Publicado em

Fontes do Islão

Al Furqán

NA

As fontes do Islão estão contidas no Alcorão e nos “Ahadice”.
O Alcorão é a original e autêntica Palavra de Deus preservada para a eternidade. O “Hadice” é a relação das palavras, das acções e das decisões do Profeta Muhammad (p.e.c.e.). Os ditos e as acções são chamados “Sunnah”. A “Sirah” é o conjunto de escritos dos companheiros de Muhammad sobre a vida do Profeta. Assim, a história da vida do Profeta Muhammad (p.e.c.e.) que proporciona exemplos de vida quotidiana para os Muçulmanos.

Publicado em

O espírito de tolerância no Islão

Prezados Irmãos, Assalamu Alaikum:

A intolerância está a aumentar no mundo actual, causando a morte, o genocídio, a violência, a perseguição religiosa, bem como confrontos a outros níveis. Por vezes, é de natureza racial ou étnica, noutras de teor religioso e ideológico e noutras ainda de carácter social e político. Mas, em todas as circunstâncias, é sempre condenável e dolorosa. Como poderemos resolver o problema da intolerância? Como poderemos defende as nossas crenças e pon-tos de vista sem sermos intolerantes para com os outros? Como poderemos alcançar a tolerância no mundo actual?

Gostaria de debater estas questões de acordo com a perspectiva islâmica.

O que significa a palavra “tolerância”? Literalmente, a palavra significa “suportar”. Enquanto conceito, a “tolerância” representa “respeito, aceitação e apreciação pela rica diversidade das culturas do mundo, das formas de ex-pressão e costumes humanos”. Em língua árabe, a palavra que designa a tole-rância é “Tasamuh”. Existem, para além dessa, outras palavras com significados semelhantes, tais como “Hilm” (indulgência) ou “`Afu” (perdão, indulto) ou “Safh” (fechar os olhos a, não prestar atenção). Nas línguas persa e urdu, usamos a palavra “rawadari”, que deriva de “rawa” e significa “aceitável ou suportável” e “dashtan”, que significa “considerar”. Assim sendo, significa considerar algo aceitável ou suportável.

A tolerância é um princípio básico do Islão. É um dever moral e religioso. Não implica “concessão, condescendência ou indulgência”. Não remete para a perda de princípios ou falta de seriedade em relação aos mesmos.

Por vezes, diz-se que “as pessoas são tolerantes relativamente às coisas pelas quais têm interesse”. Mas não é isto que acontece no Islão. Na perspectiva do Islão, a tolerância não significa que todas as religiões sejam iguais. Não significa que não acreditamos na supremacia do Islão sobre todas as outras fés e ideologias. Não quer dizer que abdicamos de transmitir a mensagem do Islão aos outros e que não desejamos que eles se tornem muçulmanos.

Os princípios da UNESCO respeitantes à tolerância são os seguintes:

“Consistente com o respeito pelos direitos humanos, a prática da tole-rância não significa a tolerância da injustiça social, o abandono ou debilitar das convicções do indivíduo. Significa que somos livres para defender as nossas próprias convicções e aceitamos que os outros defendam as deles. Implica aceitar que os seres humanos, naturalmente diferentes entre si na sua aparência, situação, discurso, comportamento e valores, têm o direito de viver em paz e ser como são. Significa também que os nossos pontos de vista não devem ser impostos aos outros”.

A tolerância advém do facto de reconhecermos:

  1. a dignidade dos seres humanos,
  2. a igualdade básica entre todos os seres humanos,
  3. a universalidade dos direitos humanos, e
  4. a liberdade fundamental de pensamento, consciência e religião.

O Alcorão fala acerca da dignidade básica dos seres humanos. O Profeta, que a paz e a bênção de Deus estejam com ele, abordou a questão da igualdade dos seres humanos, independentemente da sua raça, cor, língua ou origem étnica. A Chari’ah reconhece o direito à vida de todos os seres humanos, bem como o seu direito à propriedade, família, honra e consciência.

O Islão acentua a importância da instituição da igualdade e justiça, sendo que nenhum destes valores pode ser instituído sem algum grau de tolerância. O Islão reconheceu desde o início o princípio da liberdade em relação à crença, ou liberdade religiosa. Defende, muito claramente, que não é permitido exercer qualquer coerção no que respeita às questões da fé e da crença. O Alcorão afirma: “Não existe imposição na religião”. (Al-Baqarah, 2:256)

Se em questões religiosas a coerção não é permitida, então, implicitamente, poder-se-á dizer que na cultura ou outras práticas mundanas também não será lícita. Na Surat Ach-Chura, Deus (ár. Allah) disse o seguinte ao Profeta (p.e.c.e.): “Mas se eles se afastarem, Nós não te enviamos junto deles como guardião. O teu dever é apenas transmitir (a Mensagem)…” (Ach-Chura, 42:48).

