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Reformas islâmicas – diferentes abordagens

Coord. por: M. Yiossuf Mohamed Adamgy
In Revista Al Furqán, nº. 161, de Janº./Fevº. 2008

Prezados Irmãos, Assalamu Alaikum:

DEFINIçãO DE REFORMA:

Através da reforma devemos conseguir interpretar quer um texto, quer um manifesto de carácter ideológico, para que estes permaneçam relevantes para o público e adequados ao momento presente, que se insere num determinado contexto histórico.

O Islão não é excepção ao que atrás foi dito, sendo uma religião que tem os seus fundamentos num texto delineado por um Mensageiro de Deus há 1400 anos, texto que pretende ser pertinente nas diversas eras da sua história, onde vai ocorrendo um processo de adaptação contínua.

Por exemplo, há vinte anos ninguém pensaria que os muçulmanos voltassem ao seu Texto, QUESTIONANDO-SE SOBRE O TRANSPLANTE DE ÓRGÃOS, tendo tal só acontecido nessa altura, porque antes esses transplantes não existiam. Aqueles que defendem que a religião islâmica proíbe o transplante de órgãos citam Iman Shafi que afirmou: “é haram (ilícito) deformar o corpo humano”. Mas poderemos considerar o transplante de órgãos uma deformação do corpo humano? A resposta é: não.

A reforma é isto mesmo. A palavra “reforma” choca alguns muçulmanos que consideram que o seu objectivo é alterar a religião, mas ela é necessária e indispensável ao Islão, visto que O ISLÃO FOI A ÚLTIMA MENSAGEM ENVIADA POR DEUS E DEVE ADAPTAR-SE À CERTA MUDANÇA ATÉ QUE CHEGUE O DIA DO JULGAMENTO. A Religião Islâmica foi criada para retirar da escuridão e trazer à luz a Humanidade.

“ALIF, LAM, RA. UM LIVRO QUE TE TEMOS REVELADO PARA QUE RETIRES A HUMANIDADE DAS TREVAS (E OS CONDUZAS) PARA A LUZ, COM A ANUêNCIA DE SEU SENHOR, E OS ENCAMINHES ATÉ À SENDA DO PODEROSO E DIGNO DE TODOS OS LOUVORES.” – (Alcorão 14:1).

“… QUANTO À ESPUMA ELA DESAPARECE COMO A ESCÓRIA DOS METAIS NA AREIA, ENQUANTO QUE ISSO, QUE É ÚTIL PARA OS HOMENS, PERMANECE NA TERRA. E ASSIM ALLAH EXEMPLIFICA AS SUAS PARÁBOLAS”. – (Alcorão 13:17).

Neste mundo, há coisas que são passageiras, outras que perduram e outras que ficam, sendo as últimas as que são boas para a humanidade. “SOIS A MELHOR COMUNIDADE QUE SURGIU NA HUMANIDADE, PORQUE RECOMENDAIS O BEM, PROIBIS O ILÍCITO E CREDES EM DEUS” – (Alcorão 3:110).

Não obstante ser uma tradição profética, usar ou não barba NÃO é uma questão do interesse da humanidade, pois não é um assunto que diga respeito à humanidade em geral, não é algo que vá alterar o modo de vida das pessoas. A não existir reforma, cairemos nas profundezas da irrelevância e o Islão será mais uma religião da antiguidade.

O Islão passaria à história se não interagisse com as próprias células da vida de forma a intervir nela.

A PERGUNTA É: COMO DEVE SER FEITA A REFORMA?

Deus ao revelar o Islão integrou nele um instrumento ou mecanismo capaz de fazer a reforma sem quebrar a sua estrutura. NÃO É NECESSÁRIO SAIRMOS DA RELIGIÃO ISLÂMICA PARA A FAZERMOS. A reforma tem por base o Alcorão, os Ahadice e a história.

