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O Profeta Muhammad (PECE) de A a Z

Por: Yiossuf Estes (18/05/2009)

A

Ele nunca mentiu, jamais quebrou a confiança de alguém, jamais prestou um falso testemunho. Era famoso entre todas as tribos de Meca, sendo conhecido como “O Espírito da Verdade”.

B

Jamais teve relações sexuais fora do casamento nem aprovava tal comportamento, embora ele constituísse alago de comum, na época em que viveu.

C

As suas relações com mulheres existiram apenas dentro de casamentos contratuais legítimos, que comutaram com testemunhas adequadas, de acordo com a lei.

D

A sua relação com a mulher Aycha (que Deus esteja satisfeito com ela) teve por base apenas o casamento.
Ele não casou com ela na primeira vez que o pai dela lha ofereceu em casamento. Não queria casar com ela até que ela atingisse a puberdade e pudesse decidir por si. A relação entre eles é descrita em pormenor por Aycha (que Deus esteja satisfeito com ela) de forma muito carinhosa e respeitosa, como um verdadeiro casamento, criado no céu. Aycha (que Deus esteja satisfeito com ela) é considerada uma das mais nobres escolásticas do Islão, tendo sido apenas casada com Muhammad, que a paz esteja com ele. Nunca ela desejou outro homem ou jamais proferiu uma única observação negativa acerca de Muhammad, que a paz esteja com ele.

E

Ele proibiu que se matasse até que a ordem de retaliação viesse de Deus. Mesmo nesse caso, os limites estavam bem definidos e só mesmo aqueles que se envolviam no combate activo contra os muçulmanos e o Islão deveriam ser combatidos. E, mesmo nessa circunstância, apenas de acordo com os princípios restritos de Deus.

F

Matar vidas inocentes era proibido por ele.

G

Não foi empreendido nenhum genocídio contra os judeus. Ele ofereceu perdão e protecção mútua aos judeus, mesmo quando eles, muitas vezes, quebraram os pactos que haviam estabelecido com ele.
Eles não eram atacados até que ficasse manifestamente provado que eram traidores durante o tempo de guerra e que tentaram prejudicar, a qualquer custo, os muçulmanos e o Profeta, que a paz esteja com ele. A retaliação só era permitida em relação aos judeus que se haviam revelado traidores, e não contra todos os outros.

H

Ter escravos era algo de comum nessa altura, em todas as nações e tribos. Foi o Islão que encorajou a libertação dos escravos, salientando a grande recompensa de Deus para aqueles que a concediam. O Profeta Muhammad, que a paz esteja com ele, deu o exemplo, libertando os seus escravos e encorajando os seus seguidores a fazer o mesmo. Os exemplos incluem o seu próprio criado (que era tido como um verdadeiro filho por Muhammad) Zayd ibn Al Haritha e Bilal, o escravo que foi criado por Abu Bakr (que Deus esteja satisfeito com ele) apenas com o objectivo de os libertar.

I

Enquanto eram feitas várias tentativas de assassinato contra Muhammad, paz esteja com ele, o seu primo Ali (que Deus esteja satisfeito com ele) fez-se passar por ele, deitando-se na sua cama, enquanto ele e Abu Bakr fulgiam para Medina. No entanto, ele não permitia que os seus companheiros matassem nenhum daqueles que estavam envolvidos nessas tentativas. A prova disto é que quando entraram em Meca em triunfo, as suas primeiras palavras para os seus seguidores foram no sentido de aqueles não punirem esta ou aquela tribo ou esta ou aquela família. Este foi um dos seus mais famosos actos de perdão e humildade.

J

O combate militar esteve proibido durante os primeiros treze anos em que o Profeta empreendeu a sua missão. Os árabes do deserto não precisavam que ninguém lhes ensinasse a lutar ou a combater. Eles eram especialistas nessa área e tinham feudos entre as tribos que se mantiveram durante décadas. A retaliação e combates foram apenas sancionados quando o método adequado de guerra foi instituído por Deus no Alcorão, definindo os direitos e as limitações de acordo com os Seus Mandamentos. As ordens de Deus deixavam bem claro quem devia ser atacado, como, quando e até que ponto essa luta poderia ser levada.

K

A destruição de infra-estruturas foi absolutamente proibida por ele, excepto quando era ordenada por Deus em determinadas circunstâncias e apenas de acordo com as Suas ordens.

