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Os Muçulmanos e o Natal

Por: Yiossuf Adamgy

Os Muçulmanos não celebram o Natal, mas respeitam e honram Jesus (paz esteja com ele)

Prezados Irmãos, Assalamu Alaikum.

Não obstante nós, Muçulmanos, não celebrarmos o Natal, respeitamos e honramos a personalidade em cujo nome esta festividade é observada. Por isso, desejamos Boas Festas aos Cristãos. Nós acreditamos que Jesus (paz esteja com ele) foi um grande Profeta de Deus. Cada Muçulmano honra-o, respeita-o e ama …

Pois o Alcorão Sagrado (Versão Portuguesa de M. Yiossuf Adamgy, certificada por Cheikh Munir e Moulana Rizwan, editada pela Al Furqán), diz em:

2:136: “Dize (ó Muhammad): Cremos em Deus (ár. Allah), no que nos tem sido revelado, no que foi revelado a Abraão, a Ismael, a Isaac, a Jacob, e às Tribos, e no que foi dado a Moisés e a Jesus, e no que foi dado aos Profetas pelo seu Senhor: Não fazemos diferenças entre nenhum deles, e somos submissos a Ele (Allah)”.

Aqui temos o Credo do Islão: acreditar (l) num Único Deus Universal; (2) na Mensagem recebida através de Muhammad e nos Sinais (versículos) interpretados na base de responsabilidade pessoal; (3) na Mensagem entregue pelos outros Mensageiros no passado. Esses são mencionados em três grupos: (a) Abraão, Ismael, Isaac, Jacob e as Tribos: destes apenas Abraão teve aparentemente, um Livro (87:19) e os outros seguiram a sua tradição; (b) Moisés e Jesus, cada um deles deixou uma Escritura; estas escrituras ainda existem apesar de não estarem na sua forma primitiva; (c) e outras escrituras, Profetas, ou Mensageiros de Allah, não mencionados especificamente no Alcorão (11:78). Não fazemos diferença entre nenhum desses. A Mensagem deles (essencialmente) era uma, e isso é a base do Islão.

2:137: “Se eles crerem como vós credes, estarão decerto no Caminho recto; mas se se afastarem, são eles que estarão em cisma; mas Allah dar-te-á forças contra eles 136 e Ele é o Exorável, o Sábio”.

Estamos, assim, na verdadeira linha daqueles que seguem a única e indivisível Mensagem de Allah, onde quer que tenha sido entregue. Se os outros restringiram-na ou corromperam-na, foram eles que deixaram a fé e criaram a divisão ou cisma. Mas Allah vê e sabe tudo. E Ele protegerá os Seus, e o Seu apoio será infinitamente mais precioso do que aquele que os homens possam dar.

3:42: “E (lembra-te) quando os anjos disseram: ‘Ó Maria! Na verdade, Allah escolheu-te e purificou-te e escolheu-te acima das mulheres de todas as nações'”.

Maria (ár. Mariam), mãe de Jesus (ár. Issa), foi única entre as mulheres, pois que deu à luz um filho mediante um milagre especial, sem a intervenção das habituais necessidades físicas para tal. Evidentemente que este facto não significa que Maria fosse um ser sobre-humano, ou que o seu filho fosse um ser sobre-humano. Eia tinha tanta necessidade de rezar a Allah, como qualquer outro mortal. O dogma Cristão, em todas as suas seitas à excepção da Unitarista, afirma que Jesus era Deus, e filho de Deus. A adoração de Maria tornou-se prática comum na Igreja Católica Romana, que apelida Maria de “Mãe de Deus”. Ao que parece, tal facto foi sancionado pelo Concílio de Éfeso em 431 D.C., um século antes do nascimento de Muhammad, nascimento esse que veio arrebatar as corrupções da Igreja de Cristo.

3:43: “Ó Maria! Sê obediente ao teu Senhor, prostra-te e curva-te com os que se curvam (na adoração)”.

3:44: “Esta é parte das informações das coisas ocultas, que Nós te revelamos (ó Muhammad). Tu não estavas presente com eles quando atiravam as suas canas, para saber qual deles seria encarregado de cuidar de Maria, e nem estavas presente com eles quando disputavam (a questão)”.

