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Palestina – Gritando contra o horror

Fazendo minhas as palavras do ilustre Emir Sader, transcrevo-as, aqui, para reflexão:

“Há alguns dias, desde a Secretaria Executiva de CLACSO (Conselho Latinoamericano de Ciências Sociais) distribuíamos nosso tradicional cartão de final de ano. Nele, reproduzíamos um belíssimo mural do artista equatoriano Pavel éqüez, Grito pela Vida. Poucas horas após o início do envio do cartão, começava na Faixa de Gaza um novo e brutal ataque do governo israelense contra o povo palestino.

Um massacre que atenta contra os mais elementares direitos humanos, arrancando sem compaixão toda esperança de paz em uma das regiões mais injustas do planeta. Um massacre que pretende, pela propetência de bombardeios assassinos, negar o direito dos palestinos a um Estado independente.

Nosso “grito pela vida”, modesto e alegre, ganhava uma dimensão inesperada, contaminada de horror e espanto, de indignação e revolta, de impotência e repulsão. Ninguém pode ficar indiferente ante qualquer massacre, nem sequer os indolentes. Todo massacre interpela a humanidade e nos obriga a tomar partido.

Hoje, novamente, perdemos um pouco de nossa já maltratada humanidade em Gaza. Ali, junto com esses meninos e meninas, seus pais e mães, nossos irmãos reduzidos a escombros, gritando pela vida, com seu silêncio de morte e humilhação.

Neste marco, a destruição da Universidade Islâmica de Gaza não faz mais do que agregar uma pérfida marca de brutalidade ao ataque israelense. Nós, desde este lado do mundo, gritamos hoje, mais do que nunca, pela vida, pela paz e pela justiça. Gritamos pela dignidade e pelos direitos negados ao povo palestino. E, gritando, somamos nossa voz e nossa solidariedade com todos aqueles que não aceitam fazer da vida de um povo uma montanha de escombros”.

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ONU comemora os 800 anos de Rumi

Educación – 30/09/2007 | Inra, Unesco
Fonte: www2.inra.ir
Versão Portuguesa – In Revista Al Furqán, nº. 159, de Setembro/Outubro.2007

Teve lugar na sede da ONU, em Nova Iorque, um acto oficial para a comemoração dos 800 anos do nascimento do célebre poeta místico, Moulana Jalal Al Din Balji (Moulavi), cerimónia a que assistiu o Secretário-geral da dita organização, Bani Ki-moon.

Em discurso, Ki-moon afirmou que, mais do que nunca, o mundo de hoje necessita da propagação das ideias de Moulavi, sublinhando que a paz e o diálogo entre as civilizações são conceitos salientes na poesia deste poeta, e que a comunidade mundial deveria tê-los como exemplo para o seu comportamento.

Em seguida, eruditos do Irão, Afeganistão, Turquia, EUA e autoridades da ONU estudaram as dimensões culturais e místicas de Rumi, nome pelo qual é conhecido este bardo do século XIII.

Por ocasião deste oitavo centenário, os EUA emitiram um selo dos correios com a imagem de Moulavi, obra do professor Hosein Behzad, pintor e miniaturista Iraniano.

O doce sabor e o ambiente cálido originado por este acontecimento cultural foi um tanto ou quanto perturbado pelo facto do Governo Norte-Americano ter recusado o visto de entrada no país a uma delegação Iraniana, cuja intenção era a de participar na comemoração, gesto que não é praticado pela primeira vez.

MOULAVI (1207-1273)

Jalal al-Din Mohammad Rumi, também conhecido por Moulavi, ou simplesmente Rumi (Bizantino, em Árabe e Persa), é, juntamente com ‘Attar, o maior poeta místico nascido na Pérsia. A sua posição enquanto Sufi é de tal forma elevada, que é igualmente chamado de Moulana (nosso senhor, em Árabe).

O seu nascimento teve lugar em Balj (actualmente no Afeganistão) no ano de 1207. O sobrenome Rumi deve-se ao facto de grande parte da sua vida ter sido passada na cidade de Konya (situada na actual Turquia), e de aí ter falecido, embora sempre se tenha considerado a si mesmo um Persa Jorasani.

O pai, Baha al-Din Valad, foi um grande mestre e orador, respeitado pelo povo e, inclusive, pelo Sultão Mohammad Jarezmshah. Baha al-Din e a família deixaram a Pérsia quando Rumi era ainda criança. Durante algum tempo, permaneceram em Samarcanda, tendo depois partido em direcção a Meca, em peregrinação.

Diz-se que, aquando desta viagem, ao passar por Neyshabur, Baha al-Din recebeu a visita de ‘Attar, já ancião, o qual o presenteou com uma cópia do seu “Asrar Nameh” (Livro dos Segredos). Ao ver Moulavi, criança ainda, ‘Attar disse o seguinte: ‘Em breve, este menino inflamará os apaixonados deste Mundo’.

Ao regressarem de Meca, passaram pela Síria, acabando por estabelecer-se na Ásia Menor. Aí deu-se o casamento de Rumi com Gouhar Jatun e, quatro anos depois, partiram em direcção a Konya, pai, filho e toda a restante família, por desejo expresso do Sultão Seljúcida de Rum.

Quando o substituto do seu pai faleceu em 1240, Rumi substitui-o na confraria, onde se dedicou à instrução, ensino e orientação dos jovens fiéis, até que, cinco anos depois, Shams Tabrizi surgiu em Konya.

Após conhecer este grande e efusivo dervixe, cujo verdadeiro nome era Mohammad b. Ali b. Malekdad, a vida de Rumi mudou drasticamente.

