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Jerusalém celeste não possui proprietário terreno

Por: Mohammed Jamouchi – Filósofo (especial para Al Furqán)

é intenção de Mohammed Jamouchi demonstrar, apresentar ao público Europeu (por conseguinte, sem fazer uma escolha política ou dar lições aos que vivem esta situação no seu país) um ponto de vista pouco conhecido, visto a significação religiosa deste lugar ser frequentemente ocultada e também por apoiar-se mais na metafísica do que na política.

Após inúmeras décadas, a situação degrada-se e complica-se apenas. Foram muitas as manifestações afectivas e sentimentais, muitos os discursos políticos e éticos, e muitos os movimentos de forças militares a que assistimos. Muitos foram os acordos e tratados internacionais ofendidos, muitos vetos foram aplicados, não obstante o facto de indivíduo algum ou Estado, inclusive, poder colocar-se acima das leis em vigor no quadro do Direito Internacional.

Desde há meio século que, aquilo que, pudicamente, apelidamos de “o problema Palestiniano”, acantonou-se, primeiro, num perímetro local, depois, regional, isto antes de assumir uma amplitude pan-Arábe e pan-Islâmica com as suas ramificações internacionais. Foi grande, a tentativa de querer abandonar os verdadeiros problemas que vive o povo Palestiniano e reduzi-los (como uma divagação num parêntesis) a um simples problema humanitário de refugiados, antes de tender timidamente para uma possibilidade de legitimação de uma autoridade em busca de reconhecimento.

O nó do problema Palestiniano é o cerne da questão de um projecto estadual, que está no centro de conflitos e negociações intermináveis, mantidos por uma situação de guerras e paz perpétua, que giram em torno de questões decisivas: quais são as condições de realização do Estado, com que atribuições, com que soberania e autonomia, em que território, e com que capital? Além disso, é necessária a reivindicação da cidade de Jerusalém, enquanto sede central de um ou dois Estados independentes ou, pelo contrário, há que tratar este local como a Jerusalém sagrada [Al-Quds ash-Sharif]? Tanto num caso, como no outro, encontramos ainda outras subopções. No primeiro caso, considerar-se-á a Jerusalém Árabe, a Jerusalém Este ou Oeste? No segundo caso, que retira a soberania política nacional para a confinar a uma dimensão religiosa, considerar-se-á a reabilitação de um local sagrado para as três religiões monoteístas, permitindo-se o acesso a este lugar, património da Humanidade e estipulando que Jerusalém é um todo indivisível, um espaço indivisível e separado [corpus separatum], sob a supervisão de “representantes da Humanidade”.

A terra dos Profetas não é uma terra que se encontra à venda, a comprar pelos mais ricos, ou a leiloar pela melhor oferta. São actos como estes que revelam a ignorância do significado da Jerusalém celeste.

Por conseguinte, magoar a Palestina é o mesmo que ofender um berço do monoteísmo. Antes de cobiçar uma terra que não se destina a ser conquistada, convém reflectir no significado de um lugar santo, mítico e simbólico para redescobrir e meditar. A Palestina não é um campo de batalha, mas sim um local de reconciliação das tradições Judaicas, Católicas, Ortodoxas, Sunitas e Xiitas.

O Homem foi consagrado pela sua dignidade, pelo que este deve ser preservado ou, como dizia Esra Pound num dos seus poemas [cantos], no seu tempo: “Ser Homem, não destruidor”.

Para a tradição Xiita Imamita, Al-Quds está associada ao imã da época [ımam zaman], mas é sobretudo o local de onde o selo dos Profetas realizou a sua viagem de ascensão para Deus, atingindo o limite do lótus. As duas tradições evocam uma experiência situada fora da temporalidade. Os filósofos Muçulmanos concentraram os seus esforços nos significados [ma`anı] Alcorânicos de Al-Quds e desenvolveram um sentido místico e metafísico. Antes de empreender qualquer acção, há que aprofundar o sentido e os significados de Al-Quds. De um modo geral, determinados conceitos Bíblicos podem ser revistos e reactivados a partir da tradição profética perpétua. Neste caso, o texto da Torá, o profeta Daniel e o apocalipse de João podem ser revistos à luz do Alcorão, na busca de uma estrutura profética e mítica. De facto, para além das ciências da tradição profética [hadıce], convém desenvolver uma gnose profética [`ilm an-nubuwwa].

