Posted on

A Mesquita de Córdova

Durante os trinta e três anos do seu Reinado, Abd-Al-Rehman fez de Córdova a sua Capital. Em 785, planeou a construção da Mesquita, que se tornou (dois séculos mais tarde e com várias implicações) uma das obra-primas da arquitectura Islâmica clássica.

Na sua primeira versão, este edifício quadrado de 70 metros de lado (que abrange cerca de 500 metros quadrados) era constituído por um átrio oblongo (segundo a tradição Islâmica), antecedido por um pátio, também mais largo do que comprido. A sala hipóstila tinha onze naves com arcadas perpendiculares ao Qibla (lugar para onde os muçulmanos se viram quando fazem as oracões). O espaço divide-se em doze vãos assentes em 110 colunas, provenientes de edifícios visigóticos ou de outros mais antigos. Tal como em Damasco, a reutilização de materiais de construção ajudou a ditar a edificação desta Mesquita, na qual as colunas de mármore e os capitéis foram recuperados de antigas cidades devastadas durante as grandes invasões. A fachada do pátio, sustentada por pilares maciços, abria-se em vãos, permitindo que a luz entrasse na sala de Oração, coberta por um tecto de madeira.

Nos reinados de Hisahm (788-796) e de Al-Hakam (796-822), a Mesquita de Córdova não sofreu alterações. Só com a chegada do Amir Abd Al-Rehman II (822-852) é que as primeiras obras de ampliação fizeram subir para 200 o número de colunas da sala hipóstila. Durante o período de construção, entre 832 e 848, a superfície duplicou e o Qibla foi deslocado para Sudeste, pois o edifício tinha de estar virado para Kaaba, mas o número de naves não se alterou.

Oitenta anos depois, Abd Al-Rehman III (912-961), que se autoproclamou Califa em 929, levou a cabo uma segunda ronda de ampliações. Mandou ampliar o átrio para Sudeste e colocar um minarete quadrado, com 34 metros de altura, no extremo do pátio. Alguns anos depois, Al-Hakam (961-976) fez outras alterações, conferindo ao monumento o seu aspecto definitivo. O recinto de Oração deixou de ser oblongo para se projectar no sentido do comprimento, ainda com 79 metros de largura, mas com 115 metros de comprimento e 320 colunas.

Estes trinta e dois vãos e o “mihrab” (lugar de onde o se profere as palestras), em forma de sala octogonal antecedida por três cúpulas com abóbodas de nervuras intersectadas, que por sua vez eram bordejadas por arcadas multilobadas, devolveram à Mesquita de Córdova o seu aspecto original.

Decoração Sumptuosa e Exuberante

A decoração da Mesquita de Córdova foi obra do Califa Al-Hakam II, sobretudo na zona do Mihrab e do maqsura que o rodeavam. Em muitos aspectos, a decoração deste recinto de Oração arrastou as tradições de jerusalém e de Damasco; há uma continuidade que é visível no estilo Omíada. No entatno, importa recordar que 150 anos separaram as duas criacões do Próximo Oriente e a obra Andaluza na sua versão final.

Posted on

Palácio de Alhambra

O maravilhoso Palácio de Alhambra, situado numa encosta em Granada, é o Palácio da Andaluzia mais bem conservado. Embora tivesse sido começado em 1230, só dois séculos depois ficou concluído.

Por cima da janela de arcos do quarto da Rainha (à sua esquerda), folhas de estuque estilizadas entrelaçam-se com caracteres Muçulmanos. No pátio dos Leões (à sua direita), colunas rodeiam uma fonte guardada por leões.

  

Posted on

Aborto, e se for violação ou incesto?

O Islão valoriza a vida humana. Isto é expresso claramente no Sagrado Alcorão quando nos diz que aos olhos de Deus matar um ser humano é um assunto muito sério (5:32).

O Alcorão ensina que no Dia do Juízo os pais que mataram os seus filhos serão julgados por esse crime, e os seus filhos serão as suas testemunhas de acusação (81:8-9).

As pessoas temem frequentemente que ter mais filhos os torne mais pobres. Respondendo a isso, o Alcorão diz: “Não mateis os vossos filhos por medo da pobreza. Nós providenciaremos para vós e para eles” (17:31). Mesmo no caso em que já se é pobre, o Alcorão insiste que Deus fornecerá sustento para nós e para os nossos filhos, tanto mais que Deus tornou a vida humana sagrada (6:151).

O direito à vida é uma dádiva de Deus. Nenhum ser humano deve tirar esse direito. A regra geral, por isso, é que o aborto não é permitido no Islão.