L

Praguejar e invocar o mal foi algo que, de facto, afligiu o Profeta, que a paz esteja com ele, por via dos seus inimigos, enquanto ele rezava para que eles conseguissem orientação. Um exemplo clássico foi a viagem que ele empreendeu a At-Taif, cujos líderes não queriam sequer ouvi-lo ou prestar-lhe a cortesia mínima habitual, tendo, em vez disso, incitado as crianças da rua contra ele, atirando-lhe pedras e pedregulhos até que o seu corpo começou a sangrar tanto que as suas sandálias se encheram de sangue. O Anjo Gabriel propôs-lhe vingança. Com efeito, se fosse essa a sua ordem, Deus Todo Poderoso faria com que as montanhas circundantes se abatessem sobre eles e os destruíssem a todos. No entanto, em vez de os amaldiçoar ou pedir a sua destruição, ele pediu para que esse povo pudesse encontrar orientação e adorassem apenas o seu Senhor, exclusivamente.

M

O Profeta Muhammad (que a paz esteja com ele) defendia que, ao nascer, todos os seres humanos se encontram no estado de ISLÃO (a submissão pacífica a Deus e de acordo com os Seus parâmetros) sendo Muçulmanos (significado: aquele que pratica o Islão, isto é: que se submete à vontade de Deus e obedece aos Seus Mandamentos). Ele salientou ainda que Deus criou cada indivíduo à Sua imagem, ou seja, de acordo com o Seu plano, sendo que o espírito de cada indivíduo é o d’Ele. Depois, à medida que vão crescendo, a sua fé começa a ser alterada consoante a influência da sociedade dominante e os seus próprios preconceitos.

N

O Profeta Muhammad (que a paz esteja com ele) ensinou os seus seguidores a acreditar no Deus de Adão, Noé, Abraão, Jacob, Moisés, David, Salomão e Jesus (que a paz esteja com todos eles) e a acreditar neles coo-mo verdadeiros profetas, mensageiros e servos de Deus Todo-Poderoso. Insistiu em colocar todos os profetas ao mais alto nível, sem fazer qualquer distinção entre eles, ordenando que os seus seguidores proferissem a frase “que a paz esteja com ele” depois de mencionarem os seus nomes.

O

Ele também instruiu os Seus Companheiros não apenas a acreditar no Islão, mas a acreditar, igualmente, nas origens divinas tanto do Judaísmo como do Cristianismo, na Tora (Antigo Testamento), no Zabur (Salmos) e no Enjil (Evangelho ou Novo Testamento) e que todas essas escrituras foram originalmente provenientes da mesma fonte que o Alcorão, ou seja, de Deus (ár. Allah) e dos seus Profetas (que a paz esteja com eles) e através do Anjo Gabriel (que a paz esteja com ele). Ele pediu aos judeus que julgassem de acordo com o seu Livro e eles tentaram ocultar parte do Livro, a fim de evitar um juízo correcto, pois sabiam que ele era iletrado.

P

.

Ele profetizou, vaticinou e antecipou acontecimen-tos que viriam a decorrer e que, de facto, vieram a realizar-se da forma que ele previra.
Ele conseguiu até prever um acontecimento do passado que se viria a tornar realidade no futuro, e foi o que aconteceu.
No Alcorão afirma-se que o Faraó se afogou no Mar Vermelho quando persseguia Moisés (que a paz esteja com ele) e Deus disse que iria preservar o Faraó, como um sinal para o futuro. O Dr. Maurice Bucaille, no seu livro “A Bíblia, o Alcorão e a Ciência”, torna claro que tal de facto aconteceu e que, com efeito, o corpo do Faraó foi descoberto no Egipto, estando agora disponível para ser visto por todos. Este acontecimento teve lugar milhares de anos antes do nascimento de Muhammad (que a paz esteja com ele), só tendo vindo a tornar-se verdadeiro nas últimas décadas, muitos séculos depois da sua morte.

Q

Escreveu-se mais sobre o Profeta Muhammad (que a paz esteja com ele), do que sobre qualquer outra pessoa. Ele foi louvado a um nível muito elevado ao longo dos séculos, até pelos não-muçul-manos. Um dos primeiros exemplos que citamos é referido na Encyclopedia Britannica, na medida em que confirma: (referindo-se a Muhammad) “… uma vasta quantidade de pormenores de fontes ancestrais demonstram que era um homem hones-to e recto e que conseguiu o respeito e a lealdade dos outros que, como ele, eram homens honestos e rectos.” (Vol. 12)

R

Outra homenagem impressionante feita a Muhammad, que a paz esteja com ele, é a muitíssimo bem escrita obra de Michael H. Hart: “Os 100: O Top das Individualidades mais Influentes da História”. Ele afirma que a personalidade mais influente da história foi Muhammad, sendo Jesus, que a paz esteja com ele, a segunda.
Examine as palavras exactas do autor:
“A minha escolha de Muhammad para liderar a lista das personalidades mais influentes pode surpreender alguns leitores e ser questionada por outros, mas ele foi o único homem, que ao longo de toda a história, foi capaz de alcançar sucesso supremo tanto no campo religioso como no secular”. New York: Hart Publishing Company, Inc., 1978, page. 33.

