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Apelo do deserto num poema de Salma Sheherazad Terenas

de Salma Sheherazad Terenas

Sonhei tanto contigo, meu Deus!
Há anos que imaginava a tua paisagem
O deserto coberto de estrelas
E os oásis cheios de folhagem… (…)
Nascida neste lado do mundo
Entre as ondas do oceano
Eu amava essa areia
Cheia de beleza e encanto. (…)
E quando te conheci
Pela primeira vez, finalmente
Só eu sei o que o senti
Nessa tua areia tão quente…(…)
Deserto da minha vida
Não há oceano que me encha
Não há marulhar que consiga devolver-me
assim a alegria…(…)
Lembrar as ondas do mar
Causa-me um duro arrepio
Mas na tua areia entrar
Torna-me o ser mais feliz do mundo.

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A independência do poder judiciário no Islão

Coord. por: M. Yiossuf Mohamed Adamgy
in Editorial da Revista Al Furqán, nº. 163, de Maio/Junho.2008

Prezados Irmãos, Assalamu Alaikum:

O conceito da independência do poder judiciário é tão antigo quanto o Islão.

Muitos, muitos séculos antes de o Ocidente começar a teorizar este conceito, os tribunais do Islão actuavam com independência face ao poder executivo. Com efeito, este conceito tem base no mandamento do Alcorão relativo à justiça. O Nobre Alcorão ordena o seguinte:

Ó gente de Imán! (Fé) Estabelecei a justiça, testemunhai Allah mesmo que tenhais de ir contra vós próprios, os vossos pais ou familiares. Seja o homem rico ou pobre, sabei que Allah está perto de ambos; por isso, não deveis seguir os vossos desejos no que respeita à aplicação da justiça. (Surah Nisaa, Aayat 135)

Os governantes do Islão (os Khulafa e os Sultões) demonstraram na prática a independência do Sistema Judicial Islâmico. Para além dos Khulafa-e-Ráchidin, até os reis e sultões mundanos aplicaram o princípio da justiça. Os poderosos governantes do Islão submetiam-se, de imediato, à convocatória do Qádhi (juiz) e, sem hesitar, enfrentavam o julgamento exactamente da mesma forma que os cidadãos comuns. O episódio que de seguida relato ilustra o Sistema Judicial Islâmico bem como a independência gozada pelo poder judicial desde as origens mais incipientes do Islão.

HADHRAT UMAR (r.a.)

Hadhrat Umar (radhiyallahu an-hu = que Allah esteja satisfeito com ele) é uma figura conhecida até pelos não-muçulmanos. Os impérios romano e persa, as duas superpotências da época, foram derrotados por Hadhrat Umar (r.a). Na verdade, uma mera referência ao seu nome causava apreensão aos imperadores e reis.

A casa de Hadhrat Abbaas (radhiyallahu an-hu), o tio paterno de Rassulullah [Mensageiro de Deus] (sallallahu alayhi wasallam) era contígua à Maçjid-e-Na-bawi (Mesquita do Profeta). A água da goteira pingava para a Maçjid, causando transtorno aos mussallis (crentes que faziam a oração). Umar (radhiyallahu an-hu) ordenou que a goteira fosse retirada. E assim aconteceu, a goteira foi retirada enquanto Hadhrat Abbaas se encontrava ausente.

O TRIBUNAL

No seu regresso a Medina, quando percebeu o que tinha acontecido, Hadhrat Abbaas (radhiyallahu an-hu) ficou furioso. Apressou-se a ir ao tribunal de Qádhi e apresentou queixa pelo comportamento de Amirul Muminin, Hadhrat Umar (radhiyallahu an-hu).

Hadhrat Ubay Bin Ka’b (radhiyallahu an-hu) era o Chefe dos Qádhi, que, de imediato, convocou Hadhrat Umar (r.a.) ao Tribunal, a fim de res- ponder à queixa apresentada. No dia marcado, Hadhrat Umar, o Governante do Império Islâmico, compareceu no Tribunal do Qádhi, dando provas de profunda humildade e simplicidade. Hadhrat Umar (radhiyallahu an-hu) teve inclusivamente de esperar durante algum tempo no exterior do Tribunal, devi- do aos outros compromissos do Qádhi.