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Conferência de Teerão

Conferência de Teerão recomenda a Ummah Muçulmana a adoptar posição comum para a Palestina

No fim da Conferência Internacional sobre a Palestina, realizada em de Teerão de 4 a 5 de Março, os participantes emitiram uma declaração conjunta que recomenda, insistentemente, todos os países Islâmicos a adoptarem uma posição comum para a Palestina.

Parlamentares, pensadores, escritores, jornalistas e juristas de oitenta países assistiram à conferência internacional, a qual durou dois dias, intitulada: Palestina: Manifestação de Resistência, Gaza: Vítima de Crimes.

Em determinada parte da declaração é possível ler-se o seguinte: “Segundo a quarta convenção de Genebra, as agressões do regime Sionista contra a Faixa de Gaza são, devido ao uso de armas proibidas, uma manifestação de crimes de guerra e massacres”.

Durante os 22 dias de guerra contra Gaza, cerca de 1500 civis foram mortos, muitos dos quais mulheres e crianças, e cerca de 5500 foram feridos.

A declaração acrescenta o seguinte: “Visto todas as soluções internacionais e regionais de décadas anteriores terem fracassado, devido à recusa Sionista em reconhecer a principal causa do conflito, a ocupação da Palestina, frisamos a necessidade de conduzir um referendo entre todos os Palestinianos…incluindo Muçulmanos, Cristãos e Judeus, para que escolham a estrutura do seu governo”.

A declaração sublinha também que “o principal inimigo da Ummah Muçulmana é o regime Sionista” e convida os Estados Islâmicos a adoptarem uma posição comum contra Israel.

Pede também a comunidade internacional e organizações mundiais a cumprirem os seus deveres legais e a adoptarem medidas para perseguir os culpados de crimes contra a Humanidade na Palestina.

Numa outra parte, a declaração pede à Liga Árabe que implemente o seu acordo para levantar o cerco da Faixa de Gaza.

“Relativamente a isto, pedimos especialmente ao Egipto que abra completa e definitivamente a fronteira de Rafah… Caso contrário, toda a responsabilidade recairá sobre este país”.

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A jihad no Islão

Al Furqán

Carta que a Revista Al Furqán enviou ao Snr. Director da Revista Visão, a propósito de um artigo inserido nesta revista sobre “Jihad”. De registar que a Visão publicou um pequeno excerto da carta que se segue: 31 de Dezembro 1994

Exmº. Senhor Director da Revista “Visão”
Com os nossos cumprimentos, vimos pedir a sua atenção para o seguinte:

Publicou a revista “Visão” de 29. Dezembro.94, alguns versículos do Alcorão relacionados com a Jihad, encabeçados pelo título “A Jihad no Corão”, seguido do sub-título “Estes são os versículos das diferentes suras que exaltam a guerra santa, e que os fundamentalistas pregam nas mesquitas, recomendando aos fiéis que as sigam à letra”.

Na sua qualidade de organização vocacionada para a divulgação do Islão em Portugal, a revista “Al Furqán” entende ser seu dever comentar a forma incorrecta e parcial como foi apresentado o escrito intitulado “A Jihad no Corão”.