S

Enquanto passamos revista às declarações de não-muçulmanos famosos acerca do Profeta Muhammad, que a paz esteja com ele, tenha em atenção o seguinte: “Filósofo, orador, apóstolo, legislador, guerreiro, conquistador de ideias, reconciliador de dogmas racionais, de um culto sem recurso a imagens, fundador de vinte impérios terrestres e de um império espiritual, assim foi Muhammad. De acordo com todos os padrões pelos quais a grandeza de um homem pode ser aferida, poderemos bem perguntar-nos: `Existe algum homem melhor que ele?`” Lamartine, HISTÓRIA DA TURQUIA, Paris, 1854, Vol. II, pp. 276-277.

T

De seguida, lemos a seguinte afirmação, feita por George Bernard Shaw, um famoso escritor não-muçulmano:
“Ele deve ser apelidado de Salvador da Humanidade. Considero que se um homem como ele assumisse a ditadura do mundo moderno, seria capaz de resolver os problemas que assolam a humanidade, de forma a trazer-lhe a tão necessária felicidade e paz.” (O Islão Genuíno, Singapura, Vol. 1, No. 8, 1936)

U

Depois descobrimos que K.S. Ramakrishna Rao, um professor de filosofia indiano (Hindu), na sua bro-chura “Muhammad, o Profeta do Islão” o chama de “modelo perfeito para a vida humana”.
O professor Ramakrishna Rao explica a sua teoria, afirmando:
“A personalidade de Muhammad é a mais difícil de abarcar na plenitude da sua verdade. Sou apenas capaz de apreender um vislumbre do seu todo. Que su-cessão dramática de imagens pitorescas! Existe o Muhammad Profeta; o Muhammad Guerreiro; o Muhammad homem de negócios; o Muhammad estadista; o Muhammad orador; o Muhammad Reformista; o Muhammad que ampara os órfãos; Muhammad o Protector dos escravos; Muhammad o emancipador da mulher; Muhammad o juiz; Muhammad o Santo. Ele foi um herói no desempenho de todas estas extraordinárias funções e em todas estas áreas da actividade humana.”

V

O que deveremos pensar acerca do nosso Profeta Muhammad quando alguém com o estatuto mundial de Mahatma Gandhi afirma o seguinte em `Jovem Índia`, ao descrever a personalidade de Muhammad, que a paz esteja com ele:
“Eu gostaria de conhecer o melhor dos homens, aquele que domina actualmente de forma inquestionável o coração de milhões de homens… Estou plenamente convicto de que não foi a violência que conquistou um lugar para o Islão na ordem da vida, nesse tempo. Foi a feroz simplicidade do Profeta, a sua absoluta abnegação, o escrupuloso respeito para com os seus compromissos, a sua profunda devoção aos seus amigos e companheiros, a sua coragem, a sua intrepidez, a sua confiança absoluta em Deus e na sua própria missão. Foram estes factores e não a violência que levaram tudo à sua frente, ultrapassando todos os obstáculos. Quando fechei o 2º volume (da biografia do Profeta) tive pena de não haver mais para ler sobre esta vida extraordinária.”

W

O autor inglês Thomas Carlyle, na sua obra “Os Heróis e o seu Culto”, relevou-se simplesmente espan-tado com o facto de: “Um único homem, sozinho, ter sido capaz de unir tribos inimigas e levar os Beduínos a tornarem-se nu-ma nação extremamente poderosa e civilizada em m-enos de duas décadas.”

X

E Diwan Chand Sharma escreveu na obra “Profetas do Oriente”:
“Muhammad era a alma da bondade e a sua influência foi sentida e jamais esquecida por aqueles que estiveram à sua volta.” (D.C. Sharma, Os Profetas do Oriente, Calcutá, 1935, pp. 12)

Y

Ao abordar a questão da igualdade perante Deus no Islão, a famosa poetisa indiana Sarojini Naidu afirma o seguinte:
“Foi a primeira religião a pregar e a praticar a de-mocracia, pois, na Mesquita, quando é feita a chamada para a oração e os devotos são reunidos, a democracia é incorporada cinco vezes por dia, dado que tanto o camponês como o rei se ajoelham lado a lado, anunciando: “Apenas Deus é Grande”. Tenho sido constantemente surpreendida pela unidade indivisível do Islão, que, instintivamente, torna cada homem num irmão.” (S. Naidu, Ideais do Islão, vide Discursos & Escritos, Madras, 1918, p. 169)

Z

Nas palavras do Professor Hurgronje:
“A liga de nações criada pelo Profeta do Islão funda-mentou o princípio da unidade internacional e da irmandade humana em alicerces de grande universalidade, a fim de dar o exemplo às outras nações.” Acrescenta ainda: “A verdade é que não existe no mundo uma nação que tenha igualado aquilo que o Islão fez, com vista à realização do ideal da Liga das Nações.”