O JULGAMENTO

Hadhrat Umar (radhiyallahu an-hu) foi finalmente chamado a entrar. Quando entrou, tentou dizer algo, mas o Qádhi ordenou-lhe, que se mantivesse calado, nestes termos: “O queixoso tem o direito de falar e de apresentar o seu caso. Mantenha-se em silêncio.”

Hadhrat Abbaas afirmou: “A minha casa foi sempre contígua à Maçjid Nabawi, quer no tempo de Rassulullah (sallallahu alayhi wasallam), quer durante o Califado de Hadhrat Abu Bakr (radhiyallahu an-hu). Mas, agora, o Ami-ul Muminin demoliu a goteira e deitou-a fora. Eu fiquei bastante aborrecido com este comportamento e, por isso, quero justiça.”

O Qádhi perguntou: “Ó Amirul Muminin, o que tem a dizer?”

Hadhrat Umar afirmou então: “Retirei a goteira, é um facto. Sou o responsável por esse acto.”

O Qádhi pôs então a Hadhrat Umar a seguinte questão: “Devia abster-se de interferir de forma tão injusta na casa de outra pessoa e sem o seu consentimento. Porque é que o fez?”

Hadhrat Umar respondeu o seguinte: “Excelência, por vezes a água da goteira pingava para a Maçjid, o que causava inconvenientes e preocupações aos mussallis. Foi por essa razão que ordenei que fosse retirada. Assim sendo, considero ter agido correctamente e não creio ter cometido nenhum crime.”

O Qádhi perguntou a Hadhrat Abbaas: “O que tem a dizer em resposta a isto?”

Hadhrat Abbaas respondeu: “Meritíssimo, foi o próprio Rassulullah (sallallahu alyhi wassallam) quem demarcou as fundações da minha casa com a sua própria faca. Depois de a casa estar acabada, Rassulullah (sallallahu alyhi wassallam) ordenou que a goteira fosse construída exactamente no sítio onde estava. Rassulullah (sallallahu alyhi wasallam) disse-me para eu subir aos seus abençoados ombros e instalar a goteira. Eu recusei-me, movido pelo respeito; no entanto, Rassulullah (sallallahu alyhi wasallam) insistiu com veemência. Assim, acabei por condescender. Subi aos abençoados ombros de Rassulullah (sallallahu alyhi wasallam) e agi conforme ele ordenava: coloquei a goteira precisamente na posição de onde o Amirul Muminin ordenou que fosse retirada.

O Qádhi perguntou-lhe então: “Tem alguma testemunha ocular que confirme o que diz?”

Hadhrat Abbaas respondeu: “Não tenho apenas uma ou duas, tenho várias.”

O Qádhi afirmou: “Se as apresentar agora, este assunto pode ficar resolvido.”

AS TESTEMUNHAS

Hadhrat Abbaas (radhiyallahu an-hu) saiu e passado algum tempo voltou a entrar com várias testemunhas pertencentes ao povo de Ansar. Todas essas testemunhas prestaram depoimento e revelaram ser testemunhas oculares do sucedido.

Entretanto, o influente governante à face da terra, Hadhrat Umar (radhiyallahu an-hu) permanecia humildemente com os olhos postos no chão. Finalmente, disse o seguinte:

“Ó Abul Fadhl (Hadhrat Abbaas)! Perdoa-me, por Allah! Desconhecia em absoluto que fora o próprio Rassulullah (sallallahu alayhi wasallam) quem ordenou a construção da goteira naquela posição. Se soubesse, nem por causa justa ordenaria a sua remoção. Afinal, que direito tenho eu de retirar a go- teira cuja colocação foi ordenada pelo próprio Mensageiro de Allah (sallallahu alayhi wasallam)?”

REPARAÇÃO

Hadhrat Umar (r.a.) afirmou o seguinte: “A justiça ficará reposta se subir aos meus ombros e recolocar a goteira na sua posição original.”

