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Cinco pilares do Islão

Deus instruíu os Muçulmanos no sentido de praticarem o que estabeleceu no Islão. Por conseguinte, o Islão assenta em cinco pilares:

Credo (Chahada)

Credo é o testemunho da existência de Um Único DEUS, e de que Muhammad é o Seu último Mensageiro.

Orações (Salat) A todos os Muçulmanos são requeridas cinco orações diárias em períodos definidos do dia.

Jejum (Saum)

O jejum consiste na abstinência total de alimentos e de líquidos, e das relações sexuais entre os casais (legitimados matrimonialmente), desde o nascer até ao pôr-do-sol, durante todo o mês de Ramadão.

Contribuição de Purificação (Zakat)

é o pagamento anual de 2,5 por cento do valor dos bens de um Muçulmano, que é distribuído pelos pobres, ou por outros beneficiários legítimos.

A Peregrinação a Meca (Hajj)

O cumprimento da Peregrinação a Meca (Makkah) é obrigatória uma vez na vida para todo o Muçulmano se, tiver meios disponíveis para a fazer. A celebração da “Hajj” é realizada, em parte, em memória das provações e tribulações do Profeta Abraão, sua esposa Agar e seu filho primogénito Ismael.

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Celebridades que admiraram o Islão (parte II)

Eis os excertos parafraseados de declarações feitas por últimas duas figuras que seleccionamos para esta edição, que são celebridades não muçulmanas que acreditaram em Deus e admiraram o Islão. Vejamos atentamente o que eles disseram:

PROF. ERNEST RENAN

Fazemos agora referência a um idealista: Ernest Renan nasceu em 1923 (1239 da Hégira) na cidade Treguier de França. O seu pai era capitão. Tinha cinco anos quando perdeu o pai. Foi criado pela mãe e pela sua irmã mais velha. Como a sua mãe queria que ele fosse um religioso, foi mandado para um colégio de padres na sua cidade natal. Aí, foi-lhe dada uma educação religiosa eficiente. O seu grande interesse pelas línguas orientais levaram-no a ter completo conhecimento das línguas árabe, hebraica e síria. Mais tarde entrou na Universidade, onde estudou filosofia. À medida que fazia progressos nas áreas educacionais e realizava vários pequenos estudos comparativos da filosofia alemã e da literatura oriental, observou algumas falhas no Cristianismo. Quando se graduou na Universidade em 1848, com 25 anos de idade, desafiava totalmente a religião cristã, e compilou os seus pensamentos no seu livro intitulado O Futuro do Conhecimento. No entanto, como o livro era de natureza rebelde, nenhuma gráfica ousou imprimi-lo, e só 40 anos depois, em 1890, é que o livro foi impresso.

A primeira objecção de Renan foi contra a crença de que Jesus (Issa a.s.) era o Filho de Deus. Quando foi nomeado professor de filosofia na Universidade de Versailles, começou gradualmente a explicar os seus pensamentos sobre este assunto. No entanto, só após ter sido nomeado professor de língua hebraica na Universidade do College de França, deu voz ao seu mais vigoroso protesto. Quando acabou a sua primeira aula teve a coragem de dizer: Issa era um ser humano respeitável, superior a todos os outros seres humanos. No entanto, nunca foi o filho de Allahu ta’ala. Esta declaração teve o efeito de uma bomba. Todos os cató- licos, e principalmente o Papa, se levantaram contra ele. O Papa excomungou oficialmente Renan diante do mundo inteiro. O governo francês teve de o demitir do lugar. No entanto, o mundo ressoava com as declarações de Renan. Várias pessoas estavam do lado dele. Escreveu livros, tal como Ensaios sobre a História das Religiões, Estudos sobre Crítica e Moral, Discursos sobre Filosofia e A Vida de Jesus, e os seus livros venderam-se como bolos quentes. Com isto a Academia Francesa aceitou-o como membro (em 1878). O governo francês também o convidou a voltar ao serviço e nomearam-no director do Colégio de França.