Noutra passagem, Deus afirma: “Convida (todos) a seguir o Caminho do teu Senhor com sabedoria e pregação bela, e dialoga com eles da melhor e mais graciosa forma. O teu Senhor sabe bem quem são aqueles se afastam do Seu Caminho e aqueles que aceitam a orientação.” (An-Nahl, 16:125)

Além disso, Deus disse aos crentes: “Obedecei a Deus, obedecei ao Mensageiro e precavei-vos; mas se vos desviardes, sabei que ao Nosso Mensageiro só cabe a proclamação da mensagem lúcida.” (Al-Ma’idah, 5:92)

Podemos igualmente citar outras palavras de Deus: “Obedecei a Deus e obedecei ao Mensageiro. Porém, se vos recusardes, sabei que ele (o Mensageiro) é só responsável pelo que lhe está encomendado, assim como vós sereis responsáveis pelo que vos está encomendado. Mas se obedecerdes, encaminhar-vos-eis, porque não incumbe ao Mensageiro mais do que a proclamação da lúcida Mensagem. (An-Nur, 24:54)

Todos estes versículos denotam que os muçulmanos não exercem coerção sobre as pessoas. De-vem apresentar a mensagem da forma mais convincente e explícita e convidá-las para a verdade, dando o seu melhor na transmissão e apresentação da mensagem de Deus às pessoas. No entanto, cabe às pessoas aceitar ou não essa mensagem. De

us afirma: “E diz: ‘A verdade vem do Vosso Senhor; assim, aquele que o entender acredite, enquanto aquele que assim o desejar o renegue.”

Surge então a seguinte questão:

Se Deus concedeu a escolha de acreditar ou não acreditar, então por que razão castigou Ele o povo do Profeta Nuh, o Ad, o Thamud, o povo do Profeta Lut e o povo do Profeta Shu`aib, bem como o Faraó e os seus seguidores?

A resposta está no próprio Alcorão. Estes povos não foram castigados pela simples razão de não serem crentes. Foram castigados por se terem tornado opressores. Cometeram agressões contra os indivíduos virtuosos e impediram outros de seguirem o caminho de Deus. Muitos foram aqueles que, em todo o mundo, renegaram a Deus, e Deus não os castigou a todos. Ibn Taymiyah, o notável escolástico Muçulmano, afirmou o seguinte: “As nações poderão continuar a viver por longos anos apesar da descrença do seu povo (kufr), mas não poderão sobreviver muito, caso este se torne num agressor.”

Outra questão se levanta, relacionada com a Jihad. Há pessoas que perguntam o seguinte:

“Não é um dever dos muçulmanos fazer a Jihad?”

Mas o propósito da Jihad não é a conversão das pessoas ao Islão. Deus afirma: “Não existe imposição na religião.” (Al-Baqarah:256). O verdadeiro propósito da Jihad é acabar com a injustiça e com a agressão. É permitido aos muçulmanos manterem boas relações com os não-muçulmanos. Deus afirma: “Deus não vos proíbe de mostrar bondade e de agirem de forma justa com aqueles que não se opuseram à vossa religião e que não vos despojaram das vossas casas… “(Al-Mumtahanah, 60 : 8)

O Islão ensina que apenas se deve lutar contra aqueles que nos fazem luta. Deus afirma: ” Combatei, pela causa de Deus, aqueles que vos combatem; porém, não pratiqueis agressão, porque Deus não estima os agressores.” (Al-Baqarah, 2:190)

O Islão pode tolerar tudo, mas ensina a ter tolerância zero para com a injustiça, a opressão e a violação dos direitos dos outros seres humanos. Deus afirma: “E o que vos impede de combater pe-la causa de Deus e dos indefesos, homens, mulheres e crianças que dizem: Ó Senhor nosso, tira-nos desta cidade (Makkah), cujos habitantes são opressores. Designa-nos, de Tua parte, um protector e um socorredor!” (An-Nisa’, 4: 75)

O Islão ensina a tolerância a todos os níveis: individual, colectiva e entre nações. A tolerância deveria ser considerada um requisito político e legal. A tolerância é o mecanismo que sustenta os direitos humanos, o pluralismo (incluindo o pluralismo cultural) e o estado de direito. O Alcorão afirma muito explicitamente: “Temos prescrito a cada povo ritos a serem observados. Que não te refutem a este respeito! E invoca o teu Senhor, porque segues uma orientação correcta. Porém, se te refutam, dize-lhes: Deus sabe melhor do que ninguém o que fazeis! Deus julgará entre vós, no Dia da Ressurreição, a respeito de vossas divergências. (Al-Hajj, 22:67-69)

Existem muitos níveis de tolerância:

  • Entre familiares, entre marido e mulher, entre pais e filhos, entre irmãos, etc.
  • Tolerância entre membros da comunidade: no que respeita a perspectivas e opiniões e tolerância entre as Madhahib (Escolas Jurídicas Islâmicas).
  • Tolerância entre os Muçulmanos e os crentes de outras fés (relações entre fés, diálogo e cooperação).

Os Muçulmanos foram sempre, geralmente, um povo tolerante. Devemos realçar esta virtude entre nós e no mundo actual. As nossas comunidades necessitam de tolerância: devemos fomentá-la através de políticas e esforços intencionais. Os nossos centros devem ser multiétnicos. Devemos ensinar os nossos filhos a respeitar o próximo. Não devemos generalizar acerca de outras raças e culturas. Devermos realizar mais visitas de intercâmbio e encontros uns com os outros. Até os casamentos entre muçulmanos de diferentes grupos étnicos deverão ser encorajados.

Com os não-muçulmanos, devemos manter o diálogo e boas relações, mas não podemos aceitar coisas que vão contra a nossa religião. Devemos informá-los, adequadamente, sobre o que é ou não aceitável para nós.