O Qádhi afirmou então o seguinte: “Sim, Amirul Muminin, essa é a exigência da justiça: é isso que deve fazer.”

Passado pouco tempo, o povo viu o poderoso Califa, que derrotara o Qaisar e Kisra (os imperadores de Roma e da Pérsia), junto ao muro, com Hadhrat Abbaas (r.a.) sobre os seus ombros, recolocando a goteira na sua posição inicial.

Terminado o trabalho da reposição da goteira, Hadhrat Abbaas (r.a.) saiu de cima dos ombros de Hadhrat Umar (r.a.) e afirmou:

“Ó Amirul Muminin, o que aqui aconteceu foi a restituição dos meus direitos! Agora que, justamente, alcancei os meus intentos graças ao vosso amor pela justiça, peço perdão pelo desrespeito que essa restituição implicou. Com toda a abnegação, entrego a minha casa no Caminho de Allah Taala como uma Waqf (doação). Tendes o direito de a demolir e de incluir o terreno na Maçjid. Que Allha Ta’ala aceite a minha doação.”

Este era o conceito de justiça que os Companheiros do Profeta (s.a.w.) praticavam. Não foi em vão que o Profeta (s.a.w.) disse: “A parecença dos meus Companheiros (Sahabah) é como a das estrelas (guias). Qualquer que sigais, sereis por ele guiado (no caminho certo).”

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Ano novo islâmico . 1429

Prezados Irmãos, Assalamu Alaikum:

No próximo dia 9/10 de Janeiro de 2008, inicia-se o Ano Novo Islâmico, ou seja o 1º. dia do mês de Muharram de 1429. A todos os Muçulmanos desejamos um Ano Novo Próspero.

Por outro lado, no dia 10 de Muharram celebra-se o Dia de Ashura, o qual, no ano de 2008, corresponde ao dia 18/19 de Janeiro.

Vários são os motivos que justificam jejuar neste dia. Quando o Mensageiro de Allah (s.a.w.) chegou a Medina (ár. Madinah), constatou que os judeus jejuavam. nesse dia Ao perguntar-lhes o porquê do jejum, responderam-lhe que comemoravam o dia em que o Profeta Moisés (a.s.) e o seu povo haviam atravessado o Mar Vermelho, o dia em que as águas se abriram e os Judeus puderam abandonar o Egipto, e o dia em que as águas voltaram a fechar-se e afogaram o exército do Faraó. O Profeta Muhammad (s.a.w.) identificou-se com a razão apresentada para o jejum. Na altura, os Muçulmanos que fugiam de Meca encarnavam o povo Judeu na sua fuga da tirania. Por outro lado, para os Judeus de Medina tratava-se apenas de uma festa, da celebração de uma história que atingira os seus antepassados. Eram incapazes de dar-se conta que esta mesma história se reproduzia agora, perante os seus olhos. O Profeta (s.a.w.) disse-lhes: “Então, temos nós mais o direito de jejuar do que vós”.

Para que a nossa celebração do Dia de Ashura não fique reduzida a um acto folclórico, há que penetrar nas conotações desse dia, reconhecer em todos os povos perseguidos o povo de Israel e empreender o caminho da libertação.

Segundo a tradição Islâmica, o dia 10 do mês de Muharram é um dia proeminente no processo da Criação.

é o dia em que Allah criou o Seu Trono;
é o dia em que Allah criou o Seu Escabelo:
é o dia em que Allah criou a Sua Tábua;
é o dia em que Allah criou o Seu Cálamo:
é o dia em que Allah criou o anjo Gabriel e todos os Seus Anjos;
é o dia em que Allah criou os Céus;
é o dia em que Allah criou as estrelas;
é o dia em que Allah criou a Terra.
É também o dia em que se produziram alguns dos acontecimentos mais transcendentes da história espiritual da Humanidade, do ciclo da Profecia.
É o dia em que Allah criou o Profeta Adão (a.s.);
é o dia em que o profeta Adão (a.s.) desceu à Terra;
é o dia em que Allah perdoou a Adão (a.s.) e abriu-lhe de novo as portas do Paraíso;
é o dia em que Jonas (a.s.) foi libertado do ventre da baleia;
é o dia em que a Arca de Noé (a.s.) tocou terra;
é o dia em que Abraão (a.s.) foi resgatado do fogo;
é o dia em que Allah perdoou a David (a.s.);
é o dia em que Allah entregou a Salomão (a.s.) os reinos do visível e do invisível;
é o dia em que Allah curou as feridas de Job (a.s.);
é o dia em que Moisés (a.s.) atravessou o Mar Vermelho;
é o dia em que Jesus (a.s.) foi elevado ao Céu.

