, estando agora disponível para ser visto por todos. Este acontecimento teve lugar milhares de anos antes do nascimento de Muhammad (que a paz esteja com ele), só tendo vindo a tornar-se verdadeiro nas últimas décadas, muitos séculos depois da sua morte.

Q

Escreveu-se mais sobre o Profeta Muhammad (que a paz esteja com ele), do que sobre qualquer outra pessoa. Ele foi louvado a um nível muito elevado ao longo dos séculos, até pelos não-muçul-manos. Um dos primeiros exemplos que citamos é referido na Encyclopedia Britannica, na medida em que confirma: (referindo-se a Muhammad) “… uma vasta quantidade de pormenores de fontes ancestrais demonstram que era um homem hones-to e recto e que conseguiu o respeito e a lealdade dos outros que, como ele, eram homens honestos e rectos.” (Vol. 12)

R

Outra homenagem impressionante feita a Muhammad, que a paz esteja com ele, é a muitíssimo bem escrita obra de Michael H. Hart: “Os 100: O Top das Individualidades mais Influentes da História”. Ele afirma que a personalidade mais influente da história foi Muhammad, sendo Jesus, que a paz esteja com ele, a segunda.
Examine as palavras exactas do autor:
“A minha escolha de Muhammad para liderar a lista das personalidades mais influentes pode surpreender alguns leitores e ser questionada por outros, mas ele foi o único homem, que ao longo de toda a história, foi capaz de alcançar sucesso supremo tanto no campo religioso como no secular”. New York: Hart Publishing Company, Inc., 1978, page. 33.

S

Enquanto passamos revista às declarações de não-muçulmanos famosos acerca do Profeta Muhammad, que a paz esteja com ele, tenha em atenção o seguinte: “Filósofo, orador, apóstolo, legislador, guerreiro, conquistador de ideias, reconciliador de dogmas racionais, de um culto sem recurso a imagens, fundador de vinte impérios terrestres e de um império espiritual, assim foi Muhammad. De acordo com todos os padrões pelos quais a grandeza de um homem pode ser aferida, poderemos bem perguntar-nos: `Existe algum homem melhor que ele?`” Lamartine, HISTÓRIA DA TURQUIA, Paris, 1854, Vol. II, pp. 276-277.

T

De seguida, lemos a seguinte afirmação, feita por George Bernard Shaw, um famoso escritor não-muçulmano:
“Ele deve ser apelidado de Salvador da Humanidade. Considero que se um homem como ele assumisse a ditadura do mundo moderno, seria capaz de resolver os problemas que assolam a humanidade, de forma a trazer-lhe a tão necessária felicidade e paz.” (O Islão Genuíno, Singapura, Vol. 1, No. 8, 1936)

U

Depois descobrimos que K.S. Ramakrishna Rao, um professor de filosofia indiano (Hindu), na sua bro-chura “Muhammad, o Profeta do Islão” o chama de “modelo perfeito para a vida humana”.
O professor Ramakrishna Rao explica a sua teoria, afirmando:
“A personalidade de Muhammad é a mais difícil de abarcar na plenitude da sua verdade. Sou apenas capaz de apreender um vislumbre do seu todo. Que su-cessão dramática de imagens pitorescas! Existe o Muhammad Profeta; o Muhammad Guerreiro; o Muhammad homem de negócios; o Muhammad estadista; o Muhammad orador; o Muhammad Reformista; o Muhammad que ampara os órfãos; Muhammad o Protector dos escravos; Muhammad o emancipador da mulher; Muhammad o juiz; Muhammad o Santo. Ele foi um herói no desempenho de todas estas extraordinárias funções e em todas estas áreas da actividade humana.”

V

O que deveremos pensar acerca do nosso Profeta Muhammad quando alguém com o estatuto mundial de Mahatma Gandhi afirma o seguinte em `Jovem Índia`, ao descrever a personalidade de Muhammad, que a paz esteja com ele:
“Eu gostaria de conhecer o melhor dos homens, aquele que domina actualmente de forma inquestionável o coração de milhões de homens… Estou plenamente convicto de que não foi a violência que conquistou um lugar para o Islão na ordem da vida, nesse tempo. Foi a feroz simplicidade do Profeta, a sua absoluta abnegação, o escrupuloso respeito para com os seus compromissos, a sua profunda devoção aos seus amigos e companheiros, a sua coragem, a sua intrepidez, a sua confiança absoluta em Deus e na sua própria missão. Foram estes factores e não a violência que levaram tudo à sua frente, ultrapassando todos os obstáculos. Quando fechei o 2º volume (da biografia do Profeta) tive pena de não haver mais para ler sobre esta vida extraordinária.”