Renan investigou Issa a. s. como um ser humano na sua obra Vida de Jesus. De acordo com Renan Issa a. s. é um ser humano como nós. A sua mãe Maryam (Maria) foi prometida em casamento a um carpinteiro chamado Yusuf (José). Issa a. s. era um ser humano superior, tanto que as declarações que fez quando era criança eram uma fonte de espanto para muitos eruditos. Allahu ta’ala julgou-o merecedor de ser Profeta e deu-lhe a sua tarefa. Issa a. s. nunca disse que era o filho de Deus. Isto foi uma calúnia fabricada pelos padres.

LAMARTINE (Alphonso Marie Louis de):

Um dos poetas e homens de estado franceses universalmente conhecidos, Lamartine 1790-1896 (1204-1285 da Hégira) realizou viagens oficiais através da Europa e América, que lhe deram a oportunidade de ter estado na Turquia, no tempo do sultão Abd-ul-Majid Khan. Foi recebido de uma maneira absolutamente amigável pelo Padishah (Imperador Otomano). E foi também presenteado com uma quinta no Estado de Aydin (que fica na parte ocidental da Turquia). Vejam o que ele diz àcerca de Muhammad (a paz esteja com ele) no seu livro Histoire de Turquie (História da Turquia):

“Muhammad era um falso profeta? Não podemos pensar assim, depois de estudar as suas obras e a sua história. Pois a falsa profecia significa hipocrisia. Como a falsidade não tem o poder da verdade, também a hipocrisia não tem capacidade de convencer”.

“Em mecânica, o alcance de algo atirado depende da força do impulso. Na mesma medida, a força de uma certa fonte de inspiração espiritual é avaliada pelo trabalho que realiza. Uma religião (i.e. o Islão) que carregou um fardo tão pesado, que se expandiu a distâncias tão longínquas, e que manteve a sua força toda durante tanto tempo, não pode ser uma mentira. Tem de ser genuína e convincente. A vida de Muhammad; os seus esforços; a sua coragem ao atacar e destruir as superstições e ídolos no seu país; a sua bravura e valor ao enfrentar a fúria de uma nação adoradora do fogo; os seus treze anos a suportar vários ataques, insultos e perseguições infligidos em Mecca, entre os próprios cidadãos; a sua migração para Medina; os seus encorajamentos, pregações e conselhos; as guerras que travou contra forças inimigas esmagadoramente superiores; o seu espírito de vitória; a confiança sobrehumana que sentia em momentos das maiores aflições; a paciência, confiança e tolerância que ele mostrava mesmo na vitória; a determinação que mostrava ao convencer outros; a sua devoção sem fim nas orações; as suas comunhões sagradas com Allahu ta’ala; a sua morte, e a continuação da sua fama, honra e vitórias depois da sua morte; todos estes acontecimentos factuais (e muitos outros não contados) indicam que ele não era, de maneira nenhuma, um mentiroso, mas, pelo contrário, possuidor de uma grande crença”.

“Era esta crença e esta confiança no seu Criador que o faziam levar avante o credo de duas fases: a primeira fase consistia na crença de que ‘há um Ser Eterno, que é Allah’, e a segunda fase inculcava que ‘os ídolos não são deuses’. Na primeira fase ele informava os árabes da existência de Allahu ta’ala, que é único e que eles não conheciam até essa altura; e na segunda fase ele tirava-lhes das mãos os ídolos que eles consideravam deuses até essa altura. Resumindo, de uma só vez quebrava os falsos deuses e ídolos e substituía-os pela crença em ‘Allah Único'”.

“Este é Muhammad (s.a.w.), o filósofo, o orador, o profeta, o legislador, o guerreiro, o encantador dos pensamentos humanos, o que realizou os novos princípios da crença, o grande homem que estabeleceu vinte gigantescos impérios mundiais e um grande império e civilização do Islão.”