Se houver mais informação, estou certo de que o respeito se intensificará, assim como a cooperação.

Que Deus nos oriente para a senda recta.

Wassalam.

Publicado em

A consciência no Islão

Por: M. Yiossuf Adamgy

Quando o ser humano é guiado pela inspiração e pelos verdadeiros incentivos religiosos, automaticamente, gera dentro de si o desejo de fazer o bem, usando, deste modo, a mais alta moral e um carácter exemplar.

Estes incentivos, convencem o seu possuidor que a religião, na sua forma mas básica, é carácter e comportamento. E é esta conduta justa que traz a felicidade tanto nesta vida como na outra. A este incentivo chamamos consciência.

As leis humanas exigem um elevado nível de comportamento mas carecem de meios para incentivar a sua colocação em prática. Tais leis, apesar de promoverem a moral, são incapazes de motivar a consciência, já que esta actua por si mesma. As leis devem fazer finca pé na moral e os seus princípios devem basear-se na sua aplicação.

“A moral sem religião é desnecessária”. Para qualquer líder religioso sincero, a religião deve cultivar o carácter e criar uma sociedade virtuosa, em que não haja desigualdade, pobreza, divisão ou fraqueza.

Deus diz no Sagrado Alcorão: “E ajudai-vos uns aos outros na virtude e no temor (a Deus), não na desobediência nem na transgressão” (5:2).

Omar (r.a.), o segundo Califa do Islão, depois da morte de Muhammad (s.a.- w.), ordenou que as ruas estreitas de Medina se mantivessem livres da obs- trução que os mercadores provocavam com as suas mercadorias, para permitir que as pessoas pudessem transitar livremente por elas. Apesar desta ordem, um mercador continuou a vender as suas mercadorias na rua. Ao ver isto, Omar golpeou o feirante pela sua desobediência. Durante as noites seguintes, quando Omar tentava dormir, a sua consciência torturava-o devido ao seu comportamento e não o deixava conciliar o sono. Depois de muitos dias de remorsos, Omar procurou o feirante e pediu-lhe desculpa pelo seu comportamento. Ao escutar as suas desculpas, o feirante disse: “Já o tinha esquecido”, ao que Omar contestou: “Tu pudeste esquecê-lo mas Omar não pôde”.

Outro acontecimento ilustra esta consciência altamente refinada: quando o governador de Homs renunciou ao seu cargo, durante o Califado de Omar, perguntaram-lhe a razão da sua demissão. O governador respondeu: “Temo a ira de Deus por ter-me dirigido a uma cristã, sob minha responsabilidade, dizendo-lhe: “Que a ira de Deus caia sobre ti”.”

Estas duas histórias demonstram o que a religião pode trazer a uma sociedade que goza de um alto grau de consciência e quão positivo é o papel que desempenha na construção de uma sociedade sã e justa. Esta ideia não se limita só ao Islão, mas também inclui todas as religiões reveladas que dão ênfase ao culto da consciência.

O Sagrado Alcorão diz: “Aquele que tem êxito é quem se purifica a si mesmo e recorda o nome do Seu Senhor e reza. Mas vós (ó incrédulos) preferis a vida deste mundo, apesar da vida do outro mundo ser melhor e mais duradoira!”( 87:14 -19).

A realidade da fé em Deus é acreditar que Ele está connosco, estejamos onde estivermos e que Ele nos observa e está à nossa volta, em todos os momentos e em todas as nossas acções.

Deus diz no Sagrado Alcorão: “Em qualquer situação em que vos encontrardes, qualquer parte do Alcorão que recitardes, seja qual for a tarefa que empreenderdes, seremos Testemunha quando nisso estiverdes absortos …” (10-61 ).

E também: “Não reparas em que Deus conhece tudo quanto existe nos céus e na terra? (Sagrado Alcorão, 58-7).

Assim o ser humano é responsável por todos os seus assuntos, sejam públicos ou privados, incluindo até os seus mais íntimos pensamentos: “Quer manifesteis o que vai dentro de vós mesmos, quer o oculteis, Deus pedir-vos-à contas disso” (Sagrado Alcorão, 2-284).

O Profeta Muhammad (s.a.w.) disse mais sobre a respeito disto: “Adora a Deus como se O visses, porque ainda que O não possas ver, Ele, sim, vê-te a ti”.

Por isso se deve procurar levar uma vida com uma consciência alerta, que aumente a compaixão e proiba a opressão, que guie e não desvie e que mostre o caminho até à verdade e à bondade.

Uma tradição do Profeta Muhammad (s.a.w.) descreve este caminho da seguinte maneira: “Deus dá o exemplo de um caminho recto limitado a duas paredes, nas quais há portas abertas, cobertas por véus. No início do caminho há uma pessoa a chamar para esse caminho recto e avisando que não se desviem dele, admoestando aqueles que se sentem tentados a tirar os véus que cobrem as portas, que se o fizerem se encontrarão dentro delas”. Muhammad (s.a.w.) continuou, dizendo: “O caminho recto é o Islão, as portas abertas são as proibições estabelecidas por Deus, e os espaços entre as paredes, as margens que Deus permite. O sinal que há no inicio do caminho representa o Sagrado Alcorão e o que está no caminho é a consciência de cada crente. Quem seguir este caminho, será um exemplo de pureza, castidade e conduta justa”.

