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Nojo e indignação

DE: ALICE BRANDÃO

ENVIADA: SEGUNDA-FEIRA, 4 DE FEVEREIRO DE 2008 12:10
PARA: LIAKATALI FAKIR; ‘ARTUR A. PEREIRA’
ASSUNTO: FW: COMO FOI PREVISTO HÁ 60 ANOS

Exactamente, como foi previsto há cerca de 60 anos

é uma questão de História lembrar que, quando o Supremo Comandante das Forças aliadas, General Dwight D. Eisenhower encontrou as vítimas dos campos de concentração, ordenou que fosse feito o maior número possível de fotos, e fez com que os alemães das cidades vizinhas fossem guiados até aqueles campos e até mesmo enterrassem os mortos.
E o motivo, ele assim explanou: ” Que se tenha o máximo de documentação – façam filmes – gravem testemunhos – porque, em algum ponto ao longo da história, algum bastardo se erguerá e dirá que isto nunca aconteceu”.
“Tudo o que é necessário para o triunfo do mal, é que os homens de bem nada façam”. (Edmund Burke)

Relembrando:
Esta semana, o Reino Unido removeu o Holocausto dos seus currículos escolares porque “ofendia” a população muçulmana, que afirma que o Holocausto nunca aconteceu…

Este é um presságio assustador sobre o medo que está atingindo o mundo, e o quão facilmente cada país está se deixando levar.

Estamos há mais de 60 anos do término da Segunda Guerra Mundial.
Este e-mail está sendo enviado como uma corrente, em memória dos 6 milhões de judeus 20 milhões de russos, 10 milhões de cristãos, e 1900 padres católicos que foram assassinados, massacrados, violentados, queimados, mortos de fome e humilhados, enquanto Alemanha e Rússia olhavam em outras direcções.

Agora, mais do que nunca, com o Irão, entre outros, sustentando que o “Holocausto é um mito”, torna-se imperativo fazer com que o mundo jamais esqueça.

A intenção em enviar este e-mail, é que ele seja lido por 40 milhões de pessoas em todo o mundo.

Seja um elo desta corrente e ajude a enviar o e-mail para o mundo todo.
Não o apague. Você gastará, apenas, um minuto do seu tempo a reencaminhá-lo.

FROM: LIAKATALI FAKIR
DATE: FRI, 8 FEB 2008 12:30:13
TO: ALICE BRANDÃO
CC:
CONVERSATION: COMO FOI PREVISTO HÁ 60 ANOS
SUBJECT: RE: COMO FOI PREVISTO HÁ 60 ANOS

Dra. Alice,

Custa-me a crer que esta notícia seja verdadeira e retirar dos manuais ingleses a história do holocausto por causa dos Muçulmanos?
Isso é para rir ou é para chorar…
Creio que discípulos do Grobler andam à solta e em força, não há dúvida que uma mentira repetida mil vezes é verdade, aí está uma mentira à boa maneira nazi.

Por ser oportuno, narro umas coisitas interessantes vivenciadas por mim, ou seja: na década passada e sobretudo após o fatídico dia 9 de Setembro, aquando dos seminários, palestras e conferências realizadas pela Comunidade Islâmica de Lisboa eu dizia com insistência nas minhas intervenções, caso os Muçulmanos europeus não pusessem a pau corriam sérios riscos de nos próximos tempos tornarem-se os judeus da era moderna. Lembro-me como se fosse hoje, riam-se de mim e achavam-me radical, hoje já não se riem tanto, já começo a ouvir algumas vozes mais sensatas a baterem-me nas costas e vociferarem que afinal tinha razão, pois bem nos próximos tempos tudo configura uma barbaridade contra os Muçulmanos europeus.
Com este tipo de propaganda suportada de vigarices e aldrabices temo que Muçulmanos europeus deixem de ter direito às liberdades e sobretudo direito à vida por serem diferentes. Por muito menos, na Bósnia os sérvios quase que praticavam o genocídio do Muçulmanos eslavos e foi aqui mesmo ao lado, na Europa civilizada e desenvolvida e nos finais do sec. XX.

Dra. Alice, inacreditável, era das poucas pessoas que na minha mente atrasada, moura, beduína, nómada e medieval imaginaria que pudesse colocar estrume desta natureza a circular no correio electrónico.
– Vou fazer fé que foi apenas para me alertar sobre a ameaça que paira no ar contra os Muçulmanos!
Como penitência, devia colocar a circular para quem lhe enviou esse excremento esta minha resposta. Mais ainda, e só para reflectir um pouco, se não sabe fica a saber que na Inglaterra existe uma comunidade judaica muito forte e representativa em todas os centros de decisão e interesses, isto não leva a suspeitar algo estranho, vindo donde veio?

Com estima de um Muçulmano, e não sou o único, que subscreve que o Holocausto (com H maior) existiu, foi, é, e será sempre um crime contra a Humanidade, assim como está sendo o que Israel está a fazer aos Palestinianos nos dias de hoje. Mais: o Holocausto e os outros Holocaustos (Palestina, Guantanamo, Abu Grahibs) são sempre acontecimentos bárbaros e inqualificáveis, condenáveis e que nunca deverão ser esquecidos e deverão ser propagados para que “Jamais” voltem a acontecer.

