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O método das orações de Eid

M. Yiossuf M. Adamgy

O método das orações de Eid

A Oração de Eid consiste em duas unidades de oração (Rakas) com seis Takbires (o erguer das mãos enquanto se diz Allahu Akbar [Deus é Grande] em congregação, seguidas do Khutba (sermão) de Eid.

Acompanhe o Imame, erguendo ambas as mãos até às orelhas, e diga Allahu Akbar, é este o primeiro Takbir para entrar na Oração (Salat) .

Em seguida, entrelace as mãos e recite a “Sanaa”, (subhaannakallahumma…) até ao fim.

Depois, diga três vezes Allahu Akbar, acompanhando o seu Imame e, em cada uma das vezes, eleve ambas as mãos até às orelhas e deixe-as cair. Depois de cada Takbir, há uma pequena pausa, durante a qual se pode recitar a Subhanallah três vezes.

Após o terceiro Takbir as mãos devem ser entrelaçadas e deve-se ouvir o Imame recitar Auzubillah, Bismillah, a Sura Fatiha e alguma outra Sura.

Em seguida, execute a Ruku (a vénia) enquanto o Imame diz Allahu Akbar .

Depois, faça a Sajdah (prostração) conforme o habitual, acompanhando o Takbir do seu Imame.

No segundo Raka, o Imame recitará primeiro a Sura Fatiha e alguma outra Sura. Depois, ele dirá em seguida três Takbires. Nestes três Takbires, as mãos não devem ser entrelaçadas, mas sim deixadas cair depois de cada Takbir.

Em seguida, faça a Ruku exactamente depois do quarto Takbir, e acabe a oração, atrás do Imame.

Escutar o Khutbah depois da Oração de Eid é waajib (obrigatório).

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Feliz Ramadan 2011 – 1432

M. Yiossuf M. Adamgy

Preazados Irmãos,
Assalamu Alaikum W. W.:

Em nome de Allah (Deus), Clemente e Misericordioso, viajamos pelo tempo, um ano mais nas nossas vidas, regressando ao nosso interior mediante a prescrição divina do jejum, prática de adoração que, como disse o nosso amado Profeta Muhammad, paz e bênção estejam com ele, ‘quando o Ramadan chega, abrem-se as portas do Jardim’.

Todos os anos, os Muçulmanos e as Muçulmanas do mundo alegram-se com a chegada deste abençoado mês de Ramadan que nos recorda a nossa verdadeira condição, o nosso vazio e a nossa precariedade, ajudando-nos a regressar, desta forma, à Única Realidade, que nos diz: ‘Deixa a tua comida e a tua bebida por Minha causa. O jejum é para Mim e sou Eu que recompenso por ele e a boa acção (nesse período) vale por dez’.

O mérito do jejum, a oração e a hospitalidade no Ramadão.

A maior recompensa, o grau mais elevado neste nosso mundo inferior, é a fé à qual devemos a ajuda e o favor da bondade de Allah. A nós, foi-nos dada a honra de termos sido feitos Seus servos e a Sua Comunidade bem-amada, e de termos recebido um lugar no Alcorão.

Temos agora mais uma bênção: Uma vez a cada ano, chega o mês do Ramadão, no qual “o começo é a misericórdia, o meio é o perdão, e o final é a salvação do Fogo”.

Sempre que o Ramadão chegar, na nossa vida, devemos apreciá-lo! Ele passa muito rapidamente. A própria vida passa num ápice, assim como acontece com o tempo da oração. Não devemos dizer: “O Ramadão voltará outra vez”, porque um Ramadão que tenha passado não voltará novamente. O próximo Ramadão, se voltar na nossa vida, será um Ramadão diferente. É possível que o Ramadão continue a chegar até à Ressurreição, mas este Ramadão pode ser, para alguns de nós, o último.

Não se deve dizer: “eu perdi esta oração, mas outra virá”. Quem sabe se esta oração não é a tua última.

