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Véu (hijab) – o que significa?

É absurdo pensar que o hijab, que faz parte da fé islâmica, “simboliza a desigualdade sexual e o aprisionamento das mulheres”. Os que têm como fonte de conhecimento os meios de comunicação ocidentais têm esta imagem. Na verdade, vivem num paraíso de tolos ao aceitar o slogan ocidental de que o Islão oprime as mulheres. No entanto, este tem sido o objectivo desejado dos pânditas da comunicação social e dos experts secularistas do Islão e das feministas.

O Islão preserva a dignidade das mulheres e recusa que ela seja possuída por estranhos. São as mulheres não muçulmanas e as muçulmanas “emancipadas” que são dignas de pena por mostrarem a sua privacidade para todos verem.

A verdade é que o hijab foi decretado não para degradar as mulheres, mas para proteger a sua modéstia e honra. é tão bárbaro colocar um elevado prémio sobre a honra das nossas mães, irmãs e mulheres? É errado respeitá-las? Deve uma mulher estar semi-nua para ser civilizada e decente? A resposta é clara: o Islão não é repressivo nem escraviza a mulher. Liberalizou e canonizou os direitos das mulheres há mais de 1400 anos enquanto na Europa estas ainda estavam aprisionadas.

Em certas sociedades, principalmente onde os muçulmanos estão em minoria, as mulheres podem achar a realização desta exigência muito difícil. Elas dirigem-se aos eruditos Islâmicos com todo o género de justificações. Um erudito não pode mudar uma ordem Islâmica ou emendar uma regra. (…). O Alcorão diz: Ó Profeta! Dize às tuas esposas e filhas e às mulheres dos crentes que se envolvam e fechem nos seus mantos( 1 ) (quando saírem); isso é mais conveniente para que se distingam das demais( 2 ) e para que não sejam molestadas … Capítulo 33 Vers. 59

No entanto, há uma tendência generalizada entre os muçulmanos para serem demasiado rígidos, para darem ênfase demais a esta questão. Eles consideram-na como a forma garantida de provocar o regresso total da implementação do Islão em todos os países muçulmanos.

Os nossos esforços devem concentrar-se no assunto mais substantivo de como assegurar o regresso ao Islão nos países onde não foram implementados princípios islâmicos. A necessidade é de recuperar o nosso carácter islâmico e isto tem um método diferente do de insistir só em que todas as mulheres cubram o rosto aqui e agora.

Devemos recordar que o Islão é uma religião muito prática e fácil de seguir. Ele não procura sobrecarregar as pessoas ou implementar um código de comportamento muito rígido. Ele estabelece princípios e valores que fornecem uma estrutura geral dentro da qual tipos diferentes de comportamento são aceitáveis. Enquanto o que cada um fizer ou disser não infringir esses valores e princípios, então é aceitável. O nível moral fixado pelo Islão está, na realidade, a atrair mulheres do mundo ocidental. De acordo com um relatório publicado por um centro de pesquisas em Inglaterra, estimadamente 10.000 mulheres inglesas instruídas, principalmente médicas, professoras universitárias e advogadas, converteram-se ao Islão durante a última década. Um olhar ao que têm a dizer sobre este assunto algumas das convertidas mais proeminentes dá-nos uma imagem clara. Vejamos, pois:

Khaula Nakata (Japão): Quando voltei ao Islão, a religião da nossa natureza inata, um debate violento surgiu àcerca das raparigas usarem o hijab nas escolas de França. Ainda existe. Parece que a maioria pensava que usar o lenço na cabeça era contrário ao princípio segundo o qual as escolas estatais deviam ser neutras no que diz respeito à religião. Mesmo como não muçulmana, não consegui entender porque houve tanta preocupação sobre uma coisa tão insignificante como um lenço na cabeça de uma estudante muçulmana. Eu uso o hijab desde que abracei o Islão em Paris. Observando o hijab do exterior, é impossível ver o que ele esconde. A distância entre estar de fora e olhar para dentro, e estar dentro e olhar para fora, explica em parte o vazio na compreensão do Islão. Estando de fora pode-se ver o Islão como restrição dos muçulmanos. Contudo, estando dentro, existe paz, liberdade e felicidade nunca antes conhecidas para quem o experimenta. Os muçulmanos praticantes, quer os nascidos em famílias muçulmanas ou os que se converteram ao Islão, escolhem o Islão em vez da ilusória liberdade da vida secular. Se oprime as mulheres, porque é que tantas mulheres jovens instruídas na Europa, América, Japão, Austrália, na verdade em todo o mundo, estão a abandonar a chamada liberdade e independência e a abraçar o Islão?