“Coisas ocultas”: pertence a uma esfera para além da própria percepção humana e, consequentemente, seria despropositado disputar ou especular sobre essas coisas.

Literalmente, “aqlam” = “canas”. Para o costume árabe de tirar a sorte com flechas. As Escrituras Cristãs apócrifas mencionam a discórdia que teve lugar entre os sacerdotes, em relação à honra que era o facto de ficar com Maria a seu cargo. Estas mesmas Escrituras referem, ainda, como tal disputa foi decidida mediante lançamentos de varas e canas em favor de Zacarias.

3:45: “E (lembra-te) quando os anjos disseram: “Ó Maria! Na verdade, Allah dá-te boas novas de uma Palavra Sua: o seu nome será Messias, 386Jesus, filho de Maria, ilustre neste mundo e no outro, e um dos mais próximos de Allah”;

Messias = “Massih”, em Hebraico e Arábico. Cristo: do Grego “Christos” = ungido: os reis e os sacerdotes foram ungidos de forma a simbolizar a consagração aos seus ofícios. “Muqarrabin”: mais próximos de Allah, cf. Alcorão, 56:11.

3:46: “Ele falará às pessoas no berço e na maturidade. E pertencerá ao número de justos”.

O ministério de Jesus (paz esteja com ele) perdurou apenas cerca de três anos, desde os seus 30 até aos 33 anos de idade, quando, aos olhos dos seus inimigos, ele foi crucificado. No entanto, o Evangelho de Lucas (ÏI, 46) descreve Jesus discutindo com os doutores do Templo, aos doze anos de idade, e até mais novo, quando era criança, ele era “fortalecido em espírito, cheio de sabedoria” (Lucas, 11.40). Alguns Evangelhos apócrifos descrevem-no pregando desde a sua infância.

3:47: “Ela disse: “Ó meu Senhor! como poderei ter um filho se nenhum homem me tocou?” Ele disse: “Assim é: Allah cria o que deseja; quando Ele ordena uma coisa, apenas diz: “Sê”, e ela acontece””.

Ela foi abordada por anjos que lhe anunciaram a mensagem de Allah. Em resposta, ela fala como que para Allah. Como réplica, aparentemente um anjo transmitiu-lhe, de novo, a mensagem de Allah.

3:48: “E Ele ensinar-lhe-á o Livro (a escrita), a Sabedoria, a Tora e o Evangelho”,

3:49: “E (fará dele) um Mensageiro para os Filhos de Israel (dizendo-lhes): ‘Na verdade, eu vim para vós com um Sinal do vosso Senhor, em que eu faço para vós, de um pedaço de barro, a figura de um pássaro; assopro-a, e ele transforma-se num pássaro (vivo) com a permissão de Allah; e curo o cego de nascença, o leproso, e faço ressuscitar os mortos com a permissão de Allah; e digo-vos o que comeis e o que armazenais em vossas casas. Na verdade, nisso está um Sinal para vós, se sois crentes”;

Este milagre dos pássaros de barro encontra-se narrado em alguns dos Evangelhos apócrifos. Os milagres referentes à cura de cegos, de leprosos, e ressuscitar os mortos estão patentes nos Evangelhos Canónicos. O Evangelho original (ver Alcorão, 3:48), nada tem a ver com as diferentes histórias escritas mais tarde pelos discípulos. A verdadeira Mensagem foi, porém, transmitida, directamente, por Jesus.

3:50: “E venho confirmar o que existia antes de num na Tora, e tornar legal parte do que vos estava proibido; e vim para vós com um Sinal do vosso Senhor. Portanto, temei a Allah e obedecei-me”.

3:51: “Na verdade, Allah é o meu Senhor e o vosso Senhor; então adorai-O. Este é o caminho recto.”

3:54: “E (os judeus) planearam (contra Jesus); e Allah planeou (contra eles): 393 E Allah é o melhor Planejador”.

O termo arábico “makara” tem um sentido negativo e positivo, no tocante à realização de um plano intrincado que possua algum propósito secreto. Os inimigos de Allah fazem-no constantemente. Mas Allah – em cujas mãos se encontra todo o bem – tem também os Seus planos, contra os quais os planos diabólicos nada podem fazer.