No entanto, o Islão é uma religião muito prática. Inclui princípios para lidar com casos excepcionais. Um desses princípios é que, quando a gravidez ameaça a vida da mãe, pode-se realizar o aborto. Embora as vidas da mãe e da criança sejam ambas sagradas, neste caso é melhor salvar a vida principal, a vida da mãe. Mesmo neste caso, será melhor se o aborto for feito antes do feto ter 120 dias, pois é quando a alma entra no feto.

O Islão não permite o aborto em outros casos. Mulheres que foram vítimas de violação ou incesto naturalmente que merecem simpatia e ajuda. Mas uma criança concebida desta maneira infeliz tem direito a viver. Claro que isto coloca um fardo indesejável na mãe, mas matar a criança não é a solução certa. Para entender melhor este ponto, suponham que alguém vê as camadas mais pobres da sociedade como um fardo indesejável para os ricos. Seria então correcto matar todos os pobres? Claro que não. Então porque é que alguém pode decidir que uma pessoa seja morta só porque é um fardo indesejável? A sociedade como um todo deve ajudar a mãe e aliviá-la o mais possível. Mas a criança não deve ser morta. Mais ainda, o facto de que tais casos acontecem é uma indicação de que as pessoas necessitam desesperadamente de alimento espiritual. Elas necessitam dos ensinamentos puros que as ajudarão a afastar a sua mente do adultério, violação e incesto. As pessoas necessitam de Deus. Podereis ajudar alguém a voltar-se para Deus?

Posted on

O Alcorão não é “letra tornada morta pela evolução da humanidade”

Por: Mahomed Yiossuf Mohamed Adamgy

In CARTA DIRIGIDA AO DIRECTOR DO JORNAL “PÚBLICO”

Stº. Antº. dos Cavaleiros, 31 de Março de 2004.

Exmº. Senhor Director do Jornal “Público”

Com os meus cordiais cumprimentos, venho pedir a sua atenção para o seguinte:

Publicou a jornal “Público” de 19. Março.04, um belíssimo artigo encabeçado pelo título “Islão, Terror e Mentiras”, subscrito pelo vosso conceituado colaborador e analista Dr. Miguel Sousa Tavares.

Na sua qualidade de organização vocacionada para estudo e divulgação do Islão em Portugal, a revista “Al Furqán” entende ser seu dever comentar e esclarecer, sob o ponto de vista Islâmico, a forma pouco correcta e parcial como foi apresentado o seguinte parágrafo escrito no final da rubrica 1., no intitulado artigo “Islão, Terror e Mentiras”, que passo a citar:

“Onde estão as vozes dos imãs, dos muftis, dos teólogos do Corão, para virem explicar aos seus seguidores que metade do que lá está escrito é letra tornada morta pela evolução da humanidade, e a outra metade jamais poderá ser aceite como mandamentos de um Deus que exige, perdoa e garante a vida eterna a quem deixa umas mochilas carregadas de dinamite nuns comboios para deixar no chão um mar de corpos e vidas esventradas, mulhers, crianças, cristãos e muçulmanos, despedaçados num horror que insulta a condição humana?”.

1) – Se “o Corão é letra tornada morta pela evolução da humanidade”, também, por essa ordem de ideias, seria letra tornada morta o Evangelho e a Tora (Bíblia, com Velho e Novo Testamento).

2) – Nenhuma das “vozes dos imãs, dos muftis, dos teólogos do Corão, jamais virão explicar aos seus seguidores que metade do que lá está escrito é letra tornada morta pela evolução da humanidade”, visto que eles, assim como 1,3 bilião de pessoas no mundo, acreditam piamente que o Alcorão é a palavra de Deus.

3) – No que respeita “a outra metade”, que presume-se estar referido ao actos de jihad, terror, martírio e suicídio, feitos por alguns islâmicos, gostaria de esclarecer o seguinte:

“Se há qualquer martírio nestes actos terroristas (como por exemplo nos atentados de 11 de Março em Madrid) foi certamente o dos bravos bombeiros, polícias e outros que actuaram para salvar vidas humanas e sacrificaram as suas próprias vidas neste processo”, conforme disse recentemente o Sheik Hamza Yusuf. Segundo este estudioso Islâmico de nacionalidade americana, cujos artigos sobre o Islão são difundidos internacionalmente, “os terroristas são assassinos em massa e não mártires”. E se eles são islâmicos, então são “inimigos do Islão.”
Fanáticos religiosos de qualquer credo são pessoas frustadas, que acabam por manifestar o seu desespero, fazendo frequentemente coisas horríveis. Se estes homens realmente são árabes, muçulmanos, trata-se obviamente de pessoas muito doentes, e por conseguinte, nem sequer se deve olhar estes factos como uma questão religiosa. é política. Política trágica. Não há nenhuma justificação Islâmica para isso. é a mesma coisa que ocorria quando algum extremista irlandês usava o Catolicismo como desculpa para matar ingleses. Não são mártires.
é de recear alguma histeria que estes acontecimentos trágicos possam provocar na Europa e é importante o papel que os muçulmanos e não-muçulmanos têm que assumir, em oposição a toda esta espécie de violência. Não se pode matar pessoas inocentes. No Islão, as únicas guerras que são permitidas são entre exércitos que se devem empenhar nos campos de batalha e de uma forma nobre. O Profeta Muhammad (s.a.w.) disse: “Não deveis matar mulheres ou crianças ou não-combatentes e nem deveis matar pessoas velhas ou pessoas religiosas”. E ele mencionou, textualmente, os padres, freiras e rabinos. E disse: “Não deveis destruir árvores de fruto e nem envenenar os poços dos vossos inimigos.”
A verdade é que há alguns muçulmanos – não importa quão insignificante seja o seu número – que consideram que estes actos são actos religiosos e de auto-sacrifício. E isso está errado. Não é Alcorânico. Deturpa o Islão nos corações e nas mentes de milhões.

Quando perguntaram ao Sheikh Yusuf porque é que algumas pessoas consideram os terroristas ou sequestradores como mártires, ele respondeu que “isso é uma abominação.” Eles “são assassinos em massa, pura e sinplesmente”. São “como aqueles cristãos que, em alguns países ocidentais, atacam clínicas de aborto ou matam médicos que o praticam. Não acho que mais ninguém na Comunidade Cristã, para além de uma pequena minoria de extremistas, ataque clínicas de aborto ou médicos que o praticam.”

Perguntar-se-á então: porque há um apoio tão forte àqueles ataques terroristas em algumas partes do mundo? A resposta será porque nós estamos a viver uma época de ignorância e de perda de valores de ordem social. As pessoas estão muito confusas e espiritualmente empobrecidas. O que os americanos e os euopeus sentem agora, vem sendo sentido há muito por árabes, libaneses, palestinianos, bósnios, etc. Os Judeus também o sentiram. E ainda há muitos Judeus vivos que se lembram com medo e terror do que aconteceu na Europa durante o nazismo.

O ponto fundamental da questão é que os ciclos de violência têm que parar. é uma loucura, especialmente quando vivemos num mundo que já tem armas nucleares. As pessoas dizem que este foi um ataque contra a civilização humana. E isso é exatamente o que ocorreu. Acho que todos nós temos que nos perguntar se a vingança indiscriminada vai ajudar a preservar essa civilização. O Sagrado Alcorão diz aos muçulmanos para não deixar que o ódio de algumas pessoas os impeçam de serem justos. Ser justo é uma exigência do crente Islâmico. Do crente Alcorânico.

Quanto ao conceito, muitas vezes errado de Jihad, devo aqui vincar que Jihad quer dizer “esforço”, “luta”. O Profeta Muhammad (s.w.a) disse que “a maior jihad é a luta de um homem contra as más influências que actuam sobre ele.” Também se refere ao que os cristãos chamam de “Guerra Justa”, que é travada contra a tirania ou opressão – mas debaixo de uma autoridade estatal legítima.
Quanto ao conceito de mártir (em árabe, “Shahid”), traduzido à letra significa testemunha. O mártir é aquele que testemunha a verdade e, em prol dela, sacrifica a própria vida. Há pessoas como, por exemplo, Martin Luther King, que seriam consideradas mártires das suas causas. Também se a casa, a família, a propriedade, a terra ou a religião de uma pessoa for ameaçada, então ela pode, com justiça, defender tudo isso com a sua vida. Se perecer, essa pessoa é um mártir.

E o maior mártir perante Deus é aquele se levanta na presença de um tirano, fala a verdade e é morto por isto. Ele é martirizado. E o Profeta disse que um mártir não terá que prestar contas no Dia do Juízo. é um acto através do qual ele será perdoado. Mas o Profeta também disse que há pessoas que matam em nome do Islão ou da Verdade e irão para o Inferno. E isso “porque eles não lutavam verdadeiramente pela causa de Deus (ou da Verdade)”

Quanto ao suicídio, é um acto “haram” (ilícito) no Islão. é proibido, como um pecado mortal. Um assassinato é igualmente “haram”. E matar civis é um assassinato.