Curioso, como as vítimas de ontem se tornaram carrascos de hoje, o povo judeu sob a égide de um estado sionista chamado de Israel durante um período que já vai a mais de 60 anos (não estava previsto a 60 anos?), humilha, espezinha, mata indiscriminadamente, crianças, idosos, deficientes, usurpa e saca sem contemplações todo o bem material, destrói escolas, hospitais, creches, maternidades, enfim, uma agonia que parece interminável e tudo aponta que só irá parar com extermínio total dos palestinianos, e o caricato disto tudo, não é que já construíram um novo “Muro da Vergonha” naquela terra que é santa.

É por estas e outras, que emergem os líderes como AHMADIJANH do Irão e terroristas como Bin Laden.

Nunca se esqueça disto, sempre que um homem se sente humilhado e espezinhado no seu ego é como se toda a Humanidade fosse humilhada, daí que em nome dos superiores interesses da Humanidade, sejam cívicos, políticos ou religiosos, se arroga no pleno direito de defender essa causa a qualquer preço, defesa essa que por vezes pode implicar um acto tresloucado como o suicídio, dado que se trata de uma causa superior e perante ela sente-se impotente e insignificante.

O melhor exemplo pode buscar no nosso juramento de bandeira no final da recruta, tendo o seu expoente máximo de exaltação nacionalista, patriótica e suicida por causa da pátria (contra os canhões marchar, marchar…) no momento de hastear da bandeira nacional e com pano de fundo o Hino Nacional a ser tocado.

Eu lembro-me de uma frase batida e muito usada entre os magalas aquando da minha experiência de guerra colonial que consistia no seguinte. “MAIS VALE UM COVARDE VIVO, DE QUE UM HERÓI MORTO…”.
Fazia muito sentido naquela guerra dada a sua especificidade, para além de estúpida como são todas as guerras, esta tinha a particularidade de ser tão estúpida porque era injusta e sem nexo do nosso lado, apenas para dar cobro ao orgulho tacanho e pacóvio de uns ditadorzecos em decadência foi-se adiando aquilo que em toda a Europa e para os americanos de então, era considerado assunto arrumado – Independência às colónias.

Em suma, infelizmente estão de volta e em força novas ondas neo-nazis, racistas e xenófobas na velha Europa, importado da nova América evangélica proselitista e fanática, talvez mais fundamentalistas que os talibans, começam por proibir o tabaco e coisas afins de menor importância, qualquer dia proíbem ao direito mais elementar e consagrado que é o direito à vida em nome da “civilização” porque não se alinha no sua lógica de organização social e depois todos os outros direitos como o direito da liberdade e à diferença. Por este andar, não tarda que assistamos num futuro próximo por decreto a proibição de professar a religião Islâmica na Europa e EUA, (já se proíbe o véu em muitos países) já falta pouco é só ouvir os discursos inflamados com uma carga fedorenta dos radicais neoconservadores americanos coadjuvados pelos sionistas americanos/israelitas, ameaçando tudo que é diferente e em particular os Muçulmanos.

Com estima,
Katali Fakir

FROM: SAIDUL RAHMAN MAHOMED
DATE: 2008/2/9
SUBJECT: FW: COMO FOI PREVISTO HÁ 60 ANOS
TO: ALICE.BRANDAO@IEFP.PT
CC: LIAKATALI FAKIR , NAIL@PANDATOURS.PT

Prezada Senhora Alice Brandão,

Apesar de não conhecê-la, gostaria de fazer minhas, as palavras do Sr. Liakat Ali. Peço também desculpas pela invasão da privacidade, mas não dá para ficar calado em relação à miopia ideológica.

Lamento que o atual líder da decadente Estados Unidos da América, George Bush não tenha a mesma estatura e sapiência do general Einsenhower.

Lamento que ele não tivesse fotografado todas as arbitrariedades, que em nome de uma guerra (com puros interesses comerciais), foram e estão sendo cometidas, tanto no Afeganistão como no Iraque.

Que a senhora, assim como o governo português tenham também a hombridade de assumir a infeliz participação no translado dos presos de Abu-Ghraib para Guantanamo. Afinal, estes são fatos históricos que estamos vivenciando.

Reconheço o lamentável episódio do holocausto um dos mais tristes da humanidade! Israel e os judeus (olhe, tenho grandes amigos judeus) sempre fizeram e fazem questão de lembrar este triste episódio. Uma triste mancha na história da humanidade!

Como muçulmano praticante e residente no Brasil, um país multicultural e étnico, causou estranheza que neste Carnaval, a sociedade israelita se tivesse empenhado tanto para proibir de desfilar um carro alegórico de uma escola de samba.

E sabe o que a escola ia apresentar nesse carro? O arrepio do holocausto.
Agora saiba quem deferiu a liminar da proibição?
Uma juíza judia!
Não preciso falar nada!

