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Muçulmanos portugueses respondem em livro a D. José Policarpo

A organização muçulmana portuguesa Al Furqán acaba de publicar um livro que pretende esclarecer as declarações do Cardeal Patriarca de Lisboa sobre o casamento com muçulmanos, proferidas em Janeiro na Figueira da Foz.

“é um esclarecimento da comunidade muçulmana. é uma opinião para esclarecer e não para atacar o Cardeal”, disse à agência Lusa Yiossuf Adamgy, director da Al Furqán e autor do livro “Muçulmanos esclarecem o cardeal D. José Policarpo”.

“Acredito que vou receber uma nota do próprio cardeal a dizer-me que o esclarecimento foi útil”, referiu o autor, que enviou um exemplar a D. José Policarpo.

Numa tertúlia realizada a 13 de Janeiro na Figueira da Foz, o Cardeal Patriarca de Lisboa advertiu as jovens portuguesas que casar com muçulmanos acarreta um “monte de sarilhos que nem Alá sabe onde é que acabam”.

A 18 de Fevereiro, o cardeal D. José Saraiva Martins voltou a falar no assunto, aconselhando “muita cautela e prudência às mulheres católicas que pensem casar com muçulmanos.

Ao optar por escrever um livro, o director da Al Furqán afirmou que foi de encontro “ao que o próprio Cardeal Patriarca disse, que os cristãos precisam de saber o bê-a-bá do Alcorão”.

Destinado a muçulmanos e não-muçulmanos, o livro coloca lado a lado o que dizem a Bíblia e o Corão sobre a natureza feminina, o papel da mulher, o casamento, o uso de véu, a poligamia e o incesto.

“As pessoas, crentes no Cristianismo ou no Islão, não têm oportunidade de ler devidamente o Alcorão e a Bíblia”, opinou o autor, que espera que o livro ajude à compreensão do que é o Islamismo.

“Cada um depois tira as ilações que quiser”, disse.

Reforçando a ideia de abertura e diálogo entre as duas religiões em Portugal, Yiossuf Adamgy escreve no livro que, de facto, o casamento pode vir a ser “um monte de sarilhos”, seja para católicos seja para muçulmanos, “sobretudo quando não há tolerância, paciência e bom senso”.

A Al Furqán é uma organização islâmica independente, fundada em 1981, que se dedica ao estudo e divulgação de estudos islâmicos em Portugal.

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Véu (hijab) – o que significa?

É absurdo pensar que o hijab, que faz parte da fé islâmica, “simboliza a desigualdade sexual e o aprisionamento das mulheres”. Os que têm como fonte de conhecimento os meios de comunicação ocidentais têm esta imagem. Na verdade, vivem num paraíso de tolos ao aceitar o slogan ocidental de que o Islão oprime as mulheres. No entanto, este tem sido o objectivo desejado dos pânditas da comunicação social e dos experts secularistas do Islão e das feministas.

O Islão preserva a dignidade das mulheres e recusa que ela seja possuída por estranhos. São as mulheres não muçulmanas e as muçulmanas “emancipadas” que são dignas de pena por mostrarem a sua privacidade para todos verem.

A verdade é que o hijab foi decretado não para degradar as mulheres, mas para proteger a sua modéstia e honra. é tão bárbaro colocar um elevado prémio sobre a honra das nossas mães, irmãs e mulheres? É errado respeitá-las? Deve uma mulher estar semi-nua para ser civilizada e decente? A resposta é clara: o Islão não é repressivo nem escraviza a mulher. Liberalizou e canonizou os direitos das mulheres há mais de 1400 anos enquanto na Europa estas ainda estavam aprisionadas.

Em certas sociedades, principalmente onde os muçulmanos estão em minoria, as mulheres podem achar a realização desta exigência muito difícil. Elas dirigem-se aos eruditos Islâmicos com todo o género de justificações. Um erudito não pode mudar uma ordem Islâmica ou emendar uma regra. (…). O Alcorão diz: Ó Profeta! Dize às tuas esposas e filhas e às mulheres dos crentes que se envolvam e fechem nos seus mantos( 1 ) (quando saírem); isso é mais conveniente para que se distingam das demais( 2 ) e para que não sejam molestadas … Capítulo 33 Vers. 59

No entanto, há uma tendência generalizada entre os muçulmanos para serem demasiado rígidos, para darem ênfase demais a esta questão. Eles consideram-na como a forma garantida de provocar o regresso total da implementação do Islão em todos os países muçulmanos.

Os nossos esforços devem concentrar-se no assunto mais substantivo de como assegurar o regresso ao Islão nos países onde não foram implementados princípios islâmicos. A necessidade é de recuperar o nosso carácter islâmico e isto tem um método diferente do de insistir só em que todas as mulheres cubram o rosto aqui e agora.