W

O autor inglês Thomas Carlyle, na sua obra “Os Heróis e o seu Culto”, relevou-se simplesmente espan-tado com o facto de: “Um único homem, sozinho, ter sido capaz de unir tribos inimigas e levar os Beduínos a tornarem-se nu-ma nação extremamente poderosa e civilizada em m-enos de duas décadas.”

X

E Diwan Chand Sharma escreveu na obra “Profetas do Oriente”:
“Muhammad era a alma da bondade e a sua influência foi sentida e jamais esquecida por aqueles que estiveram à sua volta.” (D.C. Sharma, Os Profetas do Oriente, Calcutá, 1935, pp. 12)

Y

Ao abordar a questão da igualdade perante Deus no Islão, a famosa poetisa indiana Sarojini Naidu afirma o seguinte:
“Foi a primeira religião a pregar e a praticar a de-mocracia, pois, na Mesquita, quando é feita a chamada para a oração e os devotos são reunidos, a democracia é incorporada cinco vezes por dia, dado que tanto o camponês como o rei se ajoelham lado a lado, anunciando: “Apenas Deus é Grande”. Tenho sido constantemente surpreendida pela unidade indivisível do Islão, que, instintivamente, torna cada homem num irmão.” (S. Naidu, Ideais do Islão, vide Discursos & Escritos, Madras, 1918, p. 169)

Z

Nas palavras do Professor Hurgronje:
“A liga de nações criada pelo Profeta do Islão funda-mentou o princípio da unidade internacional e da irmandade humana em alicerces de grande universalidade, a fim de dar o exemplo às outras nações.” Acrescenta ainda: “A verdade é que não existe no mundo uma nação que tenha igualado aquilo que o Islão fez, com vista à realização do ideal da Liga das Nações.”

(Passámos em revista o alfabeto de A a Z) Edward Gibbon e Simon Ockley escreveram o seguin-te na “História dos Impérios Sarracenos” sobre a pro-fissão do ISLÃO:
“EU ACREDITO NUM ÚNICO DEUS E EM MUMHAMMAD, UM PROFETA DE DEUS”.
Esta é a mais simples e invariável profissão do Islão. A imagem intelectual da Divindade jamais foi aviltada por qualquer ídolo visível, a honra do Profeta nunca transgrediu a medida das virtudes humanas; e os seus preceitos de vida confinaram a gratidão dos seus discípulos aos li-mites da razão e da religião.” (História dos Impérios Sarracenos, Londres, 1870, p. 54)

Wolfgang Goethe, que foi talvez o maior poeta da Europa, escreveu o seguinte acerca do Profeta MuMhammad, que a paz esteja com ele:
“Ele foi um Profeta e não um poeta; por isso, o seu Alcorão deve ser entendido enquanto uma Lei Divina e não como um livro escrito por um ser humano, com o propósito de educar ou entreter.” (Noten und Abhandlungen zum Weststlichen Dvan, WA I, 7, 32)

O leitor é um ser humano racional e com interesses. Então, já deve ter posto a si próprio a seguinte pergunta:
“Poderão todas estas afirmações extraordinárias, revolucionárias e surpreendentes acerca deste homem ser verdadeiras?”
E se isto for tudo verdade?
Agora faça a si próprio esta pergunta à luz daquilo que acabámos de descobrir acerca deste homem:

“O que é que tem a dizer acerca do Profeta Muhammad (p.e.c.e.)?”

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Descrição do Profeta Muhammad (s.a.w.)

Fonte: Orden Sufi Yerrahi al Halveti (Buenos Aires – Argentina); Versão portuguesa: M. Yiossuf Mohamed Adamgy / Al Furqán (Portugal)

Alocução feita, por M. Yiossuf M. Adamgy, director de Al Furqán, no Darul Ulum Cadrya Ashrafia de Odivelas, na passagem da noite comemorativa do nascimento do Profeta Muhammad (Maomé), paz esteja com ele – (14/02/2001.