A REFORMA É MENCIONADA NO ALCORÃO:

“Ó CRENTES! TEMEI A DEUS E QUE CADA ALMA CONSIDERE O QUE TIVER OFERECIDO, PARA O DIA DE AMANHÃ; TEMEI, POIS, A DEUS, POIS ELE ESTÁ INTEIRADO DE TUDO QUANTO FAZEIS” – (Alcorão, 59:18).

O dia de amanhã é o futuro que separa o dia de hoje do Dia do Julgamento. O Alcorão diz-nos para nos prepararmos para o futuro nesta vida e para o que virá depois.

A REFORMA É MENCIONADA NO HADICE:

A reforma tal como é referida no hadice do Profeta (s.a.w.) permitia ao povo interpretar as coisas que consideravam serem boas. Numa determinada ocasião, havia um homem que tinha de tomar um banho purificante (ghusl), mas que preferia fazer uma limpeza simbólica através do pó (Taymmum) porque a água estava muito fria. Houve um membro do grupo que argumentou que o homem não podia fazer Taymmum quando ali existia água e, assim sendo, o homem tomou um ghusl e morreu em consequência dele. O Profeta Muhammad (paz esteja com ele) repreendeu o grupo quando soube do sucedido. Uma hadith com as mesmas consequências é relatada por Abu Daud e Ibn Majah.

A REFORMA É MENCIONADA NO CONTEXTO HISTÓRICO:

No contexto histórico, por exemplo a reforma do Califa Umar (r.a.) consistiu em grandes adaptações para que houvesse uma adequação à realidade. O castigo por roubo era adiado se a sua causa fosse a pobreza. O saque proveniente da guerra costumava ser dividido pelos soldados, mas quando estes tomaram o Iraque, as terras do país não foram divididas com base nessa regra existente porque a mesma iria criar um sistema feudal e Umar interpretou o seguinte versículo: “A riqueza não deve circular apenas entre os abastados.” (Alcorão 59:7).

Imame Shafii concebeu duas correntes ou teorias válidas durante a sua vida. A Antiga e a Nova. Ele próprio aconselhou o abandono da Antiga e a aprendizagem da Nova. Ele terá escrito a Antiga no Iraque e, mais tarde, quando voltou a ser colocado no Egipto, escreveu a Nova e alterou toda a teoria, afirmando que a Antiga era boa para aquelas pessoas naquele lugar, mas que esta era desadequada a quem estava no Egipto.

Ainda hoje alguns dos seus seguidores se opõem a qualquer espécie de reforma.

AS DIFERENTES CORRENTES DE PROPOSTAS DE REFORMA:

  1. A Reforma da Hegemonia Ocidental:
    Pede-se um esforço no sentido de haver uma maior aceitação da parte do Islão de determinadas normas e práticas que são impostas pela hegemonia ocidental. Esta é a reforma para a exploração das massas. Se alguém nos pedir para, por exemplo, analisar se o Islão é compatível com a democracia, não há qualquer problema nisso, mas se, por outro lado, nos disserem: “Desejamos um Islão que não se oponha à forma como a riqueza é distribuída no nosso país”, aí sim, já haveria um problema. É problemático quando afirmam: “Desejamos um Islão que não se oponha às políticas estrangeiras que beneficiam a opressão.”
  2. Definições:
    O debate sobre a definição de reforma é para se tornar moderado, sendo que o conceito de moderação não é definido por nós, mas definido por outros, para nós. Um muçulmano moderado é, por exemplo, “aquele que bebe álcool com moderação”, mas “um muçulmano moderado pode ser também aquele que apoia as medidas do governo de Israel”. Eles pretendem que a palavra “Jihad” seja apagada do texto. Mas para os muçulmanos, a “Jihad” é um todo que inclui a purificação espiritual, gastar dinheiro na prática do bem e ter o direito de defesa se formos atacados. Isto é algo que não é aceite no Ocidente. Basta definirmos o conceito de “Jihad” e somos considerados extremistas.