O Profeta (s.a.w.) também disse: “Todas as criaturas dependem de Deus, e a mais apreciada por Deus, é aquela que é mais benéfica para estas”.

Diz-se que era uma vez um pastor do deserto, que tinha estado nesta escola que dá vida à consciência do homem e que Abdullah ibn Omar lhe pediu que sacrificasse um cordeiro para ele, mas o pastor negou-se. A sua razão era que o dono do rebanho o tinha autorizado a dar a estranhos apenas o leite do rebanho, não a alimentá-los com a sua carne. Abdullah disse-lhe então que lhe pagaria pelo sacrifício do cordeiro e que o pastor poderia dizer ao dono que este tinha sido devorado pelos lobos. Ao ouvir isto, o pastor gritou: Então, onde está Deus? Onde está Deus?… Muitas vezes.

Este pastor tinha-se submetido à sua própria cons ciência, inclusive antes de ter de se enfrentar com o seu patrão e em última instância a Deus. Isto aconteceu assim porque ele tinha compreendido perfeitamente os ensinamentos do Profeta Muhammad (s.a.w.): “Peçam contas a vós mesmos antes que ve- nham pedi-las, e avaliem as vossas obras antes que sejais avaliados por elas”.

É a religião que cultiva essa consciência, como no caso do pastor, quem, apesar da ausência do seu patrão, se manteve fiel à confiança que nele tinha sido depositada. O Sagrado Alcorão diz: “Com certeza que criamos o homem e sabemos o que a sua alma lhe sussurra e estamos mais perto dele que a sua veia jugular” (50:16 ).

Na verdade, há duas consciências: uma aparente, que é conhecida por toda a gente e é susceptível de cometer erros, e uma consciência superior, esta última é a consciência das religiões reveladas, que não pode errar por estar vinculada com o seu Criador. A religião diz que cada ser humano possui uma tendência inata para o bem; sem dúvida, esta natureza inata requer um mestre, ou um jardineiro, pois é o mesmo que acontece a uma semente que é plantada na terra e que requer água e fertilizante para germinar, cedo ganha raízes, cresce e floresce, convertendo-se logo em árvore, grande e cheia de frutos e sombra para que outros possam beneficiar dela.

Este é o caso da consciência do ser humano, que floresce quando é alimentada com as águas da observação e da obediência, das leis e ordens do Omnipotente Criador.

A prova disso encontra-se na tradição de Muhammad (s.a.w.) que diz: “Por acaso não há no coração do homem um ouvido que escuta os conselhos dum anjo que lhe promete tudo de bom e confirma a verdade e também o sussurro de um demónio que lhe promete o mal e proíbe a piedade? Quem escutar o conselho angelical deve saber que vem do seu Se- nhor e que exige a sua gratidão; e quem escutar o segundo, deve saber que este provem da negligência perante o seu Senhor e por isso deve pedir-Lhe perdão”.

O Islão educa a consciência para que o ser humano seja cuidadoso nas suas acções, no seu comportamento para com as pessoas e com as outras criaturas de Deus.

Muhammad (s.a.w.), o último Mensageiro de Deus, narrou a história de duas mulheres:

A primeira entrou no Inferno por maltratar um gatinho ao qual prendeu, não alimentou, não permitiu que se alimentasse pelos seus próprios meios, até que morreu de fome.

A segunda mulher, apesar de ser uma prostituta, foi perdoada e foi para o céu graças a um cão se-dento que encontrou lambendo a terra à procura de água, perto de um poço. Ao ver as tentativas desesperadas do cão, sentiu que a sede que afligia o cão era a mesma que a afligia a ela, assim desceu ao poço, saciou a sua sede e encheu os sapatos de água para saciar a sede do cão.

O Profeta Muhammad (s.a.w.) pregou o critério da crença e da conduta correcta através da seguinte tradição: “Se vos sentis felizes com as boas acções que realizais e infelizes com os maus actos que cometeis, deveis saber que sois crentes”.

Este critério pode apenas ser entendido num ambiente de consciências cultivadas. Sem dúvida, o Islão não se fica por este ponto, mas pede ao ser humano que vá mais além, dirigindo-se até um ponto em que seja capaz de reconhecer os direitos dos demais e de ajudar aqueles que estão oprimidos.

O Sagrado Alcorão diz: “Ó vós que credes! Sede firmes em estabelecer a justiça dando testemunho de Deus, mesmo que isso seja contra vós mesmos” (4:135).

O Profeta Muhammad (s.a.w.) disse: “há três atributos, que se se encontrarem num homem farão com que a sua fé seja completa: dá caridade apesar da sua extrema pobreza, espalha a paz pelo mundo e respeita os direitos das pessoas sem necessidade da mediação de um juiz”. Sob quaisquer circunstâncias, é nossa responsabilidade educar e polir as nossas consciências.

Deus diz no Sagrado Alcorão: “…o ouvido, a vista e o coração, cada um deles, será interrogado”. (17:36 ).

Como conclusão, pode-se dizer que o verdadeiro ser humano é aquele em que se tenha estabelecido uma fé verdadeira e forte, e no qual habita, no fundo do seu coração, a verdadeira consciência. Essa pessoa respeitará a lei e preocupar-se-á com a sociedade, com a sua estabilidade e estrutura e com a harmonia entre as pessoas. Uma sociedade sem consciência não conhece a paz e não existe consciência sem fé.