O Leão de Allah, o venerável Ali ibn Abî Tâlib, e mais quinze dos Companheiros (r.a.), transmitiram esta descrição do Mensageiro Eleito, Muhammad Mustafá (s.a.w. = que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele):

Quanto ao carácter e ao comportamento, foi o mais perfeito dos seres humanos. Todos os grandes Profetas foram fisicamente perfeitos e de lindo rosto, mas o bem-amado de Allah foi o mais lindo de todos.

– O seu casto corpo era bonito, os membros bem proporcionados e a figura sumamente atractiva.

– A testa larga e o peito amplo, bem como as palmas e o espaço entre os ombros.

– O pescoço, longo e gracioso, era como a prata pura.

– Os ombros e braços eram robustos e maciços, enquanto os pulsos eram estilizados.

– Os dedos eram bastante longos, e um pouco grossos, como também as mãos.

– O ventre, abençoado, não era gordo e não sobressaía debaixo do peito.

– Os peitos do pé eram arqueados, não aplanados.

– Sendo de meia altura, estava bem formado, poderoso e forte. Não era demasiado magro, nem tinha sobrepeso, mas um bom peso médio.

– Quanto à pele, abençoada, era mais macia do que a seda.

– A cabeça, grande, a testa, arqueada, e o nariz, direito, estavam em perfeito equilíbrio. O rosto era mais oval do que circular, nem demasiado gordo nem demasiado redondo nas bochechas.

– As sobrancelhas estavam juntas, mas não se tocavam no meio. Entre elas havia uma veia que costumava encher-se e sobressair quando se entristecia. As pestanas eram longas e os olhos negros, bonitos e grandes. No branco dos olhos havia uma tintura coloração vermelha. A coloração era clara, nem tão branca como o giz nem suficientemente escura para ser moreno. O resplendor que brilhava no rosto, abençoado, era de um branco cor-de-rosa macio, brilhante e reluzente.

– Os dentes eram brilhantes como pérolas; os frontais cintilavam enquanto falava e, quando sorria, a boca, abençoada, irradiava clarões como de um requintado relampejo.

– Quando deixou crescer o cabelo, cresceu até ultrapassar os lóbulos das orelhas. A barba era espessa e abundante. Não era longa, mas o suficiente para a segurar com o punho da mão. Quando partiu para o mundo da Eternidade, o cabelo e a barba havia pouco que começaram a tornar-se cinzentos.

– O corpo estava sempre limpo e tinha um doce perfume. Quer perfumando-se, quer não, a pele cheirava melhor do que o mais fino dos perfumes. Qualquer um que lhe desse a mão podia perceber a sua agradável fragrância durante o dia inteiro. Uma criança cuja cabeça fosse acariciada com a sua mão, abençoada, podia-se distinguir das outras pela deliciosa fragrância.

– No momento do seu nascimento, ele veio ao mundo limpo e impecável e naturalmente circuncidado. Nasceu com o cordão umbilical já cortado, e os seus sentidos eram excepcionalmente agudos. Podia ouvir a grande distância e podia ver mais longe do que qualquer outro.

– Todos os seus movimentos eram suaves. Quando ia a alguma parte, fazia-o serena e pausadamente, sem se desviar nem para a direita nem para a esquerda, com passo enérgico e raso. Podia parecer que estava a passear, mas aqueles que dele se aproximavam ficavam para trás, ainda que caminhassem rápido. Havia luz e doçura no seu rosto, abençoado, e fluidez e encanto na sua fala.

– A linguagem era clara e eloquente e se exprimia com extraordinária lucidez. Nunca falava desnecessariamente, e em tudo o que dizia havia sabedoria e bom critério. Sempre se dirigia às pessoas no nível da sua compreensão. O seu rosto sorria e as suas palavras eram doces. Nunca disse uma má palavra a ninguém, nem tratou mal ninguém. Jamais interrompia ninguém. Era afável e humilde. Nem tinha mau carácter, nem era grosseiro. Mas era sério e imponente. O seu riso era um sorriso. Uma pessoa que o visse imprevistamente ficava cheia de admiração e de respeito reverente.