Termino este esclarecimento, solicitando à V. Exª. , como ilustre Director do Jornal “Público”, que do mesmo seja dado conhecimento aos leitores que, desta forma, ficarão em melhores condições para tirar as conclusões que se impuserem às suas consciências. Os Muçulmanos de Portugal agradecem e esperam, democraticamente, ver publicado o seu ponto de vista, que se fundamenta em princípios históricos e doutrinais, que devem ser postos ao alcance de quem busca, sinceramente, a Verdade.

Posted on

A alma e as suas características

Quando lemos no Alcorão a respeito da natureza do homem, frequentemente encontramos o termo “alma”. Alma, em árabe é “nafç” e significa o “eu”, “a personalidade”.

O Alcorão diz que a alma do homem tem dois lados: um que governa o mal e o outro que cuida de evitar este mal. O capítulo “O Sol” diz o seguinte:

“Pela alma e por Quem a aperfeiçoou, e lhe imprimiu a distinção entre o que é certo e o que é errado, que será venturoso quem a purificar (a alma), e desventurado quem a corromper.” (Alcorão 91:7-10)

o discernimento para o errado. Errado, isto é, “fucur” em árabe, quer dizer “romper o limite do certo”. No sentido religioso, quer dizer: “experimentar o pecado e se rebelar (mentira, desobediência, transgressão, adultério, corrupção moral, etc.)”

Conforme citado nos versículos atrás citados, Deus inspira a distinção entre o bem e o mal. A pessoa que admite o mal na sua alma e que o impede, obedecendo à inspiração de Deus, e purifica a sua alma, será salva. Receber a vontade de Deus, a Sua Misericórdia e o Seu Paraíso é a única forma para se alcançar a salvação, ao passo que a pessoa que esconde a sua alma e não a purifica do mal que nela existe, será levado para a corrupção. Esta corrupção é a maldição de Deus e o fim é o Inferno.

Neste ponto, vemos uma consequência importante: há um lado mau em cada alma humana. A única forma de se purificar deste mal é aceitar o que Deus ordena e impedir que este mal encontre abrigo dentro de nós.

Uma das mais importantes diferenças entre os crentes e os descrentes aparece justamente aqui. Uma pessoa sabe, e aceita, que a sua alma tem um lado mau e que ela precisa impedi-lo com atitudes morais e com os conhecimentos por ela adquiridos do Islão. Um dos maiores aspectos da religião, e do mensageiro que comunica esta religião, é revelar a existência do mal na alma e a forma de purificá-la. O Capítulo 2:87 assim se dirige aos judeus:

“…Cada vez que vos era apresentado um mensageiro, contrário aos vossos interesses, vós vos ensoberbecíeis! Desmentíeis uns e assassináveis outros.”

Os descrentes abrigam o mal nas suas almas e não aceitam o que a religião verdadeira lhe traz, nem a pessoa que a revela, porque contrariam os seus próprios interesses. Tais pessoas não conseguem purificar as suas almas, antes pelo contrário, abrigam este mal e o mantêm lá, conforme mencionado nos versículos.

Portanto, podemos dizer que os descrentes acatam o mal que existe nas suas almas e assim, não têm uma consciência verdadeira. é, de alguma forma, uma vida instintiva. Neste caso, todos os comportamentos e pensamentos são ditados pelos instintos emanados do mal existente na alma. Esta é uma das razões pelas quais o Alcorão define os descrentes como “animais”.

Diferentemente dos descrentes, os crentes conhecem Deus, temem-No e evitam desobedecer às Suas regras. Por isto, os crentes não obedecem àquele lado mal de suas almas, mas o enfrentam, conforme Deus ordena. No Capítulo 12, versículo 53, José (ár. Yussuf a.s.) diz: “Porém, eu não me absolvo, a mim mesmo, porquanto o ser é propenso ao mal, excepto aqueles de quem o meu Senhor estendeu a Sua Misericórdia, porque o meu Senhor é Indulgente, Misericordioso.” Este versículo ensina-nos como devemos pensar: o crente deve ser cuidadoso e ter em mente que a sua alma tentará desviá-lo do verdadeiro caminho.

Até agora, lemos sobre o lado “mau” da alma. Dentro do mesmo versículo vimos que também é inspirado à alma impedir o mal. Este lado da alma, que guia o ser humano para Deus e para as verdades da religião e para as boas acções, é, vulgarmente, chamado de espírito.