3:55. “(Lembra-te) quando Allah disse: “Ó Jesus! Na verdade, tomar-te-ei, e elevar-te-ei até Mim, e purificar-te-ei desses que descrêem (blasfemam); e colocarei os que te seguem acima dos descrentes, até ao Dia da Ressurreição: Então todos voltareis junto de Mim, e julgarei entre vós as questões pelas quais divergis”.

Ler esta passagem conjuntamente com 4:157, onde se afirma que:” Visto que eles não o mataram, nem o crucificaram, senão que isso lhes foi simulado”. A culpa de Jesus permaneceu, mas Jesus foi levado até Allah.

Jesus foi acusado por Judeus de blasfémia por reivindicar ser Deus, ou filho de Deus. Os Cristãos (exceptuando algumas seitas primitivas que foram aniquiladas pela perseguição, e a moderna seita Unitarista), adoptaram a substância da reivindicação, e transformaram na pedra fundamental da sua fé. Allah liberta Jesus de tal acusação ou reivindicação.

“Os que te seguem” refere-se a ambos: aos Muçulmanos (enquanto eles seguirem, verdadeiramente, os ensinamentos básicos de Jesus) e aos Cristãos (que reivindicam segui-lo).

Todas as controvérsias existentes a respeito do Dogma e da Fé desaparecerão quando nos apresentarmos perante Allah. Ele julgar-nos-á não só pelo que nós dizemos professar mas, também, pelo que somos.

3:56: “Quanto a esses que descrêem, Eu castigá-los-ei com severa punição neste mundo e no outro; e eles não terão quem os ajude”.

3:57: “Quanto a esses que crêem, e praticam boas acções (Allah) pagar-lhes-á as suas recompensas (por completo); e Allah não ama os injustos”.

3:58: “Isto que te recitamos são os versículos e a sábia Mensagem”.

3:59: “Na verdade, o caso de Jesus, perante Allah, é como o caso de Adão;Ele criou-o do pó, e depois disse-lhe: “Sê”, e ele foi”.

Após a descrição da elevada posição que Jesus ocupa como Profeta, nós repudiamos o dogma de que ele era Allah, ou filho de Allah, ou algo mais do que um homem. Se se afirma que ele nasceu sem um pai humano, Adão também assim nasceu. Na verdade, Adão nasceu sem pai e sem mãe humanos. Quanto aos nossos corpos físicos, eles nada mais são do que mero pó. Aos olhos de Allah, Jesus era tão pó, quanto o tinha sido Adão, ou é a própria humanidade. A grandeza de Jesus provém da ordem Divina: “Sê”, pois que após tal, ele foi – mais do que pó – um grande dirigente e mestre espiritual.

3:60: “(Tal é) a verdade (vinda) do teu Senhor, (ó Muhammad); não sejas, pois, desses que duvidam”.

A verdade não provém, necessariamente, dos sacerdotes, ou das superstições dos povos. Ela vem de Allah; e onde há uma revelação directa, não há lugar para qualquer dúvida.

3:61: “Se alguém disputar contigo sobre esta questão, depois do conhecimento que te foi dado, dizei-lhes: “Vinde, juntemos os nossos filhos e os vossos filhos, as nossas mulheres e as vossas mulheres, e nós mesmos e vós mesmos; então, humildemente, rezemos e invoquemos a maldição de Allah sobre os mentirosos!””

No ano das Deputações, no 10°. da Hégira, chegou uma embaixada Cristã proveniente de Najran (perto de Yaman, aproximadamente 150 milhas a norte de Sana’a). Eles ficaram muito impressionados ao ouvirem esta passagem do Alcorão, na qual se explica a verdadeira posição de Jesus, e empenharam-se em relações tributárias com o Novo Estado Muçulmano. Mas hábitos e costumes inveterados impediram-nos de aceitar o Islão, no seu todo. O sagrado Profeta Muhammad (paz esteja com ele.), firme na sua fé, propôs um “Mubahalah”, ou seja, um encontro solene, para o qual ambas as partes deveriam convocar não apenas os seus homens mas, também, as suas mulheres e filhos; rezariam humildemente a Allah, e invocariam a maldição de Allah para aqueles que mentissem. Os que possuíssem uma fé pura e sincera não hesitariam em fazê-lo. Os Cristãos declinaram tal proposta, e, por isso, foram convidados a retirarem-se dentro de um espírito de tolerância, com promessa de protecção por parte do Estado, em troca do tributo, “a paga da boa ordem”, como era denominada no “A’ini Akbari”.