– Qualquer um que desfrutasse da sua companhia e amizade chegava a amá-lo com toda a alma e coração. Respeitava os virtuosos. Tratava os familiares com grande respeito; não obstante, nunca os preferia àqueles mais honráveis do que eles. Assim como tratava com bondade os membros do seu grupo familiar e os seus companheiros, assim tratava, com a mesma graça e gentileza, também as outras pessoas.

– Era muito bom com os empregados. Oferecia-lhes o mesmo que ele comia, e partilhava as suas próprias roupas. Era generoso, amável, terno e compassivo, valente e tolerante. Inamovível no compromisso e na promessa, era fiel à sua palavra, superior a todos na bondade de carácter e na excelência mental, digno de toda a classe de elogios e comendas. Todo o louvor dava-o a Deus.

Resumindo: tinha uma forma linda, um carácter perfeito, era um ser feliz e abençoado, como nunca nenhum outro foi nem será criado igual; que Allah o abençoe e lhe dê paz.

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Mensagem de Al Furqán por ocasião da celebração do Nascimento do Profeta Muhammad (s.a.w.)

Al Furqán

Os muçulmanos comemoram, hoje, 15 de Fevereiro de 2011 / 12 de Rabi-al-Awwal de 1342, o Maulid Nabi, ou seja o nascimento do Profeta Muhammad (Maomé), a paz e as bênçãos de Deus estejam com ele.

Prezados Irmãos,
Assalamu Alaikum:

Esta comemoração é, actualmente, seguida pela maioria das Comunidades Muçulmanas do Mundo como uma forma de recordar quem trouxe a última Mensagem Divina e cultivou o ser humano a melhorar a sua vida e o seu carácter.

É certo que ainda há alguns grupos muçulmanos que não comemoram este evento, considerando-o alheio à Sunna do Profeta (s.a.w.), por este não ter celebrado o seu próprio nascimento, argumento que resulta insuficiente para a maioria dos muçulmanos que constitui, actualmente, a Ummah e que considera o Maulid Nabi como um dia especial que nos perpetua com a baraka de Muhammad (s.a.w.).

Evidentemente que os grupos que não comemoram este evento, consideram-no uma bi´dat, ou seja uma inovação inadmissível, e criticam sobretudo as práticas das confrarias sufitas que levam a cabo, durante esta comemoração, nomeadamente a prática de zikr, recitação de poemas, cassidas, na’tes em louvor ao Profeta Muhammad (s.a.w.).

Allamah Suyuti, grande erudito islâmico do séc. XVI, depois de analisar a história da celebração de Maulid Nabi, chegou a conclusão de que se trata de uma bi´dat hássana (uma inovação saudável, acertada e necessária) e, como tal, lícita.

E a verdade é que se trata de uma comemoração grandemente praticada não só em todos os países islâmicos mas, também, em todo o mundo onde haja muçulmanos, por ser uma ocasião para recordar, compartilhar e passar à nova geração o melhor que há da tradição profética, o amor em relação ao Profeta Muhammad (s.a.w.) e em relação a todos os Profetas anteriores (a.s.).

A Al Furqán felicita todos os muçulmanos e muçulmanas da Ummah neste dia tão querido para nós, e, também, a todos os seres humanos deste Universo para que a sua misericórdia alcance a todos.

Wassalam.

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Al-Mawlid Annabawi – O Nascimento do Selo dos Profetas

Por: M.Yiossuf Adamgy

Prezados Irmãos, Assalamu Alaikum:

é com imensa alegria que recebemos a celebração do nascimento do Profeta (s.a.w.), facto comummente designado por Al-Mawlid Annabawi.

Desde há séculos que os Muçulmanos celebram o nascimento do Profeta Muhammad (s.a.w.), o último Mensageiro do Islão, em quase todos os países do Mundo. Este é para eles um acontecimento de extrema importância; trata-se do momento precioso para invocar a vida e o comportamento maravilhosos deste feliz eleito de Deus. (1) Para além disso, muitos são os Muçulmanos que aproveitam a altura para renovar o seu pacto, o seu amor e a sua visão relativamente ao Profeta (s.a.w.) e à sua Suna.(2) O amor do Profeta (s.a.w.) não faz senão que aumentar o regresso à religião, que é detectável a olho nu por todos os observadores.