Quando lhes interessa, fazem circular pelo mundo inteiro em vários idiomas, e-mails e correntes. Lamento que a senhora seja uma das portadoras alienadas dessas correntes!

Como contrapartida, gostaria muito que a senhora assinasse um manifesto em prol do povo palestino. Um povo que além de perder a terra, ainda sofrem atrocidades de diversas espécies.

Gostaria muito que a senhora falasse sobre o acesso negado à água. Que falasse da grande motivação da guerra dos seis dias, aonde com o pretexto de defesa, Israel anexou o território onde existe a maior fonte de água. Acho que isso nunca lhe contaram!

Gostaria que a senhora falasse, das milhares de crianças que diariamente são retaliadas por balas de borracha. Imagine uma criança atingida na mãos ou nos olhos ( e que a grande imprensa jamais mostra e sabe porquê? – Porque é controlada por grupos judaicos.

Agora imagine uma criança que não tem direito a estudar, a se formar ou mesmo de sonhar? Se tiver filhos, é um bom exercício.

Imagine um chefe de família que não consegue proventos para sustentar uma família? E sabe porquê? Porque não pode trabalhar!!!!!
Agora imagine alguém tolher a sua liberdade de ir e vir? Como se sentiria? É como se diz aqui no Brasil: “pimenta no rabo dos outros é refresco”!!!! Gostaria que a senhora tivesse o mesmo empenho, quando a Servia cometeu o massacre contra os muçulmanos da Bósnia. Que falasse da Albânia. Que não esquecesse do Sudão. Isto para não citar tantos outros exemplos. Veja quem tem o dedo, ou melhor, as duas mãos nisso.
Fica muito fácil, sentada no ar condicionado, passar correntes, quando se ignora todo o tipo de arbitrariedade que diariamente são cometidas pelo mundo fora em nome da democracia.

Ninguém se levanta contra essas atrocidades, violência, direitos usurpados, assassinatos seletivos em nome de defesa (eufemismo utilizados pelo governo israelita para matar os líderes palestinos) e o mundo ocidental acha isso certo. Agora se é um indivíduo desesperançado que se explode, é considerado um terrorista.

Dividir para reinar sempre foi o lema das grandes potências. Infelizmente essa é uma realidade da qual não se pode fugir.

Temo que a Europa, seguindo a paranóia dos americanos, caia na armadilha do que os muçulmanos são a ameaça. A maior ameaça hoje, não são os muçulmanos. A maior ameaça é a fome, a mudança climática (quem é o maior responsável por isso), é a ganância do poder e outras coisas mais. O pior é ver, que países soberanos se vendem por ninharias.
Recomendo a leitura de um livro de David Estulin sobre o CLUBE BILDBERG. Ali a senhora encontrará muitas respostas para a ignorância sobre esta tantas outras questões.

Para finalizar, quero lhe dizer que a quero bem, mas a indignação contra tudo que apontei e mais outras coisas que não preciso citar, para não me alongar, causa-me nojo e indignação.
Um forte e caloroso abraço carioca.
Que a paz de Deus esteja consigo!

Mahomed
saide.mahomed@gmail.com

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Faleceu Mansur Escudero: a voz espanhola do Islão

M. Yiossuf M. Adamgy

 

A voz prestigiosa do Islão em Espanha, Mansur Abdessalam Escudero, faleceu Domingo, dia 3 de Outubro de 2010, com a idade de 63 anos, em sua casa de Dar as-Salam, em Almodovar del Río, Córdoba.

 

O funeral teve lugar no dia 4 de Outubro, no Cemitério Municipal de Almodovar del Río, que conta com uma zona de enterramento Islâmico. O Islão perde em Espanha uma das suas vozes de grande prestígio. Mansur Escudero, era Presidente da Junta Islâmica de Espanha. Abdelkarim Carrasco, o até agora vice-presidente de Escudero, vai substituir-lhe, provisoriamente, na presidência da Junta Islâmica.

 

Segundo informações colhidas da Web Islam, Escudero nasceu em Almáchar (Málaga) em 1947, filho de padre de Valladolid, médico rural em Axarquía malaguena, e de Zamora, ambos católicos. Escudero, baptizado com o nome de Francisco, estudou com os jesuítas em San Estanislao de Koska, en Málaga.

 

Homem de sólida formação intelectual, licenciou-se em Medicina e Cirurgia pela Universidade Complutense de Madrid em 1973. Especializou-se em neuropsiquiatria no Centro de Saúde Mental de Córdoba. Durante o franquismo militou no Partido Comunista de Espanha.

 

A sua conversão ao Islão aconteceu nos finais dos anos 70. Em 1980 fundou a primeira comunidade de muçulmanos espanhóis, a Sociedad para el retorno al Islam en España, que depois se converteria na Comunidade Islâmica de Espanha. Em 1989 funda a Junta Islâmica, à frente da qual se distinguiu pela sua acção a favor dos direitos dos muçulmanos e contra o tratamento de favor do Estado para com a Igreja Católica.