3:62: “Esta é, na verdade, a narrativa autêntica; e não há divindade além de Allah; e Allah – Ele é, na verdade, o Poderoso, o Sábio”.

Por conseguinte, Jesus não é mais do que um homem. Vai contra a lógica e contra a revelação chamar-lhe de Allah, ou filho de Allah. Ele é tido como filho de Maria, de forma a dar mais ênfase a tal facto. Jesus não teve pai humano, uma vez que o seu nascimento foi milagroso. Mas não foi tal facto que o ascendeu a uma posição espiritual elevada, como Profeta, mas sim porque Allah o chamou para tal ofício. A glorificação é devida a Allah. Quem pela Sua palavra lhe deu a força espiritual “enfortaleceu-o com o espírito santo”. Os milagres que preenchem a sua história relatam não somente o seu nascimento, a sua vida e a sua morte, mas, igualmente, a história da sua mãe Maria e do seu percursor João (ár.Yahya a.s.). Estes foram os “Sinais Claros” que ele trouxe. Foram aqueles que o interpretaram mal, que obscureceram os seus Sinais claros e o rodearam de mistérios da sua própria invenção.

3:63: “Mas se eles virarem as costas, Allah sabe certamente quem são os corruptores”.

Muçulmanos e Cristãos diferem na sua Teologia (pontos de vista sobre Deus) e na sua Cristologia (pontos de vista sobre Cristo), mas ambos acreditam no mesmo Deus e no mesmo Jesus. Deverá, pois, haver melhor compreensão e melhores relações entre eles.

Wassalam.

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Muçulmanos e Árabes

Os seguidores do Islão são chamados Muçulmanos. Os Muçulmanos podem ser Árabes, Turcos, Persas, Indianos, Paquistaneses, Malaios, Indonesios, Chineses, Japoneses, Portugueses, Africanos, Americanos, Europeus, ou de outras nacionalidades ou continentes.

Um Árabe pode ser Muçulmano, Cristão, Judeu ou Ateu. Qualquer pessoa que adopte a linguagem arábica é chamado de Árabe.

A língua do Alcorão (o Livro Sagrado do Islão) é Arábica. Os Muçulmanos, em todo o mundo, tentam aprender o Arábico a fim de estarem habilitados a ler o Alcorão e a compreender o seu significado. Fazem as suas orações em Arábico. Todavia, as suplicações a DEUS podem ser feitas em qualquer língua.

De entre os mais de um bilião de Muçulmanos existentes no mundo actual, apenas 200 milhões são Árabes. E entre estes, aproximadamente 10% não são Muçulmanos. Por conseguinte, os muçulmanos Árabes constituem somente 20% da população Muçulmana do mundo.

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A Mesquita de Jesus Cristo, uma homenagem à tolerância religiosa

Mundo Islâmico -  Fonte: Terra Actualidad / EFE

Desde há séculos que vivemos em paz com os nossos irmãos cristãos…e agora sentimos que esta Mesquita simboliza essa fraternidade

é muito raro que uma Mesquita leve o nome de Jesus Cristo, mas na localidade jordana de Madaba a população demonstrou que ainda há espaço para a tolerância religiosa.

“Desde há séculos que vivemos em paz com os nossos irmãos cristãos e agora sentimos que esta Mesquita simboliza essa fraternidade”, disse o advogado muçulmano Abd Hourout, após cumprir com as orações vespertinas.

Madaba localiza-se a 30 quilómetros do sul da capital jordana, Amã. Nesta cidade, os cristãos representam 10 porcento da população, num país onde os seguidores desta crença são apenas 5 porcento.