Devemos recordar que o Islão é uma religião muito prática e fácil de seguir. Ele não procura sobrecarregar as pessoas ou implementar um código de comportamento muito rígido. Ele estabelece princípios e valores que fornecem uma estrutura geral dentro da qual tipos diferentes de comportamento são aceitáveis. Enquanto o que cada um fizer ou disser não infringir esses valores e princípios, então é aceitável. O nível moral fixado pelo Islão está, na realidade, a atrair mulheres do mundo ocidental. De acordo com um relatório publicado por um centro de pesquisas em Inglaterra, estimadamente 10.000 mulheres inglesas instruídas, principalmente médicas, professoras universitárias e advogadas, converteram-se ao Islão durante a última década. Um olhar ao que têm a dizer sobre este assunto algumas das convertidas mais proeminentes dá-nos uma imagem clara. Vejamos, pois:

Khaula Nakata (Japão): Quando voltei ao Islão, a religião da nossa natureza inata, um debate violento surgiu àcerca das raparigas usarem o hijab nas escolas de França. Ainda existe. Parece que a maioria pensava que usar o lenço na cabeça era contrário ao princípio segundo o qual as escolas estatais deviam ser neutras no que diz respeito à religião. Mesmo como não muçulmana, não consegui entender porque houve tanta preocupação sobre uma coisa tão insignificante como um lenço na cabeça de uma estudante muçulmana. Eu uso o hijab desde que abracei o Islão em Paris. Observando o hijab do exterior, é impossível ver o que ele esconde. A distância entre estar de fora e olhar para dentro, e estar dentro e olhar para fora, explica em parte o vazio na compreensão do Islão. Estando de fora pode-se ver o Islão como restrição dos muçulmanos. Contudo, estando dentro, existe paz, liberdade e felicidade nunca antes conhecidas para quem o experimenta. Os muçulmanos praticantes, quer os nascidos em famílias muçulmanas ou os que se converteram ao Islão, escolhem o Islão em vez da ilusória liberdade da vida secular. Se oprime as mulheres, porque é que tantas mulheres jovens instruídas na Europa, América, Japão, Austrália, na verdade em todo o mundo, estão a abandonar a chamada liberdade e independência e a abraçar o Islão?

Ruth Anderson (E.U.A.): Embora tenha nascido americana, sou muçulmana há muitos anos, louvado seja Deus, e escolhi usar o hijab de acordo com a Lei Divina. A Charia pede que a mulher muçulmana se cubra da cabeça aos pés deixando só a cara e as mãos descobertas. Cobrir-se (hijab) não é um sinal de atraso, ignorância ou incompetência mental, mas o dever de uma mulher e o seu direito. O uso do hijab protege as mulheres da perseguição dos homens. É também um símbolo de devoção religiosa tal como de obediência a Deus.

Nouria (uma antiga protestante): Se alguém (mulheres muçulmanas) com um compromisso com o Islão a vê com o hijab e verificam que está a sofrer, elas intervêm e ajudam. Isto é anormal na Inglaterra. Temas como propriedade, crianças e herança foram todos estabelecidos, e estão admiravelmente sintonizados a favor da mulher (no Islão). As mulheres dizem que sou uma traidora do meu sexo, mas eu poderia dizer o mesmo da maioria das mulheres deste país. Elas foram desfeminizadas. Mas as mulheres muçulmanas são acarinhadas e têm uma dignidade completamente ausente da vida ocidental. Tudo o que o movimento feminista ambiciona, excepto o lesbianismo e o aborto, nós temos.

Fátima I. Tutay (Filipinas): Residindo numa comunidade predominantemente cristã aqui em Metro Manila, tanto os amigos, vizinhos, como familiares estranham ao ver-me sempre em vestuário Islâmico, tudo está coberto com excepção da cara, mãos e pés. Alguns perguntaram porque tinha eu de vestir-me como uma freira. Eu expliquei-lhes que sou diferente de uma freira, que eu não uso cinto, só as minhas mãos, cara e pés estão visíveis, tal como a Virgem Maria. Continuei a explicar que este vestuário muçulmano é uma manifestação do nosso amor à Virgem Maria, que é a mulher ideal de todos os crentes. Quando idealizamos ou admiramos alguém, devemos adoptar as suas maneiras, de outro modo, não a amamos verdadeiramente. Allah está satisfeito com os modos da Virgem Maria. Uma mulher crente não hesitará em vestir-se como a Virgem Maria se é um modo de agradar a Allah. Alhamdullilah (Louvado seja Allah), só as muçulmanas estão aptas a seguir isto.

Por último, as mulheres muçulmanas estão bem avisadas que a verdadeira sinceridade é evidenciada pelo seu comportamento consistente. Por isso, se alguma cobre a cabeça num país Islâmico, ela deve ter a coragem da sua convicção para fazer o mesmo no Ocidente.