Que a paz esteja com todos nós.

Publicado em

A condenação da escravatura no Islão

Coord. por: M. Yiossuf Adamgy

in Revista Al Furqán, nº. 142, de Novº./Dezº.2004

Entre muitos outros conceitos errados sobre o Islão está a ideia de que ele sanciona a escravatura e permite aos seus seguidores escravizar prisioneiros de guerra, em particular mulheres e estabelecer relações extra-matrimoniais com elas. Afirmamos veementemente que o Islão não tem sequer a mais leve ligação com escravatura e concubinagem. Pelo contrário, proíbe, absolutamente, estas práticas. È deveras ultajante associar tais barbaridades com uma religião revelada para elevar a humanidade.

O aspecto que precisa de ser analisado e o qual, talvez seja a causa de ideia errada, é o de que o Islão tenha adoptado um processo gradual para abolir a instituição da escravatura devido às condições sociais prevalecentes na Arábia nessa época.

Deve-se ter sempre em mente que a escravatura era parte integral da sociedade pré-Islâmica Árabe desse tempo. Havia muitos escravos, homens e mulheres em quase todas as casas. Isto devia-se especialmente a duas razões: Primeiro, durante esses tempos, era prática habitual repartir os prisioneiros de guerra em que eles eram distribuídos entre o exército que os capturara. Segundo, havia grandes mercados de escravos na Arábia, nessa época, onde sem terem de pagar direitos, homens e mu- lheres de todas as idades eram vendidos como animais.

Nestas circunstâncias, nas quais a escravatura se tinha tornado num constituinte essencial da sociedade Islâmica, o Islão adoptou um caminho gradual para eliminá-lo. Uma ordem imediata de proibição teria criado imensos problemas sociais e económicos. Ter-se-ia tornado impossível para a sociedade, providenciar as necessidades de um grande exército de escravos, que de outro modo estariam dependentes de várias famílias. Também o tesouro nacional não se encontrava em condições de os sustentar a todos numa base permanente. Um grande número entre eles eram idosos e incapazes de se sustentarem a eles mesmos. A única alternativa que lhes restava, se eles fossem instantaneamente libertados, teria sido voltarem-se para a mendicidade e tornarem-se um fardo para a sociedade. A questão de raparigas e mulheres escravas ainda era mais crítica, tendo em conta os seus baixos padrões morais. Libertá-las, de repente, teria apenas resultado num aumento tremendo dos bordéis.

Talvez a razão que está por trás desta gradual erradicação possa ser melhor compreendida se considerarmos a posição que o proveito lucrativo ocupa na nossa economia, hoje em dia. Ninguém pode refutar que a estrutura da nossa economia nacional é orientada para o interesse do proveito lucrativo (juros). É visível a qualquer olho arguto como o parasita dos juros tem mutilado a economia nacional. Contudo, não se pode negar o facto de que sem ele o nosso actual sistema económico não se pode auto-sustentar. Qualquer pessoa razoável reconhecerá que hoje em dia se um governo quiser ver-se livre desta ameaça, então, apesar da sua superior proibição no Islão, terá de adoptar uma metodologia gradual. Durante este entretanto os negócios baseados no juro terão de ser tolerados e leis temporárias terão de ser criadas para segurar esses negócios, do mesmo modo que o Alcorão deu certas directivas temporárias relativamente aos escravos durante o período que medeia entre a sua erradicação gra- dual. Uma estrutura de economia alternativa terá de ser incorporada de forma firme no lugar da (economia) existente. Uma abolição súbita sem a existência de outra base, apenas apressará o colapso total do sistema económico, o qual, certamente, será desastroso para o país.

Para afastar um desastre e para prevenir uma catástrofe semelhante o Islão adoptou um esquema progressivo e gradual, há mil e quatrocentos anos atrás, para lidar com desumana instituição da escravatura. De seguida, estão descritas algumas das medidas que tomou neste assunto:

  1. No inicio do período de Meca declarou que a emancipação dos escravos era um grande acto de piedade. As suras iniciais da Meca apelavam aos Muçulmanos para libertarem tantos escravos quanto possível.
  2. O Profeta (s.a.w.) inequivocamente apelou aos Muçulmanos que elevassem o nível de vida dos escravos e o colocassem ao seu próprio nível. Isto, certamente tinha como objectivo desencorajá-los de persistirem em tê-los.
  3. Era divinamente ordenado para a expiação dos pecados, a libertação dos escravos (alforria).
  4. Todos os escravos, homens e mulheres, que tivessem meios para se sustentarem na sociedade eram encaminhados para que se casassem entre si a fim de elevar os seus padrões morais e sociais.
  5. Era nomeada uma pessoa permanente do tesouro público para libertar homens e mulheres escravos.
  6. Era totalmente proibida a prostituição, a qual era largamente praticada entre escravas, que eram maioritariamente forçadas pelos seus senho- res a fazê-lo.
  7. Os nomes insultuosos de ‘abd e amah’ pelos quais os escravos homens e mulheres eram chamados, foram revogados para que as pessoas parassem de os olhar como escravos. Em seu lugar foram introduzidas as palavras fata (rapaz) e fatat (rapariga)
  8. Finalmente a lei de mukatibat forneceu aos escravos um acesso muito fácil para o portão da liberdade. Cada escravo que fosse capaz de se sustentar era permitido por lei que se libertasse desde que ou ele desse uma determinada quantia em dinheiro ao seu senhor ou fizesse determinados recados para ele. Depois disto ele poderia viver como um homem livre. Uma pessoa especial no tesouro, era nomeada com este propósito; também pessoas ricas eram solicitadas para que ajudassem os escravos neste assunto. O resultado liquido desta lei foi que apenas os escravos aleijados ou demasiado velhos foram deixados para que os seus senhores os sustentassem, o que não só foi um factor em seu favor, como também evitou que eles se tornassem um peso económico para a sociedade.