Para nós, ricos em experiências são os acontecimentos relativos ao seu nascimento, ao seu contexto familiar e à sua primeira infância, e dos quais apresentamos a seguir um breve resumo.

O ANO DO ELEFANTE

O elefante ajoelhou-se, recusando-se a avançar. Abrahah, chefe de um exército temível e furioso, construíra uma enorme Igreja em Sanaa no Iémen, e vinha agora para destruir a Santa Ka’aba de Meca, na ideia de edificar uma nova Ka’aba. Subitamente, um bando de pássaros enviados por Deus aparece e atira-lhes pedras,(3) que os trespassam como setas, fazendo-os tombar. O acontecimento desta viagem do elefante chama a nossa atenção para a nobreza da Ka’aba, a Casa de Deus, ocorrência, essa, que teve lugar cerca de cinquenta dias antes do nascimento do Profeta (s.a.w.).

A GENEALOGIA DO PROFETA (S.A.W.)

Muhammad (s.a.w.) nasceu em Meca, na manhã de uma segunda-feira, décimo segundo dia do mês de Rabi’-Al-Awwal,(4) por volta de 571 D.C., filho de Abdallah e de Aminah bint Wahb.(5) Era membro da tribo dos Banou Hachim, cujas raízes provinham da linhagem dos Árabes Adnan. Assim sendo, tratava-se de uma família nobre de Meca em primeiro grau.

A sua genealogia, conforme rezam as crónicas, (6) é a seguinte: Muhammad é o enviado de Deus, sendo filho de Abdallah, filho de Abdelmottalib, filho de Hachim, filho de Koussaie, filho de Kilab, filho de Mourrah, filho de Kaab, filho de Louae, da linhagem de Ismael, filho de Abraão, servo devoto de Deus.

Por conseguinte, a sua árvore genealógica é pura, não conspurcada por qualquer acto de incesto ou adultério (7).

Abdallah, pai de Muhammad (s.a.w.), era famoso pela sua pureza e bons hábitos. Faleceu, estava a sua esposa grávida, aquando de uma viagem de negócios a Medina (8).

O NASCIMENTO DA LUZ BRILHANTE

Quando Aminah bint Wahb deu à luz, Abdelmot- talib, avô do Profeta (s.a.w.), encheu-se de alegria, tendo celebrado o seu nascimento. O nome por ele escolhido foi “Muhammad”.

“Espero, disse Abdelmottalib, pela graça de Deus, que ele seja louvado e glorificado no Céu por este nome, e que o seja também na Terra” (9)

A mãe do Profeta (s.a.w.) não sentiu quaisquer dores de parto e ele nasceu já circuncidado. Os Anjos lavaram-no de toda a mácula e marcaram-no nas costas, entre os ombros, com o selo da profecia.

Nesse mesmo instante, uma luz brilhante iluminou todas as regiões circundantes, o fogo sagrado dos Persas, acesso desde há mil anos, apagou-se, como que por encanto.

A PRIMEIRA INFÂNCIA E A FENDA NO SEU PEITO

Os primeiros anos de vida do Profeta (s.a.w.) foram passados ao lado da mãe, Aminah. Era hábito entre os habitantes de Meca confiarem as crianças de tenra idade a amas beduínas. No entanto, visto tratar–se de uma criança órfã e de poucas posses, ama alguma pretendia cuidar dele. Por não pretenderem regressar de mãos vazias, Halima e o seu marido aceitaram ficar com o bebé.

“Aceitamo-lo! Talvez Deus nos abençoe e a Sua bênção regresse à nossa tenda.” (10)

De facto, a prosperidade não mais abandonou a tenda deste casal.