Sabe-se que a sua morte deu-se em 1247 e, tal como o seu nome indica, era natural de Tabriz. A sua chegada a Konya deu-se em 1244 e, no ano seguinte, mudou-se para Damasco, o que foi causa de um desgosto enorme para Rumi, abatendo-se sobre ele uma enorme melancolia, devido ao desaparecimento do seu amigo. Ao saber que este se encontrava em Damasco, começou a escrever-lhe cartas e poemas, e a enviar-lhe mensagens.

Pouco tempo depois, Rumi enviou a Damasco o seu próprio filho, Sultán Valad, acompanhado de vários amigos, incumbindo-o de procurar Shams Tabrizi e convencê-lo a retomar a Konya. O convite foi aceite. No entanto, esta nova permanência em Konya pouco durou, pois viu-se confrontado com os preconceitos do povo da cidade, sendo obrigado a abandoná-la no ano seguinte, com destino incerto. Rumi fez tudo o que estava ao seu alcance para encontrá-lo, tendo, inclusive, viajado por duas vezes a Damasco. No entanto, a sua busca foi em vão.

A chama e a paixão pela amizade de Shams Tabrizi e a melancolia que sentia, inspiraram-no a escrever uma das mais maravilhosas e extensas obras místicas da literatura Persa, o “Divan-e-Shams-e-Tabrizi” (O Poemário de Shams Tabrizi), escrito em versos monorrimos (gazal).

Shams Tabrizi, a quem Rumi tinha como exemplo de homem perfeito, fê-lo descurar as suas ocupações na confraria Sufita, facto a que o próprio Rumi fez referência nos seus poemas.

Anos mais tarde, escreveu o Masnavi, o seu segundo livro e a obra-prima da sua vida. Rumi faleceu em 1273. Todos em Konya, grandes e pequenos, Muçulmanos, Cristãos e Judeus, assistiram ao seu funeral. O seu mausoléu encontra-se na dita cidade e, até hoje, a sua confraria, a Ordem dos Dervixes Dançantes, os quais dançam até entrarem em transe, mantêm-no em funcionamento.

Moulana é tido pelos literatos e poetas Persas, e pelos Orientais também, como um dos grandes poetas da Pérsia, ocupa um lugar especial e cada um elogia-o, tendo por base um ponto de vista diferente.

É conhecido entre Persas e não Persas como um dos mais importantes místicos da Humanidade, poeta de imenso talento, filósofo arguto e elogiado pelas suas qualidades pessoais. A sua posição no mundo da poesia é de tal maneira elevada, que alguns o consideram o maior poeta do Mundo, outros, o maior poeta da Pérsia e, outros, um dos 4 ou 5 poetas Persas mais importantes. O seu túmulo na Turquia é um importante centro de peregrinação, a que acorrem religiosos de todo o mundo Islâmico. O Masnavi (Dístico) é, como o seu título indica, uma obra escrita em versos emparelhados.

Trata-se da sua obra-prima, a qual é também apelidada de ‘O Alcorão em língua Persa’. O que nela mais chama a atenção é a sua variedade temática e a quantidade de alegorias utilizadas por Rumi para exprimir o seu sentir místico. Por detrás da linguagem simples (por vezes, quase coloquial) do Masnavi, esconde-se uma multiplicidade de acepções, as quais dão motivo a várias interpretações, algo muito característico das obras Sufitas.

No Masnavi, deparamos com a ‘história sagrada’, versículos Alcorânicos, tradições ou ditos do Profeta (s.a.w.), tudo isso narrado de maneira tal, que destila misticismo. Podemos também encontrar histórias de natureza íntima, algo que surpreende imenso, especialmente os Ocidentais.

Algumas das suas histórias foram retiradas de “Calila y Dimna”, e outras das obras do poeta Nezami de Ganjeh, ‘Attar e, inclusive, de Avicena. A sua outra obra é o “Divan-e-Shams-e-Ta- brizi” (o Poemário de Shams Tabrizi), também conhecido pelo nome de ‘Divan-e-Kabir” (Grande Poemário). Outras obras mais pequenas são ‘Robayyat” (quadras) e “Fihi ma fihi”, em prosa.

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O Ocidente deve promover o sistema bancário Islâmico

Por: Professor Rodney Wilson

O professor Rodney Wilson é Director dos Estudos de Pós-graduação do Instituto do Médio Oriente e Estudos Islâmicos da Universidade de Durham. É também co-editor da obra “The politics of Islamic Finance” e co-autor da obra ” Islamic Economics: A short history.”

O Sistema Bancário Islâmico, que implica não cobrar juros, tornou-se numa importante actividade nas últimas quatro décadas. Uma pergunta que se impõe relativamente a este fenómeno prende-se com o sabermos se esta proliferação acentua ou não a segregação dos muçulmanos relativamente aos valores e normas ocidentais, criando um gueto financeiro. Uma perspectiva diferente é aquela que defende que a disseminação do sistema bancário islâmico é benéfica, visto que este sistema é caracterizado por uma moral particular que se mostra mais positiva do que aquela que caracteriza o sistema ocidental. Com efeito, cada vez mais pessoas no Ocidente se mostram insatisfeitas ou cépticas relativamente aos serviços bancários a que têm acesso, considerando-os pouco éticos e uma forma de exploração. Muitos banqueiros ocidentais mostram-se, por isso, curiosos relativamente ao sistema financeiro islâmico, considerando-o uma possibilidade de negócio e raramente uma ameaça comparável aquela que constitui o extremismo muçulmano. Na verdade, os sistemas bancário e financeiro muçulmanos podem ser considerados como o lado brando da cultura islâmica, aquele que permite o diálogo entre as civilizações ocidental e muçulmana.