No que diz respeito ao caso dos prisioneiros de guerra, o Alcorão orientou os Muçulmanos para que os libertassem, quer por generosidade quer mediante resgate. Não havia nenhuma segunda opção:

“E quando vos enfrentardes com os incrédulos, (em batalha), golpeai-lhes os pescoços, até que os tenhais dominado, e tomai (os sobreviventes) como prisioneiros. Libertai-os, então, por generosidade ou mediante resgate, quando a guerra tiver terminado. Tal é a ordem. E se Deus quisesse, Ele mesmo ter-Se-ia livrado deles; porém, (facultou-vos a guerra) para que vos provásseis mutuamente)…”. (47:4)

Como o Profeta (s.a.w.) continuou a obedecer a esta directiva constitui um capitulo de ouro da História Islâmica, e nós iremos agora descrever brevemente alguns dos seus aspectos mais importantes.

È um facto histórico bem conhecido que na batalha de Badr – o primeiro grande encontro com os Coraixitas – cerca de setenta prisioneiros foram capturados pelo exército vitorioso Muçulmano.

A maioria destes prisioneiros foram libertados contra o pagamento de uma certa quantia em dinheiro de resgate enquanto os que não conseguiam arranjar este dinheiro eram libertados se ensinassem um certo número de crianças da tribo de Ansar, a escrever.

Na batalha de Bani Mustaliq, alguns prisioneiros capturados foram libertados no campo de batalha, por generosidade, enquanto outros foram libertados sob resgate. O Profeta (s.a.w.) trouxe os restantes prisioneiros para Medina e enquanto esperavam que as suas famílias os procurassem, deixou-os sob custódia temporária dos seus Companheiros. Entre eles encontrava-se também Sayyidah Jawairiyah. O seu pai chegou com alguns camelos como resgate. O Profeta (s.a.w) questionou-o relativamente a dois camelos bem constituídos que ele tinha escondido atrás. Isto surpreendeu-o tanto – pois ele sabia que não havia maneira de o Profeta (s.a.w.) ter sabido deles – que ele aceitou a fé islâmica. Ao mesmo tempo Sayyidah também aceitou a fé. O Profeta (s.a.w.) propôs casamento à jovem ao que o pai deu o seu consentimento. Após isto o casamento foi realizado . O resultado deste casamento foi que todos os prisioneiros de guerra que restavam foram libertados pelos soldados Muçulmanos, uma vez que acharam não ser apropriado manter os parentes do Profeta em cativeiro.

Na batalha de Khaibar, após um tratado de paz com o inimigo ter ficado concluído, as forças Muçulmanas cruzaram-se com Saffiyah bint Huyee – uma viúva indefesa de uma família aristocrata. O seu pai, Huyee bin Akhtab – um proeminente líder dos Judeus – tinha sido morto na batalha de Quraizah. O Profeta (s.a.w.) libertou-a e deu-lhe a escolher entre regressar à sua família ou de casar com ele se ela quisesse. Saffiyah deu-lhe o consentimento. Em consequência, o casamento realizou-se.

Na batalha de Hunain, milhares de prisioneiros foram capturados pelo exército Muçulmano. O Profeta (s.a.w.) esperou durante muitos dias que o seu povo viesse buscá-los mas eles nunca apareceram. Assim sendo, o Profeta (s.a.w.) regressou a Medina e distribuiu-os entre os soldados. Porém, após um intervalo de muitos dias, os seus parentes apareceram. O Profeta (s.a.w.) disse que não tinha nenhuma objecção em lhes devolver a sua parte, mas no que respeitava às outras tribos, ele apenas lhes poderia pedir que o fizessem. Mais tarde, quase todas as pessoas entregaram os seus prisioneiros quando o Profeta (s.a.w.), subsequentemente, ofereceu seis camelos por cada prisioneiro dos despojos que eles obteriam na próxima batalha. Isto foi para eles o suficiente para suprir a indemnização da sua parte.

Por conseguinte, o Profeta Muhammad (s.a.w.), ao longo da sua missão, seguiu as directivas do Alcorão de libertar os prisioneiros de guerra, tanto por generosidade ou mediante resgate. Porém, há talvez apenas uma situação na vida do Profeta que se pode tornar uma fonte de má interpretação neste campo. Isto aconteceu quando da batalha com a tribo Judaica de Banu Quraizah, em que todos os prisioneiros homens foram executados e as mulheres e crianças foram feitas escravas. Uma análise de todo o assunto mostra que o exército Muçulmano tinha sitiado o forte deles durante quase um mês. Finalmente, eles pediram para ser nomeado Sa’ad bin Mu’aaz, líder da tribo de Aus, como árbitro e prometeram aceitar de boa vontade a sua decisão. Mas Sa’ad bin Um’azz, para grande tristeza deles, tomou a sua decisão de acordo com a Shariah Judaica. De acordo com a Shariah Judaica os prisioneiros homens eram executados enquanto as mulheres e crianças eram tornadas escravas.(1) É, portanto, claro que a Shariah Islâ- mica não podia vir em socorro deles neste assunto uma vez que confrontaram o assunto de acordo com a sua própria lei e através de uma pessoa que eles mesmo tinham nomeado como mediador.