Por último, no Dia de Ashura caiu a primeira chuva sobre a Terra, foi o dia do martírio do Imame Hussein (r.a.) em Karbala e será este o dia em que o Mundo terá fim.

Por tudo isto, o Dia de Ashura é tido como o mais especial do ano, aquele em que os Profetas foram libertados, superando as duras provas a que foram submetidos. O Dia de Ashura é uma festa, um dia propício para o perdão e para o regresso.

O que significa perdoar? Significa que a Misericórdia de Deus precede a Sua Ira, e que os crentes superam a sua miséria e elevam-se para a Fonte da profecia, aceitando tudo o que acontece enquanto Vontade Divina, como um acto de amor cuja origem e destino outra não é, que não Allah S.T.. Significa que tomamos consciência de que não existe outra divindade, a não ser Deus (ár. Allah), e que tudo aconteceu exactamente como estava escrito, que transbor- damos, que todos os nossos ódios e carências nada são frente ao mar da Misericórdia. Significa abandonar a ira, esquecer as ofensas, reconhecer que nada somos para acusar os demais, que todos somos Filhos de Adão e partilhamos todos a mesma situação.

Qual a relação entre o perdão e todos os acontecimentos proféticos ocorridos neste dia? O Perdão é a libertação dos nós mais fortes que nos atormentam. Abraão (a.s.) foi atirado ao Fogo pelo tirano Nimrod. Allah salvou-o, ordenando ao fogo que ficasse frio. O “fogo frio” é uma metáfora da união dos contrários, a qual se consumou em Abraão (a.s.). O que é o fogo? A paixão em que se consome, o seu ódio para com os seus concidadãos manifesta-se externamente, e Abraão (a.s.) é atirado ao fogo. Paradoxalmente, o fogo que a ira de Abraão (a.s.) havia causado converte-se numa fonte de paz interior para Abraão (a.s.), termina a sua inimizade para com os seus perseguidores e pode fugir das cadeias que o prendem e ao seu povo, em busca de uma terra abençoada. Allah salva Abraão (a.s.) mostrando-lhe o segredo da união dos contrários, do “fogo frio” cujo contacto permite-nos transcender as condições espacio-temporais em que nos encontramos, elevar-nos como ao Profeta Jesus (a.s.) da Cruz, alcançar o Perdão de Allah no meio do fogo deste Mundo.

É assim como Deus forja os Seus servos no fogo, abrasa-os para apagar todas as impurezas, como curou com água de uma nascente o Profeta Job (a.s.), retirou Jonas (a.s.) do ventre da baleia, devolveu o Paraíso ao Profeta Adão (a.s.), libertou da opressão o Profeta Moisés (a.s.) e o Povo de Israel. Deus permitiu ao Profeta Noé (a.s.) pisar terra, regressar da sua lenta travessia. Todos os episódios que celebramos no Dia de Ashura remetem-nos para a entrada no Reino dos Céus, para o despertar da consciência de que o todo é Um, para a libertação de toda a oposição, de todo o dualismo. Todos os episódios remetem-nos para a saída interior do dilema da nossa dualidade desesperada, do nosso carácter fragmentário. Nada somos, a não ser sombra à deriva, sombra que projecta sombra e que luta. Toda a peleja é sinal de que estamos divididos, de que nos vimos separados do nosso semelhante por barreiras de orgulho, mas também de ideologia, de religião ou de doutrina. A vaidade é a pior das doenças. Somente Allah pode arrebatar-nos, arrancar-nos da Cruz e devolver-nos à Realidade. O Perdão é a libertação do Fogo.