    1. A “Visão” transcreveu alguns versículos do Alcorão, sem indicar o autor da Tradução, nem a Editora.
    2. 2. Para se fazer uma justa e correcta tradução do Alcorão, o seu autor deverá, como muito bem escreveu o Prof. Dr. Maurice Bucaille, no seu livro A Bíblia, o Alcorão e a Ciência”, na pág. 11, “ter conhecimentos científicos multidisciplinares, o que nem sempre se verifica com os Islamólogos Ocidentais (não islâmicos) que possuem formação literária predominante”. 3. Muitas palavras arábicas significam, num contexto, uma coisa, e noutro, outra coisa. Por conseguinte, uma palavra pode abrigar diversos significados. Por isso, sempre prevaleceu no Ocidente um grande mal entendido , e continua a prevalecer, em relação ao conceito de “Jihad” no Islão, considerando-o apenas sinónimo de “guerra santa, empreendida para a expansão imposta do Islão”. é realmente chocante verificar que, além dos jornalistas, até certas figuras chamadas eruditas, estudiosas e investigadoras, hoje em dia, não têm o cuidado sequer de consultar um dicionário da língua arábica, ou procurar uma tradução correcta e adequada do Alcorão, para, em relação à palavra “Jihad”, conseguirem descobrir, imparcialmente, o seu verdadeiro sentido e significado na respectiva conjuntura. 4. A palavra “Jihad” não é usada, exclusivamente para lutar. E mesmo lutar, nem sempre significa “fazer guerra”. O seu significado mais geral é: “esforço feito no caminho de Deus”. Por exemplo, “Hajj” (Peregrinação a Meca) é considerada, no Islão, como “Jihad”. O Profeta disse:

“A Hajj é a mais excelente das “Jihad”” (Bukhari, XXV:4)

      . Um simples convite para o Islão é considerado como “Jihad” :

“Devem os Muçulmanos orientar os seguidores do Livro para um caminho recto …” (Bukhari, LVI:99)

      . Fazer um esforço para adquirir conhecimento e transmiti-lo a outrem é, também, “Jihad”. Portanto, “Jihad” inclui o serviço prestado ao Islão de várias formas através de palavras expressas pela boca, ou pela pena, ou, em último caso, pela espada, se para tal se é obrigado. A propagação do Islão é, sem dúvida, um dever religioso de todo o verdadeiro Muçulmano, que deve seguir o exemplo do Profeta Muhammad (Maomé), que a paz esteja com ele, para pregar a religião e estabelecer a Palavra de Deus na Terra. Mas “a expansão do Islão pela força” é facto que não está consoante a teoria e a prática do Islão, porque o Alcorão esclarece, textualmente, o seguinte:

“Não há compulsão no Islão” (2:256)

    . E os povos de outras fés não podem ser convertidos ao Islão pela força, mas, a força pode e deve ser usada para banir a hostilidade, a agressão que são o “estai do mastro principal” da perseguição, da opressão e da intolerância. Abul A´la Maududi, um conceituado pensador Islâmico, afirma o seguinte no seu erudito estudo intitulado “Al Jihad-fi al-Islam”:

“A “espada do Islão” é somente aguçada contra aqueles que são agressores, contra aqueles que desejam subjugar o Islão e os Muçulmanos, ou para aqueles que criam rotura neste mundo e empregam a opressão e a perseguição; mas aqueles que não são opressores, ou agressores, ou perseguidores, que não estão para eliminar o Islão, e aqueles que não destroem a paz e a tranquilidade da sociedade humana decididamente a “espada do Islão” não tem nada a fazer contra eles. Eles podem pertencer a outra fé, obsequiar e acarinhar qualquer crença, mesmo errada e anti-islâmica que seja, o Islão não os perturba, as suas vidas e propriedades são intocáveis, e a “espada do Islão” está impotente contra eles”. Aliás, este é um facto reconhecido, também, por Ocidentais não Muçulmanos; citaremos apenas a opinião de Lacy O’Leary, in Islam at the Crossroads, London, 1923, p. 8:

” A História esclarece que a lenda dos Muçulmanos fanáticos varrendo o mundo e forçando o Islão na ponta da espada sobre raças conquistadas, é um dos mais fantásticos e absurdos mitos que os historiadores, alguma vez, mencionaram”.