Consciente desta bênção e dois anos após ter aceite cuidar de Muhammad (s.a.w.), Halima suplicou à mãe dele, Aminah, a qual pretendia o filho de volta, para que o deixasse ficar por mais alguns anos. Foi nesta altura, e antes de Muhammad (s.a.w.) ter completado o seu terceiro ano de vida, que ocorreu um incidente deveras importante. Um dia, um irmão de leite do Profeta (s.a.w.), muito assustado, correu para junto dos pais e informou-os que pessoas vestidas de branco tinham agarrado Muhammad (s.a.w.), o tinham deitado no chão e aberto o seu peito. Os pais correram para junto do Profeta (s.a.w.) e encon- traram-no pálido e com os olhos fixos no Céu. Questionado sobre o que sucedera, ele disse-lhes que dois homens vindos do Céu abriram-lhe o peito, retira- ram-lhe o coração, removeram um coágulo negro (a parte pertencente a Satanás) e tornaram a meter-lhe o coração no peito, depois de o ter lavado com a água de Zamzam (11), da qual sentia ainda a frescura (12).

Halima ficou de tal forma assustada, que entregou a criança à mãe.

Aos seis anos, Muhammad (s.a.w.) ficou órfão de mãe, falecida no caminho de regresso após ter visitado o túmulo do marido, Abdallah, nas proximidades de Medina. A tutela da criança passou, então, para o benevolente avô. Mais tarde, aos oito anos, Muhammad (s.a.w.) perderia o avô e passaria a estar sob a tutela do tio, Abou Taleb, com o qual trabalhava como pastor de modo a contribuir para o magro orçamento familiar.

Maravilhoso é este relato, ainda que breve, e feliz é aquele que souber beneficiar por sentir com o coração, a palavra e o gesto o seu amor para com o Profeta (s.a.w.).

AMAR E SEGUIR SIMPATICAMENTE O PROFETA (S.A.W.)

Toda a comunidade Muçulmana (a Ummah) honra o Profeta (s.a.w.) e sente por ele um respeito imenso.

Todo o Muçulmano carrega no seu coração e no seu espírito uma parcela não negligenciável deste amor para com a pessoa do Profeta (s.a.w.), deste afecto, e guarda na memória várias recitações das suas sábias palavras ou de episódios da sua vida.

Os eruditos, pela sua ciência e pelo seu envolvimento na Escritura, contribuíram para a redacção da história da sua vida (13), para a compilação dos seus Hadices e, inclusive, para a consagração de poemas em seu louvor. Não lhes escapou pormenor algum da vida do Profeta (s.a.w.) e nem personalidade alguma da história humana retém tanta atenção ou “historicidade”, tanto amor e tanto acompanhamento. Ao longo dos séculos, os Muçulmanos têm recitado o Alcorão e ensinado aos seus filhos a vida do Profeta Muhammad (s.a.w.), tal como também eles a aprenderam.

é dever de todo o Muçulmano expressar este amor; de facto, é esta a melhor forma de aceder à transcendência. Se a companhia efectiva lhe falta, a companhia espiritual (a Sohba) (14) está sempre disponível, de dia e de noite, e isto até ao fim da vida na Terra. Muçulmano algum sentirá cansaço por relatar a sua vida ou as suas “máximas” sábias e inigualáveis que, para além do mais, revelam tratar-se de um Enviado de Deus.

Meditemos neste Hadice, da mais alta importância, esquecido nas compilações de Ahadices, e que resume o respeito e a afeição que devemos ter para com esta pessoa, que eu classificaria de “pureza universal”.

O Profeta (s.a.w.) disse: “Quando verei eu os meus irmãos?”. Não somos nós teus irmãos? “Vós sois os meus Companheiros e os meus irmãos são aqueles que acreditam em mim sem nunca me terem visto.” (15).

O Profeta (s.a.w.) encarna a Mensagem que transmitiu à Humanidade para a retirar das trevas, em direcção à luz (16). Deus quis que o Seu Enviado encarregue desta missão fosse um homem detentor das mais elevadas qualidades. O Mensageiro permanece, no entanto, um ser humano, pelo que é, e em todas as circunstâncias da sua vida, um modelo. Em todo o caso, não devemos privarmo-nos desta fonte inesgotável, pois isso seria uma perda.

Para além do mais, o espaço de que aqui dispomos é demasiado pequeno para uma personagem tão grandiosa que, na verdade, merecia sessões regulares em torno do nosso Bem-Amado.