“Que todo o critério usado pela humanidade para julgamento e avaliação da grandeza seja aplicado. Encontrar-se-á alguém superior a ele? Impossível”.

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Celebridades que admiraram o Islão (parte I)

Eis alguns excertos parafraseados de declarações feitas por algumas das muitas celebridades não muçulmanas que acreditaram em DEUS e admiraram o Islão; estas declarações mostram as suas opiniões sobre o Islão. Tantas são as pessoas que partilham as mesmas opiniões que tivemos que escolher somente os mais famosos. Seleccionamos três figuras para esta edição e duas para a próxima. Vejamos atentamente o que eles disseram:

NAPOLEÃO BONAPARTE

Napoleão I (1769-1821 [1237 da Héjira]), que ficou na história como um génio militar e homem de estado, quando entrou no Egipto em 1798 (1212 da Hégira), admirou a grandeza e genuinidade do Islão, e pensou mesmo em tornar-se Muçulmano. O seguinte excerto foi tirado do livro de Cherfil “Bonaparte e o Islão”, Napoleão disse:

“A existência e unidade de DEUS, que Moisés (ár. Mussa a.s.) anunciou ao seu próprio povo e Jesus (ár. Issa a.s.) ao seu próprio Ummat, foi anunciada por Muhammad (Maomé) s.a.w. ao mundo inteiro. A Arábia tornara-se um país totalmente de idólatras. Seis séculos depois de Issa a.s., Muhammad s.a.w. iniciou os árabes numa consciência de DEUS, cuja existência os Profetas anteriores a ele, tal como Ibrahim (Abraão), Ismail (Ismael), Mussa (Moisés) e Issa (Jesus), a paz esteja com eles, tinham anunciado. A paz no oriente tinha sido distribuido pelos Arianos (isto é, Cristãos que seguiam Arius) que, de alguma maneira, desenvolveram um nível de amizade com os Árabes, e pelos heréticos, que desafiaram a verdadeira religião de Issa a. s. e lutaram para expandir em nome da religião um credo totalmente incompreensível baseado na trindade, isto é, DEUS, Filho de DEUS e Espírito Santo. Muhammad s.a.w. conduziu os árabes ao caminho certo, ensinou-os que DEUS é um, que não tem pai ou filho e que adorar vários DEUSes é um costume absurdo que é a continuação da idolatria”.

Noutra parte do livro, Napoleão é citado como tendo dito: “Espero que no futuro próximo tenha a oportunidade de reunir as pessoas sensatas e cultas do mundo e estabelecer um governo que eu dirigirei (de acordo com os princípios escritos no Qur’an al-Karim (Alcorão).”

PROF. THOMAS CARLYLE:

Thomas Carlyle da Escócia (1795-1881 [1210-1298 da Hégira]), um dos maiores homens da ciência conhecido em todo o mundo, entrou na Universidade quando tinha apenas 14 anos; estudou jurisprudência, literatura e história; aprendeu alemão e línguas orientais; trocou correspondência com, e até visitou, o conhecido escritor alemão (Johan Wolf-Gang Von) Goethe (1749-1832); foi condecorado pelo rei da Prússia com a medalha de honra chamada de mérito, e foi eleito presidente da Universidade de Edimburgo. Entre as obras de Carlyle incluem-se Sartur Resartus, A Revolução Francesa, Sobre os Heróis, O Culto dos Heróis, o Heróico na História, O Passado e o Presente, Opúsculos Modernos, A Vida de Friedrich Schiller, e Ensaios Críticos e Variados. A seguinte passagem foi seleccionada de uma das suas obras:

“Os Árabes, Muhammad a. s., e a sua época: Antes do advento de Muhammad a. s. ,(os árabes estavam em tal estado que) se um grande pedaço de fogo irrompesse no local onde viviam os árabes, teria desaparecido na areia seca sem deixar quaisquer traços atrás dele. Mas, depois do advento de Muhammad a. s., esse deserto de areia seca transformou-se, tal como era, num barril de pólvora. De Delhi a Granada, rapidamente se ergueram chamas em todo o lado. Este grande homem ao falar era electrizante, e todas as pessoas à volta dele se tornavam explosivas captando o seu fogo.”