Um muçulmano não praticante é considerado Muçulmano progressista, enquanto que a pessoa que reza cinco vezes por dia e não tem relações extra-matrimoniais é rotulada como inflexível e fundamentalista.

3- Os falsos Profetas da Reforma: São os muçulmanos que rejeitam o Islão e que conseguem reconhecimento e riqueza denunciando outros muçulmanos, são aqueles que ofendem o Islão e que são considerados muçulmanos reformistas. Essas pessoas sentem algum ressentimento, pois nem são considerados muçulmanos, nem têm a credibilidade para liderar uma mudança.

A Reforma de que estamos a falar É A REFORMA QUE EMANA DA ESTRUTURA DO PRÓPRIO ISLÃO.

  1. A natureza do Alcorão fala-nos do espírito, de comportamento, mas, proporcionalmente, fala-nos de regras, recomendando normalmente bases de regras. Por exemplo: “… ELES DEVEM RESOLVER OS SEUS ASSUNTOS, CONSULTANDO-SE UNS AOS OUTROS” – (Alcorão, 42:38). Esta regra significa a INEXISTêNCIA DE UMA DITADURA, que as pessoas devem ter o direito de intervir (democracia) e que a forma deve ser ajustada à especificidade de cada contexto. De acordo com esta perspectiva defende-se a existência de um parlamento, congresso ou qualquer instituição adequada em termos temporais e de localização. Ora este é um esforço humano e não divino, seremos assim flexíveis sem quebrarmos as estruturas do Islão.
  2. Os objectivos/finalidades finais da Charia (para a compreensão dos cinco objectivos finais):
    • a preservação da vida;
    • a liberdade religiosa;
    • o direito de ter uma estrutura familiar;
    • o direito à propriedade;
    • o direito a manter impoluta a mente e o espírito.

Por exemplo, se a lei da família no Paquistão não se adequa ao reconhecimento do direito à justiça da mulher, então que a mesma seja alterada. Essa lei não é sagrada. A jurisprudência deve procurar o bem das pessoas.

Assim, tendo em conta os objectivos e finalidades do Islão, podemos, com efeito, devemos, desenvolver um movimento de reforma, que parta de dentro do Islão e que tenha por base a sua estrutura e espírito.

E Deus é Quem sabe melhor.

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Reuniões da UME de Berlim foram bem-sucedidas

Trad. de: M. Yiossuf Adamgy

Publicado: 13-06-2008 – in emunion.org

De acordo com estrutura do corpo intelectual da UME (União dos Muçulmanos da Europa), a conferência deste ano foi dedicada ao tema do Significado do Auqaf na Europa.

Mediante o convite da UME, o Prof. Dr. Abdulhaq [Auqaf, Marrocos] e o Prof. Dr. Sherif [Auqaf, Kuwait] deram ambos palestras especiais acerca deste tema.

Para além de organizar mercados e festivais culturais e da promoção de uma cooperação de sucesso com os municípios europeus, a UME considera que os investimentos e fundações podem constituir uma importante contribuição suplementar, tanto no plano cívico como social, em nome da causa dos Muçulmanos na Europa.

Durante a conferência, membros e convidados tiveram a oportunidade de apresentar os seus próprios projectos e de descreverem a situação das suas comunidades na Europa.

O Dr. Xhabir Hamiti, Conselheiro da UME para o Kosovo, fez um pequeno discurso introdutório sobre a situação do país após a declaração de independência. O delegado da OSCE, o Dr. Soykun, deu informações aos participantes da conferência sobre o programa da OSCE contra a Islamofobia.

Os participantes discutiram possibilidades de cooperação numa atmosfera de grande harmonia, principalmente nos campos dos media e da educação, bem como no que respeita ao intercâmbio de jovens. Mehmet Yalcintas apresentou em Istambul o programa anual da UME para a juventude.

Os participantes muçulmanos, homens e mulheres, tiveram a oportunidade de se conhecer melhor através de um churrasco e, posteriormente, durante as duas refeições que decorreram durante a conferência.