  1. Jilbab, plural Jalabib: uma vestimenta exterior, uma longa toga que cobria todo o corpo, ou um capa comprida que cobria o pescoço e o busto.
  2. O objectivo não era restringir a liberdade das mulheres, mas sim protegê-las dos danos e dos molestamentos que propiciavam as condições então existentes em Medina. Tanto no Oriente como no Ocidente uma roupa conspícua, para se usar em público, de uma forma ou outra, sempre tem sido uma marca de distinção, quer entre os homens como entre as mulheres.
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Muita confusão em torno de algo antigo

Uma nova onda de controvérsia e sediciosa violência está a devastar tanto a Europa como o mundo muçulmano. A causa de tudo isto é, uma vez mais, a publicação de “cartoons” alusivos à imagem do Profeta Muhammad (s.a.w.), considerados por uma grande parte da comunidade muçulmana como sendo uma blasfémia.

Nada disto é, obviamente, novidade. Já tínhamos sido confrontados com o mesmo, com as mesmas imagens inclusivamente, há dois anos. Mas este novo episódio de ofensa pela imagem surgiu com a revelação daquilo que tem sido considerado como ameaças feitas, presumivelmente, por extremistas islâmicos a um editor dinamarquês, em reacção ao episódio do primeiro “cartoon”.

Várias publicações europeias, inclusivamente um jornal evangélico cristão da Dinamarca, têm publicado a nova bomba visual contra o Islão, aparentemente em solidariedade com o editor e com aquilo que normalmente é considerado a liberdade de imprensa e o direito à liberdade de expressão.

Como retaliação, alguns jovens muçulmanos incendiaram carros e alguns bairros de Copenhaga e uma tempestade de protestos no mundo muçulmano apela a um novo boicote aos produtos dinamarqueses e à destituição do embaixador dinamarquês no Paquistão. E, de acordo com a informação disponível, tanto a Arábia Saudita como a Líbia destituíram os embaixadores da Dinamarca.

Vai recomeçar tudo outra vez.

Então que lições devemos (voltar) a retirar desta nova onda de publicações de “cartoons”?

Aqui fica a minha opinião:

A primeira lição é que, e de uma forma bastante literal, há muita gente que gosta de atirar pedras aos muçulmanos, sob o disfarce de uma errónea identificação dos mesmos com características de violência, traição e maldade, preconceitos que não irão desaparecer pelo simples facto de não os apreciarmos e de os contestarmos.

A segunda lição, e que acaba por ser uma consequência da primeira, é que ao deitarmos lenha para a fogueira, nós (muçulmanos) estamos apenas a conseguir queimar-nos a nós próprios, legitimando o conceito de que os muçulmanos são incapazes de responder à ofensa e crítica sem pegarem na espada da vingança.

(Aliás, este é, naturalmente, o efeito calculado da publicação destas provocações: criar uma imagem escandalosa do Profeta Muhammad, deixar que os muçulmanos se rebelem em resposta e deixar bem à vista de todos a incorrigível violência e radicalismo que caracterizam o mundo muçulmano).

A terceira lição é, no entanto, relativa à oportunidade de reagir a estes “cartoons” vista de uma maneira diferente, oportunidade que estamos a perder.

Com efeito, não precisamos de incendiar carros e bairros na Europa, ou de retaliar publicando as nossas próprias versões racistas de estereótipos com a intenção de ofender os europeus e, muitas vezes, os judeus. A nossa melhor resposta a este tipo de provocações é a cooperação entre muçulmanos e também com os numerosos aliados de outras fés para exigirmos o fim da publicação de todas as imagens religiosas depreciativas ou escandalosas, mas não enquanto privação da liberdade de imprensa, mas sim porque existe uma justificação moral para o fazer.

O Profeta Muhammad (s.a.w.) teve de lidar com escárnio e censura semelhantes durante a sua vida. Até mesmo a sua Mesquita foi profanada por alguém que nela resolveu urinar. No entanto, em vez de exigir que o pecador fosse castigado ou morto, Muhammad (s.a.w.) serviu-se do ocorrido para educá-lo sobre a natureza de uma melhor higiene e o respeito pela Casa de Deus.

Aqueles que nos difamam e odeiam são conduzidos por uma aversão irascível pelo Islão, aliada à profunda ignorância relativamente à diversidade da vida e cultura muçulmanas. Ora, não vai ser uma resposta violenta proveniente da comunidade muçulmana que os vai dissuadir de dizer, desenhar ou publicar o que entenderem.

Mas se, contrariamente, a nossa resposta for organizada e não violenta poderemos muito bem conseguir provar que os muçulmanos, quando são orientados pelo Alcorão e pela Sunnah do Profeta Muhammad (s.a.w.), são capazes de evocar um padrão moral mais elevado, razoável e estrategicamente mais eficaz, que lhes permite em conjunto com as os nossos aliados de comunidades de outros credos, defender a integridade da nossa fé.