Os bancos islâmicos estão agora bem representados em vários países ocidentais. Alguns exemplos dessas instituições bancárias são: o Banco Islâmico do Reino Unido, o Banco de Investimento Islâmico Europeu e o Lariba Bank na Califórnia. Além disso, os mais importantes bancos a nível internacional (o Citibank, o HSBC Amanah, o Deutsche Bank e o USB da Suiça) disponibilizam o sistema de depósito islâmico e a Sharia como serviços financeiros adicionais. Na realidade, tem existido grande diálogo entre os banqueiros ocidentais que coordenam estas instituições bancárias e os eruditos da Sahari’a que lhes facultam orientações sobre o que é ou não permitido. Estas conversações abrangem igualmente a área dos seguros, na qual as empresas islâmicas de takaful se têm tornado cada vez mais activas, apresentando como característica particular o facto de não pratica- rem juros e de não adicionarem aos seus activos os prémios pagos pelos titulares de seguros, o que poderia constituir uma forma de exploração das seguradoras relativamente à desgraça dos seus clientes.

Da mesma forma, e visto que a Sharia é universal e inspirada por princípios divinos e não pelas leis nacionais de um país, também as principais empresas de advocacia internacionais se começaram a dedicar aos ramos financeiro e bancário islâmicos, pois os contractos precisam de ser delineados de acordo com a lei britânica ou americana e de forma a que respeitem a Shari’a. Com efeito, a principal função dos membros do comité da Shari’a que colaboram com as administrações dos bancos islâmicos ou com os bancos convencionais que disponibilizam serviços que se enquadram no sistema bancário islâmico é assegurar que os novos contractos estabelecidos respeitam os princípios da Shari’a e, se tal não se verificar, tentar conseguir junto dos advogados formas de rectificar esses contractos ou mesmo de redigir novos contractos onde esses preceitos se verifiquem.

O desejo de muitos muçulmanos é que a Shari’a, de inspiração divina, venha a substituir as leis criadas pelo homem, ou talvez mesmo, a implementação de um califado universal ao qual todos se submeteriam, fossem muçulmanos ou não-muçulmanos. Não é de todo surpreendente que muitos muçulmanos considerem este desejo intolerável. E, com efeito, muitos muçulmanos considerem-no uma restrição à liberdade de escolha. No entanto, os sistemas bancários e financeiros islâmicos podem ser o caminho a seguir, pois a sua essência é aumentar as nossas possibilidades de escolha e não reduzir as nossas opções.

Visto que cada instituição bancária tem a sua própria comissão de Shari’a, a leitura e concordância que cumprem em relação a esta é efectivamente particular, não se tratando de uma questão de obediência a uma lei nacional. Com efeito, cada comissão de Shari’a formula as suas próprias fatwas ou regras religiosas, o que torna ainda mais vasto o campo das escolhas a nível de orientação religiosa que cada um pode seguir. As religiões têm tendência a prosperar quando existe uma situação de competição, ao contrário do que acontece quando as suas leis são nacionalizadas, levando os seus seguidores a dispersarem-se, e o Islão não é excepção a isto.

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Nojo e indignação

DE: ALICE BRANDÃO

ENVIADA: SEGUNDA-FEIRA, 4 DE FEVEREIRO DE 2008 12:10
PARA: LIAKATALI FAKIR; ‘ARTUR A. PEREIRA’
ASSUNTO: FW: COMO FOI PREVISTO HÁ 60 ANOS

Exactamente, como foi previsto há cerca de 60 anos

é uma questão de História lembrar que, quando o Supremo Comandante das Forças aliadas, General Dwight D. Eisenhower encontrou as vítimas dos campos de concentração, ordenou que fosse feito o maior número possível de fotos, e fez com que os alemães das cidades vizinhas fossem guiados até aqueles campos e até mesmo enterrassem os mortos.
E o motivo, ele assim explanou: ” Que se tenha o máximo de documentação – façam filmes – gravem testemunhos – porque, em algum ponto ao longo da história, algum bastardo se erguerá e dirá que isto nunca aconteceu”.
“Tudo o que é necessário para o triunfo do mal, é que os homens de bem nada façam”. (Edmund Burke)

Relembrando:
Esta semana, o Reino Unido removeu o Holocausto dos seus currículos escolares porque “ofendia” a população muçulmana, que afirma que o Holocausto nunca aconteceu…

Este é um presságio assustador sobre o medo que está atingindo o mundo, e o quão facilmente cada país está se deixando levar.

Estamos há mais de 60 anos do término da Segunda Guerra Mundial.
Este e-mail está sendo enviado como uma corrente, em memória dos 6 milhões de judeus 20 milhões de russos, 10 milhões de cristãos, e 1900 padres católicos que foram assassinados, massacrados, violentados, queimados, mortos de fome e humilhados, enquanto Alemanha e Rússia olhavam em outras direcções.

Agora, mais do que nunca, com o Irão, entre outros, sustentando que o “Holocausto é um mito”, torna-se imperativo fazer com que o mundo jamais esqueça.

A intenção em enviar este e-mail, é que ele seja lido por 40 milhões de pessoas em todo o mundo.

Seja um elo desta corrente e ajude a enviar o e-mail para o mundo todo.
Não o apague. Você gastará, apenas, um minuto do seu tempo a reencaminhá-lo.

FROM: LIAKATALI FAKIR
DATE: FRI, 8 FEB 2008 12:30:13
TO: ALICE BRANDÃO
CC:
CONVERSATION: COMO FOI PREVISTO HÁ 60 ANOS
SUBJECT: RE: COMO FOI PREVISTO HÁ 60 ANOS

Dra. Alice,

Custa-me a crer que esta notícia seja verdadeira e retirar dos manuais ingleses a história do holocausto por causa dos Muçulmanos?
Isso é para rir ou é para chorar…
Creio que discípulos do Grobler andam à solta e em força, não há dúvida que uma mentira repetida mil vezes é verdade, aí está uma mentira à boa maneira nazi.