Não se deve dizer: ‘Quando me aposentar e começar a ganhar a minha pensão, então me dedicarei à adoração!” Quem sabe se não farás a tua última viagem antes de chegar a receber a tua pensão… Vestir-te-ão uma mortalha, de modo a preparar-te para a acção imediata. Lamenta-te, copiosamente, pelos teus pecados. Mantém a vigilância pelo teu Senhor, recitando o Alcorão. Sorrindo, homenageia a Sua presença. Reflecte na tua própria natureza transitória, recordando que Ele é eterno… Reflecte nas tuas próprias debilidades, recordando-te que Ele é o Todo-Poderoso…

Que coisa bela encontrar o Senhor! Como poderei fazer chegar-te o Seu sabor? Pode falar-se aos cegos sobre a cor, aos surdos sobre a música, aos impotentes sobre o deleite da relação sexual, mas é possível realmente fazer com que eles compreendam essas experiências? Se o cego não pode ver, como pode ele descobrir a cor através das palavras? Como se pode mostrar a um olho que não vê as flores multicolores, as árvores, o sol, o céu, a dança dos peixes nos riachos? Ao que não tem o sentido do olfacto, como lhe poderemos descrever o cheiro da rosa, a fragrância do jacinto, ou o perfume do junquilho? Como poderemos contar ao surdo acerca do chilrear dos pássaros, do murmúrio do fluir das águas, ou das cadências do Nobre Alcorão e as da chamada à oração (Azan)?

Se passares algum tempo a sós com o Senhor, um dia levantar-se-á o véu dos teus olhos e verás as cores. Adquirirás o sentido do olfacto e detectarás a fragrância das rosas, dos jacintos, dos junquilhos e dos narcisos. A tua surdez irá desaparecer e ouvirás a constante lembrança de Allah. Os ouvidos do teu coração abrir-se-ão e deleitar-te-ás com a recitação do Alcorão. Sob os cantos dos rouxinóis e do murmúrio das águas, ouvirás o som da afirmação da Unidade Divina.

São estas as dádivas que serás capaz de obter neste mundo e que um dia terminarão. Quanto às dádivas que obterás no Além, incha Allah, não têm fim, são eternas…

Quando o Ramadão chega, não consegues ouvir aquela Voz chamando todas as noites: “Ninguém Nos quer, ninguém Nos ama? Nós os amaríamos também!”. Este apelo faz-se em todos os entardeceres e em todas as noites. Esta é outra dádiva divina característica do nobre mês do Ramadão. Observa a conversa de que desfrutou o Profeta Moisés (a.s.). Moisés, o Kalimullah, aquele que falava com Allah, quando costumava ir ao Monte Sinai (tu tens o teu próprio ‘Monte Sinai’ no momento de romper o jejum, quando podes suster mil e uma conversas). Quando Moisés dizia: “Ó meu Senhor, Tu falas comigo, Tu diriges-Te a mim. Não me mostrarás a beleza do Teu semblante? Deixa-me ver a Tua beleza!” Recebeu a resposta do Senhor: Lan taraani: “Não poderás ver-Me”. [Alcorão, 7:143].

“Moisés! Como poderás ver a Minha beleza, quando há setenta mil cortinas entre nós? Serias incapaz de Me ver. Mas na altura da Ressurreição dar-te-ei um mês, como um presente à Comunidade do meu bem-amado Muhammad. Esse mês chamar-se-á Ramadan. E a Comunidade de Muhammad deverá jejuar durante todo esse mês, e Eu Me manifestarei de forma tal na altura de romper o jejum, que não haverá absolutamente nenhum véu entre mim e a Comunidade de Muhammad, enquanto agora, entre Mim e tu, há setenta mil véus”.

Numa Tradição Sagrada, o Altíssimo disse: “O jejum é para Mim e Eu sou quem o recompensa”.

A recompensa do jejum é a visão da Beleza Divina. O emblema do Ramadão é o perdão. O jejum deverá fazer-se com sinceridade e com afecto ardente. O nosso abençoado Mestre Muhammad (s.a.w.) disse: “Se a minha Comunidade soubesse que êxito e salvação residem no Ramadão, rogariam a Allah que lhe deixasse viver para sempre nesse mês!”.

Queira Allah S. T. conceder a Sua Misericórdia sobre os nossos corações e facilitar-nos o Jejum. Ámin.

Wassalam W. W.
M. Yiossuf M. Adamgy

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Histórias de Ramadan – A Árvore do Pastor

Escrito por Cüneyd Suavi. Traduzido por Yiossuf Adamgy.

Sempre que o idoso pastor ia aos prados para alimentar as suas ovelhas, descansava debaixo de uma macieira perto de um monte, e se estivesse em Outono ele dirigia-se à árvore dizendo-lhe: ‘Vem, estimada árvore, dá uma maçã a este velho’. E, em seguida, uma maçã deliciosa e madura caía da árvore. O ancião pegava na sua faca, com seu punho trabalhado em madrepérola, e cortava a maçã em pedaços. Depois misturava esses pedaços com o iogurte e comia-o com grande apetite.