(Passámos em revista o alfabeto de A a Z) Edward Gibbon e Simon Ockley escreveram o seguin-te na “História dos Impérios Sarracenos” sobre a pro-fissão do ISLÃO:
“EU ACREDITO NUM ÚNICO DEUS E EM MUMHAMMAD, UM PROFETA DE DEUS”.
Esta é a mais simples e invariável profissão do Islão. A imagem intelectual da Divindade jamais foi aviltada por qualquer ídolo visível, a honra do Profeta nunca transgrediu a medida das virtudes humanas; e os seus preceitos de vida confinaram a gratidão dos seus discípulos aos li-mites da razão e da religião.” (História dos Impérios Sarracenos, Londres, 1870, p. 54)

Wolfgang Goethe, que foi talvez o maior poeta da Europa, escreveu o seguinte acerca do Profeta MuMhammad, que a paz esteja com ele:
“Ele foi um Profeta e não um poeta; por isso, o seu Alcorão deve ser entendido enquanto uma Lei Divina e não como um livro escrito por um ser humano, com o propósito de educar ou entreter.” (Noten und Abhandlungen zum Weststlichen Dvan, WA I, 7, 32)

O leitor é um ser humano racional e com interesses. Então, já deve ter posto a si próprio a seguinte pergunta:
“Poderão todas estas afirmações extraordinárias, revolucionárias e surpreendentes acerca deste homem ser verdadeiras?”
E se isto for tudo verdade?
Agora faça a si próprio esta pergunta à luz daquilo que acabámos de descobrir acerca deste homem:

“O que é que tem a dizer acerca do Profeta Muhammad (p.e.c.e.)?”

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Descrição do Profeta Muhammad (s.a.w.)

Fonte: Orden Sufi Yerrahi al Halveti (Buenos Aires – Argentina); Versão portuguesa: M. Yiossuf Mohamed Adamgy / Al Furqán (Portugal)

Alocução feita, por M. Yiossuf M. Adamgy, director de Al Furqán, no Darul Ulum Cadrya Ashrafia de Odivelas, na passagem da noite comemorativa do nascimento do Profeta Muhammad (Maomé), paz esteja com ele – (14/02/2001.

O Leão de Allah, o venerável Ali ibn Abî Tâlib, e mais quinze dos Companheiros (r.a.), transmitiram esta descrição do Mensageiro Eleito, Muhammad Mustafá (s.a.w. = que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele):

Quanto ao carácter e ao comportamento, foi o mais perfeito dos seres humanos. Todos os grandes Profetas foram fisicamente perfeitos e de lindo rosto, mas o bem-amado de Allah foi o mais lindo de todos.

– O seu casto corpo era bonito, os membros bem proporcionados e a figura sumamente atractiva.

– A testa larga e o peito amplo, bem como as palmas e o espaço entre os ombros.

– O pescoço, longo e gracioso, era como a prata pura.

– Os ombros e braços eram robustos e maciços, enquanto os pulsos eram estilizados.

– Os dedos eram bastante longos, e um pouco grossos, como também as mãos.

– O ventre, abençoado, não era gordo e não sobressaía debaixo do peito.

– Os peitos do pé eram arqueados, não aplanados.

– Sendo de meia altura, estava bem formado, poderoso e forte. Não era demasiado magro, nem tinha sobrepeso, mas um bom peso médio.

– Quanto à pele, abençoada, era mais macia do que a seda.

– A cabeça, grande, a testa, arqueada, e o nariz, direito, estavam em perfeito equilíbrio. O rosto era mais oval do que circular, nem demasiado gordo nem demasiado redondo nas bochechas.

– As sobrancelhas estavam juntas, mas não se tocavam no meio. Entre elas havia uma veia que costumava encher-se e sobressair quando se entristecia. As pestanas eram longas e os olhos negros, bonitos e grandes. No branco dos olhos havia uma tintura coloração vermelha. A coloração era clara, nem tão branca como o giz nem suficientemente escura para ser moreno. O resplendor que brilhava no rosto, abençoado, era de um branco cor-de-rosa macio, brilhante e reluzente.

– Os dentes eram brilhantes como pérolas; os frontais cintilavam enquanto falava e, quando sorria, a boca, abençoada, irradiava clarões como de um requintado relampejo.