O Perdão é a chuva. A salvação é a primeira chuva sobre a Terra partilhada, o Retorno à unidade da vida depois da separação. O ser humano que não consegue perdoar encontra-se preso na fogueira das suas vaidades, prossegue vendo tudo através de si mesmo. É incapaz de transcender a dialéctica do teu ou meu, do eles e nós. Não pode sair do ventre da baleia, incendiar-se-á no fogo, Allah não curará as suas feridas, não verá brotar a fonte, não pisará terra. A incapacidade de perdoar é a enfermidade das enfermidades, a incapacidade de aceitar que o outro reflicta as nossas limitações, que os nossos inimigos somos nós próprios, que tudo na Criação é nosso espelho. A minha querela contigo denuncia-me, denuncia a minha miséria, a minha própria projecção na tua querela. Quem nos ofendeu, quem foi que nós ofendemos? Allah é a causa, o causador e o causado. Os servos do Compassivo são aqueles que vão pela terra e quando os repreendem respondem apenas: Paz. Não há lugar para o ódio em seus corações, pois apenas vêem em tudo o que os rodeia uma teofania, a forma do mistério da Criação em toda a sua grandeza.

Por isso, peço perdão a todos aqueles que se sentiram ofendidos pelas minhas palavras ou pela minha respiração. Peço perdão por pretender existir, por possuir uma consciência que se afirma separada. Peço perdão pelas provocações, por todo o pensamento não enraizado na consciência de que somos todos um. Peço perdão pelo fogo e pela névoa, pela ordem sem formas desta mão, pela ambição sem fundamento.

Ó Allah, liberta-me do ventre desta obscura baleia, que é o meu ego.
Erradica dos meus actos a arrogância, a busca do muro.
Liberta-me do Fogo, suaviza um instante e fixa-me no Teu sorriso.
Eleva as minhas carícias em direcção ao Céu.
Perdoa a minha miséria, as minhas pequenas querelas de homem mortal.
Ajuda-me a ajudar, a alcançar o Perdão …

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A idolatria

“DEUS JAMAIS PERDOARÁ QUEM LHE ATRIBUIR PARCEIROS, CONQUANTO PERDOE OS OUTROS PECADOS, A QUEM LHE APRAZ. QUEM ATRIBUIR PARCEIROS A DEUS DESVIAR-SE-Á PROFUNDAMENTE.” (Alcorão 4:116)

E assim, muitos versículos do Alcorão advertem os crentes contra a idolatria e os previne deste pecado maior. Eis alguns exemplos:

“Ó CRENTES, NA VERDADE, OS IDÓLATRAS SÃO IMPUROS…” (Alcorão 9:28)

“CONSAGRAI-VOS A DEUS; E NÃO LHE ATRIBUAIS PARCEIROS, PORQUE AQUELE QUE ATRIBUIR PARCEIROS A DEUS, SERÁ COMO SE HOUVESSE SIDO ARROJADO DO CéU, COMO SE O TIVESSEM APANHADO AS AVES, OU COMO SE O VENTO O LANçASSE A UM LUGAR LONGÍNQUO.” (Alcorão 22:3l)

“RECORDA-TE DE QUANDO LUCMAN DISSE AO SEU FILHO, EXORTANDO-O: Ó FILHO MEU, NÃO ATRIBUAS PARCEIROS A DEUS, PORQUE A IDOLATRIA é UMA GRAVE INIQUIDADE.” (Alcorão 31:13)

“DIZE: SOU TÃO-SOMENTE UM MORTAL COMO VÓS, A QUEM TEM SIDO REVELADO QUE O VOSSO DEUS é UM DEUS ÚNICO. POR CONSEGUINTE, QUEM ESPERA COMPARECER PERANTE O SEU SENHOR QUE PRATIQUE O BEM E NÃO ASSOCIE NINGUéM AO CULTO D’ELE.” (Alcorão 18:110)

As coisas que os pagãos associam a Deus não têm, na verdade, qualquer qualidade divina. Deus informa no Alcorão que tais parceiros que Lhe são atribuídos não ajudam nem prejudicam (10:18), não criam nada (10:34), não podem ajudar ou socorrer (7:192) e não conduzem ninguém ao caminho recto (10:35). Embora pareça claro que tais criaturas são impotentes, a razão pela qual os pagãos as tomam por parceiros de Deus é o facto de elas possuírem algumas qualidades de Deus.