Por ser oportuno, narro umas coisitas interessantes vivenciadas por mim, ou seja: na década passada e sobretudo após o fatídico dia 9 de Setembro, aquando dos seminários, palestras e conferências realizadas pela Comunidade Islâmica de Lisboa eu dizia com insistência nas minhas intervenções, caso os Muçulmanos europeus não pusessem a pau corriam sérios riscos de nos próximos tempos tornarem-se os judeus da era moderna. Lembro-me como se fosse hoje, riam-se de mim e achavam-me radical, hoje já não se riem tanto, já começo a ouvir algumas vozes mais sensatas a baterem-me nas costas e vociferarem que afinal tinha razão, pois bem nos próximos tempos tudo configura uma barbaridade contra os Muçulmanos europeus.
Com este tipo de propaganda suportada de vigarices e aldrabices temo que Muçulmanos europeus deixem de ter direito às liberdades e sobretudo direito à vida por serem diferentes. Por muito menos, na Bósnia os sérvios quase que praticavam o genocídio do Muçulmanos eslavos e foi aqui mesmo ao lado, na Europa civilizada e desenvolvida e nos finais do sec. XX.

Dra. Alice, inacreditável, era das poucas pessoas que na minha mente atrasada, moura, beduína, nómada e medieval imaginaria que pudesse colocar estrume desta natureza a circular no correio electrónico.
– Vou fazer fé que foi apenas para me alertar sobre a ameaça que paira no ar contra os Muçulmanos!
Como penitência, devia colocar a circular para quem lhe enviou esse excremento esta minha resposta. Mais ainda, e só para reflectir um pouco, se não sabe fica a saber que na Inglaterra existe uma comunidade judaica muito forte e representativa em todas os centros de decisão e interesses, isto não leva a suspeitar algo estranho, vindo donde veio?

Com estima de um Muçulmano, e não sou o único, que subscreve que o Holocausto (com H maior) existiu, foi, é, e será sempre um crime contra a Humanidade, assim como está sendo o que Israel está a fazer aos Palestinianos nos dias de hoje. Mais: o Holocausto e os outros Holocaustos (Palestina, Guantanamo, Abu Grahibs) são sempre acontecimentos bárbaros e inqualificáveis, condenáveis e que nunca deverão ser esquecidos e deverão ser propagados para que “Jamais” voltem a acontecer.

Curioso, como as vítimas de ontem se tornaram carrascos de hoje, o povo judeu sob a égide de um estado sionista chamado de Israel durante um período que já vai a mais de 60 anos (não estava previsto a 60 anos?), humilha, espezinha, mata indiscriminadamente, crianças, idosos, deficientes, usurpa e saca sem contemplações todo o bem material, destrói escolas, hospitais, creches, maternidades, enfim, uma agonia que parece interminável e tudo aponta que só irá parar com extermínio total dos palestinianos, e o caricato disto tudo, não é que já construíram um novo “Muro da Vergonha” naquela terra que é santa.

É por estas e outras, que emergem os líderes como AHMADIJANH do Irão e terroristas como Bin Laden.

Nunca se esqueça disto, sempre que um homem se sente humilhado e espezinhado no seu ego é como se toda a Humanidade fosse humilhada, daí que em nome dos superiores interesses da Humanidade, sejam cívicos, políticos ou religiosos, se arroga no pleno direito de defender essa causa a qualquer preço, defesa essa que por vezes pode implicar um acto tresloucado como o suicídio, dado que se trata de uma causa superior e perante ela sente-se impotente e insignificante.

O melhor exemplo pode buscar no nosso juramento de bandeira no final da recruta, tendo o seu expoente máximo de exaltação nacionalista, patriótica e suicida por causa da pátria (contra os canhões marchar, marchar…) no momento de hastear da bandeira nacional e com pano de fundo o Hino Nacional a ser tocado.

Eu lembro-me de uma frase batida e muito usada entre os magalas aquando da minha experiência de guerra colonial que consistia no seguinte. “MAIS VALE UM COVARDE VIVO, DE QUE UM HERÓI MORTO…”.
Fazia muito sentido naquela guerra dada a sua especificidade, para além de estúpida como são todas as guerras, esta tinha a particularidade de ser tão estúpida porque era injusta e sem nexo do nosso lado, apenas para dar cobro ao orgulho tacanho e pacóvio de uns ditadorzecos em decadência foi-se adiando aquilo que em toda a Europa e para os americanos de então, era considerado assunto arrumado – Independência às colónias.

Em suma, infelizmente estão de volta e em força novas ondas neo-nazis, racistas e xenófobas na velha Europa, importado da nova América evangélica proselitista e fanática, talvez mais fundamentalistas que os talibans, começam por proibir o tabaco e coisas afins de menor importância, qualquer dia proíbem ao direito mais elementar e consagrado que é o direito à vida em nome da “civilização” porque não se alinha no sua lógica de organização social e depois todos os outros direitos como o direito da liberdade e à diferença. Por este andar, não tarda que assistamos num futuro próximo por decreto a proibição de professar a religião Islâmica na Europa e EUA, (já se proíbe o véu em muitos países) já falta pouco é só ouvir os discursos inflamados com uma carga fedorenta dos radicais neoconservadores americanos coadjuvados pelos sionistas americanos/israelitas, ameaçando tudo que é diferente e em particular os Muçulmanos.

Com estima,
Katali Fakir

FROM: SAIDUL RAHMAN MAHOMED
DATE: 2008/2/9
SUBJECT: FW: COMO FOI PREVISTO HÁ 60 ANOS
TO: ALICE.BRANDAO@IEFP.PT
CC: LIAKATALI FAKIR , NAIL@PANDATOURS.PT

Prezada Senhora Alice Brandão,

Apesar de não conhecê-la, gostaria de fazer minhas, as palavras do Sr. Liakat Ali. Peço também desculpas pela invasão da privacidade, mas não dá para ficar calado em relação à miopia ideológica.

Lamento que o atual líder da decadente Estados Unidos da América, George Bush não tenha a mesma estatura e sapiência do general Einsenhower.