Chama a Madaba “A cidade dos mosaicos” pela riqueza dos seus vestígios bizantinos. No solo da basílica ortodoxa de São Jorge, ainda há um mapa feito com peças de mosaico que descreve pormenorizadamente a Terra Santa durante o século VI.

Uma das Mesquitas recebeu há vários meses o nome de Jesus Cristo e, desde então, por uma ou outra razão, quer os líderes muçulmanos, quer os cristãos parecem satisfeitos com a experiência.

“Isto é uma mensagem para o mundo de que os muçulmanos consideram Jesus Cristo como mensageiro deles próprios, porque antecipou ao mundo a chegada do Profeta Muhammad (s.a.w.), explica à Efe o Imame da Mesquita, Belal Hanini.

“Também prova que o Islão é uma religião de tolerância, que não tem nada a ver com extremismos”, acrescenta Hanini.

E recorda que, há séculos, os seguidores do Islão e do Cristianismo vivem em paz e mantêm laços de fraternidade nesta região do reino hachemita, um firme partidário do diálogo entre os diferentes credos.

“O nosso Livro sagrado, o Alcorão, ordena-nos a não distinguirmos entre os Mensageiros. Consideramos Jesus (a.s.) como um irmão do nosso Mensageiro, o Profeta Muhammad (s.a.w.)”, sustem, por sua parte, o advogado Horout.

Este devoto muçulmano assinala, inclusive, as inscrições que estão fixadas nos muros interiores da Mesquita, atribuídas ao Alcorão, em honra de Jesus e de sua mãe, a Virgem Maria.

A Mesquita de Jesus Cristo foi construída pela família muçulmana Al Otaibi, que tem uma ampla história de ligação à área de Madaba e que também se tem destacado pelas suas boas relações com a comunidade cristã da zona da Jordânia.

“Queríamos fixar um exemplo que possa ser seguido em qualquer parte, a favor da coexistência entre as regiões”, disse Marwan al Oteibi. “Dar este nome ao nosso lugar sagrado também procura fazer com que todo o mundo compreenda que o Islão é uma religião de tolerância que desfruta da comunicação com os outros cultos”, insistiu.

A ideia de lhe colocar o nome de Jesus Cristo a esta Mesquita foi recebida com entusiasmo pelos líderes cristãos da Jordânia, que a consideram como um novo gesto de boa vontade por parte da maioria muçulmana.

“Como monoteísta, estamos satisfeitos por esta decisão tomada pelos nossos irmãos muçulmanos sobre Jesus Cristo e sua mãe. O sagrado Alcorão tem, inclusivamente, um “Surah” (capítulo) dedicado a ela,” disse à Efe o sacerdote Nabil Haddad, da Igreja Católica Grega.

“Nós”, acrescentou, “como seguidores de Jesus Cristo, ficamos comovidos com este passo, que foi recebido com enorme felicidade entre nós e vemos que a Jordânia é um modelo para a coexistência dos diferentes cultos.”

A decisão também recebeu o apoio do Ministério dos Assuntos Religiosos e Islâmicos.

Este gesto está de acordo com a decisão da Jordânia em fomentar o diálogo entre as religiões e as distintas civilizações”, afirmou Samir Qudah, responsável pela secção deste ministério encarregada de cuidar das Mesquitas.

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Renovação da religião

Quando acontece uma renovação da Religião, significa que a sujidade e o pó se juntaram na face da “Verdadeira Religião”. As suas cores verdadeiras distorçeram-se e necessitam restauração para a forma original. Quando a renovação for completada, será revelado que a religião é algo quase diferente do que o Homem fez com que fosse.

Em 1509 Miguel Ângelo (1475-1564), pintor, escultor, arquitecto e poeta, foi contratado pelo Papa Julião para desenhar e pintar os frescos da Capela Sistina do Vaticano. O projecto foi completado em 1512. Nos 450 anos que passaram desde então, as côres originais utilizadas por Miguel Ângelo tornaram-se consideravelmente diluidas e, portanto, distorcidas. Uma razão para isto foi que um revestimento de cola animal foi espalhado sobre a superfície dos frescos no século XVII para evitar que o estuque estalasse. Esta cola então acumulou séculos de fuligem das tochas usadas na iluminação da Capela anterior ao advento da electricidade.