Por exemplo, a autoridade, a soberania, a supremacia e a prosperidade que um governante transgressor possui, na verdade pertencem a Deus. Nesta vida na terra, Deus concede aqueles atributos ao governante até a um certo limite. No entanto, temer aquele governante, afirmando que ele possui aquelas qualidades e obedecê-lo nas suas determinações contra Deus, é transformá-lo em parceiro de Deus. Esse governante não é nem deus nem possui qualquer poder sobre coisa alguma. Quem quer que respeite o governante como um ser divino e o obedeça cegamente, na verdade esta adorando um falso deus criado por sua imaginação. Assim diz o Alcorão:

“NÃO É CERTO QUE É DE DEUS AQUILO QUE ESTÁ NOS CÉUS E NA TERRA? QUE PRETENDEM, POIS, AQUELES QUE ADORAM OS ÍDOLOS EM VEZ DE DEUS? NÃO SEGUEM MAIS DO QUE A DÚVIDA E NÃO FAZEM MAIS DO QUE INVENTAR MENTIRAS!” (Alcorão 10:66)

Aquele que adora alguém além de Deus sofrerá o mais profundo arrependimento no Além, quando descobrir que o objecto da sua adoração, na verdade, não possuía qualquer qualidade. As coisas que ele prefere ou adora na terra transformam Deus, o único que tem o poder, a honra e a glória, o único que é Protector, em inimigo. Os seus ídolos o abandonarão quando se encontrarem sozinhos no Além.

“UM DIA EM QUE OS CONGREGAREMOS A TODOS, DIREMOS AOS IDÓLATRAS: FICAI ONDE ESTAIS, VÓS E VOSSOS PARCEIROS! LOGO OS SEPARAREMOS, ENTÃO, OS SEUS PARCEIROS LHES DIRÃO: NÃO ERA A NÓS QUE ADORÁVEIS! BASTA DEUS POR TESTEMUNHA ENTRE NÓS E VÓS, DE QUE NÃO NOS IMPORTAVA A VOSSA ADORAÇÃO. AÍ TODA ALMA CONHECERÁ TUDO QUANTO TIVER FEITO E SERÃO DEVOLVIDOS A DEUS, O SEU VERDADEIRO SENHOR; E TUDO QUANTO TIVEREM FORJADO DESVANECER-SE-Á.” (Alcorão 10:28-30)

“ENTÃO SER-LHES-Á DITO: ONDE ESTÃO OS QUE IDOLATRÁVEIS, EM LUGAR DE DEUS? RESPONDERÃO: DESVANECERAM-SE. E AGORA RECONHECEMOS QUE AQUILO QUE ANTES INVOCÁVAMOS NADA ERA! ASSIM, DEUS EXTRAVIA OS INCRÉDULOS.” (Alcorão 40:73-74).

O Alcorão define a situação final dos pagãos desta forma:

“E QUANDO PRESENCIARAM O NOSSO CASTIGO, DISSERAM: CREMOS EM DEUS, O ÚNICO, E RENEGAMOS OS PARCEIROS QUE LHE ATRIBUÍAMOS. PORÉM, DE NADA LHES VALERÁ A SUA PROFISSÃO DE FÉ QUANDO PRESENCIAREM O NOSSO CASTIGO. TAL É A LEI DE DEUS PARA COM OS SEUS SERVOS. ASSIM, ENTÃO PERECERÃO OS DESCRENTES.” (Alcorão 40:84-85).

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A alma e as suas características

Quando lemos no Alcorão a respeito da natureza do homem, frequentemente encontramos o termo “alma”. Alma, em árabe é “nafç” e significa o “eu”, “a personalidade”.