Ruth Anderson (E.U.A.): Embora tenha nascido americana, sou muçulmana há muitos anos, louvado seja Deus, e escolhi usar o hijab de acordo com a Lei Divina. A Charia pede que a mulher muçulmana se cubra da cabeça aos pés deixando só a cara e as mãos descobertas. Cobrir-se (hijab) não é um sinal de atraso, ignorância ou incompetência mental, mas o dever de uma mulher e o seu direito. O uso do hijab protege as mulheres da perseguição dos homens. É também um símbolo de devoção religiosa tal como de obediência a Deus.

Nouria (uma antiga protestante): Se alguém (mulheres muçulmanas) com um compromisso com o Islão a vê com o hijab e verificam que está a sofrer, elas intervêm e ajudam. Isto é anormal na Inglaterra. Temas como propriedade, crianças e herança foram todos estabelecidos, e estão admiravelmente sintonizados a favor da mulher (no Islão). As mulheres dizem que sou uma traidora do meu sexo, mas eu poderia dizer o mesmo da maioria das mulheres deste país. Elas foram desfeminizadas. Mas as mulheres muçulmanas são acarinhadas e têm uma dignidade completamente ausente da vida ocidental. Tudo o que o movimento feminista ambiciona, excepto o lesbianismo e o aborto, nós temos.

Fátima I. Tutay (Filipinas): Residindo numa comunidade predominantemente cristã aqui em Metro Manila, tanto os amigos, vizinhos, como familiares estranham ao ver-me sempre em vestuário Islâmico, tudo está coberto com excepção da cara, mãos e pés. Alguns perguntaram porque tinha eu de vestir-me como uma freira. Eu expliquei-lhes que sou diferente de uma freira, que eu não uso cinto, só as minhas mãos, cara e pés estão visíveis, tal como a Virgem Maria. Continuei a explicar que este vestuário muçulmano é uma manifestação do nosso amor à Virgem Maria, que é a mulher ideal de todos os crentes. Quando idealizamos ou admiramos alguém, devemos adoptar as suas maneiras, de outro modo, não a amamos verdadeiramente. Allah está satisfeito com os modos da Virgem Maria. Uma mulher crente não hesitará em vestir-se como a Virgem Maria se é um modo de agradar a Allah. Alhamdullilah (Louvado seja Allah), só as muçulmanas estão aptas a seguir isto.

Por último, as mulheres muçulmanas estão bem avisadas que a verdadeira sinceridade é evidenciada pelo seu comportamento consistente. Por isso, se alguma cobre a cabeça num país Islâmico, ela deve ter a coragem da sua convicção para fazer o mesmo no Ocidente.

  1. Jilbab, plural Jalabib: uma vestimenta exterior, uma longa toga que cobria todo o corpo, ou um capa comprida que cobria o pescoço e o busto.
  2. O objectivo não era restringir a liberdade das mulheres, mas sim protegê-las dos danos e dos molestamentos que propiciavam as condições então existentes em Medina. Tanto no Oriente como no Ocidente uma roupa conspícua, para se usar em público, de uma forma ou outra, sempre tem sido uma marca de distinção, quer entre os homens como entre as mulheres.
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O Vaticano elogia o sistema financeiro islâmico

O Vaticano afirma que o sistema financeiro islâmico poderá ajudar os bancos ocidentais em crise, como alternativa ao capitalismo.

O Vaticano apresentou os princípios financeiros islâmicos aos bancos ocidentais enquanto solução para a crise económica mundial.

Os media turcos relataram que o jornal diário do Vaticano, O Observatore Romano, referiu que o sistema bancário islâmico poderá ajudar a ultrapassar a crise global.

O Vaticano afirmou que os bancos deviam olhar para as regras éticas das finanças islâmicas a fim de recuperar a confiança dos seus clientes, numa época de crise económica global.