No final da reunião da comissão da UME que teve lugar a 9 de Junho, a UME anunciou a fundação de um Conselho das Mesquitas Europeias. Este Conselho deve apoiar o papel positivo que as mesquitas têm por toda a Europa. A UME desenvolveu igualmente o conceito de um programa de televisão por Internet para os muçulmanos europeus.

A UME está a planear a realização de outras conferências regionais na Europa durante o ano de 2008.

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Rumo à escalada do conflito no Oriente Médio

Por: André Gattaz

Historiador e autor de “A Guerra da Palestina: da criação do Estado de Israel à Nova Intifada” e “Do Líbano ao Brasil: história oral de imigrantes

A nova onda de violência que atingiu o Líbano não é um problema localizado, mas parte de um conflito muito mais amplo, em que Israel e o Hizbollah não são mais do que protagonistas menores. Os ataques do grupo radical libanês, assim como a desproporcional reação israelita, inserem-se nos movimentos mais amplos da geopolítica mundial – mais especificamente, a oposição entre Estados Unidos e Irão, que parece estar prestes a se tornar um conflito real e não apenas retórico. Examinemos os interesses de ambos para avaliar o verdadeiro perigo de escalada do confronto.

Da parte do Irão, percebe-se que o presidente Mahmoud Ahmadinejad vê o momento actual como propício para se desafiar a grande potência ocidental, pois os Estados Unidos não teriam capacidade de se envolver numa terceira frente de combate. De facto, nota-se que as forças armadas dos Estados Unidos têm quase a totalidade de suas tropas disponíveis envolvidas na ocupação do Afeganistão e do Iraque, e vêm encontrando dificuldades para completar o requerimento anual de novos soldados; além disso, o país está prestes a enfrentar uma grave crise económica devido aos altos ‘déficits gêmeos’ – provocados, em grande medida, por estas mesmas guerras (note-se especialmente, além do custo militar da guerra, a escalada dos preços do petróleo, produto vital à economia norte-americana).

Segundo o raciocínio do presidente iraniano, ademais, faltam na região líderes dispostos a enfrentar cara-a-cara o ‘grande Satã’ do Ocidente – foi-se o tempo de Naser, Al-Asad e Hussein, e mesmo o ex-inimigo Kadafi domesticou-se e passou a ser mais um cliente dos Estados Unidos; nos demais países do Oriente Médio, monarquias corruptas têm na exportação do petróleo aos Estados Unidos e a Europa a garantia de sua manutenção no poder; e os palestinos encontram-se desunidos e na busca de uma liderança que conduza a sua luta contra a ocupação sionista. Para Ahmadinejad, a escalada do confronto, com a inevitável e desproporcional reacção israelita, poderia ser um grande pretexto para unir sob sua liderança as populações árabes e islâmicas do Médio Oriente que se opõem aos Estados Unidos e a Israel.

Da parte do governo de George W. Bush, o momento também é adequado para ‘acertar contas’ com os seus velhos antagonistas – Síria e Irão. Os ataques do Hizbollah a Israel, realizados com mísseis iranianos transportados através da Síria, seriam a justificativa perfeita para colocar em prática o plano há muitos meses projectado pelos ideólogos dos EUA, visando o derrube dos regimes sírio e iraniano. Dessa forma, se completaria o controle dos Estados Unidos sobre todo o Médio Oriente – ou seja: o controle das duas maiores reservas energéticas do mundo: o Mar Cáspio e o Golfo Pérsico.