Que Deus nos conceda o Seu verdadeiro amor e o do Seu último Mensageiro, e que nos conceda a graça de, no Dia da Ressurreição, estarmos entre aqueles que obedeceram verdadeiramente ao seu nobre lema. Ámen.

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Misericórdia Divina

Por: M. Yiossuf Adamgy

Solicitado por alguns amigos, leitores e teólogos islâmicos para comentar e esclarecer, em livro a publicar, a temática islâmica focada no romance recém-publicado, intitulado “Fúria Divina”, da autoria de José Rodrigues dos Santos, pareceu-me que deveria escrever – à luz da verdadeira Fonte do Islão – esclarecendo sobre os muitos mitos do Islão: a metodologia de compreender o Alcorão, o muito incompreendido conceito de Jihád e os relevantes conceitos de “paz” e “guerra” no Islão, o conceito de Kafir, de Compaixão, de Apóstata, de Lapidação, de Tolerância, de Fundamentalismo, de Extremismo, de Terrorismo, de Democracia, da Mulher no Islão, se o Islão foi divulgado pela espada, etc., etc. .

Num esforço para dissipar todas essas falácias, este livro, intitulado “Misericórdia Divina”, concentrar-se-á na investigação destes conceitos contextualizados no Alcorão. O Alcorão é a indiscutível fonte e autoridade de todos os aspectos da religião do Islão. No livro citarei alguns ditos Proféticos (Ahadices) que estão em linha com os versículos Alcorânicos que trato. No entanto, evitei conscientemente o uso de ditos Proféticos ou de outras fontes para a obtenção de conclusões que o Alcorão não apoia explicitamente.(1) O uso apenas do Alcorão assegura a revelação da verdade sobre os conceitos em causa, a qual se revela muito diferente da imagem comum que se tem destes conceitos.

Naturalmente, o livro citará extensivamente o Alcorão. De facto, pretende-se que em muitas partes seja lido como um comentário a versículos Alcorânicos. Dada a natureza e a estrutura do Alcorão, é comum que um mesmo assunto seja abordado em diferentes partes do Livro. Por conseguinte, é necessário que versículos relevantes sejam reunidos e observados em conjunto. Esta abordagem, a qual irei seguir neste estudo, permite ao pesquisador ver nesses versículos temas comuns e significados complementares que podem não ser visíveis quando os versículos são estudados separadamente.

Darei o meu melhor para fazer deste livro um livro autónomo, que não exige um conhecimento prévio do Alcorão ou da História ou pensamento Islâmicos. Toda a informação e explicações necessárias serão fornecidas onde importam de modo a tornar este estudo profundo e focalizada uma leitura fácil.

Ao apresentar factos claros e verificáveis e ao afastar sofismas infundados a respeito dos conceitos em causa, rezo para que este livro possa alcançar dois objectivos para dois diferentes públicos:

Em primeiro lugar, que prove ser uma fonte de informação útil para Muçulmanos e pesquisadores da verdade que consideram ou venham a considerar abraçar o Islão, voluntariamente. Assim como entre os seguidores de qualquer outra Fé, existem muçulmanos que apresentam uma falta de conhecimento dos fundamentos da sua religião.

Em segundo lugar, que convença outros que não estão interessados em adoptar o Islão como religião por uma razão ou por outra, de que o Islão é uma religião excepcionalmente pacífica, com que se pode coexistir.

Muitos reconhecerão, infelizmente, que o abismo entre Muçulmanos e não-Muçulmanos se tem vindo a alargar. Igualmente triste, é o facto de muitos não saberem que, embora este conflito implique crentes do Islão, não teve origem na religião do Islão. Eu, como muitos outros pelo mundo fora, sinto partilhar da responsabilidade em ajudar à dissipação deste crescente distanciamento entre Muçulmanos e não-Muçulmanos. Estas tentativas, se feitas correctamente, são, na verdade, uma forma de jihád, como veremos neste estudo.

(1) – Este válido critério foi observado pelos grandes eruditos do Islão, desde o início. Continua a ser o fio condutor dos pensadores actuais. Ibn Khaldun escreveu: “Não acredito em nenhum Hadice ou relato de um companheiro do Profeta, paz esteja com ele, como sendo verdadeiro se diferir do sentido do Alcorão, por muito fidedignos que tenham sido os seus narradores. Não é impossível que um narrador pareça fidedigno embora seja movido por outros motivos. Se os Ahadice fossem analisados pelos seus conteúdos como o foram relativamente à cadeia de narrado- res que os transmitiram, grande parte deveria ter sido rejeitado. Um princípio aceite é o de que um Hadice pode ser rejeitado se divergir do sentido do Alcorão, dos princípios da Chariah, das leis da lógica, ou de qualquer outra verdade evidente”. Este critério, que foi apresentado pelo Profeta (s.a.w.), e seguido por ibn Khaldun, está em perfeita harmonia com a análise científica moderna.