Contudo, o sentido que o Alcorão dá para o espírito é muito diferente do sentido vulgarmente conhecido. O significado para o espírito mais vulgarmente conhecido inclui somente o dar aos pobres ou apoiar os direitos dos animais, ou amar os animais, etc. Contudo, o espírito do crente faz com que ele obedeça às regras determinadas pelo Alcorão. é o espírito que o capacita a compreender os conceitos mencionados no Alcorão, de um modo genérico.

O Alcorão, por exemplo, orienta os crentes a gastarem dos seus bens mais do que o necessário. é claro que cada pessoa define esse “mais do que necessário”. Uma pessoa desprovida de um espírito forte não concordará com esse mandamento de Deus e, portanto, será incapaz de agradá-Lo.

O crente faz muitas escolhas durante a vida. Entre as alternativas que se lhe apresentam, ele é obrigado a escolher aquela que está mais de acordo com a vontade de Deus e aquela que é mais benéfica para a sua religião. Quando ele faz a sua escolha, em primeiro lugar ele volta-se para o seu espírito, que lhe dirá o que mais agrada a Deus. Em segundo lugar, os seus interesses particulares estarão envolvidos e tentarão desviá-lo para outras alternativas. Então, a alma lhe sussurra as razões e as desculpas adequadas. O Alcorão, em muitos versículos, chama a nossa atenção para essas “desculpas”:

“Neste dia, a desculpa dos iníquos de nada lhes valerá, nem serão resgatados.” (Alcorão 30:57)

“No dia em que aos iníquos de nada valerão as suas desculpas: deles será a maldição, e deles será a pior morada.” (Alcorão 40:52)

O crente não deve dar ouvidos a esta espécie de desculpa e sim ao que o seu espírito lhe diz para fazer. Os exemplos dados no Alcorão, com relação ao espírito dos crentes, levam-nos a pensar sobre a questão. No caso do crente, que está preocupado porque não encontra um meio de lutar contra, o Alcorão diz num dos versículos:

‘Não há faltas a imputar aos fracos, aos doentes e aos que não possuem recursos para gastar (pela Causa), se eles forem sinceros com Deus e Seu Mensageiro. Não há procedimento para constranger os que praticam o bem; e Deus é Indulgente e Misericordioso. E nem aos que, quando vieram ter contigo e te pediram montadas, tu lhes dissestes: “Não tenho montadas para vos dar”. Eles foram-se embora com os olhos rasos de lágrimas, penalizados por não terem posses que pudessem contribuir.’ (Alcorão, 9:91-92)

Lutar contra os inimigos pode parecer muito perigoso. A pessoa que começa lutando (numa guerra) sabe que pode morrer ou se ferir. Não obstante, o crente quer lutar pela causa justa e fica triste quando ele não consegue. Este é um exemplo notável de espírito, a que se refere o Alcorão. A alma pode não provocar o extravio do crente num primeiro momento, mas tenta sempre desviá-lo da religião, sugerindo compensações menores. Por exemplo, ela tenta induzi-lo a adiar alguma coisa que ele teria que fazer pela causa de Deus. Apresentando algumas razões, a alma tenta abalar a sua determinação, fazendo algumas pequenas considerações. Neste caso, as pequenas desculpas da alma são compensadas, o seu impacto se torna maior e pode, mesmo, levar o homem a abandonar a sua crença em Deus. O crente é obrigado a se comportar de acordo com os mandamentos de Deus em cada caso, e não de acordo com a sua alma, anulando os desejos egoístas de sua alma. Diz o Alcorão:

“Temei, pois, a Deus, tanto quanto possais. Escutai-O, obedecei-Lhe e fazei a caridade, que isso será preferível para vós! Aqueles que se preservarem da avareza serão os bem-aventurados.” (Alcorão 64:16)

Neste versículo, os crentes são orientados a temer a Deus, a obedecê-Lo, a ouvir os Seus conselhos e a gastar por conta d’Ele, uma vez que isto salva a pessoa “dos desejos egoístas da sua alma” e o possibilita alcançar a verdadeira bem-aventurança.

Um outro versículo a respeito deste assunto, é o que se segue:

“Ao contrário, quanto àquele que temeu vir à presença do seu Senhor e refreou a sua alma em relação à luxúria, terá o Paraíso por abrigo.” (Alcorão 79:40-41)

Se, pelo contrário, uma pessoa só atende aos desejos egoístas da sua alma e inicia a sua vida depois da morte sem a ter purificado, será tomada por um profundo arrependimento e não usufruirá de qualquer benefício. Esta é a grande e inevitável realidade que espera os descrentes.