Lamento que ele não tivesse fotografado todas as arbitrariedades, que em nome de uma guerra (com puros interesses comerciais), foram e estão sendo cometidas, tanto no Afeganistão como no Iraque.

Que a senhora, assim como o governo português tenham também a hombridade de assumir a infeliz participação no translado dos presos de Abu-Ghraib para Guantanamo. Afinal, estes são fatos históricos que estamos vivenciando.

Reconheço o lamentável episódio do holocausto um dos mais tristes da humanidade! Israel e os judeus (olhe, tenho grandes amigos judeus) sempre fizeram e fazem questão de lembrar este triste episódio. Uma triste mancha na história da humanidade!

Como muçulmano praticante e residente no Brasil, um país multicultural e étnico, causou estranheza que neste Carnaval, a sociedade israelita se tivesse empenhado tanto para proibir de desfilar um carro alegórico de uma escola de samba.

E sabe o que a escola ia apresentar nesse carro? O arrepio do holocausto.
Agora saiba quem deferiu a liminar da proibição?
Uma juíza judia!
Não preciso falar nada!

Quando lhes interessa, fazem circular pelo mundo inteiro em vários idiomas, e-mails e correntes. Lamento que a senhora seja uma das portadoras alienadas dessas correntes!

Como contrapartida, gostaria muito que a senhora assinasse um manifesto em prol do povo palestino. Um povo que além de perder a terra, ainda sofrem atrocidades de diversas espécies.

Gostaria muito que a senhora falasse sobre o acesso negado à água. Que falasse da grande motivação da guerra dos seis dias, aonde com o pretexto de defesa, Israel anexou o território onde existe a maior fonte de água. Acho que isso nunca lhe contaram!

Gostaria que a senhora falasse, das milhares de crianças que diariamente são retaliadas por balas de borracha. Imagine uma criança atingida na mãos ou nos olhos ( e que a grande imprensa jamais mostra e sabe porquê? – Porque é controlada por grupos judaicos.

Agora imagine uma criança que não tem direito a estudar, a se formar ou mesmo de sonhar? Se tiver filhos, é um bom exercício.

Imagine um chefe de família que não consegue proventos para sustentar uma família? E sabe porquê? Porque não pode trabalhar!!!!!
Agora imagine alguém tolher a sua liberdade de ir e vir? Como se sentiria? É como se diz aqui no Brasil: “pimenta no rabo dos outros é refresco”!!!! Gostaria que a senhora tivesse o mesmo empenho, quando a Servia cometeu o massacre contra os muçulmanos da Bósnia. Que falasse da Albânia. Que não esquecesse do Sudão. Isto para não citar tantos outros exemplos. Veja quem tem o dedo, ou melhor, as duas mãos nisso.
Fica muito fácil, sentada no ar condicionado, passar correntes, quando se ignora todo o tipo de arbitrariedade que diariamente são cometidas pelo mundo fora em nome da democracia.

Ninguém se levanta contra essas atrocidades, violência, direitos usurpados, assassinatos seletivos em nome de defesa (eufemismo utilizados pelo governo israelita para matar os líderes palestinos) e o mundo ocidental acha isso certo. Agora se é um indivíduo desesperançado que se explode, é considerado um terrorista.

Dividir para reinar sempre foi o lema das grandes potências. Infelizmente essa é uma realidade da qual não se pode fugir.

Temo que a Europa, seguindo a paranóia dos americanos, caia na armadilha do que os muçulmanos são a ameaça. A maior ameaça hoje, não são os muçulmanos. A maior ameaça é a fome, a mudança climática (quem é o maior responsável por isso), é a ganância do poder e outras coisas mais. O pior é ver, que países soberanos se vendem por ninharias.
Recomendo a leitura de um livro de David Estulin sobre o CLUBE BILDBERG. Ali a senhora encontrará muitas respostas para a ignorância sobre esta tantas outras questões.

Para finalizar, quero lhe dizer que a quero bem, mas a indignação contra tudo que apontei e mais outras coisas que não preciso citar, para não me alongar, causa-me nojo e indignação.
Um forte e caloroso abraço carioca.
Que a paz de Deus esteja consigo!

Mahomed
saide.mahomed@gmail.com

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Noções Islâmicas acerca do diálogo das civilizações

Al Furqán

Intervenção do Director da Al Furqán no Seminário do Centro Ecuménico Reconcialiação
Figueira da Foz, em 12/12/1996

“A Allah pertence o Oriente
E também o Ocidente,
O Hemisfério Norte
E o Sul.
Estão calma e pacifìcamente perante Ele;
Só Ele é o Justo;
Ele deseja o bem para os Seus adoradores;
De entre centenas de nomes Seus,
Tomem este para vós.”
Ámen.

Sim! Quanto mais desapontado fica um qualquer estudioso humanista e civilizado, pelas políticas injustas, o egoísmo, e os excessos dos poderes mundiais dominantes, mais ele se convence de que não há cura contra esta doença da injustiça sobre a Terra com os seus consequentes perigos para a humanidade excepto através dos ensinamentos da Religião, sobretudo do Islão, que removem barreiras, colmatam brechas e estreitam as diferenças entre as nações pela graça absoluta de DEUS sobre a humanidade.

Quanto mais frustrado me sinto com as políticas e os excessos dos poderes mundiais dominantes e suas posições em relação aos oprimidos da Terra especialmente em relação aos Muçulmanos de todo o mundo, que agora estão submersos na mira do retrocesso civilizacional mais me convenço do facto de que não há cura contra a doença humana de atitudes egoístas e arrogantes e seus consequentes perigos para a humanidade senão no recurso às leis e métodos correctos do Islão.