 

Escudero foi um dos assinantes do Acordo de Cooperação entre o Estado e a Comissão Islâmica de Espanha em 1992 e do Acordo sobre a Designação e Regime Económico das Pessoas Encarregadas do Ensinamento Religioso Islâmico nos Centros de Educação, em 1996.

 

Escudero alcançou grande notoriedade pela sua defesa em prol da oração compartilhada de cristãos e muçulmanos na Mesquita-Catedral de Córdoba.

 

Escudero era abertamente progressista no político e social. Defensor dos directos da mulher e de um Estado laico, expressou publicamente o seu apoio a iniciativas do Governo Socialista como a Aliança de Civilizações e chegou a pedir o voto para os partidos progresistas antes das eleiçõe de 2008, o que lhe valeu duras críticas da direita mediática.

 

Foi com enorme pesar que recebemos a notícia do falecimento do irmão Dr. Mansur Escudeiro.

 

Em meu nome pessoal, no de Al Furqán (órgão para divulgação do Islão em Portugal) e em nome dos Muçulmanos de Portugal expresso os nossos mais sentidos pêsames aos seus familiares, amigos e a toda a Comunidade Islâmica de Espanha, que perdeu um dos seus membros mais queridos, que mais trabalhou em Espanha pela divulgação do Islão e pela cultura de paz e diálogo.

 

Que Allah S. T o recompense pela sua altruísta dedicação e o acolhe no seu seio e lhe dê o Jannat-al Firdous (Paraíso).

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O Ocidente deve promover o sistema bancário Islâmico

Por: Professor Rodney Wilson

O professor Rodney Wilson é Director dos Estudos de Pós-graduação do Instituto do Médio Oriente e Estudos Islâmicos da Universidade de Durham. É também co-editor da obra “The politics of Islamic Finance” e co-autor da obra ” Islamic Economics: A short history.”

O Sistema Bancário Islâmico, que implica não cobrar juros, tornou-se numa importante actividade nas últimas quatro décadas. Uma pergunta que se impõe relativamente a este fenómeno prende-se com o sabermos se esta proliferação acentua ou não a segregação dos muçulmanos relativamente aos valores e normas ocidentais, criando um gueto financeiro. Uma perspectiva diferente é aquela que defende que a disseminação do sistema bancário islâmico é benéfica, visto que este sistema é caracterizado por uma moral particular que se mostra mais positiva do que aquela que caracteriza o sistema ocidental. Com efeito, cada vez mais pessoas no Ocidente se mostram insatisfeitas ou cépticas relativamente aos serviços bancários a que têm acesso, considerando-os pouco éticos e uma forma de exploração. Muitos banqueiros ocidentais mostram-se, por isso, curiosos relativamente ao sistema financeiro islâmico, considerando-o uma possibilidade de negócio e raramente uma ameaça comparável aquela que constitui o extremismo muçulmano. Na verdade, os sistemas bancário e financeiro muçulmanos podem ser considerados como o lado brando da cultura islâmica, aquele que permite o diálogo entre as civilizações ocidental e muçulmana.

Os bancos islâmicos estão agora bem representados em vários países ocidentais. Alguns exemplos dessas instituições bancárias são: o Banco Islâmico do Reino Unido, o Banco de Investimento Islâmico Europeu e o Lariba Bank na Califórnia. Além disso, os mais importantes bancos a nível internacional (o Citibank, o HSBC Amanah, o Deutsche Bank e o USB da Suiça) disponibilizam o sistema de depósito islâmico e a Sharia como serviços financeiros adicionais. Na realidade, tem existido grande diálogo entre os banqueiros ocidentais que coordenam estas instituições bancárias e os eruditos da Sahari’a que lhes facultam orientações sobre o que é ou não permitido. Estas conversações abrangem igualmente a área dos seguros, na qual as empresas islâmicas de takaful se têm tornado cada vez mais activas, apresentando como característica particular o facto de não pratica- rem juros e de não adicionarem aos seus activos os prémios pagos pelos titulares de seguros, o que poderia constituir uma forma de exploração das seguradoras relativamente à desgraça dos seus clientes.

Da mesma forma, e visto que a Sharia é universal e inspirada por princípios divinos e não pelas leis nacionais de um país, também as principais empresas de advocacia internacionais se começaram a dedicar aos ramos financeiro e bancário islâmicos, pois os contractos precisam de ser delineados de acordo com a lei britânica ou americana e de forma a que respeitem a Shari’a. Com efeito, a principal função dos membros do comité da Shari’a que colaboram com as administrações dos bancos islâmicos ou com os bancos convencionais que disponibilizam serviços que se enquadram no sistema bancário islâmico é assegurar que os novos contractos estabelecidos respeitam os princípios da Shari’a e, se tal não se verificar, tentar conseguir junto dos advogados formas de rectificar esses contractos ou mesmo de redigir novos contractos onde esses preceitos se verifiquem.