– Quando deixou crescer o cabelo, cresceu até ultrapassar os lóbulos das orelhas. A barba era espessa e abundante. Não era longa, mas o suficiente para a segurar com o punho da mão. Quando partiu para o mundo da Eternidade, o cabelo e a barba havia pouco que começaram a tornar-se cinzentos.

– O corpo estava sempre limpo e tinha um doce perfume. Quer perfumando-se, quer não, a pele cheirava melhor do que o mais fino dos perfumes. Qualquer um que lhe desse a mão podia perceber a sua agradável fragrância durante o dia inteiro. Uma criança cuja cabeça fosse acariciada com a sua mão, abençoada, podia-se distinguir das outras pela deliciosa fragrância.

– No momento do seu nascimento, ele veio ao mundo limpo e impecável e naturalmente circuncidado. Nasceu com o cordão umbilical já cortado, e os seus sentidos eram excepcionalmente agudos. Podia ouvir a grande distância e podia ver mais longe do que qualquer outro.

– Todos os seus movimentos eram suaves. Quando ia a alguma parte, fazia-o serena e pausadamente, sem se desviar nem para a direita nem para a esquerda, com passo enérgico e raso. Podia parecer que estava a passear, mas aqueles que dele se aproximavam ficavam para trás, ainda que caminhassem rápido. Havia luz e doçura no seu rosto, abençoado, e fluidez e encanto na sua fala.

– A linguagem era clara e eloquente e se exprimia com extraordinária lucidez. Nunca falava desnecessariamente, e em tudo o que dizia havia sabedoria e bom critério. Sempre se dirigia às pessoas no nível da sua compreensão. O seu rosto sorria e as suas palavras eram doces. Nunca disse uma má palavra a ninguém, nem tratou mal ninguém. Jamais interrompia ninguém. Era afável e humilde. Nem tinha mau carácter, nem era grosseiro. Mas era sério e imponente. O seu riso era um sorriso. Uma pessoa que o visse imprevistamente ficava cheia de admiração e de respeito reverente.

– Qualquer um que desfrutasse da sua companhia e amizade chegava a amá-lo com toda a alma e coração. Respeitava os virtuosos. Tratava os familiares com grande respeito; não obstante, nunca os preferia àqueles mais honráveis do que eles. Assim como tratava com bondade os membros do seu grupo familiar e os seus companheiros, assim tratava, com a mesma graça e gentileza, também as outras pessoas.

– Era muito bom com os empregados. Oferecia-lhes o mesmo que ele comia, e partilhava as suas próprias roupas. Era generoso, amável, terno e compassivo, valente e tolerante. Inamovível no compromisso e na promessa, era fiel à sua palavra, superior a todos na bondade de carácter e na excelência mental, digno de toda a classe de elogios e comendas. Todo o louvor dava-o a Deus.

Resumindo: tinha uma forma linda, um carácter perfeito, era um ser feliz e abençoado, como nunca nenhum outro foi nem será criado igual; que Allah o abençoe e lhe dê paz.

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Mensagem de Al Furqán por ocasião da celebração do Nascimento do Profeta Muhammad (s.a.w.)

Al Furqán

Os muçulmanos comemoram, hoje, 15 de Fevereiro de 2011 / 12 de Rabi-al-Awwal de 1342, o Maulid Nabi, ou seja o nascimento do Profeta Muhammad (Maomé), a paz e as bênçãos de Deus estejam com ele.

Prezados Irmãos,
Assalamu Alaikum:

Esta comemoração é, actualmente, seguida pela maioria das Comunidades Muçulmanas do Mundo como uma forma de recordar quem trouxe a última Mensagem Divina e cultivou o ser humano a melhorar a sua vida e o seu carácter.

É certo que ainda há alguns grupos muçulmanos que não comemoram este evento, considerando-o alheio à Sunna do Profeta (s.a.w.), por este não ter celebrado o seu próprio nascimento, argumento que resulta insuficiente para a maioria dos muçulmanos que constitui, actualmente, a Ummah e que considera o Maulid Nabi como um dia especial que nos perpetua com a baraka de Muhammad (s.a.w.).

Evidentemente que os grupos que não comemoram este evento, consideram-no uma bi´dat, ou seja uma inovação inadmissível, e criticam sobretudo as práticas das confrarias sufitas que levam a cabo, durante esta comemoração, nomeadamente a prática de zikr, recitação de poemas, cassidas, na’tes em louvor ao Profeta Muhammad (s.a.w.).

Allamah Suyuti, grande erudito islâmico do séc. XVI, depois de analisar a história da celebração de Maulid Nabi, chegou a conclusão de que se trata de uma bi´dat hássana (uma inovação saudável, acertada e necessária) e, como tal, lícita.