O Observatore Romano, o jornal oficial do Vaticano, referiu o seguinte no seu mais recente número, que saiu ontem ao final do dia: “Os princípios éticos que constituem a base das finanças islâmicas podem aproximar os bancos dos seus clientes e do verdadeiro espírito que deveria marcar todos os serviços financeiros.”

A autora Loretta Napoleoni e a estratega de rendimento fixo do Abaxbank SpA, Claudia Segre, afirmam o seguinte no artigo: “Os bancos ocidentais podiam usar ferramentas como as obrigações islâmicas, conhecidas como “sukuk”, enquanto garantia.” Afirmam ainda que as “sukuk” podem ser usadas para financiar “a indústria automóvel ou os próximos Jogos Olímpicos de Londres.”

Disseram ainda que a quota de lucro, ganha com base na “sukuk”, pode ser uma alternativa aos juros. Salientaram que o sistema de “sukuk” poderia ajudar o sector automóvel e apoiar os investimentos na área das infra-estruturas.

O sistema de “sukuk” islâmico é idêntico ao bonus do sistema capitalista. Mas no sistema de “sukuk”, o dinheiro é investido em projectos concretos e a quota de lucro é distribuída pelos clientes, em substituição dos juros ganhos.

O Papa Bento XVI, num discurso proferido a 7 de Outubro, reflectiu sobre os colapsos dos mercados financeiros, afirmando que “o dinheiro desaparece, não é nada” e concluiu que “a única realidade sólida no mundo é a palavra de Deus”. O Vaticano tem estado atento à derrocada financeira global, tendo publicado no seu jornal oficial artigos que criticam o modelo do mercado livre, devido ao facto de este ter “crescido demais e de forma negativa ao longo das duas últimas décadas.”

Segundo o “Corriere della Será”, Giovanni Maria Vian, editor do Observatore, afirmou que “as grandes religiões revelaram sempre ter em comum uma atenção pela dimensão humana da economia.”

DE NOTAR que:

– não obstante certas afirmações imprecisas do Papa Bento XVI como ( “… de que a racionalidade se encontra entre Cristãos, mas não no Islão”; que “Para a doutrina Muçulmana, Deus é completamente transcendente. A Sua Vontade não se encontra ligada a nenhuma das nossas categorias, nem mesmo a da razão” e a irresponsável citação “Mostre-me tudo o que Maomé touxe de novidade, e encontrarás apenas coisas más e desumanas, como a de espalhar com a espada a fé que ele pregava”;

– não obstante algumas considerações preconceituosas do Cardeal (de Portugal) D. José Policarpo como a advertência às jovens portuguesas “que casar com muçulmanos acarreta um “monte de sarilhos que nem Alá sabe onde é que acabam”; que “…o diálogo serve para os muçulmaos … “como fazem os lobos na floresta, demarcarem os seus espaços e terem os espaços que eu lhes respeito””; que ” … não sejamos ingénuos na maneira de trabalhar com eles”,

a verdade é que muitos cristãos e muçulmanos, pelo mundo fora, estão, cada vez mais, a valorizar o muito que partilham nos seus credos, e o próprio Vaticano vem agora afirmar que o sistema financeiro islâmico poderá ajudar os bancos ocidentais em crise, como alternativa ao capitalismo. Afinal, Maomé sempre touxe algo de novidade …

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O ultraje e a compreensão

Por Yiossuf Adamgy

Os comentários do Papa Bento XVI foram provocatórios, mas o melhor para os Muçulmanos será que ofereçam a outra face.

é irónico que, enquanto mais de 1000 representantes participavam num congresso em Montreal, denominado “As Religiões Mundiais após o 11 de Setembro”, onde procederam à discussão de iniciativas focadas na construção de uma maior compreensão entre seguidores de todas as religiões, do outro lado do globo o Papa Bento XVI realizava um discurso que produzia precisamente o efeito oposto. Presentemente, e não obstante as suas desculpas, prosseguem a nível mundial as respostas inflamadas às suas observações.

Tal como a todos os Muçulmanos, também a nós angustia que uma vez mais a nossa fé tenha sido ridicularizada, nada mais, nada menos, do que pela figura que é o líder mundial de um bilião de Católicos.