Durante o final do reinado dos Califas Piedosos também a prática da abolição da instituição da escravatura continuou com toda a força. Contudo, apesar de todas estas medidas extensivas terem atra- vessado quase metade de uma década, é um facto adquirido que não foi senão na viragem deste século que a humanidade foi capaz de se livrar completamente desta instituição. Acreditamos que a razão para tal, deve ser procurada nas complexidades sociais que existem numa comunidade. È extremamente difícil erradicar hábitos e tradições que estão profundamente enraizados numa sociedade. A sociedade como um todo não aceitou a reforma come- çada pelo Islão. Uma situação semelhante pode ser observada no caso do quadro político enfrentado pelo Islão. Ele condenou totalmente a instituição da ditadura na qual um governante déspota e os seus poucos homens de confiança exerciam poderes absolutos. Estabeleceu um governo que era demo- crático no sentido de que alcançou o governo atra- vés de um mandato maioritário. Ao longo do reinado dos Califas Piedosos este princípio permaneceu em força para a eleição do governante. Contudo, depois do fim do reinado dos Califas Piedosos, a sociedade Árabe rejeitou este sistema e retrocedeu para a ditadura.

(1) – Quando marcharem para atacarem uma cidade, façam uma oferta de paz ao seu povo. Se eles aceitarem e abrirem os seus por- tões, todas as pessoas nela se devem submeter a trabalhos forçados e trabalhar para vós. Se eles recusarem a fazer a paz e vos enfrentarem em batalha, façam cerco a essa cidade. Quando o Senhor vosso Deus a entregar na vossa mão, ponham sob a espada (matem) todos os homens dela (cidade). Quanto às mu- lheres e crianças, o gado e tudo o resto da cidade, podeis tomá-los como produto de saque para vós mesmos. E podem usar o saque que o Senhor vosso Deus vos dá dos seus inimigos. É assim que devem tratar todas as cidades que estão distantes de vocês e que não pertençam a países vizinhos. – (Deuteronómio, 20:10-15)

Publicado em

Concedam aos vossos companheiros Muçulmanos os seus direitos

Ash-Shaikh ‘Abdur-Rahmaan bin Naasir As-Sa`dee (Rahimatullaah)

Fonte: Bahjatu Quloob il-Abraar wa Qurratu ‘Uyoon il-Akhyaar fee Jaami’ il-Akhbaar, pp. 65-67

Abu Hurayrah (radhiyallaahu ‘anhu – que Allah esteja satisfeito com ele) refere que o Mensageiro de Allah (sallallaahu ‘alayhi wa sallam – que a paz e as bençãos de Allah estejam com ele) disse o seguinte: “Os deveres de um Muçulmano relativamente te a um seu companheiro são seis”. Disse-lhe: “E quais são eles, ? Mensageiro de Allah”, ao que ele respondeu: “Quando se cruzarem com eles, cumprimentem-nos com a saudação da paz, quando vos convidarem, respondei ao seu convite, quando procurarem o vosso conselho, aconselhai-os honestamente, quando as pessoas espirrarem e louvarem a Allah, supliquem para que a Sua misericórdia esteja com eles, quando adoecerem, visitai-os e quando falecerem, acompanhai-os (i.e., compareçam ao seu funeral”. (Muslim)

O PRIMEIRO DIREITO:

“Quando se cruzarem com eles, cumprimentem-nos com a saudação da paz”. Na verdade, a saudação da paz é a origem do amor de uns para com os outros, o que tem como resultado a fé (Al-Imaan), que faz com que a pessoa entre no Paraíso. Segue-se o que o Profeta (sallallaahu ‘alayhi wa sallam) disse a este respeito: “Por Aquele em Cujas Mãos depositei a minha alma, nenhum de vós entrará no Paraíso, senáão quando acreditardes, e nenhum de vós acreditará, senão quando vos amardes uns aos outros. Não vos indico eu algo que, se fizerdes, levar-vos? a amar-vos uns aos outros? Espalhai a saudação da paz entre vós”. A saudação da paz encontra-se em concordância com as virtuosas características do Islão. Porque, na verdade, cada uma das duas pessoas que se cruza com a outra, suplica para que esta seja salva do mal e lhe sejam concedidas a misericórdia e as bênçoes, o que só lhe trará o bem. E, o que se segue a isto, é um rosto alegre e palavras de saudação adequadas, o que terá como resultado a unidade e o amor, assim como a remoção de sentimentos de indiferença e afastamento. Assim sendo, cumprimentar com a saudação da paz é um dever do Muçulmano para com um seu companheiro, sendo que este é obrigado a retribuir com idêntica saudação ou outra melhor do que a que recebeu. E, as melhores de entre as pessoas, são aquelas que primeiro cumprimentam com a saudação da paz.