Sob o Papa João Paulo II, o Vaticano ordenou a restauração dos frescos. No início de 1986 os primeiros resultados do trabalho de limpeza foram apresentados ao público. A renovação revelou algumas coisas interessantes acerca do trabalho original de Miguel Ângelo. Inicialmente calculara-se que o mestre teria usado cores desmaiadas, crepusculares, mas agora parece que as cores que usou eram tão vibrantes que foi necessária iluminação difusa quando a limpeza terminou em 1988. Os historiadores de arte agora têm de rever todo o conceito da escola Florentina a qual Miguel Ângelo representava, pois os florentinos eram considerados os mestres do desenho, mas não da pintura. George Armstrong escreve no Guardian Weekly (de 16 de Fevereiro de 1986) que o axioma de Tintoretto (1518-1594) desenhar como Miguel Ângelo, pintar como Ticiano foi atirado por terra pelas cores restauradas da Capela Sistina. A renovação, diz Armstrong, revelou Miguel Ângelo sob uma nova luz.

Do mesmo modo, a natureza da verdadeira religião foi distorçida através dos séculos. Originalmente a religião foi revelada por Deus e ensinada na sua forma pura pelos Profetas. Então, quando cai nas mão de pessoas vulgares, estas corrompem a verdadeira mensagem, tornando-a de acordo com os seus próprios desejos. Visto que originalmente a religião se baseou na crença e no futuro. Mais tarde tornou-se instrumento para a aquisição de riquezas terrenas e de poder. A verdadeira fé, tal como transmitida pelos Profetas, sai do coração, mas a religião na sua forma corrupta torna-se um mero acumulado de ritos e cerimónias, isento de qualquer espírito verdadeiro. A religião na sua forma primitiva alimenta a humildade nos seus seguidores, protejendo a unidade do Homem; mas quando a religião se torna distorcida, torna-se uma fonte de orgulho, com um grupo a usá-la para afirmar a sua superioridade sobre o outro.

Quando isto acontece, significa que a sujidade e o pó se acumularam sobre a face da verdadeira religião. As suas verdadeiras cores tornaram-se distorcidas e necessitam de restauro à sua forma original. Quando a renovação se completar, será revelado que a religião é algo quase diferente do que o Homem a fez tornar-se. Alguns teólogos serão expostos como enganadores nas suas interpretações, assim como o público foi desencaminhado nas suas opiniões.

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Mesquita (maçjid)

A Mesquita é um lugar sagrado para os muçulmanos, onde estes se congregam para realizar as suas orações quotidianas.

 

A palavra “Mesquita” em português é tradução da palavra árabe Maçjid, que quer dizer lugar de prostração.

 

O PAPEL DA MESQUITA NO ISLÃO

 

As Mesquitas foram as primeiras instituições de ensino para os muçulmanos;

 

A Mesquita é o lugar onde se aprende a sabedoria e as virtudes.

 

A Mesquita é, pois, “o lugar da prostração, adoração, reunião, consultação, educação, promoção da espiritualidade islâmica, enfim, de discussão de problemas religiosos, sociais, económicos, políticos e outros…”.

 

– “… Para tal o Imame da Mesquita não pode estar sentado em casa. Os não-Muçulmanos podem vir visitar a Mesquita ou aprender algo mais sobre o Islão… O Imame não pode deixar de falar verdade e defendê-la justamente; não pode ser empregado deste ou daquele grupo; se o fizer, ele não presta”. “…Para os que trabalham pela causa islâmica, para os estudiosos e divulgadores do Islão e para os Imames deve ser providenciada todas as facilidades e condições para o desempenho das suas missões”. – Dr. Ahmad H. Sakr, da Fundação para Os Estudos Islâmicos de Lombard (Illionis – EUA), in ‘Estudiosos Discutem em Espanha O Papel da Mesquita no Islão’.