Em Resumo: Os versículos transcritos pela “Visão”, que falam em combate, referem-se à autorização de auto-defesa dada por Deus, no Alcorão, ao povo sobre o qual a guerra foi imposta pelos seus inimigos. Não é uma autorização para empreender uma guerra contra todos os povos não-Muçulmanos em geral mas, apenas, contra o povo que empreendeu guerra contra os Muçulmanos, ou que recorreu a perseguição e agressão contra o povo mais fraco e estabeleceu regimes tirânicos que suprimiram a sua liberdade. E isto é comprovado através de versículos do Alcorão, que a “Visão” omitiu (ou não descobriu?) pura e simplesmente:

“E combatei no caminho de Deus contra aqueles que vos combatem; porém, não provoqueis as hostilidades, porque Deus não ama os agressores”. (2:190)

E se eles se inclinarem para a paz, inclina-te tu, também, a ela e confia em Deus. Ele é Quem escuta e sabe. E se eles te enganarem, fica sabendo que Deus te é Suficiente. Ele é Quem ampara com a Sua ajuda e com a dos crentes”. (8:61-62)

A guerra é tolerável em legítima defesa e sob limites bem definidos. Quando empreendida, deve ser levada a cabo com vigor (mas não implacavelmente), e somente com a finalidade de restaurar a paz e a liberdade para prestar, livremente, culto a Deus, ou repôr a justiça. Em qualquer dos casos, os limites estrictos não devem ser transgredidos: mulheres, crianças, idosos e enfermos não devem ser molestados (ao contrário do que se passou e passa na Bósnia, actualmente um genocídio à luz do dia, em plena Europa! e ao contrário do que a própria Bíblia prescreve em passagens como:

“vai, pois, agora, fere Amalec e vota ao anátema tudo o que lhe pertence, sem nada poupar. Matarás homens e mulheres, crianças e meninos de peito, bois e ovelhas, camelos e asnos” I Samuel, 15:3;

“Quanto a esses meus inimigos, que não quiseram que eu reinasse sobre eles, trazei-os cá e degolai-os na minha presença” Lucas, 19:27;

“nem as árvores cortadas, nem as colheitas destruídas, nem a paz recusada, quando o inimigo chega a um acordo”Nota nº. 204 ao vers. 2:190 da Tradução Portuguesa do Alcorão Edição de Al Furqán.

A recomendação da guerra, nos versículos do Alcorão transcritos pela revista “Visão” refere-se a um contexto histórico circunstancial. A esse tempo “os Muçulmanos estavam exilados de Meca, onde os Pagãos que tinham instaurado uma autocracia intolerante, perseguiam os Muçulmanos, impedindo-os de visitar os seus lares, e até de realizar a Peregrinação, mediante força, durante aquele período, universalmente reconhecido, de tréguas. Tudo isso representava a intolerância, a opressão e a autocracia no seu último estado, bem como o limite da boa vontade por parte dos Muçulmanos para fazer valer os seus direitos, como cidadãos árabes, expresso num acordo fielmente cumprido pelos Muçulmanos, sem qualquer derramamento de sangue. No entanto, os pagãos de Meca não tiveram quaisquer escrúpulos em quebrarem tal acordo, revelando-se desnecessário descrever, aqui, os acontecimentos subsequentes” Nota nº. 205 ao vers. 2:191 da Tradução Portuguesa do Alcorão Edição de Al Furqán.

Terminamos este rápido esclarecimento, solicitando à Direcção da Revista “Visão” que do mesmo seja dado conhecimento aos leitores que, desta forma, ficarão em melhores condições para tirar as conclusões que se impuserem às suas consciências. Os Muçulmanos de Portugal agradecem e esperam, democraticamente, ver publicado o seu ponto de vista, que se fundamenta em princípios históricos e doutrinais, que devem ser postos ao alcance de quem busca, sinceramente, a Verdade.

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A crise financeira actual

Tradução e adaptação de: Prof. Samir El Hayek
Fontes: Estudo do Dr. Hussein Chahata, especialista nas transações financeiras islâmicas

Enviado pela Mesquita de Guarulhos – Sermão da Sexta-feira, 17 de Chauwal, 1429 – 17/10/2008, proferido pelo Sheikh Khaled Rezk Taky Eldin

Louvado seja Allah (Deus), o Criador, o Agraciante, o Onifeitor, o Formador. Nós O agradecemos pela dádiva do Islão. Se contardes as mercês de Allah, não podereis enumerá-las. Presto testemunho de que não há outra divindade além de Allah, em reco- nhecimento à Sua Unicidade e em confirmação à Sua promessa e generosidade. Presto testemunho de que Muhammad é Seu servo e Mensageiro, Seu escolhido e querido dentre as criaturas. Que Allah o abençoe e lhe dê paz bem como aos seus familiares, seus companheiros e aos que seguirem a sua orientação até o Dia do Juízo Final. Amén.