O desejo de muitos muçulmanos é que a Shari’a, de inspiração divina, venha a substituir as leis criadas pelo homem, ou talvez mesmo, a implementação de um califado universal ao qual todos se submeteriam, fossem muçulmanos ou não-muçulmanos. Não é de todo surpreendente que muitos muçulmanos considerem este desejo intolerável. E, com efeito, muitos muçulmanos considerem-no uma restrição à liberdade de escolha. No entanto, os sistemas bancários e financeiros islâmicos podem ser o caminho a seguir, pois a sua essência é aumentar as nossas possibilidades de escolha e não reduzir as nossas opções.

Visto que cada instituição bancária tem a sua própria comissão de Shari’a, a leitura e concordância que cumprem em relação a esta é efectivamente particular, não se tratando de uma questão de obediência a uma lei nacional. Com efeito, cada comissão de Shari’a formula as suas próprias fatwas ou regras religiosas, o que torna ainda mais vasto o campo das escolhas a nível de orientação religiosa que cada um pode seguir. As religiões têm tendência a prosperar quando existe uma situação de competição, ao contrário do que acontece quando as suas leis são nacionalizadas, levando os seus seguidores a dispersarem-se, e o Islão não é excepção a isto.

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ONU comemora os 800 anos de Rumi

Educación – 30/09/2007 | Inra, Unesco
Fonte: www2.inra.ir
Versão Portuguesa – In Revista Al Furqán, nº. 159, de Setembro/Outubro.2007

Teve lugar na sede da ONU, em Nova Iorque, um acto oficial para a comemoração dos 800 anos do nascimento do célebre poeta místico, Moulana Jalal Al Din Balji (Moulavi), cerimónia a que assistiu o Secretário-geral da dita organização, Bani Ki-moon.

Em discurso, Ki-moon afirmou que, mais do que nunca, o mundo de hoje necessita da propagação das ideias de Moulavi, sublinhando que a paz e o diálogo entre as civilizações são conceitos salientes na poesia deste poeta, e que a comunidade mundial deveria tê-los como exemplo para o seu comportamento.

Em seguida, eruditos do Irão, Afeganistão, Turquia, EUA e autoridades da ONU estudaram as dimensões culturais e místicas de Rumi, nome pelo qual é conhecido este bardo do século XIII.

Por ocasião deste oitavo centenário, os EUA emitiram um selo dos correios com a imagem de Moulavi, obra do professor Hosein Behzad, pintor e miniaturista Iraniano.

O doce sabor e o ambiente cálido originado por este acontecimento cultural foi um tanto ou quanto perturbado pelo facto do Governo Norte-Americano ter recusado o visto de entrada no país a uma delegação Iraniana, cuja intenção era a de participar na comemoração, gesto que não é praticado pela primeira vez.

MOULAVI (1207-1273)

Jalal al-Din Mohammad Rumi, também conhecido por Moulavi, ou simplesmente Rumi (Bizantino, em Árabe e Persa), é, juntamente com ‘Attar, o maior poeta místico nascido na Pérsia. A sua posição enquanto Sufi é de tal forma elevada, que é igualmente chamado de Moulana (nosso senhor, em Árabe).

O seu nascimento teve lugar em Balj (actualmente no Afeganistão) no ano de 1207. O sobrenome Rumi deve-se ao facto de grande parte da sua vida ter sido passada na cidade de Konya (situada na actual Turquia), e de aí ter falecido, embora sempre se tenha considerado a si mesmo um Persa Jorasani.

O pai, Baha al-Din Valad, foi um grande mestre e orador, respeitado pelo povo e, inclusive, pelo Sultão Mohammad Jarezmshah. Baha al-Din e a família deixaram a Pérsia quando Rumi era ainda criança. Durante algum tempo, permaneceram em Samarcanda, tendo depois partido em direcção a Meca, em peregrinação.

Diz-se que, aquando desta viagem, ao passar por Neyshabur, Baha al-Din recebeu a visita de ‘Attar, já ancião, o qual o presenteou com uma cópia do seu “Asrar Nameh” (Livro dos Segredos). Ao ver Moulavi, criança ainda, ‘Attar disse o seguinte: ‘Em breve, este menino inflamará os apaixonados deste Mundo’.

Ao regressarem de Meca, passaram pela Síria, acabando por estabelecer-se na Ásia Menor. Aí deu-se o casamento de Rumi com Gouhar Jatun e, quatro anos depois, partiram em direcção a Konya, pai, filho e toda a restante família, por desejo expresso do Sultão Seljúcida de Rum.

Quando o substituto do seu pai faleceu em 1240, Rumi substitui-o na confraria, onde se dedicou à instrução, ensino e orientação dos jovens fiéis, até que, cinco anos depois, Shams Tabrizi surgiu em Konya.

Após conhecer este grande e efusivo dervixe, cujo verdadeiro nome era Mohammad b. Ali b. Malekdad, a vida de Rumi mudou drasticamente.