O idoso pastor havia plantado a árvore já fazia vinte anos e o regava frequentemente, ao princípio. Depois de fazer as abluções, regava a árvore com água que tinha na sua jarra. A árvore de maçã cresceu e começou a dar fruta. Naquela época, o pastor era jovem e colhia as maçãs, não era nenhum problema para ele. Com os anos, naturalmente, a árvore cresceu em altura e o pastor se envelheceu. Não importa quantos anos passaram, a verdade é que a mesma árvore, de que o pastor havia cuidado como se de um bebé se tratasse, proporcionava ao ancião as suas frutas. Quando o pastor acariciava a árvore, dizia-lhe: ‘Filho meu, envia-me minha peça de fruta para hoje!’, e uma maçã cairia sem necessidade de que ele tivesse de repetir o seu pedido.

Isto continuou durante anos sem interrupção. Os aldeões podiam contemplar este acontecimento à distância e corria o rumor que o velho era um santo. Consequentemen-te, não deixavam a mais ninguém recolher a fruta da ‘árvore do pastor’ e se alguém ousasse fazê-lo em segredo seria repreendido. Um dia, o pastor, já mais idoso, pediu uma maçã como de costume. Embora os ramos estivessem cheios de maçãs, nenhuma delas se deixou cair. O ancião repetiu o seu pedido, uma e outra vez. A árvore não respondeu. O ancião se afastou da árvore, as lágrimas começaram a rolar pelo seu rosto, molhando a sua barba branca; procurou, então, o consolo entre as suas ovelhas. Era a primeira vez que seu menino o tinha rejeitado.

O pastor caminhava curvado, pois o seu corpo se tinha tornado demasiado pesado para as suas pernas fracas, e é que o tempo não passava em vão. Quando reuniu às ovelhas e foi para a aldeia, se surpreendeu quando escutou o adhan do pôr-do-sol a chamada para a oração que se dirigia a todos do minarete da mesquita da aldeia. Foi como ter nascido de novo e … deu conta de algo. Sem prestar muita atenção ao seu velho coração, o pastor, cheio de alegria, correu em direcção à árvore de maçãs. Quando abraçou a árvore, com compaixão, disse-lhe: ‘Querido meu! Antes de permitires que este velho lamentasse da sua sorte, porque não me avisaste que hoje era o primeiro dia do Ramadán e que tinha que jejuar?’.

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O Alcorão não é “letra tornada morta pela evolução da humanidade”

Por: Mahomed Yiossuf Mohamed Adamgy

In CARTA DIRIGIDA AO DIRECTOR DO JORNAL “PÚBLICO”

Stº. Antº. dos Cavaleiros, 31 de Março de 2004.

Exmº. Senhor Director do Jornal “Público”

Com os meus cordiais cumprimentos, venho pedir a sua atenção para o seguinte:

Publicou a jornal “Público” de 19. Março.04, um belíssimo artigo encabeçado pelo título “Islão, Terror e Mentiras”, subscrito pelo vosso conceituado colaborador e analista Dr. Miguel Sousa Tavares.

Na sua qualidade de organização vocacionada para estudo e divulgação do Islão em Portugal, a revista “Al Furqán” entende ser seu dever comentar e esclarecer, sob o ponto de vista Islâmico, a forma pouco correcta e parcial como foi apresentado o seguinte parágrafo escrito no final da rubrica 1., no intitulado artigo “Islão, Terror e Mentiras”, que passo a citar:

“Onde estão as vozes dos imãs, dos muftis, dos teólogos do Corão, para virem explicar aos seus seguidores que metade do que lá está escrito é letra tornada morta pela evolução da humanidade, e a outra metade jamais poderá ser aceite como mandamentos de um Deus que exige, perdoa e garante a vida eterna a quem deixa umas mochilas carregadas de dinamite nuns comboios para deixar no chão um mar de corpos e vidas esventradas, mulhers, crianças, cristãos e muçulmanos, despedaçados num horror que insulta a condição humana?”.

1) – Se “o Corão é letra tornada morta pela evolução da humanidade”, também, por essa ordem de ideias, seria letra tornada morta o Evangelho e a Tora (Bíblia, com Velho e Novo Testamento).