No Domingo, o Papa em pessoa pediu desculpas pela ofensa causada, dizendo que o texto medieval por si citado em nada expressava a sua opinião. Mas o estrago estava feito. A oportunidade foi aproveitada pelos extremistas, os quais queimaram Igrejas nos territórios Palestinianos, atiraram a matar sobre uma freira de 60 anos na Somália e expressaram-se de forma violenta, o que fez recuar as relações Muçulmano-Cristãs.

Estamos mais desapontados do que zangados com o Papa Bento XVI. Afinal, o Papa não é apenas um simples padre. Ele é um ícone religioso, o que ele disse foi um golpe. Em que estava ele a pensar quando proferiu tais palavras?

Tal como o jornal “Guardian” referiu num editorial, Bento XVI não empreendeu esforço algum para dizer que esta não era a sua crença. “Não existe frase alguma que o distancie da reivindicação de que Muhammad (s.a.w.) era o responsável pelo mal. Pouca surpresa constituiu, pois, que as observações por si proferidas tenham sido motivo de ira e exijam um pedido de desculpas pessoal”.

Vivemos em tempos em que a religião é usada como um instrumento para fortalecer o poder político. A retórica irresponsável por parte dos líderes religiosos pode rápidamente desatar linhas frágeis. Tal como nós, Muçulmanos progres-sistas, temos repetidamente, e com grande risco, confrontado clérigos e extremistas dentro da comunidade Muçulmana, esperamos agora que os nossos irmãos Católicos avancem e condenem as observações inoportunas, irracionais e desinformadas do Papa Bento XVI.

Estamos particularmente desapontados porque o antecessor do Papa Bento XVI, João Paulo II, falou mais das similitudes do que das diferenças. Enquanto discursava para a comunidade Católica de Ankara, Turquia, no dia 29 de Novembro de 1979, o João Paulo II disse o seguinte:

“Irmãos, quando penso nesta herança espiritual (Islão) e no valor que esta tem para o Homem e para a sociedade, na sua capacidade de oferta, especialmente na juventude, no preenchimento do hiato deixado pelo materialismo, e na sua concessão de uma fundação fiável à organização social e jurídica, pergunto-me se não é urgente, precisamente hoje, quando Cristãos e Muçulmanos iniciam um novo período de História, reconhecer e desenvolver os laços espirituais que nos unem, de modo a preservar e a promover para benefício de todos, “paz, liberdade, justiça social e valores morais””.

Nas suas infelizes e inoportunas observações feitas recentemente na Alemanha, o Papa Bento XVI pode ter cometido um erro de julgamento quando escolheu citar um imperador medieval.

Seguidamente, falou a respeito “desse diálogo genuíno de culturas e religiões tão urgente hoje em dia”. Esse diálogo só terá sentido quando aprendermos, não apenas a respeitarmo-nos uns aos outros, mas também quando desejarmos erguer a nossa própria voz e controlarmos o nosso próprio sacerdócio, aprendendo a censurá-lo por observações ofensivas que sejam prejudiciais e façam regredir os esforços empreendidos para a paz mundial. Pode não ter sido intenção do Papa causar os danos que causou a nível mundial, motivo pelo qual se desculpou, mas a natureza das observações por si feitas e as perigosas consequências que daí advieram devem ser entendidas no contexto dos nossos tempos. Isto foi melhor explicado por Giles Fraser, o vigário de Putney e professor de Filosofia em Wadham College, Oxford, que escreveu o seguinte:

“… são Cristãos renascidos, que estiveram na frente de apoio da invasão do Iraque, das terras da Palestina por parte de Israel, e de toda a reorganização do Médio Oriente – uma catástrofe na qual vários milhares de Muçul- manos perderam a vida. Quaisquer comentá- rios por parte de um líder Cristão que toque nessa ferida está sujeito a ser interpretado a partir de todo e qualquer ângulo possível. O Papa deveria saber disto. Se os Muçulmanos ficaram ofendidos pelos rabiscos de um caricaturista Dinamarquês, é mais que óbvio o enor- me potencial de ofensa que poderia fluir de alguns comentários desajustados do vigário de Roma”.

Ao dizer aquilo, a resposta obtida a partir da liderança conservadora Muçulmana, à Irmandade Muçulmana no Egipto e aos ayatollahs no Irão, consistiu no uso deste infeliz incidente para o armazenamento de mais raiva e ódio; de uma razão mais para marcharem pelas ruas, atacarem Igrejas e contra-insultarem o Papa.