Allah, Ta’ála, diz: “Logo vos chegará a Minha orientação e quem seguir a Minha orientação, jamais se desviará, nem será desventurado. Em troca, quem desdenhar a Minha Mensagem, levará uma mísera vida, e o faremos comparecer, cego, no Dia da Ressurreição.” (20:123-124).

Allah fez descer o nosso pai, Adão, para a terra, enviando com ele o cânon da orientação divina. Quem se apegar a ele a felicidade o acompanhará onde estiver. Quem se negar a segui-lo, viverá aflito e perderá tanto nesta vida como na Outra.

Servos de Allah

O mundo hoje está passando por uma crise sufocante que ameaça as empresas de falência, e as pessoas em geral, de fome e empobrecimento, além de humilhar as nações. Esses problemas se devem, em primeiro e último lugar a negação das nações de recordarem-se de Allah, seguindo métodos económicos que consideram os juros como principal objetivo, mesmo sendo um dos pecados capitais, que promete ao praticante a afronta nesta vida a na Outra.

Os especialistas em economia de hoje em dia são unânimes em dizer que o motivo principal do pro- blema que o mundo enfrenta hoje em dia se deve ao sistema económico baseado nos juros.

A usura é dar e receber e a actividade de empréstimos se tornaram compra, venda e intermediação. O aumento da taxa de juros sobre os depósitos causou o aumento da taxa de juros sobre os empréstimos concedidos às pessoas físicas e jurídicas. Os beneficiados, em primeiro lugar, são os bancos, as financeiras, os intermediários financeiros, e os penalizados são os tomadores dos empréstimos.

Irmãos muçulmanos

Allah, exaltado seja, diz a verdade quando diz no Seu Livro Sagrado: “Allah destituirá a usura de todas as benesses e multiplicará a recompensa aos caritativos; Ele não aprecia nenhum incrédulo, pecador.” (2:176)

E diz: “Quando emprestardes algo com usura, para que vos aumente (em bens), às expensas dos bens alheios, estes não vos aumentarão perante Allah; contudo, o que derdes na forma de zakat, anelando contemplar o Rosto de Allah (ser-vos-á aumentado). A eles será duplicada a recompensa.” (30:39).

O Rassulullah (S) também disse a verdade quando declarou: “Se o juro aparecer em uma cidade, Deus irá destruí-la.”

E disse: “Toda vez que o juro aparecer num povo, aparecerá com ele a loucura.”

Allah combateu os juros em Seu Livro Sagrado, e considerou o envolvimento com eles um pecado capital. Ele prometeu uma hostilidade intensa. Ele disse: “Mas, se tal não acatardes, esperai a hostilidade de Allah e do Seu Mensageiro.” (2:279).

O

s juros foram a causa de destruição de países e o boicote à liberdade de outros.

No passado foi a causa de escravidão dos indivíduos.

Hoje é causa da escravidão dos povos com um método mais moderno.

Muitas instituições hoje em dia, no Ocidente, estão exigindo a aplicação dos ensinamentos islâmicos nas questões económicas.

Eis o redator chefe da Revista “Challenger”, uma das mais importantes revistas económicas da Europa publicou um editorial em 9-10-2008 com o título: “O Papa ou o Alcorão” em que diz: “Penso que estamos necessitando, nessa crise, ler mais o Alcorão, em vez do Evangelho para entendermos o que está acontecendo connosco e com os nossos bancos. Se os responsáveis pelos nossos bancos respeitassem o que o Alcorão contém de ensinamentos e regras, e os aplicassem, não estaríamos sofrendo tantas aflições e crises, e não teríamos chegado a essa situação de miséria, porque as moedas não geram moedas.”

Loran Laskin, redator chefe do jornal “Le Jornal Du Finance”, em seu editorial dessa semana exigiu a aplicação da lei islâmica nas questões económicas e financeiras. O artigo tinha o título “Será que o Wall Street está pronto para adotar a Lei Islâmica?”