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Noções Islâmicas acerca do diálogo das civilizações

Al Furqán

Intervenção do Director da Al Furqán no Seminário do Centro Ecuménico Reconcialiação
Figueira da Foz, em 12/12/1996

“A Allah pertence o Oriente
E também o Ocidente,
O Hemisfério Norte
E o Sul.
Estão calma e pacifìcamente perante Ele;
Só Ele é o Justo;
Ele deseja o bem para os Seus adoradores;
De entre centenas de nomes Seus,
Tomem este para vós.”
Ámen.

Sim! Quanto mais desapontado fica um qualquer estudioso humanista e civilizado, pelas políticas injustas, o egoísmo, e os excessos dos poderes mundiais dominantes, mais ele se convence de que não há cura contra esta doença da injustiça sobre a Terra com os seus consequentes perigos para a humanidade excepto através dos ensinamentos da Religião, sobretudo do Islão, que removem barreiras, colmatam brechas e estreitam as diferenças entre as nações pela graça absoluta de DEUS sobre a humanidade.

Quanto mais frustrado me sinto com as políticas e os excessos dos poderes mundiais dominantes e suas posições em relação aos oprimidos da Terra especialmente em relação aos Muçulmanos de todo o mundo, que agora estão submersos na mira do retrocesso civilizacional mais me convenço do facto de que não há cura contra a doença humana de atitudes egoístas e arrogantes e seus consequentes perigos para a humanidade senão no recurso às leis e métodos correctos do Islão.

O Islão constata que as diferenças de crença e pensamento são de facto reflexos da livre vontade do ser humano. Assim foi a lei instituída por DEUS quando destinou o homem para ser Seu representante na terra. Esta Divina ordenação seguiu-se ao diálogo iluminante Alcorânico entre Deus, Seus anjos, Adão e Satanás; este diálogo culminou na predestinação da humanidade para a liberdade de vontade e concluiu que só Deus tem o supremo direito de julgamento sobre a crença e actos do homem no Dia do Juízo Final. O Alcorão acentua esta ideia em mais de um Capítulo (Sura):

“Diz: Todos agem de acordo com a sua própria disposição. Mas o teu Senhor sabe melhor quem é e está Melhor guiado no caminho.” Capítulo 17 vers. 4

“Diz: … O teu dever é proclamar a Mensagem.” Capítulo 3 vers. 20

“Para Nós será o regresso deles. Então caberá a Nós chamá-los para as contas.” Capítulo 88 vers. 26

“Não há compulsão na religião.” Sura 2 vers. 256

Esta liberdade de escolha é garantida dentro do quadro de dois piedosos princípios: primeiro, há o facto de todos nós sermos membros da raça humana, em todos os continentes e em todas as épocas, no tempo. Descendemos de Adão que foi criado da lama; assim, todos são irmãos e irmãs e o homem é irmão do homem quer queira quer não. Em segundo lugar, o reconhecimento mútuo e a amizade (não a matança mútua, o ódio e a vingança) são os termos Islâmicos para o diálogo inter-civilizacional e inter-cultural:

“Ó humanidade! Nós vos criamos de macho e fêmea e vos dividimos em tribos e nações, para que se conheçam uns aos outros.” Capítulo 49 vers. 13

Deus indicou-nos o ponto de partida no nosso diálogo com as outras nações e culturas espalhando o chamamento para todos:

“Ó Povos do Livro! Vinde a termos comum entre nós e vós: que não adoremos ninguém senão Deus; que não Lhe associemos nenhum parceiro; e que não aceitemos outros por senhores além de Deus.” Capítulo 3 vers. 64

Deus lembrou também a todas as outras nações que Ele é o Senhor de todos, que Ele é o Criador da vida e da morte, e que Ele enviou todos os profetas e mensageiros para estabelecer a justiça a nível individual, social e internacional:

“Na verdade, Nós mandamos os Nossos apóstolos com provas claras, e enviámos com eles o Livro e a balança (do bem e do mal) para que os homens possam observar a medida justa.” Capítulo 57 vers. 25

O estabelecimento da justiça foi o último objectivo que estava por detrás do envio de todos os mensageiros a todas nações:

“E não há uma nação pela qual não tenha passado um conselheiro” Capítulo 35 vers. 24, e como as nações ao longo dos tempos começaram a ficar próximas umas das outras e todo o mundo se tornou como que uma pequena aldeia, o último mensageiro foi enviado para todas as nações:

“Dize: Ó homens, fui enviado para todos vós, como Mensageiro de Deus.” Capítulo 7 vers. 158

Deus Todo-Poderoso chama a Si a preservação desta última e conclusiva Mensagem:

“Nós enviamos, sem dúvida, a mensagem e Nós certamente guarda-la-emos (da corrupção).” Capítulo 10 vers. 9

A conclusiva mensagem Divina demonstrou a todas as nações da Terra que Deus enviou os Seus mensageiros com versículos claros e deu-lhes o Livro para permitir às pessoas instalar e estabelecer a justiça. Deste modo devemos mencionar que os nossos antepassados na erudição Islâmica lançaram um grande princípio para o diálogo inter-cultural que diz:

“Sempre que a Justiça ceda, o julgamento aí reinante será o de Deus.”