Sabe-se que a sua morte deu-se em 1247 e, tal como o seu nome indica, era natural de Tabriz. A sua chegada a Konya deu-se em 1244 e, no ano seguinte, mudou-se para Damasco, o que foi causa de um desgosto enorme para Rumi, abatendo-se sobre ele uma enorme melancolia, devido ao desaparecimento do seu amigo. Ao saber que este se encontrava em Damasco, começou a escrever-lhe cartas e poemas, e a enviar-lhe mensagens.

Pouco tempo depois, Rumi enviou a Damasco o seu próprio filho, Sultán Valad, acompanhado de vários amigos, incumbindo-o de procurar Shams Tabrizi e convencê-lo a retomar a Konya. O convite foi aceite. No entanto, esta nova permanência em Konya pouco durou, pois viu-se confrontado com os preconceitos do povo da cidade, sendo obrigado a abandoná-la no ano seguinte, com destino incerto. Rumi fez tudo o que estava ao seu alcance para encontrá-lo, tendo, inclusive, viajado por duas vezes a Damasco. No entanto, a sua busca foi em vão.

A chama e a paixão pela amizade de Shams Tabrizi e a melancolia que sentia, inspiraram-no a escrever uma das mais maravilhosas e extensas obras místicas da literatura Persa, o “Divan-e-Shams-e-Tabrizi” (O Poemário de Shams Tabrizi), escrito em versos monorrimos (gazal).

Shams Tabrizi, a quem Rumi tinha como exemplo de homem perfeito, fê-lo descurar as suas ocupações na confraria Sufita, facto a que o próprio Rumi fez referência nos seus poemas.

Anos mais tarde, escreveu o Masnavi, o seu segundo livro e a obra-prima da sua vida. Rumi faleceu em 1273. Todos em Konya, grandes e pequenos, Muçulmanos, Cristãos e Judeus, assistiram ao seu funeral. O seu mausoléu encontra-se na dita cidade e, até hoje, a sua confraria, a Ordem dos Dervixes Dançantes, os quais dançam até entrarem em transe, mantêm-no em funcionamento.

Moulana é tido pelos literatos e poetas Persas, e pelos Orientais também, como um dos grandes poetas da Pérsia, ocupa um lugar especial e cada um elogia-o, tendo por base um ponto de vista diferente.

É conhecido entre Persas e não Persas como um dos mais importantes místicos da Humanidade, poeta de imenso talento, filósofo arguto e elogiado pelas suas qualidades pessoais. A sua posição no mundo da poesia é de tal maneira elevada, que alguns o consideram o maior poeta do Mundo, outros, o maior poeta da Pérsia e, outros, um dos 4 ou 5 poetas Persas mais importantes. O seu túmulo na Turquia é um importante centro de peregrinação, a que acorrem religiosos de todo o mundo Islâmico. O Masnavi (Dístico) é, como o seu título indica, uma obra escrita em versos emparelhados.

Trata-se da sua obra-prima, a qual é também apelidada de ‘O Alcorão em língua Persa’. O que nela mais chama a atenção é a sua variedade temática e a quantidade de alegorias utilizadas por Rumi para exprimir o seu sentir místico. Por detrás da linguagem simples (por vezes, quase coloquial) do Masnavi, esconde-se uma multiplicidade de acepções, as quais dão motivo a várias interpretações, algo muito característico das obras Sufitas.

No Masnavi, deparamos com a ‘história sagrada’, versículos Alcorânicos, tradições ou ditos do Profeta (s.a.w.), tudo isso narrado de maneira tal, que destila misticismo. Podemos também encontrar histórias de natureza íntima, algo que surpreende imenso, especialmente os Ocidentais.

Algumas das suas histórias foram retiradas de “Calila y Dimna”, e outras das obras do poeta Nezami de Ganjeh, ‘Attar e, inclusive, de Avicena. A sua outra obra é o “Divan-e-Shams-e-Ta- brizi” (o Poemário de Shams Tabrizi), também conhecido pelo nome de ‘Divan-e-Kabir” (Grande Poemário). Outras obras mais pequenas são ‘Robayyat” (quadras) e “Fihi ma fihi”, em prosa.

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Fundamentalismo Islâmico na ribalta

M. Yiossuf Mohamed Adamgy

“Não há coerção na religião” – (Alcorão, 2:256)

“O conhecimento das pessoas acerca umas das outras deve ser promovido; sem o conhecimento mútuo não haverá a compreensão mútua e sem a compreensão mútua não haverá respeito mútuo e sem respeito mútuo não haverá confiança mútua, e sem confiança mútua não haverá paz, mas sim inevitáveis conflitos entre as civilizações”. (Roman Hertzog, Político Alemão).

O fundamentalismo Islâmico dominou e domina os meios de comunicação ocidentais ao seguirem as actividades dos militantes muçulmanos. Quem é o fundamentalista e o que significa este termo? é o muçulmano com o turbante o muçulmano com a grande barba o muçulmano com as calças a três quartos ou os muçulmanos suprimidos lutando pela liberdade?