O Islão constata que as diferenças de crença e pensamento são de facto reflexos da livre vontade do ser humano. Assim foi a lei instituída por DEUS quando destinou o homem para ser Seu representante na terra. Esta Divina ordenação seguiu-se ao diálogo iluminante Alcorânico entre Deus, Seus anjos, Adão e Satanás; este diálogo culminou na predestinação da humanidade para a liberdade de vontade e concluiu que só Deus tem o supremo direito de julgamento sobre a crença e actos do homem no Dia do Juízo Final. O Alcorão acentua esta ideia em mais de um Capítulo (Sura):

“Diz: Todos agem de acordo com a sua própria disposição. Mas o teu Senhor sabe melhor quem é e está Melhor guiado no caminho.” Capítulo 17 vers. 4

“Diz: … O teu dever é proclamar a Mensagem.” Capítulo 3 vers. 20

“Para Nós será o regresso deles. Então caberá a Nós chamá-los para as contas.” Capítulo 88 vers. 26

“Não há compulsão na religião.” Sura 2 vers. 256

Esta liberdade de escolha é garantida dentro do quadro de dois piedosos princípios: primeiro, há o facto de todos nós sermos membros da raça humana, em todos os continentes e em todas as épocas, no tempo. Descendemos de Adão que foi criado da lama; assim, todos são irmãos e irmãs e o homem é irmão do homem quer queira quer não. Em segundo lugar, o reconhecimento mútuo e a amizade (não a matança mútua, o ódio e a vingança) são os termos Islâmicos para o diálogo inter-civilizacional e inter-cultural:

“Ó humanidade! Nós vos criamos de macho e fêmea e vos dividimos em tribos e nações, para que se conheçam uns aos outros.” Capítulo 49 vers. 13

Deus indicou-nos o ponto de partida no nosso diálogo com as outras nações e culturas espalhando o chamamento para todos:

“Ó Povos do Livro! Vinde a termos comum entre nós e vós: que não adoremos ninguém senão Deus; que não Lhe associemos nenhum parceiro; e que não aceitemos outros por senhores além de Deus.” Capítulo 3 vers. 64

Deus lembrou também a todas as outras nações que Ele é o Senhor de todos, que Ele é o Criador da vida e da morte, e que Ele enviou todos os profetas e mensageiros para estabelecer a justiça a nível individual, social e internacional:

“Na verdade, Nós mandamos os Nossos apóstolos com provas claras, e enviámos com eles o Livro e a balança (do bem e do mal) para que os homens possam observar a medida justa.” Capítulo 57 vers. 25

O estabelecimento da justiça foi o último objectivo que estava por detrás do envio de todos os mensageiros a todas nações:

“E não há uma nação pela qual não tenha passado um conselheiro” Capítulo 35 vers. 24, e como as nações ao longo dos tempos começaram a ficar próximas umas das outras e todo o mundo se tornou como que uma pequena aldeia, o último mensageiro foi enviado para todas as nações:

“Dize: Ó homens, fui enviado para todos vós, como Mensageiro de Deus.” Capítulo 7 vers. 158

Deus Todo-Poderoso chama a Si a preservação desta última e conclusiva Mensagem:

“Nós enviamos, sem dúvida, a mensagem e Nós certamente guarda-la-emos (da corrupção).” Capítulo 10 vers. 9

A conclusiva mensagem Divina demonstrou a todas as nações da Terra que Deus enviou os Seus mensageiros com versículos claros e deu-lhes o Livro para permitir às pessoas instalar e estabelecer a justiça. Deste modo devemos mencionar que os nossos antepassados na erudição Islâmica lançaram um grande princípio para o diálogo inter-cultural que diz:

“Sempre que a Justiça ceda, o julgamento aí reinante será o de Deus.”

Deus também os enriqueceu com directivas referentes ao método, termos de referência, e ponto de partida para o diálogo inter-cultural. Assim o método do diálogo seria baseado na sabedoria e pregação bondosa, como é articulado no seguinte versículo do Alcorão:

“Convida (todos) para o caminho do teu Senhor com sabedoria e uma bela exortação.” Capítulo 16 vers. 12

Igualmente o quadro de referência para o diálogo deverá ser baseado na razão e na racionalidade, pois o Alcorão reza: Dize:

“Produzi a vossa prova se sois verdadeiros.” Capítulo 2 vers.111

Finalmente, o ponto de partida do diálogo inter-cultural deveria assentar na posição relativa da nação Islâmica que qualifica-o para desempenhar um papel de uma testemunha imparcial para outras nações, não para as indiciar ou as ridiculanzar ao descrevê-las como pagãs:

“E, deste modo, fizemos de vós uma nação justamente equilibrada, para que pudésseis ser testemunhas contra as nações (descrentes) e o Mensageiro pudesse testemunhar as vossas acções.” Capítulo 2 vers. 143

Sim! Quanto mais qualquer estudioso humanista e civilizado se sente desapontado pelas políticas injustas, o snobismo, e os excessos dos poderes dominantes do mundo, mais se convence de que não há cura contra esta doença da injustiça sobre a Terra com os seus consequentes perigos para a humanidade excepto através dos ensinamentos da Religião, sobretudo do Islão, que remove barreiras, estabelece contactos, e estreita as diferenças entre nações pela graça absoluta de Deus sobre a humanidade:

“E não te enviamos, senão como misericórdia para a humanidade.” Capítulo 21 vers.107

“E a fraternidade humana universal que recorda a humanidade da sua única origem: “Ele que vos criou de uma só ser.” Capítulo 7 vers. 189

Baseado nesta graça absoluta sobre a humanidade seja amigo ou inimigo, vivendo próximo ou longe, homem ou mulher, preto ou branco, Muçulmano ou não-Muçulmano nós alinhamos no diálogo inter-cultural com outras civilizações e nações. Deus descreveu mesmo as nações Islâmicas dentro desta graça absoluta, quando diz no Alcorão:

“Vós sois o melhor dos povos, que surgiu para a humanidade, porque ordenais o bem, proibis o ilícito, e credes em Deus.” Capítulo 3 vers. 110