Alguns líderes Muçulmanos deveriam ter resistido a esta tentação. Agora, não é o momento de pôr mais lenha na fogueira; agora, é o momento para extinguir estas chamas com compaixão e paciência. Temos que usar isto como uma oportunidade para seguirmos o exemplo do nosso Profeta Muahmmad, paz esteja com ele, que ignorava os insultos que lhe eram dirigidos.

As observações do Papa foram criticadas a nível Mundial e ele lamentou-as. Isto deveria ter sido o suficiente. Nesta situação de crise, afigura-se uma oportunidade para os Muçulmanos.

O “Guardian” expressá-lo melhor, ao escrever:

“Não pode existir diálogo sem rigor e abertura …”.

Agora, é altura de os Muçulmanos seguirem o Alcorão e perdoarem. Agora, é altura de os Muçulmanos oferecerem a outra face. Esta seria, de facto, a maior das jihads.

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Os sionistas judeus não se preocupam com leis, nem convenções

Por Yiossuf Adamgy

Sim, o responsável da ONU condenou os bombardadeamentos de Isreal que ‘violam as leis humanitárias’.

Sim, o subsecretário geral para os assuntos das nações Unidas (ONU) Jan Egeland, condenou ontem (23/7/06) a devastação causada pelos ataques aéreos israelitas em Beirut. Egeland se declarou ‘horrorizado’ e afirmou que estas acções ‘violam a lei humanitária’, recordando que ‘os bombardeamentos contra civil estão proibidos pelas convenções internacionais’.

Talvez Jan Egeland ignore é que esta é a solução final do Estado Sionista Judeu; que os sionistas judeus não se preocupam com as leis humanitárias, nem com as convenções internacioanais, daí que eles nunca cumpriram dezenas das Resoluções da ONU. Eles só acatam é a lei judaica do Antigo Testamento, que lhes diz textualmente:

“Seon saiu ao nosso encontro, com todo o seu povo, para nos dar combate em Jasa. Mas o SENHOR, nosso Deus, no-lo entregou, e nós o derrotamos, a ele, e a seus filhos, e a todo o seu povo. Tomamos-lhe, então, todas as suas cidades e dedicamos ao anátema todas as cidades em que havia seres humanos, homens, mulheres e c

rianças, sem deixar sobreviver ninguém” – Deuteronômio 2:32-34 .

Por isso, não terá sido em vão, e nem surpreendente, quando o actual primeiro-ministro Israelita ordenou ao seu exército, nestes termos: ‘Não deixai dormir ninguém em Gaza’. … e, por inércia … destruam as infra-estruturas vitais para a população civil palestina …

Aliás esse comportamento é próprio dos governos israelitas, senão recordemos:

“Devemos expulsar os árabes e ocupar o seu lugar.” (David Ben Gurion, ex-primeiro ministro pelo Partido Trabalhador, 1937).

“Não existe uma coisa tal como povo palestino. … eles não existem …” (Golda Meir, ex-primeira ministra pelo Partido Trabalhador).

“Israel criará nos próximos 10 ou 20 anos condições que obrigarão a imigração natural e voluntária dos refugiados desde a faixa de Gaza e Cisjordânia a Jordania.” (Isaac Rabin, ex-primeiro ministro por el partido Trabalhador).

Prefiro defender uma política positiva, para criar, na verdade, condições que, numa forma positiva, induzam esta gente a ir-se.” (Ariel Sharon, 24 de Agosto de 1988).

“A partilha de Palestina é ilegal. Nunca será reconhecida … Eretz Israel será restituido ao povo de Israel. Todo ele. E para sempre.” (Menagem Begin, ex-primero ministro pelo Partido Likud).

“… creio, no eterno e histórico direito de nosso povo a toda esta terra.” (Ehud Olmert, primeiro ministro israelita, no Congreso dos ESTADOS UNIDOS, em Junho de 2006).

É caso para descrer da humanidade quando gente que se queixa de um holocausto e uma diáspora invoca o holocausto e a diáspora que sofreu para impor a outro povo … um holocausto e uma diáspora, ainda pior.