A pesquisadora italiana Loretta Napoleoni, publicou um livro com o título: “A Economia do Chacal” em que disse: “O equilíbrio dos mercados financeiros pode ser conseguido graças ao financiamento islâmico depois da destruição do sistema ocidental que compara a economia islâmica de terrorismo.” E disse: “Os bancos islâmicos podem ser o substituto ideal dos bancos ocidentais.”

Morris Alé, o economista francês, propôs duas condições para a saída da crise e a restituição do equilíbrio: Estabelecer a taxa de juros no limite zero e revisar a taxa de imposto próxima dos 2%. É a forma de acabar com os juros e próxima do zakat no sistema islâmico. É o que foi confirmado por Adam Smith, o pai dos economistas, como é chamado, que a taxa de juros seja zero.

Servos de Allah:

São testemunhos de ocidentais, prestados sem camuflagem. De que a salvação da humanidade reside na aplicação da orientação divina.

É nosso dever divulgarmos essa verdade entre os filhos da nossa comunidade, e entre a comunidade brasileira.

O sistema económico islâmico é um sistema divino, baseado no princípio de facilitar as coisas às pessoas, principalmente àqueles que passam por situações compulsivas que os vedam de pagar. Allah Ta’ála, diz:

“Se vosso devedor se achar em situação precária, concedei-lhe um tempo; mas, se o perdoardes, será preferível para vós, se quereis saber.” (2:280).

* O sistema económico-financeiro islâmico está baseado numa série de valores, exemplos e condutas como: Confiança, fidedignidade, transparência, evidência, facilitação, cooperação, integração, solidariedade.” Não há economia islâmica sem moral.

* O sistema financeiro e económico islâmico é baseado numa base de participação no lucro e nas perdas, de circulação efetiva dos bens e recursos.

* A lei islâmica proibiu todo tipo de venda da dívida por dívida, como o desconto de duplicatas, de cheques pré-datados, como proíbe o sistema de indexação das dívidas com o aumento da taxa de juros.

Todas as transações citadas causaram a gravíssima crise económico-financeira mundial.

Por isso, caros irmãos muçulmanos, que Allah abençoe as vossas transações comerciais. Peçam a Allah a paz, confiem n’Ele, pois Ele é o Agraciante por natureza.

Peço a Allah que nos proteja nesta vida e na Outra.

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Legítima defesa ou crime?

Por Salem H. Nasser, professor de Direito Internacional, Direito GV (Edesp-FGV)

Talvez uma das frases mais significativas, de tudo aquilo que tem sido dito desde que eclodiu a última crise envolvendo o Líbano, o Hezbollah e Israel, é aquela do presidente americano, George Bush: “Israel tem o direito de se defender”. Então é isso: a posição oficial do governo da maior potência mundial, detentora de uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU, onde acaba, por sinal, de usar seu poder de veto contra uma resolução condenando os ataques israelitas contra civis em Gaza, é a de considerar que os ataques de Israel à população civil do Líbano e à sua infra-estrutura constituem actos de legítima defesa. Bush pede, é verdade, que o exercício desse direito de defesa seja comedido, cuidadoso. Mas o cuidado necessário nada tem a ver com a protecção de civis inocentes diante da violência indiscriminada ou com evitar que a população seja colectivamente punida e encarcerada em um acto de vingança. O cuidado a ser tomado é o de não fazer nada que derrube o governo libanês. É a expressão, portanto, de uma conveniência política e não de uma preocupação humanitária ou legal.

Comecemos lembrando o óbvio. Líbano e Israel não são países amigos. Além de ter sofrido por mais de 20 anos com a ocupação israelita e ser ainda hoje vitimado constantemente por violações de seu território, o Líbano reclama de Israel a devolução de uma parte do que considera ser seu território, a libertação e devolução de libaneses presos em Israel e a entrega dos mapas das minas terrestres plantadas no sul do Líbano e que lá permanecem. Israel, por sua vez, vê o Líbano como país que oferece grande risco à segurança de sua fronteira ao norte e reclama dos ataques a suas cidades a partir do território libanês. O Hezbollah e Israel são inimigos declarados. Eles têm protagonizado um face a face violento desde que o primeiro foi criado, em 1982, para resistir à ocupação israelita. Já os EUA são o maior e mais decisivo aliado de Israel, em favor de quem tentam fazer pender a balança de poder na região. Para isso, tentam enfraquecer a posição relativa do Líbano enquanto adversário de Israel e, para tanto, eliminar o Hezbollah. Nestas circunstâncias, é normal e é compreensível que os lados opostos por uma contenda olhem para os factos a partir de perspectivas diversas e interpretem e justifiquem a realidade de modos conflitantes.