E a verdade é que se trata de uma comemoração grandemente praticada não só em todos os países islâmicos mas, também, em todo o mundo onde haja muçulmanos, por ser uma ocasião para recordar, compartilhar e passar à nova geração o melhor que há da tradição profética, o amor em relação ao Profeta Muhammad (s.a.w.) e em relação a todos os Profetas anteriores (a.s.).

A Al Furqán felicita todos os muçulmanos e muçulmanas da Ummah neste dia tão querido para nós, e, também, a todos os seres humanos deste Universo para que a sua misericórdia alcance a todos.

Wassalam.

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Alguns princípios divinos

A Unidade de DEUS:

Ele é único, um só, não gerou nem foi gerado. Isto significa que o Islão rejeita a ideia da trindade, ou de qualquer associação de outro poder à Unicidade Divina.

A Unidade da Humanidade:

Perante a Lei de Deus todas as pessoas são criadas iguais. Não há superioridade de uma raça sobre outra. Deus criou-nos de diferentes cores, nacionalidades, línguas e crenças, a fim de examinar quem se vai distinguir e será melhor entre todos pelas suas qualidades morais. Ninguém pode reinvindicar superioridade, seja em relação a quem for. Só Deus sabe quem é melhor. Conforme o grau de piedade e de rectidão de cada um, assim será a sua grandeza espiritual.

A Unidade dos Mensageiros e a Mensagem:

Os Muçulmanos acreditam que Deus enviou diferentes mensageiros durante toda a história da humanidade. Todos trouxeram a mesma mensagem e os mesmos ensinamentos. Foi o povo que não a compreendeu bem, e a interpretou mal, deturpando, até, a Palavra Divina, nalguns casos. Os Muçulmanos acreditam em Adão, Noé, Abraão, Ismael, Isaac, Jacob, Moisés, David, Jesus, e Muhammad. Os Profetas do Judaísmo e Cristianismo são, na verdade, os Profetas do Islão, e por consequência, os Mensageiros de Deus.

Os Anjos e o Dia do Julgamento:

Os Muçulmanos crêem que há criaturas invisíveis, os Anjos, criadas por DEUS no Universo para missões especiais. Acreditam, também, no Dia do Julgamento, ou seja, o dia em que todos os povos do mundo, desde o começo da história da humanidade até ao último dia da vida sobre a terra, serão levados a prestar contas a DEUS, e a receber d´Ele a recompensa ou castigo, ganhos no seu transcurso terreno.

O Homem Nasce Inocente:

Os Muçulmanos acreditam que todo o homem nasce livre de pecado. é, apenas, após ter atingido a idade da puberdade que ele se torna responsável pelas suas faltas. Ninguém é responsável pelos pecados dos outros. Contudo, a porta do perdão, para o verdadeiro arrependimento, está sempre aberta.

Estado e Religião:

Para os Muçulmanos o Islão é um completo caminho da vida, pois ele envolve todos os aspectos desta. Por conseguinte, os ensinamentos do Islão não podem separar a religião da política. De facto, o Estado e a Religião estão sob a obdiência de DEUS através dos ensinamentos do Islão. Daí que, tanto as transacções sociais e económicas, como os sistemas políticos e educacionais são informados também pelos ensinamentos do Islão.

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Biografia dos companheiros Hakim ibn Hazm (r.a.)

Por: M. Yiossuf Adamgy

Os registos históricos afirmam ter sido ele o único indivíduo nascido dentro da própria Caaba A sua mãe tinha entrado na antiga Casa de Deus (ár. Allah), acompanhada por um grupo de amigas, a fim de a visitar. A antiga Casa de Deus estava aberta nesse dia em particular devido a uma ocasião festiva. A mulher estava grávida e, subitamente, viu-se surpreendida pelas dores do parto, não sendo sequer capaz de sair da Caaba (ár. Ka’bah). Foi-lhe trazido um ta- pete de cabedal e foi aí que deu à luz. A criança foi baptizada com o nome de Hakim. O seu pai era Hazam, filho de Khuwaylid. Assim sendo, Hakim era sobrinho da Senhora Khadijah, filha de Khuwaylid.