Foi o que sucedeu com os radicais judeus, os sionistas, que a coberto de Mandato Britânico sobre uma terra povoada, entraram em força na Palestina e desalojaram os seus habitantes …

A fundamentação Bíblica de reunião dos judeus na Palestina, sempre invocada pelos sionistas, dá rezão à análise de H. G. Wells, que ao discorrer sobre os direitos históricos àquela terra apontou para a presença muito anterior dos cananeus, cujos descendentes – árabes, cristãos e judeus – viveram em paz durante séculos e são os palestinos dos nossos dias.

Grande parte dos “humanistas” ocidentais perdem todo o crédito quando procuram justificar, depois de 1945, a existência-comportamento de um Estado (Israelita) que encontra a sua razão de ser em motivos teológicos e rácicos. Com a agravante de todos terem medo de serem chamados de anti-semitas, caso tomem uma posição contrária à cartilha israelita.

Tão semitas são os judeus do Médio Oriente como os árabes, uma vez que é essa a sua raíz comum. Ser anti-semita é estar, ao mesmo tempo, contra árabes e judeus, na pressuposição nazi – curiosamente perfilhada pelos judeus sionistas – de que existem raças puras.

Quando a Assembleia Geral das Nações Unidas incluíu o Sionismo no rol das variantes do racismo, estava a fazer justiça a uma doutrina que, quando levada à prática, privou, e continua a privar, o Médio Oriente de paz e de segurança.

Termino este apontamento com as declarações, feitas em 1946, do consagrado Albert Einsten, que penso são dignas de reflexão:

“A ideia de Estado não está de acordo comigo. Não consigo perceber por que é necessário. Está relacionado com as mentalidades mesquinhas e obstáculos económicos. Penso que é mau. Sempre estive contra.
Apreciaria mais ver um acordo razoável com os árabes na base da convivência que a criação de um Estado judeu.
Para além das considerações práticas, a minha consciência da natureza essencial do Juadísmo resiste à ideia de um Estado judaico, com fronteiras, um Exército, e uma medida de poder temporal não importa de que modéstia. Tenho medo dos estragos intrínsecos que o Juadísmo possa sofrer” – In “Palestina na História” – Edição Portugal Prescope.

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Rumo à escalada do conflito no Oriente Médio

Por: André Gattaz

Historiador e autor de “A Guerra da Palestina: da criação do Estado de Israel à Nova Intifada” e “Do Líbano ao Brasil: história oral de imigrantes

A nova onda de violência que atingiu o Líbano não é um problema localizado, mas parte de um conflito muito mais amplo, em que Israel e o Hizbollah não são mais do que protagonistas menores. Os ataques do grupo radical libanês, assim como a desproporcional reação israelita, inserem-se nos movimentos mais amplos da geopolítica mundial – mais especificamente, a oposição entre Estados Unidos e Irão, que parece estar prestes a se tornar um conflito real e não apenas retórico. Examinemos os interesses de ambos para avaliar o verdadeiro perigo de escalada do confronto.

Da parte do Irão, percebe-se que o presidente Mahmoud Ahmadinejad vê o momento actual como propício para se desafiar a grande potência ocidental, pois os Estados Unidos não teriam capacidade de se envolver numa terceira frente de combate. De facto, nota-se que as forças armadas dos Estados Unidos têm quase a totalidade de suas tropas disponíveis envolvidas na ocupação do Afeganistão e do Iraque, e vêm encontrando dificuldades para completar o requerimento anual de novos soldados; além disso, o país está prestes a enfrentar uma grave crise económica devido aos altos ‘déficits gêmeos’ – provocados, em grande medida, por estas mesmas guerras (note-se especialmente, além do custo militar da guerra, a escalada dos preços do petróleo, produto vital à economia norte-americana).

Segundo o raciocínio do presidente iraniano, ademais, faltam na região líderes dispostos a enfrentar cara-a-cara o ‘grande Satã’ do Ocidente – foi-se o tempo de Naser, Al-Asad e Hussein, e mesmo o ex-inimigo Kadafi domesticou-se e passou a ser mais um cliente dos Estados Unidos; nos demais países do Oriente Médio, monarquias corruptas têm na exportação do petróleo aos Estados Unidos e a Europa a garantia de sua manutenção no poder; e os palestinos encontram-se desunidos e na busca de uma liderança que conduza a sua luta contra a ocupação sionista. Para Ahmadinejad, a escalada do confronto, com a inevitável e desproporcional reacção israelita, poderia ser um grande pretexto para unir sob sua liderança as populações árabes e islâmicas do Médio Oriente que se opõem aos Estados Unidos e a Israel.