É evidente, porém, que da teoria à realidade há uma grande distância, sobretudo se a teoria não é baseada no senso comum e na racionalidade, mas em crenças fundamentalistas e antagonismos emocionais. O raciocínio de Ahmadinejad esbarra na realidade que seu governo, ao entrar em guerra aberta com os Estados Unidos, terá os dias contados. A capacidade destrutiva destes, por meio de seus mísseis e bombardeios aéreos, é suficiente para fazer o Irão voltar 30 anos no tempo, destruindo imediatamente todos os seus centros de poder, assim como foi feito com o Iraque. Isso não significa dizer que os norte-americanos venceriam mais esta guerra – apenas que destruiriam a infra-estrutura e as instituições políticas iranianas, causando o caos em mais um país da região. Dessa forma, não seria muito vantajoso ser o ‘herói’ dos muçulmanos e árabes descontentes com o ‘ocidente satânico’.

O raciocínio de George W. Bush, por outro lado, é igualmente perigoso, pois ataques aéreos ao Irão e à Síria não colocariam a população destes países contra os seus governos, como supõem exercícios elaborados pelo Pentágono, porém desencadeariam justamente o efeito contrário, provocando a aliança dos sectores moderados e radicais da população iraniana e síria contra a agressão dos EUA. Além disso, mal se pode dizer que os Estados Unidos obtiveram o controle do Afeganistão e do Iraque. O primeiro, após quase cinco anos de ocupação, permanece em constante situação de insegurança; o ópio voltou a ser o principal produto de exportação do país; a milícia Talebã volta a actuar e controla partes do sul do país; e a cada mês uma quantidade maior de soldados dos ‘aliados’ é morta ou ferida nos combates com os ‘terroristas’.

Já no Iraque, apesar da presença de cerca de 130.000 soldados dos EUA (e 30.000 de outras nacionalidades), e do aparente funcionamento do sistema ‘democrático’ implantado pelos EUA, a situação de insegurança agrava-se a cada dia; a infra-estrutura do país encontra-se totalmente destruída, faltam energia e água para a população; as facções políticas e religiosas encontram-se em guerra civil; e nem mesmo o petróleo, principal objetivo da Doutrina Bush, vem sendo regularmente exportado devido aos freqüentes ataques às instalações petrolíferas. Além disso, no Iraque se formou uma verdadeira ‘escola de terroristas’ dispostos a agir contra os ‘assassinos infiéis’: ali, as perdas humanas chegam a mais de 60.000, após três anos de guerra.

Não bastassem os problemas para assegurar o controle nas duas principais frentes de combate, a crise social e económica nos Estados Unidos avizinha-se, e a abertura de uma terceira frente – contra um inimigo bem mais forte do que foram Afeganistão ou Iraque – poderia ser a gota d’água para o colapso.

Pensadores políticos dotados de pragmatismo não deveriam levar a sério as ameaças dos dois líderes fundamentalistas, pois a concretização dessas ameaças equivaleria a um suicídio mútuo – lembre-se que foi a consciência desta possibilidade que manteve a paz entre EUA e URSS ao longo dos anos da Guerra Fria. As atitudes já tomadas por Mahmoud Ahmadinejad e por George W. Bush, porém, nos levam a ter calafrios supondo o desenrolar do conflito, pois o que menos faltou na política destes líderes, nos últimos anos, foi o bom-senso.

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Os sionistas judeus não se preocupam com leis, nem convenções

Por Yiossuf Adamgy

Sim, o responsável da ONU condenou os bombardadeamentos de Isreal que ‘violam as leis humanitárias’.

Sim, o subsecretário geral para os assuntos das nações Unidas (ONU) Jan Egeland, condenou ontem (23/7/06) a devastação causada pelos ataques aéreos israelitas em Beirut. Egeland se declarou ‘horrorizado’ e afirmou que estas acções ‘violam a lei humanitária’, recordando que ‘os bombardeamentos contra civil estão proibidos pelas convenções internacionais’.