O Alcorão diz que a alma do homem tem dois lados: um que governa o mal e o outro que cuida de evitar este mal. O capítulo “O Sol” diz o seguinte:

“Pela alma e por Quem a aperfeiçoou, e lhe imprimiu a distinção entre o que é certo e o que é errado, que será venturoso quem a purificar (a alma), e desventurado quem a corromper.” (Alcorão 91:7-10)

o discernimento para o errado. Errado, isto é, “fucur” em árabe, quer dizer “romper o limite do certo”. No sentido religioso, quer dizer: “experimentar o pecado e se rebelar (mentira, desobediência, transgressão, adultério, corrupção moral, etc.)”

Conforme citado nos versículos atrás citados, Deus inspira a distinção entre o bem e o mal. A pessoa que admite o mal na sua alma e que o impede, obedecendo à inspiração de Deus, e purifica a sua alma, será salva. Receber a vontade de Deus, a Sua Misericórdia e o Seu Paraíso é a única forma para se alcançar a salvação, ao passo que a pessoa que esconde a sua alma e não a purifica do mal que nela existe, será levado para a corrupção. Esta corrupção é a maldição de Deus e o fim é o Inferno.

Neste ponto, vemos uma consequência importante: há um lado mau em cada alma humana. A única forma de se purificar deste mal é aceitar o que Deus ordena e impedir que este mal encontre abrigo dentro de nós.

Uma das mais importantes diferenças entre os crentes e os descrentes aparece justamente aqui. Uma pessoa sabe, e aceita, que a sua alma tem um lado mau e que ela precisa impedi-lo com atitudes morais e com os conhecimentos por ela adquiridos do Islão. Um dos maiores aspectos da religião, e do mensageiro que comunica esta religião, é revelar a existência do mal na alma e a forma de purificá-la. O Capítulo 2:87 assim se dirige aos judeus:

“…Cada vez que vos era apresentado um mensageiro, contrário aos vossos interesses, vós vos ensoberbecíeis! Desmentíeis uns e assassináveis outros.”

Os descrentes abrigam o mal nas suas almas e não aceitam o que a religião verdadeira lhe traz, nem a pessoa que a revela, porque contrariam os seus próprios interesses. Tais pessoas não conseguem purificar as suas almas, antes pelo contrário, abrigam este mal e o mantêm lá, conforme mencionado nos versículos.

Portanto, podemos dizer que os descrentes acatam o mal que existe nas suas almas e assim, não têm uma consciência verdadeira. é, de alguma forma, uma vida instintiva. Neste caso, todos os comportamentos e pensamentos são ditados pelos instintos emanados do mal existente na alma. Esta é uma das razões pelas quais o Alcorão define os descrentes como “animais”.

Diferentemente dos descrentes, os crentes conhecem Deus, temem-No e evitam desobedecer às Suas regras. Por isto, os crentes não obedecem àquele lado mal de suas almas, mas o enfrentam, conforme Deus ordena. No Capítulo 12, versículo 53, José (ár. Yussuf a.s.) diz: “Porém, eu não me absolvo, a mim mesmo, porquanto o ser é propenso ao mal, excepto aqueles de quem o meu Senhor estendeu a Sua Misericórdia, porque o meu Senhor é Indulgente, Misericordioso.” Este versículo ensina-nos como devemos pensar: o crente deve ser cuidadoso e ter em mente que a sua alma tentará desviá-lo do verdadeiro caminho.

Até agora, lemos sobre o lado “mau” da alma. Dentro do mesmo versículo vimos que também é inspirado à alma impedir o mal. Este lado da alma, que guia o ser humano para Deus e para as verdades da religião e para as boas acções, é, vulgarmente, chamado de espírito.

Contudo, o sentido que o Alcorão dá para o espírito é muito diferente do sentido vulgarmente conhecido. O significado para o espírito mais vulgarmente conhecido inclui somente o dar aos pobres ou apoiar os direitos dos animais, ou amar os animais, etc. Contudo, o espírito do crente faz com que ele obedeça às regras determinadas pelo Alcorão. é o espírito que o capacita a compreender os conceitos mencionados no Alcorão, de um modo genérico.