– “A Mesquita é o símbolo da existência, do Islão, da Herança e da identidade; onde há Mesquita, pode dizer-se que há Muçulmanos. O Minarete é sinal de união, de ‘Ummah’, de Sociedade Islâmica imbuída na Unicidade de Deus (Tawid)”. “…A Mesquita, e por inerência a Comunidade, é uma estação geradora do poder espiritual islâmico; mas quem estiver à sua frente (Imame, líder, presidente…) deverá ser uma pessoa capaz, justa, verdadeira, com carácter e personalidade islâmicas, enfim, com conhecimento de temática islâmica e gerais. Se assim não acontecer, a estação geradora de força espiritual islâmica não terá carga para poder funcionar convenientemente…”. – Dr. Mustufa, Mufti de Cyprus, in ‘Estudiosos Discutem em Espanha O Papel da Mesquita no Islão’.

 

– “A Mesquita deve ser o sustentáculo da congregação, do conselho, da opinião, da discussão sobre a evolução do Homem até Deus …, é a fonte da qual emana a solução dos problemas de toda a Comunidade Islâmica, o lugar de onde procede o conhecimento, e, enfim, o de consciencialização”. – M. Yiossuf Adamgy, Director da Revista Islâmica Portuguesa Al Furqán, in ‘Estudiosos Discutem em Espanha O Papel da Mesquita no Islão’.

 

As Mesquitas são, na verdade, as casas de Deus na terra para congregar os Homens a fim de cumprirem os preceitos divinos da Oração (Salát). É o local aonde os muçulmanos se congregam para realizar as suas orações diárias e para as orações de Sexta-feira.

 

A oração em congregação é uma notável demonstração de unidade, de objectivo e de acção, da piedade e humildade colectiva perante Deus, e de solidariedade afectiva entre muçulmanos.

 

No ofício da oração islâmica, em congregação, não há reis e súbditos, nem ricos e pobres, nem brancos e negros; não há primeira ou segunda classe, nem lugares reservados ou públicos. Todos os crentes ficam de pé e de ombros dados, lado a lado; é, na verdade, a maneira mais disciplinada e exemplar, longe de qualquer consideração mundana.

 

As orações prescritas ao muçulmano são em número de cinco, se não há possibilidade de realizá-las nas Mesquitas, podem ser efectuadas em qualquer lugar onde o crente se encontrar quando a oração estiver no seu horário definido.

 

ALGUMAS CARACTERÍSTICAS ESSENCIAIS E COMUNS NUMA MESQUITA

 

Mihrab

 

No interior de uma Mesquita, há um sala de culto, constituído somente pelos artigos básicos necessários para a adoração dos muçulmanos. Uma característica comum de um sala de oração é um mihrab, um nicho decorativo, na parede, que indica a Qibla que deve estar voltado para a Caaba (Ka’bah) em Meca (Makkah).

 

Minbar

 

Na maioria das Mesquitas há um minbar,que é um púlpito, ao lado do mihrab, usado pelo Imame (dirigente da Oração) para o sermão (Khutbah), antes da Oração. O minbar pode ser feito de madeira, de pedra, de mármore … .

 

Características comuns às Mesquitas também são os pátios ligados a elas, onde se encontra a sala de ablução para os crentes se purificarem (wudhu) antes das orações. Pode existir, ainda, um Minarete (ou vários), mas pelo menos uma torre delgada, alta, unida a Mesquita, que é usado pelo Muazzin para fazer o Chamamento para oração (Adhan).

 

A CONSTRUÇÃO DAS MESQUITAS

 

As mesquitas (locais de oração) foram construídas entre os séculos VI e VIII, seguindo o modelo da casa do Profeta Muhammad (s.a.w.), em Medina: uma planta quadrangular, com um pátio voltado para o sul e duas galerias com tecto de palha e colunas de tronco de palmeira. A área de oração era coberta, enquanto no pátio estavam as fontes para as abluções.

 

No entanto, a arquitectura sagrada não manteve a simplicidade e a rusticidade dos materiais da casa do Profeta.

 

O desafio de expressar um “Deus omnipresente e invisível”, para Garaudy, foi encontrada num forte simbolismo, em que a Mesquita seria a verdadeira porta entre a realidade sensível e a realidade transcendente. Para ele, três elementos sintetizam este simbolismo: a ordem geométrica e harmónica, o uso da luz e a caligrafia que ornamenta os detalhes.