Talvez Jan Egeland ignore é que esta é a solução final do Estado Sionista Judeu; que os sionistas judeus não se preocupam com as leis humanitárias, nem com as convenções internacioanais, daí que eles nunca cumpriram dezenas das Resoluções da ONU. Eles só acatam é a lei judaica do Antigo Testamento, que lhes diz textualmente:

“Seon saiu ao nosso encontro, com todo o seu povo, para nos dar combate em Jasa. Mas o SENHOR, nosso Deus, no-lo entregou, e nós o derrotamos, a ele, e a seus filhos, e a todo o seu povo. Tomamos-lhe, então, todas as suas cidades e dedicamos ao anátema todas as cidades em que havia seres humanos, homens, mulheres e c

rianças, sem deixar sobreviver ninguém” – Deuteronômio 2:32-34 .

Por isso, não terá sido em vão, e nem surpreendente, quando o actual primeiro-ministro Israelita ordenou ao seu exército, nestes termos: ‘Não deixai dormir ninguém em Gaza’. … e, por inércia … destruam as infra-estruturas vitais para a população civil palestina …

Aliás esse comportamento é próprio dos governos israelitas, senão recordemos:

“Devemos expulsar os árabes e ocupar o seu lugar.” (David Ben Gurion, ex-primeiro ministro pelo Partido Trabalhador, 1937).

“Não existe uma coisa tal como povo palestino. … eles não existem …” (Golda Meir, ex-primeira ministra pelo Partido Trabalhador).

“Israel criará nos próximos 10 ou 20 anos condições que obrigarão a imigração natural e voluntária dos refugiados desde a faixa de Gaza e Cisjordânia a Jordania.” (Isaac Rabin, ex-primeiro ministro por el partido Trabalhador).

Prefiro defender uma política positiva, para criar, na verdade, condições que, numa forma positiva, induzam esta gente a ir-se.” (Ariel Sharon, 24 de Agosto de 1988).

“A partilha de Palestina é ilegal. Nunca será reconhecida … Eretz Israel será restituido ao povo de Israel. Todo ele. E para sempre.” (Menagem Begin, ex-primero ministro pelo Partido Likud).

“… creio, no eterno e histórico direito de nosso povo a toda esta terra.” (Ehud Olmert, primeiro ministro israelita, no Congreso dos ESTADOS UNIDOS, em Junho de 2006).

É caso para descrer da humanidade quando gente que se queixa de um holocausto e uma diáspora invoca o holocausto e a diáspora que sofreu para impor a outro povo … um holocausto e uma diáspora, ainda pior.

Foi o que sucedeu com os radicais judeus, os sionistas, que a coberto de Mandato Britânico sobre uma terra povoada, entraram em força na Palestina e desalojaram os seus habitantes …

A fundamentação Bíblica de reunião dos judeus na Palestina, sempre invocada pelos sionistas, dá rezão à análise de H. G. Wells, que ao discorrer sobre os direitos históricos àquela terra apontou para a presença muito anterior dos cananeus, cujos descendentes – árabes, cristãos e judeus – viveram em paz durante séculos e são os palestinos dos nossos dias.

Grande parte dos “humanistas” ocidentais perdem todo o crédito quando procuram justificar, depois de 1945, a existência-comportamento de um Estado (Israelita) que encontra a sua razão de ser em motivos teológicos e rácicos. Com a agravante de todos terem medo de serem chamados de anti-semitas, caso tomem uma posição contrária à cartilha israelita.

Tão semitas são os judeus do Médio Oriente como os árabes, uma vez que é essa a sua raíz comum. Ser anti-semita é estar, ao mesmo tempo, contra árabes e judeus, na pressuposição nazi – curiosamente perfilhada pelos judeus sionistas – de que existem raças puras.

Quando a Assembleia Geral das Nações Unidas incluíu o Sionismo no rol das variantes do racismo, estava a fazer justiça a uma doutrina que, quando levada à prática, privou, e continua a privar, o Médio Oriente de paz e de segurança.