Deus também os enriqueceu com directivas referentes ao método, termos de referência, e ponto de partida para o diálogo inter-cultural. Assim o método do diálogo seria baseado na sabedoria e pregação bondosa, como é articulado no seguinte versículo do Alcorão:

“Convida (todos) para o caminho do teu Senhor com sabedoria e uma bela exortação.” Capítulo 16 vers. 12

Igualmente o quadro de referência para o diálogo deverá ser baseado na razão e na racionalidade, pois o Alcorão reza: Dize:

“Produzi a vossa prova se sois verdadeiros.” Capítulo 2 vers.111

Finalmente, o ponto de partida do diálogo inter-cultural deveria assentar na posição relativa da nação Islâmica que qualifica-o para desempenhar um papel de uma testemunha imparcial para outras nações, não para as indiciar ou as ridiculanzar ao descrevê-las como pagãs:

“E, deste modo, fizemos de vós uma nação justamente equilibrada, para que pudésseis ser testemunhas contra as nações (descrentes) e o Mensageiro pudesse testemunhar as vossas acções.” Capítulo 2 vers. 143

Sim! Quanto mais qualquer estudioso humanista e civilizado se sente desapontado pelas políticas injustas, o snobismo, e os excessos dos poderes dominantes do mundo, mais se convence de que não há cura contra esta doença da injustiça sobre a Terra com os seus consequentes perigos para a humanidade excepto através dos ensinamentos da Religião, sobretudo do Islão, que remove barreiras, estabelece contactos, e estreita as diferenças entre nações pela graça absoluta de Deus sobre a humanidade:

“E não te enviamos, senão como misericórdia para a humanidade.” Capítulo 21 vers.107

“E a fraternidade humana universal que recorda a humanidade da sua única origem: “Ele que vos criou de uma só ser.” Capítulo 7 vers. 189

Baseado nesta graça absoluta sobre a humanidade seja amigo ou inimigo, vivendo próximo ou longe, homem ou mulher, preto ou branco, Muçulmano ou não-Muçulmano nós alinhamos no diálogo inter-cultural com outras civilizações e nações. Deus descreveu mesmo as nações Islâmicas dentro desta graça absoluta, quando diz no Alcorão:

“Vós sois o melhor dos povos, que surgiu para a humanidade, porque ordenais o bem, proibis o ilícito, e credes em Deus.” Capítulo 3 vers. 110

A nação Islâmica mereceu esta descrição porque é esperado ela actuar na prática das seguintes acções: incutir nas pessoas fazerem (e dizerem) o bem quando se relacionam umas com as outras, quer como indivíduos, grupos sociais ou nações; instar com as pessoas para refrearem a prática de más acções quer contra si próprias, quer contra outros indivíduos ou outras nações; crer em Allah, que é a negação de todos os tipos de esclavagismo e todos os tipos de restrições da liberdade de pensamento, o que é um prerequisito básico para o diálogo. Por isso o Alcorão diz:

“E se os Povos do Livro tiverem fé, tanto melhor para eles.” Capítulo 3, vers. 110

Assim o relacionamento da nação Islâmica com as outras nações, baseado na graça absoluta e paz compreensiva, é guiado, como mencionado inicialmente, pelo princípio de justiça, que é um princípio universal humanista que cobre e se aplica igualmente a todas as nações habitantes da Terra. De acordo com este grande princípio indicado por Deus como supremo objectivo das mensagens dos Seus apóstolos, nós definimos as nossas relações com todos os poderes e nações do mundo. A pedra angular todavia nas nossas relações com todas as nações é a piedade, a graça, a justiça, o reconhecimento mútuo, e a integração positiva, como se vê no versículo seguinte do Alcorão:

“Mas não transgredi os limites, pois Deus não ama os transgressores.” Capítulo 2 vers. 190

As relações internacionais sobre estes princípios ajudarão o homem a gozar uma liberdade estabelecida, tão vasta como o universo, eradicando a agressão da terra e espalhando paz e segurança a todas as pessoas e a todas as terras, e assegurando que a humandade no seu presente esteja melhor do que no passado, sendo possível ter um futuro melhor do que o presente. Desta forma, será assegurado um sustentável, auto-gerador e enérgico progresso humano.