O Hezbollah, desde sua perspectiva, apresenta a seguinte interpretação para o ataque aos soldados israelitas e a captura de dois deles: trata-se de uma operação militar, dirigida contra soldados de um país inimigo. Os objectivos declarados da operação são, por um lado, garantir os meios de negociar a libertação de prisioneiros libaneses e outros das prisões israelitas e, por outro lado, desferir um golpe que poderia ser útil na luta pela desocupação de uma parte do território libanês. A justificativa apresentada combina justamente a continuidade das detenções de libaneses, sem acusação nem julgamento, e a permanência da ocupação israelita nas fazendas de Chebaa. A justificação se estende para além disso: o Hezbollah se considera parte integrante da luta contra a ocupação por Israel dos territórios palestinos e responsável também pelo destino de milhares de presos palestinos que enchem há décadas, também sem acusação nem julgamento, as prisões israelitas. A justificação abarcará ainda a solidariedade com a população de Gaza, onde civis têm morrido às dezenas nos últimos dias.

A perspectiva israelita é diferente. Para Israel, o ataque do Hezbollah foi o acto criminoso de uma organização que considera terrorista. Criminoso porque operado sem provocação e com o desrespeito à linha azul separando os dois países. Os objectivos declarados de sua operação de guerra contra o Líbano são a recuperação dos soldados e a destruição da capacidade de acção do Hezbollah. Esses mesmos objectivos justificam, segundo Israel, o modo como tem atacado o Líbano e a escolha dos alvos. Os EUA partilham, de modo geral, dessa mesma visão das coisas.

Dentro do Líbano e no mundo árabe em geral é possível encontrar aqueles que criticam a acção do Hezbollah sem, evidentemente, concordar com a resposta israelita. Consideram alguns que, apesar de legítima, a acção contra soldados israelitas veio no momento errado, dando aos israelitas a oportunidade de reagir violentamente e fazendo com que a população inteira pague preço caro.

Existem diversas perspectivas e muitas dessas coisas, a justiça de cada causa, a oportunidade e a legitimidade de cada acção, podem ser de facto debatidas. Mas algumas coisas, vistas através de não importa qual lente, são o que são e devem ser chamadas pelo seu nome. A humanidade sempre conheceu a guerra e nosso senso de humanidade estabeleceu regras e nos ensinou o que era inadmissível. O direito, essa outra produção humana, define como crimes alguma acções.

Os ataques indiscriminados contra as populações civis são crimes. A punição colectiva dessas populações é crime. Se a consulta ao direito internacional for enfadonha, basta ao homem consultar a sua consciência e o seu bom senso. Se para recuperar dois soldados capturados é lícito despejar as bombas sobre as casas das famílias, matando-as inteiras, talvez não seja crime explodir a si próprio num supermercado cheio de civis inocentes para lutar contra a prisão arbitrária e por tempo indeterminado de milhares de homens, mulheres e crianças, ou lutar contra a ocupação de sua terra, ou insurgir-se contra a opressão permanente a todo um povo, sobretudo quando, para se explodir, podem combinar o desespero e a falta de outros meios.

Mas não, nem toda violência é legítima, ainda que seja justa a causa, e um crime não pode ser travestido de legítima defesa. As nossas consciências podem estar adormecidas e, talvez, aceitem que a etiqueta “danos colaterais” seja colada às crianças, às mulheres, aos inocentes. Elas podem estar hipnotizadas pela “versão oficial”, segundo a qual tudo começou com o seqüestro criminoso de soldados israelitas e deixa a impressão de que antes disso ninguém morria em Gaza e ninguém sofria sob Israel. Mas é sempre tempo de acordar.