Hakim cresceu no seio de uma família nobre e abastada, que pertencia a um estrato social elevado da sociedade de Meca. Hakim era um indivíduo inteligente e dotado de boas maneiras, sendo extremamente respeitado pelo seu povo. As pessoas tinham por ele tal estima que o incumbiram da rifadah, da qual constava o auxílio aos mais desfavorecidos e àqueles que haviam perdido os seus pertences durante a época da Peregrinação. Hakim assumiu esta responsabilidade com grande honradez e chegou a servir-se dos seus próprios recursos a fim de ajudar os peregrinos. Ele foi igualmente um amigo muito íntimo do Profeta, que a paz esteja com ele, antes de Muhammad ter sido chamado a tornar-se Profeta. Apesar de ser cinco anos mais velho que o Profeta, Hakim passava muito tempo a falar com ele, parti- lhando horas de agradável companheirismo. Muhammad, por seu lado, sentia por Hakim uma grande afeição.

A relação que existia entre os dois homens tornou-se ainda mais forte quando o Profeta casou com a tia de Hakim, Khadijah bint Khuwaylid.

O que é verdadeiramente surpreendente é que Hakim só se viria a converter ao Islão vinte anos após o início da missão de Muhammad (s.a.w.), depois da conquista de Meca, apesar da forte amizade que o unia ao Profeta. Seria de esperar que alguém como Hakim, tendo sido agraciado por Deus com uma inteligência elevada e dando-se tão bem com o Profeta (s.a.w.), fosse um dos primeiros a acreditar em Muhammad e a seguir a sua orientação, mas não foi assim que aconteceu.

A verdade é que tal como nos espanta a nós a sua adesão tardia ao Islão, também ele foi surpreendido por Allah, mas só tardiamente. Com efeito, assim que Hakim se converteu ao Islão e pôde apreciar o encanto do iman (fé), sentiu-se arrependido por todos os momentos da sua vida em que viveu como mushrik (politeísta), negando a religião de Deus e do Seu Profeta.

Após a conversão, o seu filho encontrou-o uma vez a chorar e perguntou-lhe: “Porque chora, meu pai?”, ao que Hakim respondeu: “Tenho muitas razões para chorar, querido filho. A mais grave foi ter levado tanto tempo a tornar-me muçulmano (submisso à Vontade de Deus). Ter-me convertido ao Islão mais cedo ter-me-ia dado tantas oportunidades de fazer o bem, oportunidades que perdi, por não ser ainda muçulmano, e que irremediavelmente estariam perdidas por essa razão, mesmo que tivesse gasto todo o ouro do mundo a ajudar os outros. A minha vida foi poupada nas Batalhas de Badr e de Uhud e depois dessa última batalha prometi a mim próprio que não voltaria a ajudar os Coraixitas a lutar contra Muhammad, que a paz e a bênção de Deus estejam com ele, e também que jamais abandonaria Meca (ár. Makkah). Assim, sempre que sentisse vontade de me converter ao Islão, olharia para outros homens que pertencessem aos Coraixitas, homens poderosos e de alguma idade, que se mantinham fiéis às ideias e práticas da Jahiliyyah, e apoiá-los-ia, bem como aos seus vizi- nhos. Quem me dera nunca o ter feito… A nada mais se deve a nossa destruição do que ao facto de termos seguido cegamente os nossos antepassados e antecessores. Porque não hei-de então chorar, meu filho?”

O próprio Profeta (s.a.w.) ficara perplexo. Como poderia um homem sagaz e inteligente como Hakim ibn Hazm ficar apartado do Islão? Durante muito tempo, o Profeta (s.a.w.) acalentou a esperança de que ele e também um grupo de pessoas como ele tomassem a iniciativa de se tornarem muçulmanos. Na noite que antecedeu a libertação de Meca, Muhammad (s.a.w.) disse o seguinte aos seus compa- nheiros: “Existem em Meca quatro pessoas que julgo nada terem a ver com a shirk e que muito gosto faria em ver convertidas ao Islão.” Os Companheiros perguntaram então: “Quem são essas pessoas, Mensageiro de Deus?”. O Profeta (s.a.w.) proferiu a seguinte resposta: “Attab ibn Usayd, Jubayr ibn Mutim, Hakim ibn Hazm e Suhayl ibn Amr”, e com a graça de Deus, todos estes homens se converteram ao Islão.

Quando o Profeta, que a paz esteja com ele, entrou em Meca para libertar a cidade do politeísmo e dos seus rituais ignorantes e imorais, ordenou ao seu arauto que proclamasse o seguinte:

“Todo aquele que declarar que não existe outra divindade senão Deus (ár. Allah), (que ninguém a Ele se pode igualar) e que Muhammad é o Seu servo e (último) Mensageiro, estará a salvo…

Todo aquele que depuser as suas armas na Caaba, está salvo.