Numa Confêrencia sua: “Como vocês leram o Alcorão, entenderão que não é um compêndio normal de literatura. O Alcorão é uma obra de arte que brota de um coração e penetra instantaneamente em todos os outros corações. Todas as outras obras de arte são bastante aborrecidas comparadas com esta tremenda obra-prima. A característica mais notável do Alcorão é que é verdadeiro e um guia excelente. Para mim, este é o maior mérito do Alcorão. E é este mérito que gera outros méritos.”

Das suas memórias de uma viagem: “Na Alemanha contei ao meu amigo Goethe os factos que reuni acerca do Islão e acrescentei as minhas reflexões pessoais acerca do assunto. Depois de me ouvir atentamente, ele disse, ‘Se isso é o Islão, somos todos Muçulmanos.’ “

MAHATMA GHANDI (Mohandas Karamchand):

Gandhi (1869-1948 [1285-1367 da Hégira]), descende de uma família cristã da Índia Ocidental. O seu pai era o chefe eclesiástico da cidade de Porbandar, e muito rico. Gandhi nasceu na cidade de Porbandar. Foi para a Grã-Bretanha para a sua educação superior. Findo o curso superior voltou para a Índia. Em 1893 ele foi mandado para a África do Sul por uma firma indiana. Ao ver as pesadas condições sob as quais se encontravam os trabalhadores indianos, e o tratamento absolutamente desumano a que eram sujeitos, decidiu começar uma luta pela melhoria dos seus direitos políticos. Então dedicou-se ao povo indiano. Como conduziu uma forte campanha contra o governo Sul-Africano pela protecção dos direitos dos indianos, foi preso. No entanto, ele era demasiado destemido para desistir da luta. Ficou na África até 1914. Então, deixando o seu trabalho perfeitamente lucrativo, voltou para a Índia com o intuito de continuar a sua luta. Começou uma luta em cooperação com a União de Muçulmanos Indianos, estabelecida pelos Muçulmanos em 1906 para a libertação da Índia. Gastou toda a sua riqueza pessoal e a do seu pai para a promoção desta causa.

Quando soube que os Ingleses iam lançar uma segunda operação de violência e crueldade semelhante à que tinham cometido no estado de Pencap em 1858 (1274 da Hégira), ele cooperou com os Muçulmanos, induziu os seus amigos a retirarem-se do serviço civil, e iniciou um protesto silencioso e uma resistência passiva. Ao enrolar um bocado de tecido branco à volta do seu corpo nú e ao contentar-se com o leite de uma cabra que mantinha sempre com ele, continuou a sua resistência passiva. A primeira reacção dos Ingleses foi de se rirem dele. No entanto, não demorou muito que vissem, com espanto e receio, que este homem, que acreditava nos seus próprios ideais de todo o coração e que estava pronto a sacrificar toda a sua existência com entusiasmo pelo bem do seu país, estava com a Índia inteira a reboque e ressoando com a sua luta sem palavras. Prendê-lo revelou-se inútil. Os esforços de Gandhi resultaram na obtenção da independência da Índia. Os hindus deram-lhe o nome de Mahatma, o que significa lexicamente abençoado.