Segundo a Enciclopédia de Cambridge, fundamentalismo significa: uma tendência teológica que procura preservar o que é considerado as doutrinas essenciais (fundamentais) da fé Cristã. O termo foi usado, originalmente, pelo movimento protestante dos Estados Unidos nos anos 20, caracterizado por uma interpretação literal da Bíblia, e revivido pelos movimentos cristãos conservadores nos finais do século XX. Habitualmente é qualquer posição teológica que se oponha ao liberalismo. De acordo com o Dicionário de Oxford, fundamentalismo significa: (no pensamento cristão) crença que a Bíblia é literalmente verdade e deve formar a base do pensamento e prática religiosos. Por conseguinte, é uma expressão usada para descrever a estrita aderência às doutrinas Cristãs (ausência de erro na Bíblia, nascimento virginal e divindade de Jesus Cristo, remissão dos pecados através da sua morte, ressurreição física de Jesus), baseada numa interpretação literal da Bíblia.

Como se vê, o conceito de fundamentalismo surge em ambiente Cristão, sendo completamente estranho ao Islão: nada existe na Doutrina Islâmica que se lhe possa assemelhar. Não existe Fundamentalismo no Islão, pela simples razão de que não existe no Islão um “conjunto mínimo de conceitos fundamentais” tudo nele é fundamental. Praticar oração, fazer jejum, dormir, acordar, comer, beber, cumprimentar o Muçulmano que se encontra, trabalhar, não cometer adultério, lutar pelo Bem e rejeitar o Mal, etc… Não existem pontos mais fundamentais que outros… Como é que então a palavra fundamentalismo acabou associada ao Islão?

É o ressurgimento dos militantes muçulmanos suprimidos nas várias partes do mundo que lutam pela liberdade ou independência do seu País, ou para criar estados islâmicos (salvaguardando a tolerância exigida pelo Alcorão para com os não Islâmicos)? Estas pessoas seguem somente os ditados das doutrinas da sua religião. Há vários Ahadice e versículos do Alcorão que mandam os muçulmanos esforçarem-se de modo a divulgarem o Islão e estabelecerem a Chari’ah. Deus os enriqueceu com directivas referentes ao método, termos de referência e ponto de partida para o diálogo inter-cultural. Assim o método do diálogo seria baseado na sabedoria e pregação bondosa, como é articulado no seguinte versículo do Alcorão:

“Convida (todos) para o caminho do teu Senhor, com sabedoria e uma bela exortação.” (16:125).

Abu Hurairah (Companheiro do Profeta) disse que o Mensageiro de Deus (paz esteja com ele) disse: “Quem quer que morra sem se esforçar pela Causa Islâmica e sem o sentir como seu dever, morre numa espécie de hipocrisia.” Muçlim (Compilador das tradições do Profeta, a sua obra foi apelidada de verdadeira).

Depois de uma cuidadosa análise da Enciclopédia de Cambridge, todos os pontos tendem a centrar-se na implementação prática das doutrinas religiosas e na oposição ao liberalismo. Depois de ver a explicação da palavra no Dicionário de Oxford creio que os novos meios de comunicação ocidentais devem substituir as palavras Cristãos por Muçulmanos e Bíblia por Alcorão para darem aos Muçulmanos o rótulo de fundamentalistas. No entanto, se rejeitarmos o rótulo fundamentalista, estaríamos a rejeitar a doutrina do Islão.

O Islão rejeita o extremismo mas concilia fundamentalismo como uma irrejeitável parte da fé (fé Islâmica). Nesse caso, os verdadeiros Muçulmanos são automaticamente fundamentalistas tal como o Profeta (paz esteja com ele), os Companheiros e todos os verdadeiros Imames e Ulamas ao acreditarem nos Mandamentos de Deus de que devem governar e ser governados pela Chariah (Lei Divina). De facto, a implementação da Chariah principalmente em países onde os Muçulmanos formam a maioria é uma parte significante de Tawheed al-ibadah (Unicidade da Adoração).

Os meios de comunicação ocidentais tratam o fundamentalismo como se ele fosse uma parte desnecessária de qualquer religião (considerada monoteísta). Contudo, é frequente a comunicação social ocidental falar, erradamente, em “Fundamentalismo Islâmico” para caracterizar a acção violenta de certos grupos. Mais uma ilustração da confusão existente sobre o Islão… Sendo o Islão a Religião da paz proporcionada pela submissão (Islão) a Deus, é impensável que a violência constitua um traço característico da doutrina Islâmica.

Todos sabemos que para manter a dignidade humana se torna por vezes imperioso combater outros seres humanos. (Por exemplo, a guerra contra o nazismo, as guerras de libertação colonial, a guerra contra os criminosos sérvios nos Balcãs…). Por maioria de razão se justifica a guerra contra os que impedem os crentes de adorar Deus e de alcançar, portanto, o mais alto grau de dignidade humana. Guerra defensiva, pois.