Termino este apontamento com as declarações, feitas em 1946, do consagrado Albert Einsten, que penso são dignas de reflexão:

“A ideia de Estado não está de acordo comigo. Não consigo perceber por que é necessário. Está relacionado com as mentalidades mesquinhas e obstáculos económicos. Penso que é mau. Sempre estive contra.
Apreciaria mais ver um acordo razoável com os árabes na base da convivência que a criação de um Estado judeu.
Para além das considerações práticas, a minha consciência da natureza essencial do Juadísmo resiste à ideia de um Estado judaico, com fronteiras, um Exército, e uma medida de poder temporal não importa de que modéstia. Tenho medo dos estragos intrínsecos que o Juadísmo possa sofrer” – In “Palestina na História” – Edição Portugal Prescope.

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A crise financeira actual

Tradução e adaptação de: Prof. Samir El Hayek
Fontes: Estudo do Dr. Hussein Chahata, especialista nas transações financeiras islâmicas

Enviado pela Mesquita de Guarulhos – Sermão da Sexta-feira, 17 de Chauwal, 1429 – 17/10/2008, proferido pelo Sheikh Khaled Rezk Taky Eldin

Louvado seja Allah (Deus), o Criador, o Agraciante, o Onifeitor, o Formador. Nós O agradecemos pela dádiva do Islão. Se contardes as mercês de Allah, não podereis enumerá-las. Presto testemunho de que não há outra divindade além de Allah, em reco- nhecimento à Sua Unicidade e em confirmação à Sua promessa e generosidade. Presto testemunho de que Muhammad é Seu servo e Mensageiro, Seu escolhido e querido dentre as criaturas. Que Allah o abençoe e lhe dê paz bem como aos seus familiares, seus companheiros e aos que seguirem a sua orientação até o Dia do Juízo Final. Amén.

Allah, Ta’ála, diz: “Logo vos chegará a Minha orientação e quem seguir a Minha orientação, jamais se desviará, nem será desventurado. Em troca, quem desdenhar a Minha Mensagem, levará uma mísera vida, e o faremos comparecer, cego, no Dia da Ressurreição.” (20:123-124).

Allah fez descer o nosso pai, Adão, para a terra, enviando com ele o cânon da orientação divina. Quem se apegar a ele a felicidade o acompanhará onde estiver. Quem se negar a segui-lo, viverá aflito e perderá tanto nesta vida como na Outra.

Servos de Allah

O mundo hoje está passando por uma crise sufocante que ameaça as empresas de falência, e as pessoas em geral, de fome e empobrecimento, além de humilhar as nações. Esses problemas se devem, em primeiro e último lugar a negação das nações de recordarem-se de Allah, seguindo métodos económicos que consideram os juros como principal objetivo, mesmo sendo um dos pecados capitais, que promete ao praticante a afronta nesta vida a na Outra.

Os especialistas em economia de hoje em dia são unânimes em dizer que o motivo principal do pro- blema que o mundo enfrenta hoje em dia se deve ao sistema económico baseado nos juros.

A usura é dar e receber e a actividade de empréstimos se tornaram compra, venda e intermediação. O aumento da taxa de juros sobre os depósitos causou o aumento da taxa de juros sobre os empréstimos concedidos às pessoas físicas e jurídicas. Os beneficiados, em primeiro lugar, são os bancos, as financeiras, os intermediários financeiros, e os penalizados são os tomadores dos empréstimos.

Irmãos muçulmanos

Allah, exaltado seja, diz a verdade quando diz no Seu Livro Sagrado: “Allah destituirá a usura de todas as benesses e multiplicará a recompensa aos caritativos; Ele não aprecia nenhum incrédulo, pecador.” (2:176)

E diz: “Quando emprestardes algo com usura, para que vos aumente (em bens), às expensas dos bens alheios, estes não vos aumentarão perante Allah; contudo, o que derdes na forma de zakat, anelando contemplar o Rosto de Allah (ser-vos-á aumentado). A eles será duplicada a recompensa.” (30:39).

O Rassulullah (S) também disse a verdade quando declarou: “Se o juro aparecer em uma cidade, Deus irá destruí-la.”