Gandhi estudou a religião Islâmica e o Alcorão com atenção meticulosa e, finalmente, se tornou num verdadeiro admirador do Islão. O seguinte é a sua observação sobre este assunto:

“Os Muçulmanos nunca se entregaram ao fanatismo mesmo em alturas de maior grandeza e vitória. O Islão ordena uma admiração pelo Criador do Mundo e pelas Suas obras. Como o Ocidente se encontrava numa escuridão terrível, a estrela deslumbrante do Islão que brilhava no Oriente trouxe luz, paz e alívio ao mundo em sofrimento. A religião Islâmica não é uma religião mentirosa. Quando os hindus estudarem esta religião com o devido respeito, também eles sentirão a mesma simpatia que eu sinto pelo Islão. Eu li os livros sobre o estilo de vida do Profeta do Islão e dos que lhe eram chegados. Estes livros geraram um profundo interesse em mim, tanto que, quando acabei de os ler, lamentei não haver mais. Cheguei à conclusão que a rápida expansão do Islão não era feita pela espada. Pelo contrário, deveu-se principalmente à sua simplicidade, lógica, à grande modéstia do seu Profeta, à sua verdade para com as suas promessas e à sua ilimitada lealdade em relação aos muçulmanos, que muitas pessoas aceitaram de boa vontade o Islão.” “O Islão tem repelido a vida monástica. No Islão não há ninguém para intervir entre DEUS e o Seu servo. O Islão é uma religião que ordena a justiça social desde o início. Não há uma instituição entre o Criador e o criado. Quem ler o Alcorão (i.e. as suas explicações e livros escritos pelos eruditos Islâmicos), aprenderá os mandamentos de DEUS e obedecer-lhe-á. Não há nenhuma obstrução entre DEUS e ele nesse aspecto. Enquanto muitas mudanças inevitáveis foram feitas no Cristianismo por causa das suas imperfeições, o Islão não sofreu nenhuma alteração, e preserva a sua pureza primitiva. Falta ao Cristianismo o espírito democrático. A necessidade de equipar essa religião com um aspecto democrático necessitou de um aumento no zelo nacional dos Cristãos e de reformas concomitantes.”.

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Caros maridos Muçulmanos – direitos das mulheres

Por Yiossuf Adamgy

Arrumaste a casa?

O jantar já está pronto?

Deste de comer às crianças?

Lavaste-me a roupa?

Dia após dia, estas são algumas das questões que as mulheres ouvem, colocadas pelos seus próprios maridos, os quais consideram que estas mais não são do que simples empregadas ou máquinas geradoras de bebés. No entanto, uma esposa não é, nem uma coisa, nem outra.

Contudo, no meio de vidas atarefadas, tanto de homens como de mulheres, muitos são os maridos que esquecem a verdadeira razão subjacente ao casamento e, consequentemente, os direitos das suas esposas.

Subsequentemente, estes homens privam-se a si mesmos, às suas companheiras e aos seus filhos da felicidade e da tranquilidade que são, afinal, a base de uma família feliz. Esta noção errónea, relativamente àquilo que é o relacionamento ideal da vida em casal, é suficientemente má para mergulhar a família numa situação repleta de dissabores e de preocupações.

Inclusive, mesmo no seio de famílias religiosas islâmicas, é possível encontrar maridos que não possuem um conhecimento adequado a respeito dos direitos das suas esposas, e nem uma percepção clara do tipo de relacionamento que se pretende existir entre um casal.

É triste e, ao mesmo tempo, desolador, ver como, por um lado, um marido Muçulmano tenta cumprir todas as ordens de Allah e, por outro, esquece-se de seguir as Suas orientações no que respeita ao modo como é suposto lidar com a sua esposa. Fora de casa, ele é amável, paciente e sorridente. Mas, assim que entra em casa, o sorriso desaparece e dá lugar a um rosto zangado e triste, a amabilidade e a delicadeza transformam-se em nervosismo e em adversidade, e ele começa a berrar e a gritar ordens à sua esposa.

Este homem esquece-se que, não obstante o facto de serem muitos os desafios e as pressões por ele enfrentados fora de casa, a sua esposa pode também estar cansada, devido às suas ocupações domésticas e às suas responsabilidades para com as crianças. Ele esquece-se que também ela necessita de descansar após um longo dia de trabalho. Apesar de ser seu o dever de trabalhar fora de casa e de sustentar a sua família, o papel desempenhado pela esposa dentro de casa não é de menor importância. Pelo contrário, o papel por ela desemprenhado é, frequentemente, de maior importância, visto ser da sua responsabilidade educar os filhos e cuidar da família e do lar.