O Alcorão, por exemplo, orienta os crentes a gastarem dos seus bens mais do que o necessário. é claro que cada pessoa define esse “mais do que necessário”. Uma pessoa desprovida de um espírito forte não concordará com esse mandamento de Deus e, portanto, será incapaz de agradá-Lo.

O crente faz muitas escolhas durante a vida. Entre as alternativas que se lhe apresentam, ele é obrigado a escolher aquela que está mais de acordo com a vontade de Deus e aquela que é mais benéfica para a sua religião. Quando ele faz a sua escolha, em primeiro lugar ele volta-se para o seu espírito, que lhe dirá o que mais agrada a Deus. Em segundo lugar, os seus interesses particulares estarão envolvidos e tentarão desviá-lo para outras alternativas. Então, a alma lhe sussurra as razões e as desculpas adequadas. O Alcorão, em muitos versículos, chama a nossa atenção para essas “desculpas”:

“Neste dia, a desculpa dos iníquos de nada lhes valerá, nem serão resgatados.” (Alcorão 30:57)

“No dia em que aos iníquos de nada valerão as suas desculpas: deles será a maldição, e deles será a pior morada.” (Alcorão 40:52)

O crente não deve dar ouvidos a esta espécie de desculpa e sim ao que o seu espírito lhe diz para fazer. Os exemplos dados no Alcorão, com relação ao espírito dos crentes, levam-nos a pensar sobre a questão. No caso do crente, que está preocupado porque não encontra um meio de lutar contra, o Alcorão diz num dos versículos:

‘Não há faltas a imputar aos fracos, aos doentes e aos que não possuem recursos para gastar (pela Causa), se eles forem sinceros com Deus e Seu Mensageiro. Não há procedimento para constranger os que praticam o bem; e Deus é Indulgente e Misericordioso. E nem aos que, quando vieram ter contigo e te pediram montadas, tu lhes dissestes: “Não tenho montadas para vos dar”. Eles foram-se embora com os olhos rasos de lágrimas, penalizados por não terem posses que pudessem contribuir.’ (Alcorão, 9:91-92)

Lutar contra os inimigos pode parecer muito perigoso. A pessoa que começa lutando (numa guerra) sabe que pode morrer ou se ferir. Não obstante, o crente quer lutar pela causa justa e fica triste quando ele não consegue. Este é um exemplo notável de espírito, a que se refere o Alcorão. A alma pode não provocar o extravio do crente num primeiro momento, mas tenta sempre desviá-lo da religião, sugerindo compensações menores. Por exemplo, ela tenta induzi-lo a adiar alguma coisa que ele teria que fazer pela causa de Deus. Apresentando algumas razões, a alma tenta abalar a sua determinação, fazendo algumas pequenas considerações. Neste caso, as pequenas desculpas da alma são compensadas, o seu impacto se torna maior e pode, mesmo, levar o homem a abandonar a sua crença em Deus. O crente é obrigado a se comportar de acordo com os mandamentos de Deus em cada caso, e não de acordo com a sua alma, anulando os desejos egoístas de sua alma. Diz o Alcorão:

“Temei, pois, a Deus, tanto quanto possais. Escutai-O, obedecei-Lhe e fazei a caridade, que isso será preferível para vós! Aqueles que se preservarem da avareza serão os bem-aventurados.” (Alcorão 64:16)

Neste versículo, os crentes são orientados a temer a Deus, a obedecê-Lo, a ouvir os Seus conselhos e a gastar por conta d’Ele, uma vez que isto salva a pessoa “dos desejos egoístas da sua alma” e o possibilita alcançar a verdadeira bem-aventurança.

Um outro versículo a respeito deste assunto, é o que se segue:

“Ao contrário, quanto àquele que temeu vir à presença do seu Senhor e refreou a sua alma em relação à luxúria, terá o Paraíso por abrigo.” (Alcorão 79:40-41)

Se, pelo contrário, uma pessoa só atende aos desejos egoístas da sua alma e inicia a sua vida depois da morte sem a ter purificado, será tomada por um profundo arrependimento e não usufruirá de qualquer benefício. Esta é a grande e inevitável realidade que espera os descrentes.