O Islão não permite nunca guerras ofensivas. A forma de conduzir a guerra defensiva no Islão está também regulamentada e os seus limites “fundamentais” não podem ser ultrapassados. Um dos aspectos essenciais da forma de conduzir a guerra no Islão, é a ilegitimidade de produzir danos em civis e destruir a natureza. São assim rejeitadas as guerras químicas ou bacteriológicas, a bomba atómica… supremas criações da tecnologia Ocidental, fruto de uma civilização Cristã… Igualmente rejeitada é a utilização de bombas em cidades, desvios de aviões, etc.

Consequentemente, todos os grupos que utilizam formas de luta proíbidas pelos princípios Islâmicos, colocam-se à margem do Islão e deverão ser chamados “marginais do Islão”, ou algo equivalente, mas nunca “fundamentalistas Islâmicos”. Porque é que a palavra “fundamentalista” irrita os Muçulmanos? A razão é, esteve, e está associada com grupos militantes suprimidos que lutam pela liberdade política. A maior parte dos sequestros, bombardeamentos ou mortes que acontecem no mundo são-lhes atribuídos. Uma vez que a natureza interior do homem não gosta de violência e a palavra “fundamentalismo” (neste caso) é associada a violência, as pessoas tendem a desaprovar a palavra. Isto teve como resultado que Muçulmanos fracos ficassem impacientes com qualquer organização rotulada de fundamentalista pelos meios de comunicação. Porque é que os membros Muçulmanos do Islão se tornaram militantes em várias partes do mundo? As razões são numerosas e variam de lugar para lugar.

Um dos factores que encoraja o crescimento do extremismo no Médio Oriente é a manipulação política pelos poderes investidos. Eles frustraram com sucesso (manobrado) tentativas da parte de partidos islâmicos legítimos de obterem poder através de votação. De igual modo, houve prisões em massa de trabalhadores islâmicos sob acusação de conspiração para deitar abaixo governos “legalmente estabelecidos”. Todos estes factores fortaleceram as forças de extremismo, dando ênfase aos sintomas em vez da causa na raíz do mal. Interessantemente, o fundamentalismo religioso foi firmemente estabelecido entre os militantes judeus de Israel. Mas os meios de comunicação controlados pelos judeus ignoram as suas actividades e escolheram em vez disso encorajar o que eles chamam “fundamentalismo Muçulmano”. Porque se teme o Islão? Porquê o ataque violento contra o Islão?

Com estas questões à minha frente, lembrei-me do que escreveu o Dr. Omar Lufti Al Alim em Risalat-Al-Jihad edição nº 18: “O Ocidente desperto apercebeu-se pelo seu instinto e olhos sempre abertos que a mente Islâmica é um enorme arsenal e um bloco não eruptível. Mais especificamente, o Ocidente compreende que os Muçulmanos sofrem de uma ruptura de pensamento e conduta.” A ruptura é temporal na maior parte dos casos. No entanto, o Ocidente tentou e tentará sempre forçar uma separação entre o nosso pensamento e a nossa conduta para criar uma ruptura permanente. Não devemos permitir que nos divorciemos tanto do Alcorão como do Hadice ou de outra doutrina islâmica essencial. É o que cria a nossa diferença em relação a eles.

O que é mais estranho é que a palavra fundamentalista foi dissociada dos grupos cristãos fundamentalistas. Um exemplo claro é o grupo rebelde fundamentalista do Uganda: o Exército da Resistência do Senhor que luta contra o governo e tenciona governar o Uganda segundo os Dez Mandamentos da Bíblia. Esta propaganda calculada teve um sucesso significativo ao dividir os Muçulmanos em dois grupos. Os que aceitam o rótulo porque conhecem a sua religião e os Muçulmanos ignorantes que o rejeitam. Estes últimos criticam mesmo os grupos legítimos Muçulmanos rotulados pelos meios de comunicação como fundamentalistas. Uma vez que seja dado a uma organização Islâmica ou a um país este rótulo, passam por um rápido processo de metamorfose para o extremismo e finalmente para o terrorismo. Com este estado final, a organização está pronta para se juntar à lista de grupos ou países terroristas marcados para a destruição… Por isso, apelo aos meus irmãos Muçulmanos que se descontraiam com o rótulo de “fundamentalistas”.

É tudo uma estratégia calculada no sentido de dividir para reinar, apontada à unidade dos muçulmanos. Como o “inimigo” faz horas extraordinárias interior e exteriormente, rezo a Deus Todo Poderoso para que nos ajude a manter firmes na nossa fé, sensatamente. Aos não-Muçulmanos chamo a sua atenção para o seguinte: Conflito é a verdadeira coisa desejada por aqueles que forjam e manipulam factos com intenções malévolas, domínio sobre os outros, e corrupção sobre a Terra, apesar do facto de agora o mundo se ter tornado mais pequeno, nas distâncias, e diferenças de tempos e espaços grandemente reduzidas. Este facto só por si seria mais que suficiente para um diálogo inter-civilizacional do que para conflitos culturais, e para o estabelecimento da coexistência pacífica baseada na justiça, não no medo e no terror?