É frequente assistirmos à seguinte cena: a esposa sente-se cansada e pede ao marido que a ajude com a limpeza da casa, a lavagem da roupa ou a confecção das refeições. Ele recusa, como se fosse indigno de um homem ajudar a esposa. Não saberá ele que o Profeta Muhammad (s.a.w.), a pessoa a quem Allah (SWT) mais amou, ajudava as suas esposas nas tarefas domésticas? Não saberá ele que Omar Ibn al-Khattab forneceu receitas culinárias a um grupo de mulheres, isto de modo a ensiná-las a cozinhar? Poderia Omar tê-las ensinado, caso ele mesmo não soubesse cozinhar?

Jamais marido algum, não obstante o muito que trabalhe, poderá estar mais ocupado do que o nosso Profeta (s.a.w.), cujo dever era o de transmitir a Mensagem do Islão. Do mesmo modo, homem algum estará mais ocupado do que Omar, que tinha a seu cargo as responsabilidades de um Califa.

Choca-me saber que existem esposas que nunca ouviram uma palavra de amor ou apreço dos maridos. Quando lhe perguntaram qual a pessoa que ele mais amava, o Profeta (s.a.w.) não hesitou em dizer o nome da sua esposa A’ichah (r.a.). Consequentemente, ele declarou expressamente que um homem não se deve envergonhar por amar a sua esposa e nem por o dizer em público.

É igualmente lamentável saber que existem maridos que não falam com as suas esposas ou que não estão com as suas famílias, alegando não disporem de tempo, devido ao trabalho ou às tarefas de da’wa (divulgar/missionar a fé Islâmica). Embora o facto de se envolverem em actividades de da’wa fora de casa revele um carácter nobre, é igualmente necessário que tanto a esposa, como os filhos, recebam a sua atenção.

Interrogo-me de quantos serão os casais que vivem juntos, sem nunca sequer terem conversado um com o outro, ou de disporem de tempo para estar juntos. E que felicidade e tranquilidade será a que sentem, com esta lacuna a separarem-nos? Quem melhor do que uma esposa para partilhar da alegria e da tristeza de um homem? Quem mais o pode encorajar a enfrentar os obstáculos da vida, com perseverança e resignação? Quem melhor do que uma esposa para ouvir e guardar os segredos de um homem? Quem melhor do que uma esposa para ajudar a renovar a fé (iman) e os objectivos a atingir? O Profeta (s.a.w.) ensinou-nos que, o me lhor de entre os homens, é aquele que melhor trata a sua esposa. Não deveríamos nós seguir o exemplo do Profeta em todas as questões da nossa vida?

O Profeta (s.a.w.) dispunha de tempo para estar com as suas esposas, conversava com elas, ria-se com elas e, inclusive, até brincava com elas. Assim sendo, porque motivo nos afastámos nós deste exemplo?

A educação de uma criança não é uma tarefa da exclusiva responsabilidade da mãe, ao contrário do que algumas pessoas pensam. Trata-se de um acto que se supõe ser da responsabilidade de ambos os pais, ou seja, partilhado por ambos. Cada qual tem um papel complementar a desempenhar relativamente à família. Sem dúvida alguma que a maior responsabilidade pertence à mãe. Contudo, o papel desempenhado pelo pai é igualmente importante e têm um efeito enorme para a estabilidade da família. As crianças necessitam da presença e da força de um pai. Necessitam dele também para lhe colocar questões relativas aos seus trabalhos de casa, para que este as ajude a memorizar parte do Alcorão e a compreenderem algo da religião. Elas têm necessidade de sentir a sua presença, pronto a apoiá-las, caso necessitem dele.