2) – Nenhuma das “vozes dos imãs, dos muftis, dos teólogos do Corão, jamais virão explicar aos seus seguidores que metade do que lá está escrito é letra tornada morta pela evolução da humanidade”, visto que eles, assim como 1,3 bilião de pessoas no mundo, acreditam piamente que o Alcorão é a palavra de Deus.

3) – No que respeita “a outra metade”, que presume-se estar referido ao actos de jihad, terror, martírio e suicídio, feitos por alguns islâmicos, gostaria de esclarecer o seguinte:

“Se há qualquer martírio nestes actos terroristas (como por exemplo nos atentados de 11 de Março em Madrid) foi certamente o dos bravos bombeiros, polícias e outros que actuaram para salvar vidas humanas e sacrificaram as suas próprias vidas neste processo”, conforme disse recentemente o Sheik Hamza Yusuf. Segundo este estudioso Islâmico de nacionalidade americana, cujos artigos sobre o Islão são difundidos internacionalmente, “os terroristas são assassinos em massa e não mártires”. E se eles são islâmicos, então são “inimigos do Islão.”
Fanáticos religiosos de qualquer credo são pessoas frustadas, que acabam por manifestar o seu desespero, fazendo frequentemente coisas horríveis. Se estes homens realmente são árabes, muçulmanos, trata-se obviamente de pessoas muito doentes, e por conseguinte, nem sequer se deve olhar estes factos como uma questão religiosa. é política. Política trágica. Não há nenhuma justificação Islâmica para isso. é a mesma coisa que ocorria quando algum extremista irlandês usava o Catolicismo como desculpa para matar ingleses. Não são mártires.
é de recear alguma histeria que estes acontecimentos trágicos possam provocar na Europa e é importante o papel que os muçulmanos e não-muçulmanos têm que assumir, em oposição a toda esta espécie de violência. Não se pode matar pessoas inocentes. No Islão, as únicas guerras que são permitidas são entre exércitos que se devem empenhar nos campos de batalha e de uma forma nobre. O Profeta Muhammad (s.a.w.) disse: “Não deveis matar mulheres ou crianças ou não-combatentes e nem deveis matar pessoas velhas ou pessoas religiosas”. E ele mencionou, textualmente, os padres, freiras e rabinos. E disse: “Não deveis destruir árvores de fruto e nem envenenar os poços dos vossos inimigos.”
A verdade é que há alguns muçulmanos – não importa quão insignificante seja o seu número – que consideram que estes actos são actos religiosos e de auto-sacrifício. E isso está errado. Não é Alcorânico. Deturpa o Islão nos corações e nas mentes de milhões.

Quando perguntaram ao Sheikh Yusuf porque é que algumas pessoas consideram os terroristas ou sequestradores como mártires, ele respondeu que “isso é uma abominação.” Eles “são assassinos em massa, pura e sinplesmente”. São “como aqueles cristãos que, em alguns países ocidentais, atacam clínicas de aborto ou matam médicos que o praticam. Não acho que mais ninguém na Comunidade Cristã, para além de uma pequena minoria de extremistas, ataque clínicas de aborto ou médicos que o praticam.”

Perguntar-se-á então: porque há um apoio tão forte àqueles ataques terroristas em algumas partes do mundo? A resposta será porque nós estamos a viver uma época de ignorância e de perda de valores de ordem social. As pessoas estão muito confusas e espiritualmente empobrecidas. O que os americanos e os euopeus sentem agora, vem sendo sentido há muito por árabes, libaneses, palestinianos, bósnios, etc. Os Judeus também o sentiram. E ainda há muitos Judeus vivos que se lembram com medo e terror do que aconteceu na Europa durante o nazismo.

O ponto fundamental da questão é que os ciclos de violência têm que parar. é uma loucura, especialmente quando vivemos num mundo que já tem armas nucleares. As pessoas dizem que este foi um ataque contra a civilização humana. E isso é exatamente o que ocorreu. Acho que todos nós temos que nos perguntar se a vingança indiscriminada vai ajudar a preservar essa civilização. O Sagrado Alcorão diz aos muçulmanos para não deixar que o ódio de algumas pessoas os impeçam de serem justos. Ser justo é uma exigência do crente Islâmico. Do crente Alcorânico.