E disse: “Toda vez que o juro aparecer num povo, aparecerá com ele a loucura.”

Allah combateu os juros em Seu Livro Sagrado, e considerou o envolvimento com eles um pecado capital. Ele prometeu uma hostilidade intensa. Ele disse: “Mas, se tal não acatardes, esperai a hostilidade de Allah e do Seu Mensageiro.” (2:279).

O

s juros foram a causa de destruição de países e o boicote à liberdade de outros.

No passado foi a causa de escravidão dos indivíduos.

Hoje é causa da escravidão dos povos com um método mais moderno.

Muitas instituições hoje em dia, no Ocidente, estão exigindo a aplicação dos ensinamentos islâmicos nas questões económicas.

Eis o redator chefe da Revista “Challenger”, uma das mais importantes revistas económicas da Europa publicou um editorial em 9-10-2008 com o título: “O Papa ou o Alcorão” em que diz: “Penso que estamos necessitando, nessa crise, ler mais o Alcorão, em vez do Evangelho para entendermos o que está acontecendo connosco e com os nossos bancos. Se os responsáveis pelos nossos bancos respeitassem o que o Alcorão contém de ensinamentos e regras, e os aplicassem, não estaríamos sofrendo tantas aflições e crises, e não teríamos chegado a essa situação de miséria, porque as moedas não geram moedas.”

Loran Laskin, redator chefe do jornal “Le Jornal Du Finance”, em seu editorial dessa semana exigiu a aplicação da lei islâmica nas questões económicas e financeiras. O artigo tinha o título “Será que o Wall Street está pronto para adotar a Lei Islâmica?”

A pesquisadora italiana Loretta Napoleoni, publicou um livro com o título: “A Economia do Chacal” em que disse: “O equilíbrio dos mercados financeiros pode ser conseguido graças ao financiamento islâmico depois da destruição do sistema ocidental que compara a economia islâmica de terrorismo.” E disse: “Os bancos islâmicos podem ser o substituto ideal dos bancos ocidentais.”

Morris Alé, o economista francês, propôs duas condições para a saída da crise e a restituição do equilíbrio: Estabelecer a taxa de juros no limite zero e revisar a taxa de imposto próxima dos 2%. É a forma de acabar com os juros e próxima do zakat no sistema islâmico. É o que foi confirmado por Adam Smith, o pai dos economistas, como é chamado, que a taxa de juros seja zero.

Servos de Allah:

São testemunhos de ocidentais, prestados sem camuflagem. De que a salvação da humanidade reside na aplicação da orientação divina.

É nosso dever divulgarmos essa verdade entre os filhos da nossa comunidade, e entre a comunidade brasileira.

O sistema económico islâmico é um sistema divino, baseado no princípio de facilitar as coisas às pessoas, principalmente àqueles que passam por situações compulsivas que os vedam de pagar. Allah Ta’ála, diz:

“Se vosso devedor se achar em situação precária, concedei-lhe um tempo; mas, se o perdoardes, será preferível para vós, se quereis saber.” (2:280).

* O sistema económico-financeiro islâmico está baseado numa série de valores, exemplos e condutas como: Confiança, fidedignidade, transparência, evidência, facilitação, cooperação, integração, solidariedade.” Não há economia islâmica sem moral.

* O sistema financeiro e económico islâmico é baseado numa base de participação no lucro e nas perdas, de circulação efetiva dos bens e recursos.

* A lei islâmica proibiu todo tipo de venda da dívida por dívida, como o desconto de duplicatas, de cheques pré-datados, como proíbe o sistema de indexação das dívidas com o aumento da taxa de juros.

Todas as transações citadas causaram a gravíssima crise económico-financeira mundial.

Por isso, caros irmãos muçulmanos, que Allah abençoe as vossas transações comerciais. Peçam a Allah a paz, confiem n’Ele, pois Ele é o Agraciante por natureza.

Peço a Allah que nos proteja nesta vida e na Outra.