Caros irmãos e maridos muçulmanos: a vossa esposa é a vossa companheira, a vossa outra metade e a parceira que vos acompanhará durante toda a vossa vida. Ela poderá ser a vossa hassanah neste mundo e a “benção da vossa vida”, mas apenas se lhe permitirdes sê-lo. Ela é aquela que vos poderá fazer sorrir e, ao mesmo tempo, secar as lágrimas que escorrem dos vossos olhos. É-lhe possível proporcionar iman e felicidade à família, e encorajar-vos e instigar-vos a serdes pacientes e persistentes face aos desafios que tendes de enfrentar. A vossa esposa encontra-se sempre pronta a sacrificar seja o que for de modo a trazer a felicidade e a prosperidade à família.

Ninguém pode exigir que o casamento seja sempre feliz ou que nunca existam dificuldades a enfrentar. Mas, e caso a base do relacionamento seja forte e cada um dos conjugues esteja ciente dos direitos do outro, então, os obstáculos que surjam po- derão facilmente ser ultrapassados.

Não é minha intenção culpar todos os maridos pelos problemas que actualmente os casais enfrentam. Dirijo-me a um grupo específico de maridos Islâmicos: aqueles que estão mal informados e que não compreendem que uma família Muçulmana feliz e sólida pode apenas ser edificada tendo por base um forte companheirismo entre os conjuges.

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Bom-senso

É com muita tristeza que lhe participamos o falecimento de um amigo muito querido que se chamava BOM SENSO e que viveu muitos e muitos anos entre nós. Ninguém conhecia com precisão a sua idade, porque o registo no qual constava o seu nascimento foi desclassificado há muito tempo, devido à sua enorme antiguidade.

Mas lembramo-nos muito bem dele, nomeadamente, pelas suas lições de vida, como:
“O mundo pertence àqueles que se levantam cedo.”
“Não podemos esperar tudo dos outros.”
“O que me acontece pode ser também, em parte, por minha culpa…”

O BOM SENSO só vivia com leis simples e práticas como: “Não gastar mais do que se tem”; e de claros princípios como: “São os pais quem decide em definitivo.”

Acontece que o BOM SENSO principiou a perder o pé quando os pais começaram a atacar os professores que acreditavam ter feito bem o seu trabalho, querendo que as crianças aprendessem o respeito e as boas maneiras. Tomando conhecimento que um educador foi afastado por ter repreendido um aluno demasiado excitado na aula, agravou-se o seu estado de saúde.

Deteriorou-se mais ainda quando as escolas ficaram obrigadas a obter autorização para pôr um penso num dói-dói de um aluno, embora não pudessem informar os pais de outros perigos mais graves incorridos pela criança.

Enfim, o BOM SENSO perdeu a vontade de sobreviver quando constatou que os ladrões e os criminosos recebiam melhor tratamento que as suas vítimas. Também recebeu vários golpes morais e físicos, quando a Justiça decidiu que era reprovável defendermo-nos de um gatuno na nossa própria casa, enquanto a este último é dada a possibilidade de se queixar por agressão e atentado à integridade física…

O BOM SENSO perdeu definitivamente toda a confiança e vontade de viver quando soube que uma mulher, que não alcançou que uma chávena de café quente pode queimar e que desajeitadamente deixou derramar algumas gotas sobre uma perna, recebendo por isso uma colossal indemnização do fabricante da cafeteira eléctrica.

E, como certamente saberá, a morte do BOM SENSO foi precedida pelo falecimento:

– dos seus pais, VERDADE e CONFIANÇA;
– da sua mulher, DISCRIÇÃO;
– da sua filha, RESPONSABILIDADE, e do filho, RAZÃO.

BOM SENSO deixa o seu lugar plenamente a três falsos irmãos:

– “Eu conheço os meus direitos e também os adquiridos”;
– “A culpa não é minha”;
– “Sou uma vítima da sociedade”.

Claro que não haverá uma multidão no seu enterro, porque já não existem muitas pessoas que o conheçam bem, e poucos se darão conta que ele partiu…