Quanto ao conceito, muitas vezes errado de Jihad, devo aqui vincar que Jihad quer dizer “esforço”, “luta”. O Profeta Muhammad (s.w.a) disse que “a maior jihad é a luta de um homem contra as más influências que actuam sobre ele.” Também se refere ao que os cristãos chamam de “Guerra Justa”, que é travada contra a tirania ou opressão – mas debaixo de uma autoridade estatal legítima.
Quanto ao conceito de mártir (em árabe, “Shahid”), traduzido à letra significa testemunha. O mártir é aquele que testemunha a verdade e, em prol dela, sacrifica a própria vida. Há pessoas como, por exemplo, Martin Luther King, que seriam consideradas mártires das suas causas. Também se a casa, a família, a propriedade, a terra ou a religião de uma pessoa for ameaçada, então ela pode, com justiça, defender tudo isso com a sua vida. Se perecer, essa pessoa é um mártir.

E o maior mártir perante Deus é aquele se levanta na presença de um tirano, fala a verdade e é morto por isto. Ele é martirizado. E o Profeta disse que um mártir não terá que prestar contas no Dia do Juízo. é um acto através do qual ele será perdoado. Mas o Profeta também disse que há pessoas que matam em nome do Islão ou da Verdade e irão para o Inferno. E isso “porque eles não lutavam verdadeiramente pela causa de Deus (ou da Verdade)”

Quanto ao suicídio, é um acto “haram” (ilícito) no Islão. é proibido, como um pecado mortal. Um assassinato é igualmente “haram”. E matar civis é um assassinato.

Termino este esclarecimento, solicitando à V. Exª. , como ilustre Director do Jornal “Público”, que do mesmo seja dado conhecimento aos leitores que, desta forma, ficarão em melhores condições para tirar as conclusões que se impuserem às suas consciências. Os Muçulmanos de Portugal agradecem e esperam, democraticamente, ver publicado o seu ponto de vista, que se fundamenta em princípios históricos e doutrinais, que devem ser postos ao alcance de quem busca, sinceramente, a Verdade.

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Aborto, e se for violação ou incesto?

O Islão valoriza a vida humana. Isto é expresso claramente no Sagrado Alcorão quando nos diz que aos olhos de Deus matar um ser humano é um assunto muito sério (5:32).

O Alcorão ensina que no Dia do Juízo os pais que mataram os seus filhos serão julgados por esse crime, e os seus filhos serão as suas testemunhas de acusação (81:8-9).

As pessoas temem frequentemente que ter mais filhos os torne mais pobres. Respondendo a isso, o Alcorão diz: “Não mateis os vossos filhos por medo da pobreza. Nós providenciaremos para vós e para eles” (17:31). Mesmo no caso em que já se é pobre, o Alcorão insiste que Deus fornecerá sustento para nós e para os nossos filhos, tanto mais que Deus tornou a vida humana sagrada (6:151).

O direito à vida é uma dádiva de Deus. Nenhum ser humano deve tirar esse direito. A regra geral, por isso, é que o aborto não é permitido no Islão.

No entanto, o Islão é uma religião muito prática. Inclui princípios para lidar com casos excepcionais. Um desses princípios é que, quando a gravidez ameaça a vida da mãe, pode-se realizar o aborto. Embora as vidas da mãe e da criança sejam ambas sagradas, neste caso é melhor salvar a vida principal, a vida da mãe. Mesmo neste caso, será melhor se o aborto for feito antes do feto ter 120 dias, pois é quando a alma entra no feto.

O Islão não permite o aborto em outros casos. Mulheres que foram vítimas de violação ou incesto naturalmente que merecem simpatia e ajuda. Mas uma criança concebida desta maneira infeliz tem direito a viver. Claro que isto coloca um fardo indesejável na mãe, mas matar a criança não é a solução certa. Para entender melhor este ponto, suponham que alguém vê as camadas mais pobres da sociedade como um fardo indesejável para os ricos. Seria então correcto matar todos os pobres? Claro que não. Então porque é que alguém pode decidir que uma pessoa seja morta só porque é um fardo indesejável? A sociedade como um todo deve ajudar a mãe e aliviá-la o mais possível. Mas a criança não deve ser morta. Mais ainda, o facto de que tais casos acontecem é uma indicação de que as pessoas necessitam desesperadamente de alimento espiritual. Elas necessitam dos ensinamentos puros que as ajudarão a afastar a sua mente do adultério, violação e incesto. As pessoas necessitam de Deus. Podereis ajudar alguém a voltar-se para Deus?