A presevação da dignidade de todos os povos e de todas as terras é o dever de todas as pessoas as quais deviam expressar a sua preocupação pelos direitos humanos e pela dignidade humana; e isso é o primeiro prerequisito para qualquer diálogo inter-cultural. O homem foi dignificado por Deus que diz no Alcorão:

“Nós honramos os filhos de Adão.” Capítulo 17 vers. 70

Abstenção da resistência à injustiça é equivalente a tomar o partido dos injustos, cujas vidas serão tiradas pelos anjos da morte enquanto estão no estado de injustiça para consigo próprios:

“Àqueles a quem os anjos tiram a vida em estado de iniquidade, perguntam: ‘em que vos ocupáveis’? Eles dizem: ‘Nós estávamos oprimidos na terra”. (Os anjos) perguntam: ‘Não era a terra de Allah bastante grande, para que pudésseis emigrar’? Tais pessoas terão por morada o Inferno. Que terrível destino!” Capítulo 4 vers. 97

O reconhecimento e a amizade mútuos entre as nações ou o diálogo inter-cultural não terá o curso certo sem que sejam aplicáveis os princípios e padrões preconizados pela graça das religiões e pela paz. A abertura deste glorioso capítulo de diálogo inter-civilizacional demonstra a todos os estudiosos e homens de razão o ponto de vista do Islão sobre os assuntos da guerra e da paz. Isto é muito importante contra as campanhas de falsificação e manipulação que são desencadeadas contra o Islão numa tentativa para distorcer os seus nobres princípios. Está claro que algumas forças do mal no Ocidente tentam activamente desenhar uma similaritude entre o Islão e o Comunismo, explorando oportunisticamente incidentes violentos que ocorrem nalguns países Muçulmanos que estão quer sob ocupação quer sob governos tirânicos. O sucesso do nosso diálogo com as outras nações depende enormemente na aplicação do princípio do tratamento justo a todos os povos do mundo. O Alcorão diz:

“E não consintais que o vosso ressentimento contra aqueles que dantes se opuseram à vossa ida à Mesquita Sagrada, vos leve a transgredir (provocando-os). Pelo contrário, ajudai-vos uns aos outros a praticar a virtude e o temor a Deus; e não vos ajudeis uns aos outros no pecado e na hostilidade.” Capítulo 5, vers. 3

Por este princípio nós toleramos, e ao mesmo tempo, com este princípio defendemo-nos; só poderemos fazer isso se nos submetermos às regras preconizadas por Deus, dando forma a nossa relação com Ele do modo que Ele deseja que seja, e formando as nossas relações com os outros de acordo com os princípios e vias que os fazem ajudar-nos a defendermo-nos contra a agressão, ou pelo menos assegurar a sua não intervenção.

Coexistência mútua ou diálogo civilizacional é uma das metas pelas quais Deus criou o homem. Por isso, Deus dirige-se a todos os povos da Terra, nestes termos no Alcorão:

“Ó humanidade! Na verdade, Nós vos criamos de macho e fêmea e vos dividimos em tribos e nações, para que se conheçam uns aos outros.” Capítulo 49, vers. 13, na base da justiça, que é uma boa e frutífera palavra:”Como a árvore nobre, cuja raiz está profundamente firme, e cujos ramos se elevam até ao céu.” Capítulo 14, vers. 24

Deixemos que a divisa do diálogo civilizacional seja o vers. 83 do Cap 2 do Alcorão que diz:

“Falai com brandura a todas as pessoas”, e deixemos que a finalidade do diálogo seja a de adquirir a liberdade tão vasta como o universo. “Cheguemos a termos comum entre nós e vós: que não adoraremos ninguém senão Deus; que não Lhe associemos nenhum parceiro; e que não aceitemos outros por senhores além de Deus: E se depois eles se afastarem, dize-lhes: “sede testemunhas que nós (pelo menos} submetemo-nos à Vontade de Deus.” Capítulo 3 vers. 64