O SEGUNDO DIREITO:

“Quando vos convidardes, respondei ao convite”. Isto significa que, quando vos convidardes para comerdes ou beberdes, respondei ao convite com que o vosso irmão vos honrou. Aceitai comparecer, a menos que vos seja completamente impossível fazê-lo.

O TERCEIRO DIREITO:

A declaração do Profeta (s.a.w.): “E quando procurarem o vosso conselho, aconselhai-os honestamente”. Isto significa que, quando fordes consultado relativamente a algo, se se deve ou não fazer, aconselhai essa pessoa, dizendo exactamente aquilo que faríeis se estivésseis no lugar dela. Assim sendo, se aquilo que ela pretende fazer for benéfico em todos os aspectos, encorajai-a a fazê-lo, mas, se for algo prejudicial, aconselhai-a a não o fazer. E, caso o que ela pretende fazer, tanto seja benéfico, como prejudicial, então, explicai-lho e pesai os pros e os contras. Do mesmo modo, caso essa pessoa vos consulte sobre o modo como lidar com outro alguém, ou se deve ou não desposar uma mulher divorciada, ou casar-se, aconselhai-o sincera e honestamente, dando-lhe a saber qual o vosso ponto de vista, e como reagiríeis na mesma situação. E evitai enganá-lo seja no que for. Porque, na verdade, quem quer que engane os Muçulmanos, é porque não é um deles, tendo, de facto, menosprezado a obrigação de ser sincero e bom conselheiro. E, esta sinceridade e predisposição para aconselhar, são absolutamente obrigatórias, não obstante o facto de serem mais enfatizadas quando é a própria pessoa a procurar o vosso conselho, solicitando-vos que lhe dêem uma opinião que seja benéfica. Foi por este motivo que o Profeta (sallallaahu ‘alayhi wa sallam) o referiu especificamente nesta importante situação.

O QUARTO DIREITO:

“E quando espirrarem e louvarem a Allah, supliquem para que a Sua misericórdia esteja com eles”. Isto deve-se ao facto de espirrar ser uma graça concedida por Allah, a qual permite expelir ar que se encontra congestionado em determinadas partes do corpo. Allah facilitou a expulsão desse ar, criando uma passagem por onde ele possa passar, o que alivia a pessoa que espirra. Assim sendo, o Profeta (sallallaahu ‘alayhi wa sallam) determinou que o Muçulmano diga a esse seu irmão o seguinte: “Que Allah seja misericordioso para contigo”. Ordenou também à pessoa que espirra que lhe responda, dizendo: “Que Allah te oriente, assim como aos teus assuntos”. Por conseguinte, quem quer que não louve a Allah, não merece que outros supliquem para que Este seja misericordioso para com ele. Neste caso, esta pessoa ninguém mais pode culpar, senão a si mesma, visto ter sido ela a única responsável por ter perdido as duas bênções: a bênção de louvar a Allah, e a bênção da súplica do seu irmão, resultado do seu louvor.

O QUINTO DIREITO:

A declaração do Profeta (s.a.w.): “E quando adoecerem, visitai-os”. A visita ao doente é um dos direitos de que usufrui um Muçulmano, e o dever que outro tem para com ele, especialmente se se tratar de uma pessoa de elevada importância e destaque para connosco, como é o caso de familiares, amigos, etc. A visita prestada aos enfermos é tida como um dos melhores actos. E, quem quer que visite o seu companheiro Muçulmano, imerge na misericórdia de Allah e, quando se senta próximo do doente, ambos estão cobertos pela misericórdia do Criador. E, quem quer que visite o Muçulmano doente logo ao amanhecer, os Anjos enviar-lhe-ão orações e bênções até anoitecer; do mesmo modo, quem quer que o visite ao anoitecer, os Anjos enviar-lhe-ão orações e bênções até amanhecer. Aconselha-se que a pessoa que visita o enfermo suplique pela sua cura e o mantenha tranquilo. Ser-lhe-á mais fácil tranquilizá-lo, isto no que respeita às suas preocupaç?es, dando-lhe notícias agradáveis de bem-estar e de recuperação (i.e., sendo positivo). Deve recordar-lhe o dever de arrepender-se e de voltar-se para Allah, dando-lhe uma advertência benéfica. Não deverá permanecer por muito tempo junto da pessoa doente (i.e., que ultrapasse o perãodo de tempo em que é bem vindo); pelo contrário, deve ficar apenas o tempo suficiente para cumprir o seu dever de visita ao doente, a menos que este seja afectado de forma positiva pelo facto de muitas pessoas o visitarem e permanecerem junto dele. Assim sendo, para cada situação existe um modo de agir diferente (i.e., um conselho de como lidar com o sucedido).

O SEXTO DIREITO:

A declaração do Profeta (s.a.w.): “E se falecerem, compareçam ao seu funeral”. Porque, na verdade, quem quer que acompanhe o funeral até que se dê a súplica pelo falecido, receberá um Qiraat de recompensas. (Nota do tradutor: um Qiraat corresponde a uma quantia equivalente ao tamanho da Montanha de Uhud, em Medina). E, caso a pessoa acompanhe o funeral até que o corpo seja sepultado, recebe dois Qiraats de recompensas. Além de que, acompanhar o funeral, compreende o cumprimento de um dever para com Allah, o falecido e os respectivos familiares ainda vivos.