Todo aquele que frequenta a casa de Abu Sufyan, está a salvo…

Todo aquele que frequenta a casa de

Hakim ibn Hazm, está a salvo…”

A casa de Abu Sufyan ficava na parte alta de Meca e a de Hakim na parte baixa da cidade. Ao proclamar que estas casas eram locais de santidade, o Profeta estava com sabedoria a reconhecer o valor tanto de Abu Sufyan como de Hakim, fazendo dissipar nos dois homens qualquer ideia de resistência e tornando-lhes igualmente mais fácil a assumpção de uma postura favorável relativamente a ele e à sua missão.

Hakim converteu-se ao Islão de uma forma plena e sincera. Prometeu a si próprio que iria redimir-se de todos os pecados que cometera durante o período da sua vida em que apoiara a Jahiliyyah e que iria gastar em defesa da causa do Islão um montante equivalente ao que outrora despendera na luta contra o Profeta (s.a.w.). Era proprietário de um edifício histórico de grande importância em Meca, onde os Coraixitas realizavam os seus encontros durante a época da Jahiliyyah. Era nesse edifício que os chefes e líderes Coraixitas se reuniam para conspirar contra o Profeta. Hakim (r.a.) decidiu livrar-se do edifício e desvinculou-se das suas antigas relações, que lhe eram agora tão dolorosas. Vendeu a propriedade por cem mil dirhams. Houve até um jovem que lhe terá dito: “Vendeu algo que tinha grande valor histórico e era um símbolo de orgulho para os Coraixitas, tio.” Hakim respondeu-lhe: “Deixa, meu filho. Todo o orgulho e glória vãos foram agora postos de lado e tudo o que nos resta de valor é a taqwa – a consciência de Deus. Vendi aquela propriedade a fim de conseguir apenas um lugar no Paraíso. Juro que doei todo o lucro obtido para que seja gasto no auxílio daqueles que seguem o caminho do Todo-Poderoso.”

Depois de se tornar muçulmano, Hakim ibn Hazm (r.a.) realizou a Hajj. Levou consigo cem dos me-lhores camelos e sacrificou-os a todos, a fim de chegar mais perto de Deus. Para realizar a Hajj seguinte, Hakim deslocou-se à planície de Arafat, levando consigo cem escravos. A cada um desses escravos, Hakim ofereceu um pendente de prata, onde fora gravado o seguinte: “Libertado da posse de Hakim ibn Hazm, pela graça de Deus Todo-Poderoso”. Para concretizar a terceira Hajj e estar mais perto de Deus, levou consigo mil (sim, mil) ovelhas e sacrificou-as a todas em Mina, para alimentar as pessoas pobres.

Embora fosse generoso naquilo que gastava para agradar a Deus, Hakim (r.a.) gostava igualmente de ter muito. Depois da Batalha de Hunayn, pediu ao Profeta (s.a.w.) parte do saque, pedido que o Profeta (s.a.w.) concretizou. Ao ver o seu pedido concretizado, Hakim pediu mais e, uma vez mais, o seu pe- dido foi satisfeito. Hakim (r.a.) era ainda um principiante do Islão e o Profeta (s.a.w.) era sempre mais generoso com os recém-chegados à religião, a fim de mais facilmente conseguir a sintonia dos seus corações com Allah. Assim sendo, Hakim (r.a.) acabou por ficar com um largo quinhão do saque. No entanto, o Profeta (s.a.w.) disse-lhe:

“Esta riqueza é, sem dúvida, doce e atraente, Hakim! Aquele que ficar com ela e se der por satisfeito será abençoado por ela, mas aquele que a quiser possuir por ganância não conseguirá a mesma bênção. Esse indivíduo será como aquele que come e nunca fica cheio. A mão que dá é sempre melhor do que a mão que recebe (é melhor dar do que receber).”

Este bondoso conselho teve um efeito imediato e profundo em Hakim (r.a.). Este sentiu-se mortificado e disse ao Profeta (s.a.w.): “Por aquele que te enviou com a verdade, jamais voltarei a pedir a alguém seja o que for, ó Mensageiro de Deus!”

Durante o Califado de Abu Bakr (r.a.), Hakim (r.a.) foi chamado várias vezes a fim de receber o seu rendimento decorrente do Bayt al-Mal, mas recusou sempre o dinheiro. Fez o mesmo durante o Califado de Umar ibn al Khattab (r.a.), durante o qual o próprio Califa terá dito aos cidadãos: “Muçulmanos, comunico-vos que chamei Hakim a receber o seu rendimento e que este o recusou.”

Hakim (r.a.) manteve-se fiel à sua palavra: não mais voltou a receber nada de ninguém até falecer. Com efeito, aprendeu com o Profeta (s.a.w.) a grande verdade que diz que a verdadeira riqueza reside naquilo que não pode ser comprado.

Que Allah S. T. esteja satisfeito com Hakim ibn Hazm.