Cooperemos com toda a espécie de bem e piedade, o que significa trabalharmos juntos para preservar o homem e a sua civilização de toda a espécie de mal que possa acontecer-lhe; isto também exige a necessidade de juntarmos as mãos para acabar com todas as espécies de alianças por levarem a cabo actos pecaminosos e agressivos. Deste modo, o sol de uma nova humanidade irradiará a sua luz por todo o globo. Um dos exemplos mais sublimes de pessoas que tratam com cuidado a verdade nos seus diálogos inter-civilizacionais é a Senhora Anne Mary Schmael, que recebeu, recentemente, o Prémio da Paz num festival de Frankfurt organizado à volta da maior feira do livro do mundo. A feira foi visitada por um grupo de políticos de elite, estudiosos, filósofos e eminentes homens das letras, para além de representantes de credos religiosos e homens de valor de todas os quadrantes intelectuais e filosóficos. Este festival foi organizado em honra da Senhora Schmael, que passou meio século a escrever e a levar a cabo pesquisas sobre o Islão, e explorou a sua dimensão intelectual e defendeu os seus valores humanistas. Entre os presentes no festival estava o Senhor Roman Hertzog, presidente da República Alemã, a Senhora Petordoat, presidente da Câmara de Frankfurt, e o Senhor Gerhard Greche, Presidente da Associação dos Escritores Alemães. Também presentes estavam os meios de comunicação social, os quais falharam em representar o diálogo inter-cultural, pois preferiram propagar os conceitos de conflitos entre as culturas para servir a continuidade da agressão do homem ao própno homem, seu congénere. A mais apta e eloquente conclusão acerca de tais manipulações da comunicação social foi tirada pela própria Senhora Schmael, que falou do “diálogo anti-inter-cultural da comunicação social”, acrescentando que: “A Comunicação Social não chama a si a tarefa e o dever de alertar a nossa consciência, mas tende mais a moldar-nos num estado de medo e terror, proibindo-nos de desenvolver uma relação positiva com a civilização Islâmica, a qual é figurada pela maior parte dos Europeus como estranha, nebulosa, atrasada e estagnada.”.

Quão espectacular seria fazermos o nosso mote para o diálogo inter-cultural com o versículo sagrado indicado pela Senhora Schmael:

“Não reparas em como Deus exemplifica (numa pa- rábola)? Uma boa palavra é como uma árvore nobre, cuja raiz está profundamente firme, e cujos ramos se elevam até ao céu. Frutifica em todas as estações com o beneplácito do seu Senhor.” Capítulo 14, vers 24-25

Do mesmo modo, a ideia do choque de culturas propagada pelas forças do mal pode mesmo ser descrita como: “”Por outra, há a parábola de uma palavra vil, comparada a uma árvore vil, que foi desarraigada da terra e carece de estabilidade.” Capítulo 14, vers. 26

O Dr. Nadim Atallah, que escreve no AI-Ra’id, que é publicado na Alemanha sob o título de “Colisão ou Coexistência de Culturas” relata que “a civilização Islâmica conseguiu existir e assimilar a herança cultural das civilizações antigas, assim como coexistir e interagir com outras civilizações com uma consciência e uma abertura que lhe permitiu conservar os aspectos positivos dessas civilizações e evitar os seus aspectos negativos sem perder as suas características distintas e identidade. Também, a Europa foi capaz de construir a sua moderna civilização sobre as fundações lançadas pela interacção civilizacional com os Árabes da Andaluzia. Livros de intelectuais tais como Avicena eram os textos médicos básicos em uso no início da história moderna da Europa. Também os livros de Avirus contribuiram enormemente para os debates religiosos e filosóficos que conduziram o Iluminismo na Europa. Além disso as traduções de Tolaitela, em que Judeus, Cristãos e Muçulrnanos viviam lado a lado, trouxeram a ciência Árabe para o Ocidente.”

Na sua mensagem do festival, o Presidente Hertzog indicou os princípios sob os quais o diálogo inter-civilizacional devia ser erguido: “O conhecimento das pessoas acerca umas das outras deve ser promovido; sem o conhecimento mútuo não haverá a compreensão mútua e sem a compreensão mútua não haverá respeito mútuo e sem respeito mútuo não haverá confiança mútua, e sem confiança mútua não haverá paz, mas sim inevitáveis conflitos entre as civilizações.”

Conflito é a verdadeira coisa desejada por aqueles que forjam e manipulam factos com intenções malévolas, domínio sobre os outros, e corrupção sobre a Terra, apesar do facto de agora o mundo se ter tornado mais pequeno, nas distâncias, e diferenças de tempos e espaços grandemente reduzidas. Este facto só por si seria mais que suficiente para um diálogo inte-civilizacional do que para conflitos culturais, e para o estabelecimento da coexistência pacífica baseada na justiça, não no medo e no terror.

O mundo está agora a passar por uma fase em que há necessidade de respostas ao Alcorão da parte daqueles que crêem na bondade da humanidade: aqueles que evitam actos pecaminosos e agressões.

A melhor conclusão para esta intervenção sobre o diálogo inter-civilizacional seriam as palavras da Senhora Schmael, quando terminou o seu discurso dizendo:

“O meu hábito não é o de fazer declarações ou escrever panfletos e não é o da excitação e dos discursos tormentosos. Eu creio que a água pura no seu incessante correr irá, através do tempo que passa, vencer as rochas sólidas. Mas eu acrescento a minha gratidão enquanto desejo obter ajuda para a causa da paz à qual Goethe faz a sua alusão nos seus Poemas Orientais”

“A Allah pertence o Oriente
E também o Ocidente,
O Hemisfério Norte
E o Sul.
Estão calma e pacifìcamente perante Ele;
Só Ele é o Justo;
Ele deseja o bem para os Seus adoradores;
De entre centenas de nomes Seus,
Tomem este para vós.”
Ámen.