Da parte do governo de George W. Bush, o momento também é adequado para ‘acertar contas’ com os seus velhos antagonistas – Síria e Irão. Os ataques do Hizbollah a Israel, realizados com mísseis iranianos transportados através da Síria, seriam a justificativa perfeita para colocar em prática o plano há muitos meses projectado pelos ideólogos dos EUA, visando o derrube dos regimes sírio e iraniano. Dessa forma, se completaria o controle dos Estados Unidos sobre todo o Médio Oriente – ou seja: o controle das duas maiores reservas energéticas do mundo: o Mar Cáspio e o Golfo Pérsico.

É evidente, porém, que da teoria à realidade há uma grande distância, sobretudo se a teoria não é baseada no senso comum e na racionalidade, mas em crenças fundamentalistas e antagonismos emocionais. O raciocínio de Ahmadinejad esbarra na realidade que seu governo, ao entrar em guerra aberta com os Estados Unidos, terá os dias contados. A capacidade destrutiva destes, por meio de seus mísseis e bombardeios aéreos, é suficiente para fazer o Irão voltar 30 anos no tempo, destruindo imediatamente todos os seus centros de poder, assim como foi feito com o Iraque. Isso não significa dizer que os norte-americanos venceriam mais esta guerra – apenas que destruiriam a infra-estrutura e as instituições políticas iranianas, causando o caos em mais um país da região. Dessa forma, não seria muito vantajoso ser o ‘herói’ dos muçulmanos e árabes descontentes com o ‘ocidente satânico’.

O raciocínio de George W. Bush, por outro lado, é igualmente perigoso, pois ataques aéreos ao Irão e à Síria não colocariam a população destes países contra os seus governos, como supõem exercícios elaborados pelo Pentágono, porém desencadeariam justamente o efeito contrário, provocando a aliança dos sectores moderados e radicais da população iraniana e síria contra a agressão dos EUA. Além disso, mal se pode dizer que os Estados Unidos obtiveram o controle do Afeganistão e do Iraque. O primeiro, após quase cinco anos de ocupação, permanece em constante situação de insegurança; o ópio voltou a ser o principal produto de exportação do país; a milícia Talebã volta a actuar e controla partes do sul do país; e a cada mês uma quantidade maior de soldados dos ‘aliados’ é morta ou ferida nos combates com os ‘terroristas’.

Já no Iraque, apesar da presença de cerca de 130.000 soldados dos EUA (e 30.000 de outras nacionalidades), e do aparente funcionamento do sistema ‘democrático’ implantado pelos EUA, a situação de insegurança agrava-se a cada dia; a infra-estrutura do país encontra-se totalmente destruída, faltam energia e água para a população; as facções políticas e religiosas encontram-se em guerra civil; e nem mesmo o petróleo, principal objetivo da Doutrina Bush, vem sendo regularmente exportado devido aos freqüentes ataques às instalações petrolíferas. Além disso, no Iraque se formou uma verdadeira ‘escola de terroristas’ dispostos a agir contra os ‘assassinos infiéis’: ali, as perdas humanas chegam a mais de 60.000, após três anos de guerra.

Não bastassem os problemas para assegurar o controle nas duas principais frentes de combate, a crise social e económica nos Estados Unidos avizinha-se, e a abertura de uma terceira frente – contra um inimigo bem mais forte do que foram Afeganistão ou Iraque – poderia ser a gota d’água para o colapso.

Pensadores políticos dotados de pragmatismo não deveriam levar a sério as ameaças dos dois líderes fundamentalistas, pois a concretização dessas ameaças equivaleria a um suicídio mútuo – lembre-se que foi a consciência desta possibilidade que manteve a paz entre EUA e URSS ao longo dos anos da Guerra Fria. As atitudes já tomadas por Mahmoud Ahmadinejad e por George W. Bush, porém, nos levam a ter calafrios supondo o desenrolar do conflito, pois o que menos faltou na política destes líderes, nos últimos anos, foi o bom-senso.