A nação Islâmica mereceu esta descrição porque é esperado ela actuar na prática das seguintes acções: incutir nas pessoas fazerem (e dizerem) o bem quando se relacionam umas com as outras, quer como indivíduos, grupos sociais ou nações; instar com as pessoas para refrearem a prática de más acções quer contra si próprias, quer contra outros indivíduos ou outras nações; crer em Allah, que é a negação de todos os tipos de esclavagismo e todos os tipos de restrições da liberdade de pensamento, o que é um prerequisito básico para o diálogo. Por isso o Alcorão diz:

“E se os Povos do Livro tiverem fé, tanto melhor para eles.” Capítulo 3, vers. 110

Assim o relacionamento da nação Islâmica com as outras nações, baseado na graça absoluta e paz compreensiva, é guiado, como mencionado inicialmente, pelo princípio de justiça, que é um princípio universal humanista que cobre e se aplica igualmente a todas as nações habitantes da Terra. De acordo com este grande princípio indicado por Deus como supremo objectivo das mensagens dos Seus apóstolos, nós definimos as nossas relações com todos os poderes e nações do mundo. A pedra angular todavia nas nossas relações com todas as nações é a piedade, a graça, a justiça, o reconhecimento mútuo, e a integração positiva, como se vê no versículo seguinte do Alcorão:

“Mas não transgredi os limites, pois Deus não ama os transgressores.” Capítulo 2 vers. 190

As relações internacionais sobre estes princípios ajudarão o homem a gozar uma liberdade estabelecida, tão vasta como o universo, eradicando a agressão da terra e espalhando paz e segurança a todas as pessoas e a todas as terras, e assegurando que a humandade no seu presente esteja melhor do que no passado, sendo possível ter um futuro melhor do que o presente. Desta forma, será assegurado um sustentável, auto-gerador e enérgico progresso humano.

A presevação da dignidade de todos os povos e de todas as terras é o dever de todas as pessoas as quais deviam expressar a sua preocupação pelos direitos humanos e pela dignidade humana; e isso é o primeiro prerequisito para qualquer diálogo inter-cultural. O homem foi dignificado por Deus que diz no Alcorão:

“Nós honramos os filhos de Adão.” Capítulo 17 vers. 70

Abstenção da resistência à injustiça é equivalente a tomar o partido dos injustos, cujas vidas serão tiradas pelos anjos da morte enquanto estão no estado de injustiça para consigo próprios:

“Àqueles a quem os anjos tiram a vida em estado de iniquidade, perguntam: ‘em que vos ocupáveis’? Eles dizem: ‘Nós estávamos oprimidos na terra”. (Os anjos) perguntam: ‘Não era a terra de Allah bastante grande, para que pudésseis emigrar’? Tais pessoas terão por morada o Inferno. Que terrível destino!” Capítulo 4 vers. 97

O reconhecimento e a amizade mútuos entre as nações ou o diálogo inter-cultural não terá o curso certo sem que sejam aplicáveis os princípios e padrões preconizados pela graça das religiões e pela paz. A abertura deste glorioso capítulo de diálogo inter-civilizacional demonstra a todos os estudiosos e homens de razão o ponto de vista do Islão sobre os assuntos da guerra e da paz. Isto é muito importante contra as campanhas de falsificação e manipulação que são desencadeadas contra o Islão numa tentativa para distorcer os seus nobres princípios. Está claro que algumas forças do mal no Ocidente tentam activamente desenhar uma similaritude entre o Islão e o Comunismo, explorando oportunisticamente incidentes violentos que ocorrem nalguns países Muçulmanos que estão quer sob ocupação quer sob governos tirânicos. O sucesso do nosso diálogo com as outras nações depende enormemente na aplicação do princípio do tratamento justo a todos os povos do mundo. O Alcorão diz:

“E não consintais que o vosso ressentimento contra aqueles que dantes se opuseram à vossa ida à Mesquita Sagrada, vos leve a transgredir (provocando-os). Pelo contrário, ajudai-vos uns aos outros a praticar a virtude e o temor a Deus; e não vos ajudeis uns aos outros no pecado e na hostilidade.” Capítulo 5, vers. 3

Por este princípio nós toleramos, e ao mesmo tempo, com este princípio defendemo-nos; só poderemos fazer isso se nos submetermos às regras preconizadas por Deus, dando forma a nossa relação com Ele do modo que Ele deseja que seja, e formando as nossas relações com os outros de acordo com os princípios e vias que os fazem ajudar-nos a defendermo-nos contra a agressão, ou pelo menos assegurar a sua não intervenção.

Coexistência mútua ou diálogo civilizacional é uma das metas pelas quais Deus criou o homem. Por isso, Deus dirige-se a todos os povos da Terra, nestes termos no Alcorão:

“Ó humanidade! Na verdade, Nós vos criamos de macho e fêmea e vos dividimos em tribos e nações, para que se conheçam uns aos outros.” Capítulo 49, vers. 13, na base da justiça, que é uma boa e frutífera palavra:”Como a árvore nobre, cuja raiz está profundamente firme, e cujos ramos se elevam até ao céu.” Capítulo 14, vers. 24

Deixemos que a divisa do diálogo civilizacional seja o vers. 83 do Cap 2 do Alcorão que diz:

“Falai com brandura a todas as pessoas”, e deixemos que a finalidade do diálogo seja a de adquirir a liberdade tão vasta como o universo. “Cheguemos a termos comum entre nós e vós: que não adoraremos ninguém senão Deus; que não Lhe associemos nenhum parceiro; e que não aceitemos outros por senhores além de Deus: E se depois eles se afastarem, dize-lhes: “sede testemunhas que nós (pelo menos} submetemo-nos à Vontade de Deus.” Capítulo 3 vers. 64