Mas, seguidamente, escutemos com atenção as palavras, tanto de Deus, como do Seu Enviado, as quais superam qualquer outro discurso…

Deus disse:

“Na verdade, Deus e os Seus anjos abençoam o Profeta. Ó fiéis, abençoai-o e saudai-o reverentemente” (17).

Segundo Al-Hussayn, o Profeta (s.a.w.) disse o seguinte:

“O egoísta é aquele que não reza por mim, quando o meu nome é pronunciado na sua presença.” (18)

Ó Deus! Concede as Tuas graças unitivas, a Tua paz e a Tua bênção à mais nobre das Tuas criaturas, o nosso Senhor e Mestre Muhammad (s.a.w.), o oceano da Tua luz!

Ó Deus! Concede-lhe, pois, uma graça e uma saudação pela qual desfazes os nossos nós (existenciais), dissipas a nossa aflição, cumpres o nosso desígnio e terminas o nosso caminho!

NOTAS:

  1. Neste nosso artigo, utilizamos a palavra “Deus” e não a palavra Árabe “Allah”, de modo a explicarmos aos Muçulmanos e aos não-Muçulmanos que o nosso Senhor chama-se Deus em Português, Allah em Árabe e God em Inglês. é uma maneira sábia de evitar confusões, visto tratar-se sempre do mesmo e único Deus. Durante muito tempo, os Orientalistas brincaram com esta diapasão. Após o 11 de Setembro, um jornalista intitulou o seu artigo da seguinte forma: “O Deus de Jesus contra Allah dos Árabes”. Para além disso, vejamos o que escreveram os seguintes autores, Sue Grabham e Tara Benson, no livro “A enciclopédia das crianças”, edição France Loisirs, ano de 1999, página 127: “O Islão é a religião dos Muçulmanos, os quais acreditam num Deus denominado Allah, cujas palavras foram escritas por Muhammad no Alcorão. Os Muçulmanos rezam na cidade santa de Meca.”.
  2. A Suna é o conjunto dos ensinamentos do Profeta (s.a.w.).
  3. Cf.. o Alcorão, Sura do Elefante.
  4. Segundo Ibn Hicham, há que ter em conta que o calendário de Meca era lunar.
  5. Conservamos vários poemas de Aminah, bem como de outros membros da família de Abdelmouttalib (cf. Ibn Hicham).
  6. Ibn Hicham, Ibn Saad, Abou Nou’aym, Qadi Ayyad, Attirmidi e outros.
  7. Há um Hadice que se refere a isto, narrado por Muslim e Tirmidhi. Ver também Ibn Hicham.
  8. O túmulo do seu pai encontra-se em Medina, entre a tribo dos banou An-najjar, família de Abdelmottalib. Mais tarde, o Profeta (s.a.w.) recordar-se-ia que fora num local pertencente a esta tribo que ele aprendera a nadar, local esse a poucos passos da Mesquita de Qoba, a primeira Mesquita do Islão.
  9. Ibn Hicham, “A Biografia do Profeta (s.a.w.)”.
  10. Ibn Hicham, “A Biografia do Profeta (s.a.w.)”.
  11. A água de Zamzam é uma água que brota ao lado da Ka’aba, em Meca.
  12. A história da “fenda no peito” é referida por várias compilações de Hadices autênticos. Citam-se, entre outros, Boukhari e Muslim, segundo Anas Ibn Mal.
  13. Os primeiros que escreveram sobre a biografia – Sirah – do Profeta (s.a.w.) foram: Ibn-Is’haq, Ibn Hicham, Ibn Sa’d, Al-Waqidi, Ibn-Al-Kalbi, Al-Baladhuri, Ibn Bakkar e outros.
  14. A Sohba é a boa companhia e o amor daqueles que possuem o saber e a alta espiritualidade.
  15. Hadice narrado por Ahmed.
  16. Em dez anos, o Profeta (s.a.w.) edificou um Es- tado com mais de 3 milhões km², o qual legou aos seus sucessores, que em apenas quinze anos o estenderam por três continentes: Europa, África e Ásia. Este feito miraculoso não pode ser interpretado apenas pela lei da “causa e efeito”.
  17. Alcorão, Sura “Os partidos”, versículo 56.
  18. Hadice referido por Ahmed, Attirmizi e An-Nas- sa-i.