Cooperemos com toda a espécie de bem e piedade, o que significa trabalharmos juntos para preservar o homem e a sua civilização de toda a espécie de mal que possa acontecer-lhe; isto também exige a necessidade de juntarmos as mãos para acabar com todas as espécies de alianças por levarem a cabo actos pecaminosos e agressivos. Deste modo, o sol de uma nova humanidade irradiará a sua luz por todo o globo. Um dos exemplos mais sublimes de pessoas que tratam com cuidado a verdade nos seus diálogos inter-civilizacionais é a Senhora Anne Mary Schmael, que recebeu, recentemente, o Prémio da Paz num festival de Frankfurt organizado à volta da maior feira do livro do mundo. A feira foi visitada por um grupo de políticos de elite, estudiosos, filósofos e eminentes homens das letras, para além de representantes de credos religiosos e homens de valor de todas os quadrantes intelectuais e filosóficos. Este festival foi organizado em honra da Senhora Schmael, que passou meio século a escrever e a levar a cabo pesquisas sobre o Islão, e explorou a sua dimensão intelectual e defendeu os seus valores humanistas. Entre os presentes no festival estava o Senhor Roman Hertzog, presidente da República Alemã, a Senhora Petordoat, presidente da Câmara de Frankfurt, e o Senhor Gerhard Greche, Presidente da Associação dos Escritores Alemães. Também presentes estavam os meios de comunicação social, os quais falharam em representar o diálogo inter-cultural, pois preferiram propagar os conceitos de conflitos entre as culturas para servir a continuidade da agressão do homem ao própno homem, seu congénere. A mais apta e eloquente conclusão acerca de tais manipulações da comunicação social foi tirada pela própria Senhora Schmael, que falou do “diálogo anti-inter-cultural da comunicação social”, acrescentando que: “A Comunicação Social não chama a si a tarefa e o dever de alertar a nossa consciência, mas tende mais a moldar-nos num estado de medo e terror, proibindo-nos de desenvolver uma relação positiva com a civilização Islâmica, a qual é figurada pela maior parte dos Europeus como estranha, nebulosa, atrasada e estagnada.”.

Quão espectacular seria fazermos o nosso mote para o diálogo inter-cultural com o versículo sagrado indicado pela Senhora Schmael:

“Não reparas em como Deus exemplifica (numa pa- rábola)? Uma boa palavra é como uma árvore nobre, cuja raiz está profundamente firme, e cujos ramos se elevam até ao céu. Frutifica em todas as estações com o beneplácito do seu Senhor.” Capítulo 14, vers 24-25

Do mesmo modo, a ideia do choque de culturas propagada pelas forças do mal pode mesmo ser descrita como: “”Por outra, há a parábola de uma palavra vil, comparada a uma árvore vil, que foi desarraigada da terra e carece de estabilidade.” Capítulo 14, vers. 26

O Dr. Nadim Atallah, que escreve no AI-Ra’id, que é publicado na Alemanha sob o título de “Colisão ou Coexistência de Culturas” relata que “a civilização Islâmica conseguiu existir e assimilar a herança cultural das civilizações antigas, assim como coexistir e interagir com outras civilizações com uma consciência e uma abertura que lhe permitiu conservar os aspectos positivos dessas civilizações e evitar os seus aspectos negativos sem perder as suas características distintas e identidade. Também, a Europa foi capaz de construir a sua moderna civilização sobre as fundações lançadas pela interacção civilizacional com os Árabes da Andaluzia. Livros de intelectuais tais como Avicena eram os textos médicos básicos em uso no início da história moderna da Europa. Também os livros de Avirus contribuiram enormemente para os debates religiosos e filosóficos que conduziram o Iluminismo na Europa. Além disso as traduções de Tolaitela, em que Judeus, Cristãos e Muçulrnanos viviam lado a lado, trouxeram a ciência Árabe para o Ocidente.”

Na sua mensagem do festival, o Presidente Hertzog indicou os princípios sob os quais o diálogo inter-civilizacional devia ser erguido: “O conhecimento das pessoas acerca umas das outras deve ser promovido; sem o conhecimento mútuo não haverá a compreensão mútua e sem a compreensão mútua não haverá respeito mútuo e sem respeito mútuo não haverá confiança mútua, e sem confiança mútua não haverá paz, mas sim inevitáveis conflitos entre as civilizações.”

Conflito é a verdadeira coisa desejada por aqueles que forjam e manipulam factos com intenções malévolas, domínio sobre os outros, e corrupção sobre a Terra, apesar do facto de agora o mundo se ter tornado mais pequeno, nas distâncias, e diferenças de tempos e espaços grandemente reduzidas. Este facto só por si seria mais que suficiente para um diálogo inte-civilizacional do que para conflitos culturais, e para o estabelecimento da coexistência pacífica baseada na justiça, não no medo e no terror.

O mundo está agora a passar por uma fase em que há necessidade de respostas ao Alcorão da parte daqueles que crêem na bondade da humanidade: aqueles que evitam actos pecaminosos e agressões.

A melhor conclusão para esta intervenção sobre o diálogo inter-civilizacional seriam as palavras da Senhora Schmael, quando terminou o seu discurso dizendo:

“O meu hábito não é o de fazer declarações ou escrever panfletos e não é o da excitação e dos discursos tormentosos. Eu creio que a água pura no seu incessante correr irá, através do tempo que passa, vencer as rochas sólidas. Mas eu acrescento a minha gratidão enquanto desejo obter ajuda para a causa da paz à qual Goethe faz a sua alusão nos seus Poemas Orientais”

“A Allah pertence o Oriente
E também o Ocidente,
O Hemisfério Norte
E o Sul.
Estão calma e pacifìcamente perante Ele;
Só Ele é o Justo;
Ele deseja o bem para os Seus adoradores;
De entre centenas de nomes Seus,
Tomem este para vós.”
Ámen.